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Famílias e amigos aproveitam domingo de sol nas novas churrasqueiras do Parque da Cidade
Intervenção contemplou todas as 48 estruturas para oferecer conforto, higiene e acessibilidade aos usuários. Maior parque da América Larina completou 47 anos em outubro
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Catarina Loiola, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader
Após passar por obras ao longo do ano, em comemoração aos 47 anos de história, o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek oferece um novo cenário aos frequentadores. Uma das principais intervenções foi a reforma das 48 churrasqueiras, localizadas nos estacionamentos 2, 3 e 4, por meio da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), em parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal (SEL-DF), com investimento de R$ 567 mil.
As estruturas antigas estavam deterioradas e foram demolidas, sendo substituídas por instalações que oferecem mais conforto, higiene e acessibilidade à população. O projeto inclui construção de novas bases de concreto, pensadas para receber pessoas com mobilidade reduzida. A infraestrutura ainda conta com bancadas de apoio, mesas fixas, pias revestidas em cerâmica, lixeiras, além de sinalização e numeração dos conjuntos. O uso é liberado, sem necessidade de agendamento.
Para o secretário de Esporte e Lazer do DF, Renato Junqueira, as melhorias reforçam o compromisso do Governo do Distrito Federal (GDF) com os espaços públicos. “As churrasqueiras do Parque da Cidade fazem parte de um conjunto de ações da secretaria para garantir ambientes de qualidade, que promovam o convívio social, o lazer e a prática esportiva. Nosso compromisso é oferecer à população e aos visitantes do Distrito Federal espaços seguros, organizados e acessíveis”, ressalta.
O administrador do Parque da Cidade, Todi Moreno, destaca que a revitalização atende a uma demanda histórica dos usuários, especialmente aos fins de semana. “É um espaço que faz parte da memória afetiva dos brasilienses, que remete à alegria e ao entretenimento. As famílias utilizam o parque para praticar esporte, pedalar com as crianças, enquanto o almoço está sendo preparado”, afirma. Segundo ele, a reforma das churrasqueiras integra um planejamento mais amplo. “Essa intervenção fazia parte do nosso mapeamento de carências do parque, juntamente com o cercamento, a iluminação e a reforma dos banheiros.”
Neste domingo (21), dezenas de pessoas aproveitaram as churrasqueiras para as confraternizações de final de ano. A psicóloga Silvania Vilas Boas, 46, ficou encantada com a estrutura. “Eu amei. Ficou muito amplo, arejado, com bastante mesas e muita área verde, inclusive para as crianças e os pets. Dá para passar o dia todo aqui com tranquilidade”, afirmou. Ela e o marido, o servidor público Nelson Vilas Boas, 51, promoveram um encontro com amigos e familiares. “Já vimos muitas famílias por aqui, isso traz mais segurança. O dia está lindo e, claro, não pode faltar o churrasco.”
Para Nelson, a obra trouxe, principalmente, mais acessibilidade ao espaço. “Vi que as calçadas ligam diretamente aos estacionamentos, sem obstáculos, o que facilita para cadeirantes e para quem vem com crianças. Isso traz muito mais conforto”, pontuou. “Encontramos aqui uma boa estrutura, as churrasqueiras são novas e estão muito boas para receber bastante gente.”
Quem também aprovou as novas instalações foi a funcionária pública Renata Rodrigues Lima, 43, que frequenta o parque desde a infância. “Eu fui criada aqui. A gente vinha quando era criança, fazia piquenique, andava de bicicleta, de patins. Minhas crianças também são criadas aqui, e quero que as novas gerações continuem vivendo isso”, contou. Para ela, a reforma trouxe ainda mais qualidade à experiência. “As churrasqueiras ficaram muito boas, o espaço está sempre limpo e a segurança é constante. Hoje viemos comemorar o aniversário dos meus afilhados. O GDF está de parabéns.”
Patrimônio brasiliense
A entrega das churrasqueiras ocorreu em duas etapas. No dia 31 de outubro, 13 conjuntos duplos, que totalizam 26 churrasqueiras individuais, foram disponibilizados nos estacionamentos 2 e 3. Já a segunda etapa, concluída no dia 1º deste mês, contemplou mais 11 conjuntos duplos, com 22 churrasqueiras individuais no estacionamento 4.
O uso do espaço é livre: basta o frequentador chegar ao local e levar os itens necessários para o preparo dos alimentos, como carvão, acendedor, utensílios, grelha e mantimentos. Após a utilização, é obrigatória a limpeza do espaço e o descarte correto dos resíduos, reforçando que a conservação do parque depende da colaboração de todos.
O pacote de melhorias no Parque da Cidade incluiu a reforma do Castelinho, a revitalização do Parque Ana Lídia, a implantação de novo cercamento e a iluminação 100% em LED, ampliando a segurança e incentivando o uso permanente das áreas públicas. Também está em andamento a reforma da Piscina com Ondas.
JORGE HENRIQUE CARTAXO
Especial para o Correio
“O presidente JK que trouxe meu pai para construir esta cidade. Eu vim junto com meu pai. JK será eterno porque mudou a minha família, mudou o Brasil, e eu tenho que agradecer aqui ao meu amado presidente. Custe o que custar!”
O pequeno e emocionado discurso do policial militar que rompeu as mãos dadas — para acalentar suas palavras — com as mais de duas dezenas de companheiros que cercavam, em proteção, o túmulo ainda aberto de Juscelino Kubitschek no Campo da Esperança foi a última e inesperada saudação ao fundador de Brasília antes que o corpo do grande estadista fosse guardado e entregue ao silêncio eterno, no longínquo 23 de agosto de 1976. A noite escura abraçava o cemitério de Brasília apinhado de candangos que, numa algaravia comovente, entre a tristeza, a revolta e a saudade, pranteavam o último adeus a JK. Todos seguiam as luzes difusas das câmeras de TV que se dirigiam ao jazigo, em busca do último registro da lamentável e indesejada cena histórica.
O jornalista Silvestre Gorgulho, à época assessor do então ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, estava na Catedral de Brasília naquela tarde melancólica, quando o esquife com o corpo de JK deixou o nosso primeiro templo e seria acondicionado sobre um carro do Corpo de Bombeiros. Num átimo, os candangos em multidão — cerca de 300 mil — apoderaram-se do corpo de Juscelino e o levaram de mão em mão, de braço em braço, de ombro em ombro, até o cemitério. Nos longos oito quilômetros que separam a Catedral do Campo da Esperança, parte percorrida pela Esplanada e parte pela W3 Sul, os candangos cantaram Peixe Vivo — a música preferida de JK — e o Hino Nacional, clamaram por Juscelino, silenciaram em preces e espargiram lágrimas de saudades e dor.
“Não houve honras oficiais, nem salões ou palácios da cidade que ele fez construir. Apenas a casa de Deus, as ruas e as orações candangas”, lembra Silvestre Gorgulho, que acompanhou o cortejo da Catedral até o Campo da Esperança e presenciou toda a cerimônia. Essas cenas estão contadas, com vantagens, no livro De Casaca e Chuteiras — A Era dos Grandes Dribles na Política, Cultura e História / 1956 — 1977 / Brasília-JK-Pelé, um brinde de Gorgulho a Brasília.
Primeiro recado
No dia 17 de fevereiro de 1976, o jornalista Roberto Marinho, dono das Organizações Globo, fez uma visita ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, no Rio de Janeiro. “Juscelino, trago um recado do Armando. Militares pretendem coisas dramáticas contra a sua vida”, teria dito Roberto Marinho a um apreensivo, mas sempre sereno JK. Armando Falcão, então ministro da Justiça do governo Geisel, havia sido também ministro da Justiça entre 1956 e a inauguração de Brasília, em 1960. Na foto clássica de JK com Jango e Israel Pinheiro entrando no Palácio do Planalto no final da tarde daquele histórico 21 de abril de 1960, igualmente de casaca, ao lado de Jango, estava lá ele, Armando Falcão.
No sábado, 7 de agosto daquele mesmo ano, uma “notícia” se espalharia pelo país: Juscelino teria morrido num acidente automobilístico na estrada Rio-São Paulo. A imprensa se mobilizou. Dona Sarah foi procurada no Rio. Recluso na sua Fazendinha, em Luziânia, Juscelino foi surpreendido pela visita de uma dezena de fotógrafos e jornalistas movidos pela pauta tenebrosa e, de certo modo, premonitória. Apreensiva, Vera Brant se deslocou de Brasília até Luziânia para conversar com JK. “Juscelino, acho que jogaram esse alarme falso para avaliar que tipo de emoção causaria no país a sua morte. Cuidado, que vão te matar”, vaticinou Vera ao abraçar o amigo ainda perplexo com o vasto ruído.
O desmentido viria na noite do dia seguinte, no programa Fantástico, da TV Globo. A vontade de tirar a vida de JK não era nova na ditadura militar. Em junho de 1968, um grande atentado foi abortado no país. O caso Para-Sar (tropa especial de elite da Aeronáutica especializada em busca, salvamento e operações especiais) foi um plano arquitetado pelo então brigadeiro João Paulo Burnier. As vítimas finais seriam os principais líderes civis do país perseguidos pelo golpe de 1964: Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda, Jânio Quadros, Dom Hélder Câmara e mais 40 militantes da oposição. Jango estava no exílio.
A primeira fase da operação terrorista consistia em realizar uma série de atentados a bomba tendo como alvo empresas norte-americanas, como o Citibank e a Sears, além da explosão de um gasômetro na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro. Os crimes seriam atribuídos aos movimentos de esquerda. Estabelecido o caos, os líderes civis seriam sequestrados e mortos. O capitão Sérgio Miranda de Carvalho (um cavalheiro conhecido pela tropa como Sérgio Macaco), convocado para coordenar a operação terrorista, recusou-se a praticar os atos ilegais e denunciou o horror aos seus superiores. A violência pública proposta por Burnier mergulharia nos porões — tortura, sequestros e mortes — com o AI-5, em dezembro de 1968.
Em janeiro de 1971, o assassinato do ex-deputado federal Rubens Paiva no DOI-CODI do II Exército, em São Paulo, sinalizou a fase do terror da ditadura militar. Somente em 1974, com a vitória do MDB nas eleições gerais de novembro, os limites do autoritarismo assumiriam contornos mais visíveis. É bem verdade que, em agosto de 1974 — cinco meses após a sua posse como presidente da República, em março —, o general Ernesto Geisel, num encontro com os dirigentes da Arena — partido político que dava sustentação simbólica e congressual à ditadura —, anunciou a famosa proposta de distensão política, por ele chamada de “lenta, gradual e segura”.
Como a história republicana assinala, os quartéis nunca foram exatamente harmônicos, disciplinados, amigos das leis e da legitimidade. No dia 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi torturado e morto nas dependências do II Exército de São Paulo, que abrigava o temido DOI-CODI. Herzog havia se apresentado voluntariamente ao general Eduardo D’Ávila Mello no dia 24 daquele mesmo outubro. Em janeiro de 1976, três meses após a morte de Vladimir Herzog, no mesmo II Exército, ainda sob o comando do general D’Ávila, seria morto o operário e sindicalista Manoel Fiel Filho.
Os dois assassinatos atingiram em cheio o governo militar e desafiaram frontalmente o presidente Geisel. O general D’Ávila foi demitido três dias após a morte de Fiel Filho. Na madrugada do dia 14 de abril de 1976, a famosa estilista Zuzu Angel foi esmagada, dentro do próprio carro, na saída do Túnel Dois Irmãos, em São Conrado, no Rio. Zuzu lutava desesperadamente pelo paradeiro de seu filho, Stuart Angel, preso, torturado e morto pela ditadura em 1971.
No dia 19 de agosto de 1976, uma bomba explodiu na sede da ABI e outro artefato foi desativado na sede da OAB, ambas no Rio. Ainda em 1976, JK seria morto no dia 22 de agosto; o ex-presidente João Goulart morreria em dezembro, também num rastro de suspeitas de atentado. Em maio de 1977 seria a vez de Carlos Lacerda, também em um cenário igualmente suspeito. No dia 12 de outubro de 1977, o presidente Geisel demitiu o então ministro do Exército, general Silvio Frota, um inimigo militante da abertura política e candidato, já em campanha, à sucessão de Geisel. Tornava-se pública a grave crise militar que abalava a ditadura, além da expressiva derrota nas eleições de 1974.
A partir daí, o terror se acentuaria. Dois atentados marcaram a época e se espalham pelo mundo. Em 27 de agosto de 1980, uma carta-bomba explodiu nas mãos da secretária da presidência da OAB, Lyda Monteiro, no Rio, ceifando-lhe a vida. Na noite do dia 30 de abril de 1981, no estacionamento do Centro de Convenções Riocentro, uma bomba explodiu no colo do sargento do Exército Guilherme do Rosário, matando-o, e deixou gravemente ferido o então capitão do Exército Wilson Dias Machado. Naquela noite, Chico Buarque, Gal Costa, Clara Nunes, Gonzaguinha, Elba Ramalho, Alceu Valença, Beth Carvalho, Moraes Moreira e João Bosco estavam se apresentando para 20 mil pessoas que lotavam o Riocentro. Um “acidente de trabalho” impediu que a tragédia se consumasse. Entre 1978 e 1983, de acordo com relatórios oficiais, a extrema-direita praticou mais de 187 ataques terroristas. Os alvos mais evidentes eram as redações de jornais, as bancas de revistas que vendiam publicações da oposição e as instituições — OAB, ABI… — que se mobilizavam pela redemocratização do país.
Retomando a cena política
Na manhã do dia 20 de agosto de 1976, uma sexta-feira, o ex-presidente Juscelino Kubitschek embarcou num avião da Vasp em Brasília com destino a São Paulo. Estavam no aeroporto e no mesmo voo o então senador José Sarney e sua esposa Marly, o ex-senador Franco Montoro e o ex-deputado federal Ulysses Guimarães. O mau tempo em Congonhas obrigou o desvio da aeronave para Viracopos, em Campinas. Durante toda a viagem, Ulysses, Montoro e JK conversaram sobre a conjuntura política do país, que se redesenhava velozmente depois da vitória do MDB nas eleições de 1974. “Hoje está cada vez mais clara a necessidade de normalização da ordem pública. Isso é um desejo de todo o povo brasileiro, à exceção de uns poucos radicais de direita e de esquerda”, disse JK a Ulysses Guimarães em um certo momento daquele último encontro.
Os atentados a bomba que haviam ocorrido na véspera também foram objeto da conversa entre eles. “Tenho sentido uma inquietação crescente nos meios econômicos e bancários com os quais tenho conversado nos últimos tempos”, revelou ainda JK aos dois notáveis interlocutores. O voo inicia o seu procedimento de pouso em Viracopos, naquele final de uma manhã diluviana em São Paulo. Apesar dos temas delicados do diálogo com Ulysses e Montoro, JK não escondia o seu contentamento com a recente retomada da cena pública. No aeroporto havia dado autógrafos. Na decolagem em Brasília, tão logo o avião alcançou a estabilidade dos 10 mil pés, a voz do comandante Sérgio informou: “Tenho o prazer de anunciar que está a bordo o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira”. Os passageiros entoaram aplausos, sinalizando empatia e acolhimento.
Jornalista, mestre em história pela Universidade Paris-Sorbonne.
Legenda da foto: “Mais de 300 mil pessoas foram dar o último adeus a JK em agosto de 1976.”

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