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Espaço Cultural Renato Russo, epicentro da cultura de Brasília

Berço da cena artística local, centro cultural nasceu do anseio dos primeiros moradores da capital por um local dedicado a artes cênicas, cinema, literatura, música e artes plásticas

 

Por Victor Fuzeira, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

 

Prestes a completar 50 anos, o Espaço Cultural Renato Russo (ECRR), na 508 Sul, emerge como um ponto de encontro entre a arte e a história de Brasília. Berço cultural da capital federal, o centro surgiu do anseio dos primeiros moradores do Quadradinho por um espaço para a manifestação artística e, em pouco tempo, se tornou referência no fomento das artes cênicas, cinema, literatura, música e artes plásticas brasiliense.

Nesta quinta-feira, a Agência Brasília conta a história de um dos mais icônicos espaços culturais do Distrito Federal em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF, que utiliza a sigla em inglês de throwback thursday (em tradução livre, “quinta-feira de retrocesso”), para relembrar fatos marcantes da nossa cidade.

Antes de ser batizado com o nome de um dos principais artistas brasilienses, o Espaço Cultural Renato Russo era conhecido como Teatro Galpão | Foto: Divulgação/ Arquivo Público

Antes de ser batizado com o nome de um dos principais artistas brasilienses, o Espaço Cultural Renato Russo era conhecido como Teatro Galpão. O apelido remete aos primeiros anos do local, ainda em 1974, quando os galpões que funcionam como depósitos da extinta Fundação Cultural do DF se transformaram em palcos para a exibição de peças e shows.

O primeiro espetáculo exibido foi o sucesso de público e crítica O Homem que Enganou o Diabo e Ainda Pediu Troco, do jornalista Luiz Gutemberg, sob a direção de Lais Aderne.

Em 1975, Wladimir Murtinho, então secretário de Educação e Cultura do DF, decidiu ampliar o espaço e rebatizá-lo de Centro de Criatividade – um local que, além do Teatro Galpão, passou a ter galerias de arte e o Galpãozinho. O nome mudou logo em seguida, quando o equipamento passou a se chamar Espaço Cultural 508 Sul.

A história do ECRR se confunde com as de artistas brasilienses | Foto: Divulgação/ Arquivo Público

Neste período, além das apresentações teatrais, foram integrados ao Teatro Galpão shows musicais com programação eclética capaz de reunir as mais diferentes tribos, de punks a artistas da MPB, todas as segundas-feiras, na Feira de Música.

Relação com Renato Russo

Um dos grupos musicais a se apresentar no espaço em seu auge foi o Aborto Elétrico, uma das primeiras bandas de Renato Russo, que, posteriormente, foi a responsável pelo surgimento do Capital Inicial e da própria Legião Urbana, ambas em 1982.

Frequentador assíduo do equipamento, o também músico André Negão, de 58 anos, esteve nos primeiros shows de Renato Russo no local. “Eu vinha aqui quando ninguém o conhecia, ainda na época do Galpãozinho. Eu vinha ver ele tocando Eduardo e MônicaFaroeste Caboclo, e o mais engraçado era ver o povo vaiando”, narra.

André Negão acompanhou o início da carreira do Legião Urbana no espaço: “O mais engraçado era ver o povo vaiando” | Foto: Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília

Ele afirma que o local foi determinante para a própria carreira artística: “Para minha geração, o Espaço Cultural Renato Russo é o berço da cultura brasiliense. Aqui, era um polo de cultura muito forte”.

Histórias como a de Renato Russo e André Negão se confundem com as de vários outros frequentadores do equipamento. É o caso de Renato Matos, pioneiro formado nas dependências do ECRR. Hoje, aos 72 anos, o ator, pintor e cantor diz, com orgulho, ter bebido da fonte da cena cultural da época. Fazia questão de estar presente toda semana no endereço. “Foi um dos primeiros locais em que toquei em Brasília; fiz vários shows lá enquanto estava no grupo Pitu. Também participei de peças teatrais. A primeira vez que apresentamos uma peça em Brasília foi lá: Os Saltimbancos”, lembra.

Renato Matos: “Naquele tempo não tinha internet, então Brasília tinha mais atenção à cultura local, e lá era um dos lugares mais livres para manifestação da arte” | Foto: Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília

Para Matos, o motivo para o sucesso do equipamento era a liberdade para que os artistas locais pudessem produzir no espaço. “Naquele tempo não tinha internet, então Brasília tinha mais atenção à cultura local e lá era um dos lugares mais livres para manifestação da arte. Dava para fazer tudo ali, a vida era efervescente”, lembra. “Eu sigo lá até hoje. Estive, em outubro do ano passado, com uma exposição das minhas pinturas e esculturas de madeira”.

Homenagem

Anderson Rogê adianta que o ECRR deverá receber em breve uma musiteca | Foto: Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília

Em janeiro de 1999, em homenagem ao líder da banda Legião Urbana, o equipamento ganhou o nome de Espaço Cultural Renato Russo, consolidando-se ainda mais como parte essencial da formação artística e cultural da juventude do DF.

Nos anos subsequentes à homenagem, o ECRR passou por reformas amplas e estruturais que adequaram o ambiente aos padrões de acessibilidade. “Ao longo desses 50 anos, fomos construindo nosso espaço na cena cultural brasiliense. Hoje, temos cinco salas que atendem à área de artes no sentido geral”, detalha o gerente atual do espaço, Anderson Rogê.

Atualmente, o equipamento abrange salas, galerias e teatros com perfis variados para receber apresentações artísticas e culturais de diferentes linguagens. São dois teatros, um cineteatro, galerias para exposições, ateliê de pintura, biblioteca, galpão de artes e mezanino dedicado a atividades diversas, como exposições, shows e saraus.

“Será um ambiente para as pessoas discutirem sobre música, ouvirem um disco de vinil. Será permitido trazer seu disco de casa para ouvir aqui, com um grupo de conversa focado na história musical”

Anderson Rogê, gerente do ECRR

Outro ambiente recém-inaugurado foi a nova gibiteca, que estava fechada há quase dez anos. Com um investimento de R$ 60 mil, o Governo do Distrito Federal (GDF) deu cara nova ao local, tão importante para a formação de ilustradores e quadrinistas brasilienses. São quase 25 mil exemplares de revistas em quadrinho no acervo.

E há mais por vir. Em breve, o local passará a ter também uma musiteca. “Será um ambiente para as pessoas discutirem sobre música, ouvirem um disco de vinil. Será permitido trazer seu disco de casa para ouvir aqui, com um grupo de conversa focado na história musical”, explica Rogê. “Nossa expectativa é inaugurar esse novo espaço no primeiro semestre”.

Gestão e programação

O ECRR é gerido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec) em parceria com a organização da sociedade civil (OSC) Janela das Artes, responsável pela definição da programação mensal gratuita para cada uma das salas, galerias e teatros.

George Obara é diretor do Grupo Cultural Obará e dá aulas de percussão e dança afro nas salas do ECRR. Ele classifica como “mágica” a oportunidade de poder lecionar nas dependências de um lugar ícone da cultura brasiliense. “O grupo Cultural Obará é um dos primeiros em Brasília a disseminar a cultura e a arte negra, a valorização do povo preto desde a sua culinária até suas danças, artes cênicas”, ressalta.

O professor diz guardar experiências marcantes ou memórias especiais no endereço. “A gente realizou o primeiro seminário de cultura negra de Brasília no Espaço Cultural Renato Russo. Eu acho que isso é um grande marco”, pontua.

 

 

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SÃO LOURENÇO

Uma estância hidromineral no Sul de Minas que vai além de suas sagradas águas medicinais

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O Dia da ave e a ave Nacional

Dalgas lutou para criar o Dia da Ave e para fazer do Sabiá a Ave Nacional

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O SENHOR DOS PÁSSAROS 6

O Dia da ave e a ave Nacional

1 de julho de 2024

Dalgas lutou para criar o Dia da Ave e para fazer do Sabiá a Ave Nacional

Silvestre Gorgulho

 

 

O Dia da Ave é comemorado no Brasil desde 1968. Em 2002, a o Dia da Ave se revestiu de mais significado, pois todas as aves brasileiras passaram a ter, simbolicamente, uma única ave para representá-las: o sabiá laranjeira (Turdus rufiventris) que se transformou na Ave Nacional.

Dalgas lutou para criar o DIA DA AVE, em 5 de outubro. No diploma para as escolas tinha a assinatura do ministro da Educação, Jarbas Passarinho, e de outras autoridades. As duas últimas assinatura: Edson Arantes do Nascimento, o Rei PELÉ e do próprio Dalgas.

O ato burocrático que garantiu o sabiá laranjeira como Ave Nacional foi justamente por sua importância no folclore popular e na literatura do País. A iniciativa para fazer do Sabiá a Ave Nacional partiu o engenheiro e ornitólogo Johan Dalgas Frisch.

Segundo Dalgas Frisch, a APVS deu início a uma campanha em defesa do sabiá-laranjeira (Turdus Rufiventris). “Tivemos o apoio até do escritor Jorge Amado. E em agosto de 2002, a “Folha do Meio Ambiente”, jornal pioneiro na cobertura da temática ambiental, promoveu junto a seus mais de 150 mil leitores e 200 mil internautas, durante um mês, uma enquete para a escolha da ave nacional. Havia duas propostas: o sabiá e a ararajuba. Ganhou o sabiá (Turdus rufiventris) com uma grande vantagem: 91,7% na preferência popular”.

Dalgas Frisch conta que, diante da inequívoca preferência nacional, os então ministros do Meio Ambiente, José Carlos de Carvalho, Paulo Renato de Souza, da Educação, e o chefe da secretaria da Presidência da República, Euclides Scalco, assinaram em conjunto uma exposição de motivos que foi aceita e sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi feito um novo decreto, retificando os anteriores e determinando o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) como ave-símbolo da ornitologia e ave nacional do Brasil.

 

O Decreto

DECRETO DE 3 DE OUTUBRO DE 2002

Dispõe sobre o “Dia da Ave” e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso II, da Constituição, DECRETA:

Art. 1 – O “Dia da Ave”, instituído pelo Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968, será comemorado no dia 5 de outubro de cada ano.

Art. 2 – O centro de interesse para as festividades do “Dia da Ave” será o Sabiá (Turdus Rufiventris), como símbolo representativo da fauna ornitológica brasileira e considerada popularmente Ave Nacional do Brasil.

Art. 3 – As comemorações do “Dia da Ave” terão cunho eminentemente educativo e serão realizadas com a participação das escolas e da comunidade.

Art. 4 – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5 – Revoga-se o Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968.

Brasília, 3 de outubro de 2002; 181o da Independência e 114º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

 

Em outubro de 2002, José Carlos Carvalho, então  ministro do Meio Ambiente, recebeu de Johan Dalgas Frisch todos os estudos para que o Brasil pudesse definir o SABIÁ como Ave Nacional.

 

O jornal FOLHA DO MEIO AMBIENTE trouxe a reportagem completa na edição 129 de outubro de 2002.

 

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Só discursos e barrativas não apagam fogo

No Pantanal foram detectados 3.262 focos de queimadas com aumento de 22 vezes em relação ao ano passado

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Os biomas brasileiros registraram recordes de queimadas nos primeiros seis meses de 2024. Levantamento feito pela WWF-Brasil mostra salienta que o Pantanal e o Cerrado totalizaram a maior quantidade de focos de incêndio para o período, desde o início das medições em 1988 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

 

Em relatório, a WWF-Brasil acende luz de alerta vermelha:

  • No Pantanal, de 1º de janeiro a 23 de junho, foram detectados 3.262 focos de queimadas, um aumento de mais de 22 vezes em relação ao mesmo período no ano anterior. Este é o maior número da série histórica do INPE.
  • Entre janeiro e junho de 2024, quase todos os biomas brasileiros tiveram um aumento no número de queimadas em comparação ao mesmo período de 2023, exceto o Pampa, afetado por chuvas responsáveis pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
  • Na Amazônia, foram detectados 12.696 focos de queimadas entre 1º de janeiro e 23 de junho, um aumento de 76% em comparação ao mesmo período no ano passado, o maior valor desde 2004.

 

SESC PANTANAL FAZ QUEIMA CONTROLADA PARA EVITAR GRANDES INCÊNDIOS

 

O Sesc Pantanal é um exemplo no manejo de sustentabilidade. Com mais de 110 mil hectares de área total, que corresponde a 1% do Pantanal Matogrossense, a área do Sesc virou importante polo de ação econômica e ambiental nos municípios de Barão de Melgaço e Poconé, a pouco mais de 100 km de Cuiabá. Nesses 27 anos de funcionamento, a RPPN do Sesc promoveu vários tipos de atividades desde a produção de livros, documentários sobre a região, educação ambiental, pesquisas científicas, combate a incêndios florestais, ensino a distância, formação de mão de obra, qualificação de trabalhadores e formação de professores. Agora, diante dos terríveis incêndios florestais no Pantanal, o Sesc antecipou algumas técnicas para conter as queimadas. Uma delas é o uso do próprio fogo para evitar sua propagação.

 

 

Reserva do Sesc Pantanal é a primeira a realizar queima prescrita em unidades 

de conservação no Pantanal de MT (Fotos: Jeferson Prado)

Antes de julho, já em junho, começou nesta semana no Pantanal de Mato Grosso o período proibitivo de uso do fogo em 2024. Anteriormente era para 1º de julho. A antecipação ocorre em razão da estiagem severa prevista para os próximos meses, conforme monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), somente será autorizado o uso do fogo para fins preventivos, como a queima prescrita realizada pela Reserva Particular do Patrimônio Natural, RPPN Sesc Pantanal, a primeira em unidades de conservação no Pantanal Norte a efetuar o procedimento.

“Somente serão autorizados fogos preventivos, com o objetivo de diminuir a propagação de grandes incêndios na região, com autorização e orientação do Corpo de Bombeiros e Secretaria de Meio Ambiente”, informou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti. Este é o caso da queima prescrita que faz parte do Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) da RPPN Sesc Pantanal, a maior do Brasil, localizada em Barão de Melgaço (MT). Referência em prevenção a incêndios no Pantanal, a Reserva começou no dia 14 de junho a executar a técnica comprovadamente eficaz em outros biomas brasileiros e em outros países. A queima já havia sido realizada na área em 2021, em caráter de pesquisa.

 

FOGO EM ÁREAS CONTROLADAS

O processo consiste em aplicar chamas de baixa intensidade em áreas controladas, com vegetação mais adaptada ao fogo. Essa queima auxilia na redução de materiais secos com potencial para propagar o fogo, evitando incêndios de grandes proporções. A queima é feita em mosaico, com o objetivo de proteger os 108 mil hectares da RPPN.

 

 

De acordo com a gerente-geral do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, o PMIF (que pode ser acessado no site www.sescpantanal.com.br), representa um importante avanço pela prevenção do Pantanal. “O objetivo é que ele seja aprimorado e apropriado por outras instituições que planejam adotar a abordagem de MIF. Assim, avançamos como um todo para o manejo mais adequado do bioma, considerando a ampla diversidade de uso e ocupação dos territórios pantaneiros”, diz Cuiabália, destacando o pioneirismo do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa nacional do Sistema CNC-Sesc-Senac

 

OPERAÇÃO PANTANAL 2024

O Governo de Mato Grosso lançou a Operação Pantanal 2024 de combate a incêndios no Pantanal no dia 17 de junho, sob coordenação da Sema-MT e Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT). A abertura foi realizada no Parque Sesc Baía das Pedras, unidade do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, localizada em Poconé (MT). Em 2020, o lugar foi utilizado como Posto de Comando da Operação Pantanal II. Naquele ano, 4 milhões de hectares do Pantanal foram afetados por incêndios florestais no bioma.

E Mato Grosso fez um pacto interfederativo com o Governo Federal, Mato Grosso do Sul e Estados do Amazônia Legal para o combate aos incêndios florestais no Pantanal e na Amazônia. O objetivo é promover uma atuação coordenada e integrada para efetivar a prevenção, o controle e o manejo do fogo, de modo a proteger essas regiões de significativa importância ecológica, econômica e social.

 

 

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