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Solidariedade e cidadania na reconstrução da região do vale do Taquari-RS

São muitas as provações que a população das regiões do Vale do Taquari e de Porto Alegre vêm sofrendo

 

São muitas as provações que a população das regiões do Vale do Taquari e de Porto Alegre vêm sofrendo. As chuvas de junho deixaram os gaúchos em alerta máxima. Aos primeiros pingos, reacende a agonia das últimas tragédias. E, agora, com um agravante: o frio muito intenso. Hoje, mais preparados e atentos ao clima, empresários e autoridades acompanham a evolução das chuvas sem interromper os trabalhos de reconstrução. O empresário Ângelo Fontana, de Encantado-RS, presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, em entrevista à Folha do Meio, fala sobre o esforço para a recuperação da infraestrutura e mostra a importância da convergência entre a cidadania e a solidariedade.

 

A vida é uma professora severa. Primeiro aplica a prova, depois ensina a lição. As lições podem ser várias. Uma delas é fundamental para o bem-viver e o conviver: a solidariedade. Solidariedade é mais do que uma lição. É um ato de amor e um desafio humanitário. É onde o socorro, o apoio, a assistência e a doação começam por onde não se espera nada em troca. Contagia e se deixa contagiar. Toda tragédia traz reflexões e ações sobre como lidar com o desespero, com a aflição, com as perdas e a agonia. Essa entrevista com o empresário Ângelo Fontana, de Encantado-RS, presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, mostra a importância da convergência entre a cidadania e a solidariedade. Fontana explica como foi construída essa solidariedade nas trágicas enchentes do Rio Grande do Sul e como as lideranças empresariais e políticas da região se deram as mãos para se fortalecerem diante dos alertas, das buscas de soluções imediatas e permanentes, para os restauros e a reconstrução da autoestima e da infraestrutura da região.

 

SOLIDARIEDADE É REVIVER

TRAJETÓRIA DOS PRIMEIROS IMIGRANTES.

 

Inauguração da Ponte de Ilópolis, dia 17 de maio, uma das 10 pontes em construção: “Estamos revivendo o espírito de colaboração que marcou a trajetória dos nossos imigrantes, que juntos ergueram escolas e igrejas. Se dependêssemos exclusivamente do poder público, essas pontes – como essa de Ilópolis – levariam muito mais tempo para se tornar realidade.” ADELAR STEFFLER, vice-presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari e presidente da Cooperativa Vale Log.

 

Não foi a primeira e não será a última vez que uma grande tragédia se abate sobre uma região brasileira. O importante é fazer da solidariedade e do enfrentamento de cada desafio uma nova visão sobre como lidar com esses momentos de sofrimento para abrandar as dores, prevenir e mitigar os riscos.  Em maio de 2024, foi sobre o Rio Grande do Sul. O estado teve 96% do território atingido, 2,3 milhões de pessoas afetadas, 183 óbitos e prejuízos estimados em quase R$ 90 bilhões. Mas antes, tragédias de grande porte massacraram outros estados. Em 1983 e em 1984, Santa Catarina, especificamente o Vale do Itajaí, foi atingido por enchentes de grandes proporções. Em janeiro de 2000, ocorreu o vazamento de petróleo da Petrobras que despejou na Baia de Guanabara mais de 1,3 milhões de litros de óleo. Em novembro de 2015, o rompimento da barragem de rejeitos de minério, em Mariana, quando 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escoaram por 663km pela bacia do Rio Doce. E, três anos depois, em janeiro de 2019, outro terrível acidente industrial e humanitário: o rompimento de barragem em Brumadinho, que causou a morte de 272 pessoas.

ÂNGELO FONTANA – ENTREVISTA

 Ângelo César Fontana completa 65 anos dia 21 deste mês. Natural de Encantado, é casado com Sônia Martini e pai de dois filhos: Gabriela e Eduardo. Graduado em Administração de Empresas, Ângelo é sócio proprietário da Fontana S/A, de Encantado, e atual presidente da Associação Comercial e Industrial do município. Pela primeira vez dirige uma entidade regional. Com uma extensa trajetória no associativismo voluntário, Ângelo Fontana – como toda sua família – se engajou de corpo e alma na luta pela reconstrução de todo o Vale do Taquari depois de duas enchentes seguidas. Ele tem muito a dizer porque sabe que o desafio é grande e que tem um longo trabalho pela frente.

 

SILVESTRE – As chuvas, agora, do final de junho vieram com um agravante: muito frio. Diferente das quatro enchentes anteriores de 2023 e 2024. O Vale do Taquari suporta mais este desafio e está preparado para os próximos?

ANGELO FONTANA – Olha, as chuvas de junho trouxeram transtornos, mas sem grandes estragos. O nível dos rios subiu, mas ainda está sob controle. A verdade é que estamos melhor preparados para enfrentar as adversidades climáticas. Porém, muita coisa, ainda, deve ser feita como: construção de residências fora área inundação, ⁠mobilidade e infraestrutura viária, rede pluvial, retenção de encostas e desassoreamento dos rios. Uma coisa chama a atenção. Temos um apagão de oferta de mão de obra. Há enorme oferta de empregos, porém há falta de candidatos. Motivos? O elevado assistencialismo governamental, a falta de mão de obra especializada e até a falta de interesse dos jovens em frequentar cursos profissionalizantes.

 

Silvestre – Uma grande tragédia em duas grandes enchentes seguidas. Como foi a reação da população, das autoridades (municipais, estadual e federal) e da classe empresarial?

ÂNGELO – A reação da comunidade foi de uma coragem que nos orgulha. Mesmo diante de uma das maiores catástrofes naturais da história do Brasil, com perdas imensuráveis, vimos uma mobilização espontânea para salvar vizinhos, amigos e desconhecidos. As autoridades municipais foram as primeiras a agir, pois estavam na linha de frente. Já os governos estadual e federal se engajaram para dar suporte. No início, com verbas e equipes para o emergencial, para salvar vidas. Depois, com políticas voltadas a recuperação. A tragédia de maio do ano passado foi de grandes proporções, atingiu todo o RS. Só que o Vale do Taquari já tinha sofrido com a enchente de setembro de 2023. Como já tínhamos uma base de enfrentamento, em especial para retomada produtiva das empresas, o nosso trabalho, em termos de organização e de diagnóstico, serviu de referência para outras regiões atingidas no Estado.

 

Silvestre – Sim, e aí veio a enchente de maio de 2024.

ÂNGELO – Justamente, aí veio a de maio do ano passado. A classe empresarial respondeu com responsabilidade e solidariedade. Em poucos dias, a Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT) (1*) articulou doações que superaram os 6 milhões de Reais, sem que nenhuma das 19 associações sentisse peso extra. Atuamos com agilidade, mas também com critério, respeitando as prioridades e a realidade de cada município.

 

Silvestre – A primeira ação era de emergência: salvar vidas e patrimônio. Como foi organizado?

ÂNGELO – Na emergência, foi a união que fez a diferença. As associações comerciais da região viraram centros logísticos de acolhimento e distribuição de donativos. A CIC-VT concentrou esforços em articular as empresas e entidades que tinham estrutura para ajudar: máquinas, caminhões, alojamentos, alimentos e recursos financeiros. Em paralelo, mantivemos diálogo com os comandos municipais de crise e com os órgãos de segurança pública para garantir que as ajudas fossem eficientes e seguras.

As ações foram bem coordenadas, apesar de toda a dificuldade de logística, de comunicação e de recursos. Recursos humanos e financeiro. A experiência prévia no associativismo voluntário mostrou seu valor: tínhamos redes mais organizadas para se mobilizar. Ainda que não estivéssemos na linha de frente para salvar vidas, pois isso fica a cargo do poder público, buscamos atuar em rede, do mais básico, na coleta de doações, na organização de voluntários. Tínhamos que agir com velocidade e compromisso.

Silvestre – Depois, veio a segunda ação: programar a reconstrução.

ÂNGELO – A reconstrução começou enquanto a água ainda não tinha baixado totalmente. Entendemos que não bastava esperar. Iniciamos com levantamentos técnicos, ouvindo diretamente os setores mais impactados, como indústria, comércio, logística e agricultura. Definimos três prioridades: infraestrutura regional, reativação das atividades produtivas e apoio à mão de obra afetada.

“Na primeira fase, lideramos associações e ajudamos prefeituras para reconstruir dez pontes no interior, reconstruir estradas vicinais, onde as pessoas estavam ilhadas. Sem acesso não há recomeço.” – ÂNGELO FONTANA

 

Silvestre – Como foram os primeiros passos?

ÂNGELO – Criamos grupos de trabalho específicos para dialogar com os governos, levar dados confiáveis e apresentar propostas concretas. Participamos de audiências, entregamos relatórios e fomos presença constante em Porto Alegre e Brasília. A reconstrução não podia ser tratada apenas como obra física. Ela também é social e econômica. Por isso, defendemos linhas de crédito acessíveis, políticas de manutenção de empregos e investimentos estruturantes.

Entre eles, o programa Reconstrói RS, feito pela Federasul, por meio do Instituto Ling (2*) e do Instituto Floresta (3*). Na primeira fase, lideramos associações e ajudamos prefeituras a reconstruir dez pontes no interior. Escolhemos localidades do interior que ficaram ilhadas. Foram quase 10 milhões de Reais em investimento privado, para construção de aberturas de passagens em estradas vicinais, como forma de auxiliar no escoamento da produção agrícola, e na vida das comunidades. Imagina que nem vans escolares podiam passar para levar crianças às escolas.

Silvestre – Como foi feito o inventário da destruição e a prioridade do que deveria e poderia ser reconstruído?

ÂNGELO – Esse trabalho foi coletivo. Os municípios fizeram suas partes com apoio técnico da Defesa Civil e das secretarias estaduais. A Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari se somou ao processo com informações do setor produtivo, ouvindo as empresas e as associações locais. Criamos um mapeamento regional dos impactos, focado em infraestrutura, capacidade produtiva e perdas logísticas. Foi com esses dados que levamos as necessidades reais da região para o governo estadual e federal.

Ângelo Fontana, presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, explica que “o objetivo central é a união de esforços e debater projetos que visem fortalecer a economia da região e melhorar a infraestrutura. Agora estamos em diálogo com o DNIT sobre a construção de uma segunda ponte sobre o rio Taquari”.

 

Silvestre – Houve um planejamento para tocar as obras da reconstrução?

ÂNGELO – A priorização se deu com base em três critérios: impacto econômico, função estratégica para a mobilidade e possibilidade de reativação rápida. A reconstrução das pontes, por exemplo, partiu de um projeto apoiado por doações empresariais, pois sabíamos que sem acesso não há recomeço. O inventário vem sendo atualizado conforme novos dados vão chegando. Aí buscamos as soluções mais viáveis técnicas e políticas.

 

Silvestre – Nesse “mutirão de solidariedade”, quem tomou as decisões? Era um grupo ou um conselho? Como era formado?

ÂNGELO – As decisões foram tomadas de forma colegiada. Criamos um núcleo de gestão emergencial, com representantes das associações empresariais, lideranças locais, membros da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari e, em muitos momentos, com a participação de autoridades municipais. Não houve protagonismo individual — tudo foi pensado em conjunto. A transparência foi uma diretriz. Trabalhamos com prestação de contas pública e ouvindo permanentemente os associados, os prefeitos e os técnicos das áreas de infraestrutura e desenvolvimento. A força da região do Vale está justamente nessa capacidade de trabalhar unido quando mais precisa.

Silvestre – Todo problema coletivo traz desafios e ensinamentos. Qual foi o maior desafio e o maior ensinamento?

ÂNGELO – O maior desafio foi transformar a dor em ação. As cenas que vivemos em setembro, novembro e maio foram duríssimas. Famílias inteiras perderam tudo. Mas não podíamos ficar paralisados. O desafio foi agir rápido, com responsabilidade, e manter o espírito coletivo. Para mim, o maior ensinamento foi entender, mais uma vez, que ninguém faz nada sozinho. A união entre setor produtivo, poder público e sociedade civil precisa deixar de ser eventual e virar permanente. Quando trabalhamos juntos, mostramos a força do Vale do Taquari. A força dos 37 municípios do Vale. Precisamos levar essa união para além das emergências, para o desenvolvimento contínuo da nossa região.

Os 37 municípios do Vale do Taquari no Rio Grande do Sul

“Das dez pontes articuladas pela Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, todas tinham um papel estratégico. A mais difícil foi, sem dúvida, a primeira. Porque envolvia não só logística e recursos, mas também confiança de um começo”. – ÂNGELO FONTANA

 

Silvestre – Qual a relação das obras reconstruídas e qual foi a mais difícil?

ÂNGELO – Têm uma relação direta com a retomada da vida e da economia. Pontes, acessos e estradas são caminhos para o transporte escolar, para o escoamento da produção, para o socorro e para o reencontro das comunidades. Das dez pontes articuladas pela Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, todas tinham um papel estratégico.

A mais difícil foi, sem dúvida, a primeira. Porque envolvia não só logística e recursos, mas também confiança. Era preciso mostrar que o setor empresarial podia liderar ações rápidas e efetivas, em parceria com as prefeituras. Depois da primeira ponte instalada, a credibilidade cresceu e as demais ações ganharam fôlego.

Inauguração, dia 31 de maio de 2025, da 6ª ponte do projeto “Construindo Pontes através do Associativismo”, na localidade de Linha Arroio Grande, no município de Arroio do Meio.

Na inauguração da ponte em Arroio do Meio, as presenças de autoridades locais e lideranças empresariais.

Silvestre – Planos futuros? Obras ainda a serem construídas?

ÂNGELO – Sim. Há muito o que fazer. Ainda temos acessos interditados, redes de abastecimento fragilizadas e estruturas precárias. Nosso foco é trabalhar para garantir que as obras prometidas saiam do papel, com recursos assegurados e cronogramas cumpridos. A Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari está mapeando essas demandas e cobrando providências constantes.

Lideranças da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari visitam o Instituto Ling e apresentam projetos de infraestrutura para 28 municípios. Na foto, da esquerda para a direita: Athos Cordeiro (Reconstrói-RS, Ivandro Carlos Rosa (Federasul), Eng. Luiz Todeschini (CIC-VT fiscalização de obras), Ângelo Fontana (presidente CIC-VT) e Sandra Mascovich (Instituto Ling). Atrás, Ricardo Portela Nunes e Mauro Touguinha Oliveira (ambos Reconstrói-RS). Depois, Adelar Steffler, Sérgio Klein (vice da CIC-VT), Eng. Marcelo Abella (Simon Engenharia), Antonino Schnorr (CIC-VT) e Horácio Joaelson Marins (Associação Cristo Protetor de Encantado).

 

Silvestre – Sim, o trabalho não para, mas cada um tem sua fase.

ÂNGELO – É verdade. São várias fases, e cada uma tem que ser cumprida e bem cumprida. Muito bem-feita! Agora estamos articulando as comunidades para a segunda fase dos projetos do Reconstrói RS. O total do fundo da Federasul é de R$ 40 milhões. Estamos com pelo menos 30 projetos inscritos para receber parte destes recursos.

 

Silvestre – E as obras para evitar novas tragédias?
ÂNGELO
 – Este é um ponto importante. Temos que reconstruir pensando sempre que a chuva vem e volta. Com maior ou menor intensidade. Por isto, primeiro, temos que ter estudos técnicos bem fundamentados. Depois viabilidade econômica. Antes de investir em contenções, proteção de encostas, redimensionamento de barragens e drenagens urbanas, também é preciso preparar a sociedade. Mudar a cultura. O Vale do Taquari sempre sofreu com enchentes. Claro, não na dimensão do que vimos entre 2023 e 2024. Mas precisamos de uma cultura voltada a prevenção. Cada família tem que estar preparada para seu próprio plano de contingência. Prioridade é sempre salvar vidas.

 

Silvestre – Os desafios quando bem enfrentados trazem também ensinamentos, não é?

ÂNGELO – Isso mesmo. A primeira coisa que as inundações nos ensinaram é algo simples, mas forte: temos que respeitar a natureza. Os municípios mais atingidos, estão revendo seus planos diretores. Não podemos permitir construções em áreas alagáveis ou quando há risco de deslizamento. Isso vale para indústrias, comércio e moradias.

 

Silvestre – Existe monitoramento e melhor planejamento?

ÂNGELO – Então, ao mesmo tempo que lutamos pela reconstrução temos que já pensar num melhor ou num conjunto de planejamento. Há necessidade de trabalhar com sensores capazes de antecipar as informações. A partir das tragédias, foram organizados fóruns e comissões multissetoriais e interdisciplinares. Temos especialistas, estudiosos, integrantes das defesas civis, da sociedade civil organizada, que estão construindo nossas estratégias. Tudo passa por previsibilidade, monitoramento e resposta. Isso precisa ficar muito claro para todo mundo.

Silvestre – Objetivamente, já existe projetos engatilhados para serem tocados?

ÂNGELO – Olha, estamos na segunda fase do Projeto ‘Reconstroi- RS’ e já temos, sim, 28 projetos prontos para serem tocados. Eles contemplam solicitações dos 37 municípios que compõem o Vale Taquari. Podem ser divididos em três setores: 1) Pontes em estradas vicinais dos municípios. 2) Restauro e construção de rede pluvial na zona urbana de vários municípios. 3) Muito importante, o trabalho de contenção de encostas.

 

“Nossa missão é a de administrar esses recursos desenvolvendo projetos, preparando orçamentos, fazendo as contratações, controlando a mão de obra, fiscalizando cada etapa e, no final, com transparência total, providenciando a prestação de contas para todos os entes e agentes envolvidos. Importante salientar: a obra pronta e inaugurada é doada integralmente a cada município”. – ÂNGELO FONTANA

 

Silvestre – E os recursos para implementação?
ÂNGELO – Essa é uma parte importante. Temos que viver a realidade de cada projeto. Por hora, os projetos com OK para serem executados remontam recursos na ordem de R$ 25 milhões. De onde vêm os recursos? Está tudo acertado: 70% via Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari como doação e 30% via administrações municipais e da comunidade.

 

Silvestre – Então, a Câmara da Indústria e Comércio recebe 70% do custo da obra.  Como é a operação desses recursos?
ÂNGELO – Isso mesmo. Nossa missão é a de administrar esses recursos desenvolvendo projetos, preparando orçamentos, fazendo as contratações, controlando a mão de obra, fiscalizando cada etapa e, no final, com transparência total, providenciando a prestação de contas para todos os entes e agentes envolvidos. Importante salientar: a obra pronta e inaugurada é doada integralmente a cada município.

 

O Cristo Protetor de Encantado – o maior do Brasil – simboliza a solidariedade e a força da união. O monumento foi erguido pela população da cidade durante pandemia e duas enchentes seguidas. (Foto: Maurício Tonetto)

 

Silvestre – O Cristo Protetor de Encantado foi construído na hora certa para ajudar na reconstrução da cidade pelo empreendedorismo turístico e para aumentar a autoestima do povo. Fale um pouco sobre o Cristo Protetor.

ÂNGELO – O Cristo Protetor é um símbolo. Para Encantado, representa fé, coragem e visão de futuro. Ele foi construído com esforço comunitário, com doações, com trabalho voluntário e isso, por si só, já diz muito sobre o espírito da nossa gente.

Durante o trabalho de salvamento e reconstrução, o Cristo Protetor se tornou um ponto de esperança. Recebemos visitantes, doações e muito apoio. As pessoas olhavam para aquela imagem imponente e se lembravam de que somos capazes de fazer o impossível, orquestrar grandes obras mesmo em tempos difíceis. Além disso, o Cristo Protetor restaura nossa fé e é como um motor, uma luz que ilumina nosso caminho para a reconstrução e para o desenvolvimento. O turismo em Encantado cresceu, novos negócios surgiram, e o município tem uma nova frente de empreendedorismo sendo aberta. O Cristo representa proteção espiritual, mas também um novo caminho de prosperidade para a cidade e para o Vale do Taquari.

 

SAIBA MAIS

 

(1*) A Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari é uma entidade da classe produtiva que foi criada, em 23 de junho de 2024, para unificar e suprir as necessidades de gestão e apoio na reconstrução dos 37 municípios da região. São 19 entidades empresariais filiadas. Existe um portal para destacar e dar visibilidade as potencialidades e o dinamismo econômico e social do Vale do Taquari. < https://cicvaledotaquari.com.br >

 

(2*) – O Instituto Ling foi criado em 1995 pela família Ling, controladora da Évora S.A., com o objetivo de contribuir, de maneira justa e progressiva, na transformação da sociedade brasileira, valorizando a meritocracia, liberdade e solidariedade. < https://institutoling.org.br >

 

(3*) O Instituto Cultural Floresta (ICF) criou ações de solidariedade e apoio à Segurança Pública do RS desde 2016. O ICF nasceu da necessidade premente de apoiar os profissionais da segurança e evoluiu como uma força estratégica para soluções para comunidades e escolas gaúchas.

< https://institutoculturalfloresta.org.br/ >

 

 

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Sessão especial vai destacar história do 14-Bis e importância da Força Aérea

Santos Dumont voa em seu 14-bis: inventor é patrono da aeronáutica brasileira e herói da pátria
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Yasmim Rodrigues

O Senado faz nesta quarta-feira (21), às 10h, uma sessão especial pelos 120 anos do primeiro voo do 14-Bis e pelo Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira (FAB). A homenagem, proposta pelo senador Dr. Hiran (PP-RR) e outros parlamentares, destaca a atuação da Força Aérea na defesa do espaço aéreo, em missões de resgate e no apoio a regiões de difícil acesso. As datas, comemoradas em 23 de outubro, fazem referência ao dia do primeiro voo do avião criado por Santos Dumont.

 

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Fonte: Agência Senado

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13 TEMPORADAS NETFLIX

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É INACREDITÁVEL!
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Já estão preparando um série NETFLIX com 13 temporadas?
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ORGULHO DO PARANÁ

A cidade das flores, da catedral e dos parques é exemplo de sustentabilidade. Conheça mais sobre o terceiro município paranaense.

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Maringá nasceu no meio da mata e o planejamento urbano, muito bem elaborado, garantiu que muitos ipês roxos fossem respeitados dentro daquele conceito de cidade jardim. Hoje seus habitantes e turistas, que visitam a cidade atraídos pelo espetáculo anual, se orgulham de ver a beleza das floradas, registram e compartilham suas fotos e vídeos, as postagens ganham o mundo conectado pelas redes sociais.

 

Para facilitar o encontro das árvores floridas pela população e turistas e também uma maneira de proteger e cuidar dos ipês, a Prefeitura de Maringá elaborou um roteiro dos ipês floridos, com um mapa apontando a localização de todas as árvores.

A CATEDRAL DE MARINGÁ

A Catedral idealizada por Dom Jaime Luiz Coelho e projetada pelo arquiteto José Augusto Bellucci. O templo tem uma altura de 124 e lembra que o peregrino deve ser afastar do mundo para ficar mais perto de Deus. Foi construída entre julho de 1959 e maio de 1972. De forma cônica, possui um diâmetro externo de 50 metros e uma nave circular, com diâmetro interno de 38 metros. Apresenta 114 metros de altura, mais dez metros de cruz no topo, somando 124 metros. É o 10º monumento mais alto do mundo e o primeiro da América do sul.

 

 

Contornando a catedral, abaixo das rampas de acesso ao seu interior, estão os espelhos d’água que formam as fontes luminosas com chafariz, que jorram suas águas a mais de 5 metros de altura. Seus 16 vitrais de linhas abstratas e cores exuberantes são verdadeiras obras de arte, de autoria de Lorenz Helmair. A arquitetura interior é de inspiração de Manfred Ostterroht.

 

 

MODELO DE GOVERNANÇA

QUANDO OS CIDADÃOS PARTICIPAM DA GESTÃO DA CIDADE

 

A vida administrativa, em Maringá, teve um avanço de qualidade e de gestão a partir de 1996, quando foi criado o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão foi implantado no cinquentenário da cidade, em 1997, quando aconteceu a posse dos primeiros dirigentes. O CODEM virou referência para muitas cidades brasileiras pelo sucesso na participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais. Outros municípios, inclusive Brasília, copiaram a ideia e criaram o CODESE (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico, como modelo de governança.

E foi justamente este modelo de governança que ajudou Maringá planejar melhor seu desenvolvimento e crescimento de forma sustentável.

Em 2025, Maringá foi classificada como a sétima cidade mais competitiva do Brasil no Ranking de Competitividade dos Municípios, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). No Paraná, o município ocupa a segunda colocação, ficando atrás apenas de Curitiba, que aparece em quinto lugar no levantamento.

O bom desempenho da Cidade foi impulsionado principalmente pelos avanços no saneamento básico e na eficiência da gestão pública. Maringá alcançou a primeira posição nacional em cobertura da coleta de resíduos domésticos e recebeu nota máxima na destinação adequada do lixo, consolidando-se como referência na área. Apenas nesse pilar, subiu 24 colocações em relação ao ano passado. Também se destacou no funcionamento da máquina pública, ocupando a sétima posição no País.

Na área ambiental, o município aparece em primeiro lugar no combate ao desmatamento ilegal e a 14ª posição em qualidade da educação, além do 22º lugar em qualidade da saúde.

Entre as 10 cidades com maior vegetação urbana em área total, destacam-se grandes capitais como Rio de Janeiro (12.844 ha), São Paulo (11.814 ha) e Brasília (10.256 ha). Esses números refletem a extensão territorial e, em muitos casos, a presença de parques naturais e áreas de proteção ambiental dentro dos limites urbanos.

 

O PARQUE DO INGÁ

Uma homenagem ao município paraibano de Ingá

 

A cidade de Maringá nasceu na segunda metade da década de 1940, planejada pela  Companhia de melhoramento do Norte do Paraná. Os primeiros assentamentos do noroeste do Paranã evoluíram rapidamente. Diante do avanço da então pequena vila, que virou cidade em 1947, 21 anos depois, em 1968, foi criado o Bosque 01. Mais tarde, essa área verde recebeu o  nome de Parque do Ingá. Ao contrário do que algumas pessoas contam, de que o motivo do nome seria porque havia no bosque árvores da espécie Ingá, a principal razão foi outra: fazer uma homenagem da Cidade-Canção ao município paraibano de Ingá, que deu origem à famosa música Maringá, um neologismo de “Maria de Ingá”.

 

Além da canção, a cidade de Maringá fez outra homenagem ao município paraibano de Ingá. Deu o nome de Parque do Ingá à mais importante área verde da cidade. (foto: Rafael Macri / PMM)

 

 

O Parque do Ingá foi criado com objetivo de ser uma área de preservação da flora e fauna local numa perspectiva inclusive do desenvolvimento do ecoturismo. O Parque do Ingá, que compreende uma área de 473.300 m², cuja vegetação é denominada Floresta Estacional Semidecidual, encontra-se numa região geográfica denominada terceiro Planalto Paranaense. Localiza-se na região central de Maringá entre as avenidas São Paulo, Anchieta, Néo Alves Martins, Laguna e Juscelino Kubitschek.

 

CONHECENDO A CIDADE DE INGÁ-PB

A cidade paraibana, que está no DNA do nome Maringá, foi fundada ao redor da Pedra de Ingá, um monumento arqueológico.

 

O município de Ingá, na Paraíba, está a menos de 100km da capital, João Pessoa. O nome vem de um monumento natural ou sítio arqueológico com o nome Itacoatiara do Ingá, localizado à margem de um rio do Agreste. As inscrições e desenhos no monumento têm sulcos profundos que atravessam uma parede da pedra e resistem há milhares de ano sem uma tradução definitiva. A cidade de Ingá cresceu ao redor desse cenário, hoje protegido como monumento natural, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

 

Segundo o Iphan as formas sugerem animais, frutas, pessoas e elementos celestes, sem apresentar essas leituras como uma tradução definitiva. O tombamento federal ocorreu em 1944. Pesquisas também registraram artefatos líticos e cerâmicos encontrados na superfície, ampliando o interesse arqueológico do lugar.

 

A Pedra do Ingá é um dos monumentos arqueológicos mais importantes e misteriosos do mundo, localizada no município de Ingá, no agreste do estado da Paraíba. Classificada como uma “itacoatiara” (termo do tupi que significa “pedra pintada” ou “riscada”), trata-se de um imenso bloco de gnaisse com cerca de 46 metros de comprimento e 3,8 metros de altura inteiramente coberto por inscrições rupestres profundas gravadas na rocha.

O painel exibe quase 400 gravuras enigmáticas que combinam diferentes formas geométricas e figurativas. O significado exato de toda essa simbologia permanece um mistério absoluto para a ciência.

 

 

 

“Em todo o planeta nós temos registros de pedras gravadas. Elas estão na África, no continente americano, na Europa, na Ásia e na Oceania. O sítio arqueológico itacoatiara do Ingá torna-se importante pela quantidade de gravuras que tem. E, também, pela beleza cênica. Esses dois pontos acabaram por transformar a Pedra do Ingá num dos sítios arqueológicos mais importantes do Brasil”. Juvandi de Souza Santos – Universidade Estadual da PB

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