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A DIPLOMACIA E A BICICLETA
Arthur, o meu neto Tutu, é especial. Todos os netos e todas as crianças são especiais.
Por inúmeras vezes visitamos juntos os pontos turísticos de Brasília. Obras do arquiteto Oscar Niemeyer, como a Torre Digital, Memorial JK, Palácio da Alvorada, Palácio do Planalto, Congresso Nacional, Catedral e até a Pedra Fundamental de Brasília, construída em Planaltina, 7 de setembro de 1922, para comemorar os 100 anos da Independência.
Um dia, quando Tutu tinha 4 ou 5 anos, vendo o artista plástico Carlos Bracher pintar um quadro de Brasília, mais precisamente o Palácio do Itamaraty, ele ansioso cobrou do artista:
– Está faltando o Meteoro.
– Calma, Tutu, deixa eu terminar. Você acha que vou esquecer o Meteoro do Bruno Giorgi?
Bracher não só colocou o Meteoro no quadro como ainda deu uma aula sobre Bruno Giorgi e o significado do Meteoro.
– Tutu, o Meteoro aqui vai muito além de um fenômeno luminoso. Todo mundo conhece meteoro como uma estrela cadente. Mas aqui nos jardins do Itamaraty, projetado por Burle Marx, essa obra do escultor Bruno Giorgi tem outro significado. Este meteoro feito com mármore de carrara, colocada no espelho d’água, tem um simbolismo muito forte. Tutu, você tem razão em reclamar que eu ainda não coloquei o meteoro no quadro.
– Mas, o que ele significa?
– Tutu, esse é o Palácio do Itamaraty. É o edifício do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, onde ficam os diplomatas. Os diplomatas praticam a diplomacia que é justamente a arte de conversar, de negociar e de interagir com outros povos. A diplomacia ajuda a proteger os interesses dos cidadãos e empresas do Brasil entre as outras nações do mundo. Pela diplomacia, os embaixadores e toda equipe técnica do Itamaraty ajudam a promover a imagem e os valores da cultura brasileira no exterior.
– E por que o Meteoro está ali?
– Ele é um símbolo. Esse Meteoro é um bloco de mármore, aliás, são blocos de mármores em peça única representando todos os continentes. Seria como os continentes formando o Planeta Terra. É como se todas as nações de todos os continentes conversassem entre si, simbolizando o diálogo e a diplomacia. É uma alusão de que os povos devem resolver suas diferenças e defender seus interesses conversando e não fazendo guerras.
E o Tutu vai assim aprendendo História, entendendo o museu a céu aberto que é Brasília e conhecendo cada dia mais a História da Capital de seu país.
Pois, neste domingo ensolarado de 18 de agosto, já com nove anos e quatro meses, Tutu estreou seu novo presente, rodando a Esplanada dos Ministério com a bike que ganhou do vovô.
Agora, de vovô para neto:
– Tutu, diplomacia é como andar de bicicleta: tem que se equilibrar em conversas, em atos, frear de vez em quando, acelerar quando precisa, fazer curvas para não cair, não bater em outras bicicletas e não se esborrachar no chão. Cair e se machucar é como entrar numa guerra que só provoca feridas e tristezas.