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Brics contorna barreiras dos EUA em disputa tecnológica com China

Cúpula começa nesta terça-feira, em Kazan, na Rússia

 

Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

 

Um dos papéis do Brics é contornar as dificuldades impostas pelos Estados Unidos e seus aliados ao avanço comercial e tecnológica da China. Países que sofrem bloqueios econômicos de potências ocidentais – como Irã e Rússia – também precisam do bloco para contornar a asfixia financeira das sanções. Enquanto isso, Brasil deve se equilibrar entre os dois principais blocos geopolíticos em disputa para colher benefícios comerciais e tecnológicos.

Avaliação é de especialistas em relações internacionais consultados pela Agência Brasil sobre a 16ª Cúpula do Brics em Kazan, que será realizada na Rússia, entre os dias 22 e 24 de outubro. O encontro deve reunir 23 chefes de Estado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa presencialmente do encontro por ter sofrido um acidente doméstico no último sábado (19). Sua participação deve ocorrer por videoconferência.

Brasília (DF) 18/10/2024 - O professor de direito do comércio internacional da Universidade de São Paulo (USP), José Augusto Fontoura Costa.
Foto: José Augusto Fontoura Costa/Arquivo Pessoal
O professor de direito do comércio internacional da Universidade de São Paulo (USP), José Augusto Fontoura Costa. Foto – José Augusto Fontoura Costa/Arquivo Pessoal

Segundo o professor de direito do comércio internacional da Universidade de São Paulo (USP), José Augusto Fontoura Costa, a China vem sofrendo com sanções econômicas estadunidenses e europeias que tentam barrar o avanço tecnológico da potência asiática.

As medidas incluem proibições de investimentos chineses nos EUA, da exportação de tecnologia avançada para a China, além da campanha para excluir empresas chineses na expansão da internet 5G, de alta velocidade.

“Os Estados Unidos estão em clara guerra comercial com a China para tentar conter o desenvolvimento chinês. Por isso, a China tenta construir um espaço para sua atuação econômica, e isto é uma das coisas que interessa ao Brasil e interessa virtualmente a todos os demais participantes do Brics”, explicou.

O especialista em política internacional destacou que o principal campo de embate entre China e EUA é nos setores de tecnologia de ponta, como chips, foguetes, biotecnologia, medicamentos e química avançada.

“É nesse campo que vai se definir quando e quem vai ser o novo ator hegemônico no mundo, se vai continuar sendo EUA, se a China vai passar ou se vai chegar em um equilíbrio”, comentou.

Formado até então por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o Brics recebeu cinco novos membros neste ano: Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Egito. Além disso, existe a expectativa de novos parceiros serem anunciados.

Imperialismo

A coordenadora do grupo de pesquisa sobre Brics da PUC do Rio de Janeiro, a professora Maria Elena Rodríguez, explicou que é de interesse das potências ocidentais manter o controle sobre as principais tecnologias de ponta.

“Isso ocorre por causa do interesse econômico. Se eu controlo uma tecnologia que ninguém mais tem, todos vão depender de mim, não só economicamente, mas também em termos de necessidades. É uma forma de manter os outros países na dependência. É o que a gente chama de imperialismo e de hegemonia e, quando se trata de tecnologia, há um pouco de colonialismo”, explicou.

A especialista em relações internacionais acredita o Brics deve desenvolver um papel para fortalecer a cooperação tecnológica entre os estados-membros.

Brasília (DF) 18/10/2024 - A coordenadora do grupo de pesquisa sobre Brics da PUC do Rio de Janeiro, a professora de relações internacionais, Maria Elena Rodríguez
Foto: Maria Elena Rodríguez/Arquivo Pessoal
A coordenadora do grupo de pesquisa sobre Brics da PUC do Rio de Janeiro, a professora de relações internacionais, Maria Elena Rodríguez Foto – Maria Elena Rodríguez/Arquivo Pessoal

“Seguramente os bancos ocidentais, como o Banco Mundial, não têm tanto interesse que os países desenvolvam efetivamente muita tecnologia, mas penso que esse é um papel do Banco dos Brics, que tem ajudada os países a alcançarem níveis de desenvolvimento importantes”, completou Maria Elena.

Para o professor José Augusto, o Brics deve estruturar sistemas de financiamento e de mercados que permitam aos países desenvolverem tecnologias de ponta.

“Pesquisa e desenvolvimento tecnológicos precisam de muito investimento, de uma economia forte e também de mercados para o que você produz e para insumos que o país consome. E existe um razoável alcance de integração econômica entre os Brics. Sem isso, a China não teria condições sozinha de chegar na vanguarda tecnológica. Então, o Brics é fundamental”, concluiu.

Estima-se que o Brics concentre cerca de 36% do Produto Interno Bruto (PIB) global, superando o G7, grupo das maiores economias do planeta com Estados Unidos, França, Reino Unido e Alemanha, que concentra cerca de 30% do PIB mundial. Além disso, o Brics concentra cerca de 42% da população mundial.

Brasil

Na avaliação dos especialistas, o Brasil deve buscar seu espaço no bloco sem, com isso, perder espaço no grupo geopolítico liderado pelos EUA. O professor da USP José Augusto ressaltou que o Brasil deve aproveitar sua relação com a China para avançar em termos tecnológicos. Para o especialista, o país tem tecnologia de ponta em áreas de pesquisa agropecuária, tecnologia aeronáutica, de petróleo e gás, além de construção civil e de hidrelétricas.

“O Brasil não é um vazio tecnológico, temos potencial, mas perdemos muito tempo sem investir adequadamente em desenvolvimento de ciência e tecnologia. Importante mencionar que nosso desenvolvimento tecnológico sempre foi impulsionado pelo Estado por meio de Petrobras, Embrapa e Embraer que, apesar de privada, recebe investimento público”, explicou.

Para a professora da PUC Rio, Maria Elena Rodríguez, o Brasil vem tentando construir uma agenda voltada à tecnologia por meio do projeto de neo-industrialização do governo federal.

“O Brasil está propondo que a China seja um aliado contundente, por exemplo, em tecnologias verdes que vão ajudar o Brasil nesse processo de reindustrialização. Acho que o país está se colocando bastante forte em seus processos de cooperação e fortalecimento dos países do Sul Global”, acrescentou.

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Ampliado o acesso de pessoas surdas aos serviços públicos do Distrito Federal

Gratuita, a intermediação em Libras funciona 24 horas e terá novos pontos de atendimento em locais de grande circulação

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Agência Brasília | Edição: Chico Neto

A comunicação é uma das principais portas de acesso aos serviços públicos; e, para pessoas surdas, a falta de atendimento adequado em Libras pode representar uma barreira. Para tornar essa relação acessível, o Distrito Federal conta com o projeto CIL Online – Centro de Intermediação em Libras, serviço que permite a comunicação, em tempo real, entre cidadãos surdos e servidores públicos.

A plataforma funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com atendimento por meio de videochamada, webchat e telefonia. A proposta é oferecer suporte especializado sempre que houver necessidade de intermediação em Libras, contribuindo para que o cidadão possa acessar serviços públicos com mais autonomia e segurança.

 

O serviço já apresenta resultados expressivos, envolvendo áreas como saúde, segurança pública e Defensoria Pública. Para o novo ciclo de operação, que vai de a outubro de 2026 a fevereiro de 2027, a meta é alcançar uma média mínima de 400 atendimentos por mês, o equivalente a pelo menos 2 mil atendimentos ao longo dos cinco meses de operação.

Um QR Code disponível em locais de atendimento permite acesso de pessoas surdas ao serviço

Outro destaque é a ampliação dos serviços em mais locais públicos. O acesso foi pensado para ser simples. Não é necessário fazer inscrição prévia. O cidadão surdo ou o servidor pode utilizar o serviço por meio da leitura de um QR Code disponível nos pontos de atendimento, por um link acessado pelo navegador em computador, tablet ou smartphone, ou ainda pelo aplicativo da CIL Online para sistemas iOS e Android.

 

Capacitação

Além da intermediação, o projeto prevê capacitações para servidores públicos, contribuindo para ampliar a preparação das equipes que atuam diretamente no atendimento à população.

Com equipe formada por 11 tradutores e intérpretes de Libras, o serviço estabelece metas de qualidade para a nova etapa, incluindo o início de pelo menos 80% dos atendimentos em até 90 segundos e índices de satisfação de, no mínimo, 80% entre usuários e servidores capacitados.

Mais do que uma ferramenta tecnológica, o CIL Online busca reduzir barreiras de comunicação e facilitar o exercício da cidadania. Ao aproximar pessoas surdas dos serviços públicos, a iniciativa contribui para ampliar o acesso a direitos e tornar o atendimento no Distrito Federal cada vez mais inclusivo e acessível.

Como acessar a plataforma

► Abra o aplicativo
Ao chegar ao local de atendimento, faça a leitura do QR Code que identifica o serviço de Libras ou procure pelo aplicativo ICOM no Google Play (Android) ou  na App Store (iPhone) e faça o download gratuito

► Solicite a intermediação
Um intérprete de Libras vai se conectar ao usuário por meio de uma videochamada, mediando a conversa em tempo real

► Tradução Libras – português
A pessoa surda se comunica em Libras, enquanto o intérprete transmite a mensagem ao servidor público

► Comunicação nos dois sentidos
O intérprete acompanha a conversa e faz a tradução de Libras para português e de português para Libras, permitindo que o cidadão converse com o servidor público de forma acessível.

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Câmara Legislativa realiza sessão solene em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis

Cerimônia está marcada para terça-feira (22), a partir das 19h, e terá transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital e pelo YouTube

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Foto: Francisco Arrais

Homenagem presta reconhecimento público a atletas, professores, treinadores, dirigentes e organizações que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF

A Câmara Legislativa fará uma sessão solene, na próxima terça-feira (22), às 19h, em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis. De autoria do deputado Martins Machado (Republicanos), o evento visa destacar a relevante contribuição dessas modalidades para o desenvolvimento do esporte no Distrito Federal. A solenidade ocorrerá no plenário e será transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital.

De acordo com Martins Machado, além de promover hábitos saudáveis, as modalidades incentivam a disciplina, a superação de desafios e a convivência social. “A expansão dessas práticas esportivas também gera impactos positivos na economia local, por meio da realização de torneios, eventos, capacitações e atividades ligadas ao setor esportivo, promovendo oportunidades de trabalho e fortalecendo o turismo esportivo”, ressalta o distrital.

Ainda de acordo com o parlamentar, a homenagem representa o reconhecimento público aos atletas, professores, treinadores, dirigentes, organizadores de eventos, clubes e academias que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF.

Agência CLDF

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Arrecadação federal ultrapassa R$ 2 trilhões em oito meses

Valor representa alta de 7,12% na comparação com mesmo período de 2025

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Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

 

O governo federal acumula arrecadação de R$ 2,019 trilhões, de janeiro a agosto de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (22) pela Receita Federal. Além da inflação medida pelo IPCA, para o período, o valor representa crescimento de 7,12% na comparação com os mesmos oito meses de 2025.

Em agosto, a arrecadação federal alcançou R$ 235,5 bilhões. O valor representa alta acima de inflação de 8,25% em relação a agosto do último ano. Desse total, R$227,8 bilhões arrecadados são administrados pela Receita Federal, excluídos os fatores não recorrentes e de alterações na legislação.

De acordo com análise divulgada pelo órgão, os acréscimos são resultado do aumento na arrecadação da contribuição para a Previdência Social, Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que reflete o aumento das vendas.

Também o avanço nas arrecadações do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), além do desempenho da arrecadação do Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), foi determinante nos resultados apresentados.

Neste mês, o Imposto de Exportação sobre óleo bruto também teve destaque entre os fatores que alavancaram os resultados, com arrecadação de R$1,9 bilhão em agosto, o que resultou no acumulado de R$9,9 bilhões de janeiro a agosto de 2026.

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