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AMAZÔNIA BRASILEIRA NA SECA

O que um país faz na região afeta o país vizinho. Há necessidade de agir em conjunto.

 

A Amazônia é um mundo à parte. Tem tempo de cheias fortes e de secas terríveis. O período de chuvas é compreendido entre novembro e março. E o período de seca é entre os meses de maio e setembro. Outubro e abril são meses de transição entre um regime e outro. Hoje a Amazônia vive um período de cheia. Mas é bom conhecer a Amazônia na seca, que é muito mais impactante. A estética das áreas de seca no Brasil é bem conhecida. Amplas localidades da região Nordeste em sua paleta de cores terrenas. Chão duro e árido, aberto por feridas da estiagem. Por isso surpreendeu muito quando o fotógrafo peruano-mexicano Musuk Nolte, 37 anos, expôs fotos que mostravam a seca em uma região muito rica em água, a Amazônia Brasileira. Leito de rios secos, embarcações abandonadas no meio da areia, peixes mortos, pescadores sem trabalho, ribeirinhos sem comida. Cenário apocalíptico.

Cadê o rio que estava aqui? Antes um grande rio que na seca se transforma num alagado. Vista aérea do rio Tarumã, Amazonas. Foto: Musuk Nolte / CAIXA Cultural

 

Musuk Nolte transformou imagens do Norte do Brasil em uma denúncia dos efeitos da emergência climática. O fotógrafo produziu a série “Secas na Amazônia”, premiada no concurso internacional ‘World Press Photo’ 2025Ele registrou o esvaziamento da bacia do Rio Solimões, no Amazonas, o isolamento de comunidades ribeirinhas e a ruptura das relações sociais e culturais da região como consequência da seca.

 

 

A calha de um grande rio se transforma num filete d’água. Trabalhos científicos apontam que, em 2023, todos os países da Bacia Amazônica registraram as menores precipitações de julho a setembro em mais de 40 anos.

 

QUEM É MUSUK NOLTE

O trabalho de Nolte, assim como de outros fotógrafos premiados em todo o mundo na 68ª edição do ‘Prêmio World Press’ 2025, iniciou itinerância na Caixa Cultural Rio de Janeiro, em julho, e em agosto poderá ser visto na Caixa Cultural em São Paulo, depois Curitiba e, por último, em Salvador. As datas para Brasília e Fortaleza ainda não foram definidas. Mais de 30 países foram convidados a expor os trabalhos. Ao todo, são 42 projetos vencedores que refletem temas urgentes da atualidade: política, gênero, migração, conflitos armados e crises climáticas.

O fotógrafo diz que “a minha foto foi uma das principais destacadas no prêmio. Foi muito importante mostrar uma situação que não é tão conhecida fora do Brasil. Quando fui à Holanda para a premiação, as pessoas ficaram desconcertadas ao descobrirem que era a Amazônia, uma região onde também há problemas relacionados a crimes ambientais, como o tráfico de drogas e de recursos naturais. Uma pessoa com uma câmera, por mais que esteja trabalhando em outra história, está em perigo. A profissão de fotógrafo é para poucos que aceitam conviver com o risco”.

Reconhecido internacionalmente, Musuk Nolte tem se destacado na cena da fotografia documental.

 

“A AMAZÔNIA É UM TERRITÓRIO ÚNICO.  O QUE UM PAÍS FAZ AFETA O OUTRO”.

 

MUSUK NOLTE vencedor do concurso internacional ‘World Press Photo’ 2025 é formado em fotografia, com especialização em fotografia contemporânea. Já recebeu prêmios como o Fundo de Emergência da Fundação Magnum, a Bolsa Vital Impacts, além de ter sido nomeado ‘Explorador da National Geographic’.

 

 

MUSUK NOLTE – ENTREVISTA.

 

Márcia Turcato – O enfoque social é o propósito do teu trabalho?

Nolte – Sim, sem dúvida. Este é o meu principal objetivo, mas, com certeza, há uma preocupação estética com o resultado do trabalho. No entanto, a estética é apenas um veículo para alcançar o propósito maior da minha missão, que é gerar algum tipo de impacto, alertar sobre problemas, sobre questões importantes para a sociedade em geral.

Márcia – Ser latino-americano favorece o relacionamento com as populações tradicionais?

Nolte – Ser latino-americano por si só não garante nada. Tenho, antes de tudo, uma relação de respeito com as populações tradicionais. A dificuldade com o idioma, no caso de populações indígenas, é um aspecto logístico que se resolve. De um modo geral, o trabalho dos fotógrafos tende a focar nos grandes centros urbanos e os territórios mais distantes ficam socialmente isolados por causa dessa escolha. De qualquer modo, acredito que ser latino-americano e documentar os processos de degradação dos territórios em variadas regiões permite desenvolver uma perspectiva mais completa porque existe uma visão e peculiaridades convergentes.

 

A seca severa na Bacia Amazônia dificulta o acesso ao rio, impedindo as viagens e a alimentação pela pesca.

 

 

Márcia – Você já passou por algum tipo de risco no exercício da sua atividade?

Nolte – O principal risco é perder a noção de que estou vendo lugares e pessoas afetadas pela emergência climática ou por opressão social. Meu trabalho se baseia na documentação a longo prazo, o que me permite construir vínculos, amizades e cumplicidade genuínas com as pessoas. Em lugares remotos, onde ocorrem atividades ilegais, sempre é arriscado trabalhar.

 

 

Márcia – A Amazônia é um território em constante conflito, não apenas do lado brasileiro, é uma situação generalizada.  As dificuldades que você observa no Brasil são as mesmas nos demais países amazônicos?

Nolte – Sim e não. Por um lado, a Amazônia é um só território, atravessado por múltiplas fronteiras, precisamos entender a região como um todo, mas cada país tem suas próprias políticas públicas e leis, muitas das quais aceleram a degradação da Amazônia. Por exemplo, se o Peru decide fazer uma represa para aumentar sua navegabilidade, haverá impactos além de suas fronteiras, pode afetar o Brasil e a Colômbia. É preciso pensar o território em conjunto, o que um país faz afeta o outro.

 

SAIBA MAIS:

EXPOSIÇÃO: World Press Photo 2025

PRÓXIMAS MOSTRAS A PARTIR DE AGOSTO: São Paulo – Curitiba e Salvador. As datas para Brasília e Fortaleza ainda não estão definidas.

 

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Nova lei estabelece projeção de informações sobre pontos turísticos em Brasília nas salas de cinema

As exibições de informações devem ter duração de 30 segundos e serem projetadas antes do início de filmes nos cinemas e em casas de show

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Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

 

Legislação visa explorar o potencial turístico e cultural do Distrito Federal

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promulgou a Lei nº 7.868, de 6 de maio de 2026, de autoria da deputada Jaqueline Silva (MDB), após o veto ao projeto de lei original pelo ex-governador Ibaneis Rocha. A nova lei institui a obrigatoriedade da exibição de informações sobre pontos turísticos de Brasília nas telas de cinema no DF.

Originalmente PL nº 2.279/2021, a justificativa do projeto é a promoção do turismo como fonte inesgotável de renda, emprego, desenvolvimento econômico e cultural. O cinema deverá ser utilizado como meio ímpar de divulgação de atrações pela sua abrangência e diversidade de público.

Segundo Jaqueline Silva, o fomento ao turismo traz um cenário benéfico de geração de empregos e o surgimento de profissionais capacitados em diversas áreas, abrindo espaço para bacharéis em turismo e hotelaria, profissionais da gastronomia, transporte turístico, idiomas, comércios diversos e artesanatos.

As exibições de informações devem ter duração de 30 segundos e ser projetadas antes do início de filmes nos cinemas e em casas de show.  A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec) fornecerá todas as informações que serão projetadas.

Beatriz Negreiros (sob a supervisão de Ivan Iunes)

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Assim nasceu

BRASILIA

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Pela primeira vez, graças a JK, levou-se um Planejamento urbanístico sério. Mesmo com todo rigor de um plano diretor, depois de 67 anos, houve desvirtuamentos… afinal, isso aqui é Brasil.
Vale a pena assistir a este vídeo

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A CIÊNCIA BUSCA UM FUTURO PARA A ARAUCÁRIA

Técnica inovadora de enxertia, desenvolvida pela Embrapa e por pesquisadores da UFPR e da UEPG, reduz o tempo para produção

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DIA DE SÃO JOÃO E DO PINHÃO

 

O Dia Nacional da Araucária é celebrado em 24 de junho. A data foi instituída em 2005 por decreto presidencial para conscientizar sobre a preservação do Pinheiro-do-Paraná (Araucária angustifólia), árvore típica do Sul do Brasil. Paradoxo: leis criadas para protegê-la acabaram por ameaçar sua própria existência. Transformaram-na em uma árvore sem valor econômico e, muitas vezes, num incômodo para os produtores rurais. Agora, uma técnica inovadora de enxertia, desenvolvida pela Embrapa e por pesquisadores da UFPR e da UEPG, reduz o tempo até o início da produção e torna rentável o plantio de florestas produtoras de pinhão.

 

A araucária é um fóssil vivo, cujos ancestrais remontam a cerca de 200 milhões de anos. Com até 50 metros de altura, a árvore possui um tronco reto e em forma de cilindro, com ótimo rendimento em madeira. As sementes ficam agrupadas em pinhas nas árvores fêmeas. Maduras, as pinhas podem pesar até cinco quilos. O pinhão é a base de diversos pratos regionais.

A araucária serve de abrigo e fornece alimento para aves, como a gralha-azul, a maritaca, o papagaio-de-peito-roxo e o papagaio-charão, e mamíferos como cotias, serelepes, ouriços, catetos etc. Esses animais contribuem, de diversas formas, com sua disseminação natural.

 

DIA DE SÃO JOÃO E DO PINHÃO

A escolha do dia não foi por acaso. O dia 24 de junho, associado à festa de São João, coincide com o período de queda e colheita do pinhão, ingrediente essencial da culinária das festas juninas no Sul.
Ao plantar um pinhão, o agricultor não sabe se a futura árvore produzirá pinhas (fêmea) ou será uma árvore masculina, produtora apenas de pólen. É uma enorme limitação ao plantio de florestas para produzir pinhões.
A araucária é uma espécie de árvore quase exclusivamente brasileira. É encontrada com abundância nas serras e regiões mais altas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ela também ocorre em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, em áreas mais restritas, com destaque para a região da Mantiqueira, além de pequenos trechos da Argentina e do Paraguai. As matas nativas de araucária possuíam árvores enormes, com mais de cinco metros de diâmetro e cerca de vinte metros de circunferência.

 

ORIGEM DO NOME LONDRINA

Em 1924, o grupo inglês Paraná Plantations Ltd. criou a Companhia de Terras Norte do Paraná, após a doação de 500.000 alqueires de terra pelo governo republicano. A empresa focou na colonização e transformou, com lucros substanciais, grandes extensões de mata em projetos imobiliários e agrícolas. A própria Londrina recebeu esse nome em homenagem à origem inglesa dos empreendedores (London).

 

A redução das matas de araucária inspirou uma legislação ambientalista de proteção total da árvore no final do século XX.

A derrubada das matas de araucária para a produção e exportação de madeira no Paraná foi resultado direto desse modelo de colonização e da expansão ferroviária. Assim como a fratricida Guerra do Contestado. As ferrovias viabilizaram a exploração madeireira em larga escala e a posterior expansão cafeeira no norte do Paraná.
A redução das matas de araucária inspirou uma legislação ambientalista de proteção total da árvore no final do século XX. A ideia de ‘responsabilidade coletiva na conservação dos recursos naturais’, difundida pelo ambientalismo urbano, transfere o ônus e a responsabilidade para o produtor rural, sob severas ameaças e sanções. Essas políticas terminaram por desestimular o plantio da araucária pelos produtores com receio de não poder utilizá-las economicamente, sobretudo a madeira, e levaram à erradicação crônica de jovens plantas em meio às pastagens. As matas seguiram declinando. A exploração extrativista do pinhão permaneceu marginal.

 

ARAUCÁRIA: ENXERTIA

COM PLANTAS FÊMEAS

Agora, o plantio e a exploração da araucária podem se tornar uma opção rentável para a agricultura. O professor Flávio Zanette (UFPR) e o engenheiro florestal Ivar Wendling (EMBRAPA) desenvolveram uma técnica revolucionária: a enxertia com plantas fêmeas de araucária. A técnica garante a produção precoce de pinhões (seis anos em vez de quinze), em plantios homogêneos e rentáveis para exploração florestal e agrícola, e já desperta o interesse de agricultores do Paraná e de outros estados.

 

O professor Flávio Zanette, da Universidade Federal do Paraná, explica que para a enxertia é necessário um pedaço de pinheiro pronto para ser enxertado. As mudas aptas para receber o enxerto devem ter pelo menos dois anos de idade.

A araucária pode ser integrada às pastagens e contribuir tanto para a preservação da espécie quanto para a recuperação de áreas degradadas. A conservação torna-se mais robusta quando a espécie possui valor econômico e é incorporada aos sistemas produtivos.
Com a produção crescente e segura de pinhões, toda uma indústria agroalimentar poderá se desenvolver. Além do amido, o pinhão contém minerais essenciais à saúde humana, como cálcio, ferro, fósforo, manganês e magnésio. Será possível atender a indústria e o consumidor com a farinha de pinhão, um produto sem glúten, sem lactose, de baixos teores de sódio e gordura e fonte de fibra alimentar.
A data nacional da araucária é um convite à reflexão sobre a necessidade de a legislação ambiental ser compatibilizada com as realidades econômicas e sociais. A ciência ofereceu uma alternativa ao extrativismo e ao impasse regulatório. Ao devolver valor econômico à araucária, a enxertia abre caminho para o plantio de florestas produtivas, a recuperação de áreas degradadas, a geração de renda e a conservação dos ecossistemas associados. A melhor proteção para uma espécie, do Sul à Amazônia, não é transformá-la em intocável. É fazer dela uma riqueza viva e cultivada.

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