Reportagens

MMA organiza seminário para proteção e uso sustentável da costa

Planejamento Espacial Marinho permitirá gerir e coordenar atividades humanas no oceano

 

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima organiza nesta semana o 1º Seminário sobre Planejamento Espacial Marinho (PEM) para avançar os debates sobre a proteção e uso sustentável de recursos e ambientes costeiros e marinhos no país. A abertura dos três dias de trabalhos aconteceu na segunda-feira (25/9) na sede do Ibama, em Brasília.

A ministra Marina Silva destacou a importância dos oceanos, responsáveis pela absorção de 25% das emissões de CO₂ e pela produção de cerca da metade do oxigênio necessário para a vida na Terra. Marina ressaltou os benefícios sociais, culturais, éticos e econômicos dos mares:

“Não estamos falando em momento algum de uma área desprezível, muito pelo contrário, estamos falando de uma Amazônia Azul. E com todos esses esforços que estamos tendo, vamos não só preservar, mas dar o uso correto para essas imensas riquezas naturais”, discursou.

O PEM é um instrumento para gerir e coordenar atividades humanas no oceano, buscando equilibrar desenvolvimento socioeconômico e proteção do meio ambiente. Na Conferência da ONU para os Oceanos, em 2017, o Brasil assumiu o compromisso voluntário de implementá-lo até 2030.

O objetivo do planejamento é identificar e mapear os diferentes usos do oceano, como pesca, transporte marítimo, turismo, produção de energia, pesquisa e conservação da biodiversidade. É também destinar áreas adequadas para cada atividade, para evitar a exploração em regiões de risco para as espécies marinhas e aumentar a segurança jurídica de atividades econômicas.

A implementação do PEM é liderada pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CRIM), formada por 26 representantes de ministérios, entre eles o MMA, agências e outros órgãos do governo.

O planejamento começará pela região Sul, que corresponde a 13% da Amazônia Azul e tem cinco dos dez principais portos do país, além de maior disponibilidade de dados relevantes para o processo. A primeira etapa deve levar cerca de três anos, segundo a Marinha.

A secretária nacional de Mudança do Clima do MMA, Ana Toni, citou a função reguladora que os oceanos exercem sobre o clima. A secretária ressaltou a urgência do planejamento espacial e marinho da Amazônia Azul, região que inclui a Zona Econômica Exclusiva e a plataforma continental brasileira:

“Se os nossos oceanos não estão bem, o clima não está bem. A gente está vendo o que está acontecendo agora com o El Niño, que combinado com as mudanças do clima e o aquecimento global, principalmente o aquecimento dos oceanos, tem causado um estrago imenso”, discursou.

Também participaram da abertura o secretário executivo do Ministério da Pesca e Aquicultura, Carlos Mello; o secretário nacional de Infraestrutura, Crédito e Investimento do Ministério do Turismo, Carlos Henrique Menezes Sobral; o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho; e os subchefes de Assuntos Marítimos do Estado-Maior da Armada da Marinha, contra-almirantes Carlos Mourinho e Carlos Henrique Zampieri.

“Nós dependemos do mar. Essa é a inexorável razão pela qual nós aqui estamos. Se estamos aqui sentados, trajando nossas roupas, tudo, ou 98% disso, passou pelo porão de um navio. Do mar, nós não escapamos”, disse Zampieri.

Agenda Gerco

Após a abertura, um painel discutiu os conceitos básicos do PEM, que deve também integrar planejamento setoriais e de negociação, além de gestão, governança e áreas técnicas. Outra mesa abordou ferramentas e experiências internacionais com Planejamento Espacial Marinho, reunindo pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

O seminário marcou também o relançamento da Agenda de Gerenciamento Costeiro (Gerco), com a participação de representantes dos Estados e apoio do projeto Terra Mar, parceria entre MMA, ICMBio e GIZ. Resultado de um trabalho que envolveu o Grupo de Integração dos Estados Costeiros brasileiros (G17), o documento identifica ações prioritárias para o gerenciamento costeiro no país.

O segundo dia de atividades do seminário (26/9), na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), foi dividido em duas etapas. Na primeira, os participantes conheceram o MSP Challenge, jogo que simula situações encontradas no ordenamento das atividades no mar. Posteriormente, houve treinamento em mapeamento marinho participativo.

Na quarta-feira (27/9), os participantes do workshop darão início às atividades mais concretas de construção do PEM. Eles vão discutir os princípios e a visão para o planejamento marinho no Brasil.

“Esperamos ter como resultado os princípios norteadores para o PEM no Brasil, assim como uma visão prévia do que queremos para a Amazônia Azul (como é chamada a área marinha brasileira)”, disse a diretora do Departamento de Oceano e Gestão Costeira do MMA, Ana Paula Prates.

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Reportagens

Jovens negros do Rio e da Bahia recebem bolsa para estudar no exterior

Os três estudantes selecionados pelo Fundo Baobá receberão R$ 42 mil

Publicado

em

Por

Matheus Crobelatti* – Estagiário da Agência Brasil

Estudar no exterior é a vontade de muitas pessoas ao longo da vida. Cursar a graduação em outro país permite não só acessar ambientes de excelência acadêmica global, mas também construir conexões culturais. Mas se o processo de aprovação já apresenta desafios robustos, fica ainda mais difícil ter os recursos necessários para permanecer nesses espaços.

É com base nessa percepção que o Fundo Baobá – instituição social que busca promover a equidade racial – criou o programa Black STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). A iniciativa selecionou três estudantes negros para receberem a bolsa de R$ 42 mil destinada à permanência no exterior. Eles embarcam em setembro para cursar a graduação.

Esta semana, a instituição deu boas-vindas aos três estudantes aprovados no programa:  

  1. Caio Ramos vai estudar Design, no Dubai Institute of Design and Innovation (Didi), nos Emirados Árabes Unidos;
  2. Quezia Fernanda cursará Engenharia Elétrica, na Universidade de Jaén, na Espanha;
  3. João Vitor será aluno de Ciência da Computação, na Northwestern University, nos Estados Unidos.
Brasília - 06/08/2026 - Projeto premia estudantes com bolsa para continuidade de estudos no exterior. Foto:  Thalita Guimarães
Estudantes João, Caio e Quezia foram selecionados para bolsa de R$ 42 mil, destinada à permanência no exterior – Foto: Thalita Guimarães

Design

Caio Ramos, de 23 anos, é morador de Irajá, cidade do Rio de Janeiro. O estudante escolheu estudar em Didi, após se encantar pela cidade de Dubai, em uma viagem em família.

Antes da aprovação, Caio passou por severos desafios acadêmicos e familiares. Durante a pandemia de covid-19, em 2020, o estudante ficou sem aulas durante um ano inteiro, porque sua escola não tinha estrutura para fornecer aulas online.

No mesmo ano, o pai de Caio começou a apresentar sintomas de Alzheimer e Parkinson. Com o avanço das doenças degenerativas, ele teve que parar de trabalhar.

Sem recursos financeiros para contratar um cuidador e diante do alto custo dos remédios, Caio precisou começar a trabalhar em 2022 para ajudar no sustento da casa.

Essa nova rotina prejudicou a entrada no ensino superior. Apesar das dificuldades, ele conta que busca não se limitar. Essa determinação é o impulso para procurar alternativas internacionais.

“Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas eu sei também que é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas”, destacou Caio.

Engenharia

A estudante Quezia Fernanda nasceu em Rio das Ostras, também no estado do Rio de Janeiro. A jovem de 19 anos cursou o ensino médio técnico em automação industrial no Instituto Federal Fluminense.

Foi por meio de uma parceria entre o instituto e a Faculdade de Jaén, na Espanha, que a jovem teve acesso à informação sobre a existência de uma bolsa de estudos no exterior, permitindo-lhe perseguir um sonho que antes considerava distante.

Durante bate-papo no evento de boas-vindas, com a jornalista Adriana Couto, ela contou sobre a motivação em cursar Engenharia Elétrica.

“Vindo de Macaé, capital do petróleo no Brasil, sei bem como a área da energia é fundamental. Vi na engenharia elétrica possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero poder me aprofundar na área sustentável,” explicou Quezia.

Computação

O terceiro estudante contemplado pela bolsa é João Vitor, da cidade de Cruz das Almas, na Bahia. Desde a infância, ele conta ter facilidade com computação e interesse pela manutenção de computadores. Essa afinidade foi consolidada quando ingressou no Instituto Federal para cursar informática.

O jovem cresceu no Recôncavo Baiano, o que lhe permitiu conviver de perto com lideranças negras e comunidades quilombolas. A decisão de estudar na Northwestern University ocorreu quando ele descobriu que a instituição contava com Jean, um estudante brasileiro de origem quilombola.

“Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram, que me aconselharam e que abriram as portas para mim”, ressalta João Victor.

Permanência

Além do valor destinado para custear moradia, transporte, alimentação e material acadêmico, o programa fornece mentorias de carreira, workshops, conexões com lideranças negras e acompanhamento psicológico.

O diretor-executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, explicou que oferecer rede de apoio e de suporte é extremamente importante para a permanência dos estudantes em outros países.

“Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza e para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental, que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte.”

Segundo ele, a iniciativa busca criar condições para despertar em pessoas negras a crença de que é possível alcançar e ocupar espaços de destaque.

*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior

Continue Lendo

Reportagens

Circuito Paroquial leva turismo religioso a sete regiões do Distrito Federal

Projeto valoriza festas tradicionais de matriz católica, incentiva o deslocamento de visitantes e movimenta a economia local

Publicado

em

Por

 

Por

Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

O Distrito Federal recebe, entre agosto e outubro, o Circuito Paroquial do Distrito Federal, iniciativa voltada para o fortalecimento do turismo religioso e a valorização das festividades tradicionais de matriz católica. Realizado em sete localidades, o projeto descentraliza o fluxo turístico e amplia a movimentação de visitantes e a geração de renda em diferentes regiões administrativas.

A programação teve início em agosto, com duas festas realizadas no mesmo fim de semana: na Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Taguatinga, entre os dias 7 e 9 de agosto; e na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Ceilândia, nos dias 8 e 9 de agosto.

O circuito segue com outras cinco festividades programadas até outubro:

  • Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Samambaia: 14 a 16 de agosto;
  • Paróquia Nossa Senhora das Lágrimas, em Vicente Pires: 12 e 13 de setembro;
  • Paróquia São José, em Samambaia: 11 a 13 de setembro;
  • Paróquia São Pedro e São Paulo, em Taguatinga: 19 e 20 de setembro;
  • Paróquia João Paulo II, no Jardins Mangueiral: 10 e 11 de outubro.

A expectativa do projeto é reunir cerca de 5 mil pessoas por edição, alcançando aproximadamente 35 mil visitantes ao longo de todo o circuito. Além das celebrações religiosas, as festividades contam com apresentações de bandas regionais, barracas gastronômicas, espaços de convivência e estrutura preparada para receber o público com segurança e acessibilidade.

 

O circuito fortalece o turismo religioso, a economia criativa e o empreendedorismo local

O circuito também contribui para o fortalecimento da economia criativa e do empreendedorismo local, a partir da contratação de bandas regionais e da participação de comerciantes e empreendedores responsáveis pelas barracas de alimentação e serviços, contribuindo para a geração de trabalho e renda durante os eventos.

Outro objetivo é incentivar o deslocamento de moradores de diferentes regiões do Distrito Federal e do Entorno motivados pela fé, devoção e interesse pelas manifestações culturais e religiosas. Dessa forma, o projeto contribuiu para ampliar a circulação de pessoas pelo território e estimular o consumo de produtos e serviços nas comunidades que recebem as festividades.

Continue Lendo

Reportagens

Giro Distrital destaca aprovação do projeto de passe livre estudantil

Foto: Reprodução / TV Câmara Distrital

Publicado

em

Por

 

Já está no ar a 211ª edição do programa Giro Distrital, com o resumo da semana na Câmara Legislativa e reportagens que aprofudam os temas discutidos na Casa de Leis do Distrito Federal.

Nesta edição:

1) De volta ao Plenário! Deputados distritais abrem trabalhos do segundo semestre com pronunciamentos;

2) Tarifa Zero: projeto aprovado na CLDF amplia possibilidade de uso do passe livre estudantil;

3) Arte plural: diversidade de estilos é destaque da nova exposição em cartaz na CLDF;

4) Natureza em foco: reportagem especial explica por que a CLDF reconheceu a Fercal como patrimônio do ecoturismo;

5) Os destaques da semana na Câmara Legislativa.

O Giro Distrital é um programa da TV Câmara Distrital, com transmissão todo domingo às 12h nos canais 9.3 (aberto), 11 (Claro) e 9 (Vivo), com reprises ao longo da semana.

 

Agência CLDF

Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010