Artigos
Tartaruga-de-pente no Brasil
Estudo com quase 30 anos de dados do Projeto TAMAR mostra sinais de recuperação — e a importância de manter a proteção
Por Dr. Armando Barsante
Um novo artigo científico liderado por pesquisadores da Fundação Projeto Tamar, do Centro TAMAR/ICMBio e da Florida State University acaba de ser publicado na revista Global Ecology and Conservation, trazendo boas notícias — e também alertas — sobre a situação da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) nas principais áreas de desova do Brasil.
O estudo analisou 29 temporadas de monitoramento na região Bahia/Sergipe (BA/SE), de 1991 a 2019, e 17 temporadas na costa sul do Rio Grande do Norte (RN), de 2003 a 2019, usando série de dados de longo prazo coletados pelo Projeto Tamar. Ao longo de quase três décadas, o número de ninhos de tartaruga-de-pente aumentou cerca de 7,8 vezes em BA/SE, saindo de pouco mais de 200 para mais de 1.500 ninhos por temporada, enquanto em RN o crescimento foi de aproximadamente 1,5 vez, consolidando a região como uma das áreas de maior densidade de ninhos da espécie no Atlântico Sul. O aumento em BA/SE fica mais evidente a partir da metade da década de 1990, em consonância com o tempo de maturação estimado para a espécie e com as ações de proteção às tartarugas marinhas iniciadas no Brasil nos anos 1980.

Esse avanço só foi possível graças a um esquema de monitoramento robusto. No entanto, quando os pesquisadores foram além da contagem de ninhos e estimaram quantas fêmeas efetivamente estavam desovando a cada ano, o quadro se mostrou mais cauteloso. Em BA/SE, houve um forte crescimento no número de fêmeas até o ano de 2010, seguido de um aparente patamar estável nos anos mais recentes. Em RN, o aumento foi mais discreto, e as amplas faixas de incerteza nos modelos não indicam uma tendência claramente crescente ou decrescente. Na prática, isso significa que ver mais ninhos nem sempre quer dizer que há muito mais fêmeas: em alguns anos, as mesmas tartarugas podem fazer mais posturas ou mudar o intervalo entre temporadas reprodutivas, o que pode mascarar a verdadeira variação do número de animais na população.

A tartaruga-de-pente é classificada como Criticamente Em Perigo na lista global da IUCN e, no Brasil, passou recentemente de Criticamente Em Perigo para Em Perigo, em reconhecimento aos avanços de conservação — muitos deles resultado direto do trabalho integrado de Fundação Projeto Tamar, Centro TAMAR/ICMBio e comunidades costeiras parceiras em todo o país. O novo estudo confirma que as ações históricas de proteção nas praias funcionaram e ajudaram a recuperar a atividade de desova nas áreas avaliadas. Ao mesmo tempo, deixa claro que não é hora de relaxar: captura acidental em pescarias, desenvolvimento costeiro, poluição luminosa, predação de ninhos, mudanças climáticas e, no caso de BA/SE, a alta taxa de hibridização com outras espécies continuam pressionando a população.
Os autores destacam que o sucesso do estudo reflete a união de esforços de diferentes instituições brasileiras e internacionais, que há décadas compartilham dados, infraestrutura e conhecimento em prol das tartarugas marinhas. Também reforçam que monitoramentos de longo prazo — marca registrada da Fundação Projeto TAMAR — são essenciais para detectar mudanças reais nas populações, orientar políticas públicas, aperfeiçoar a rede de áreas protegidas e apoiar ações com as comunidades locais.

Como próximos passos, o trabalho recomenda ampliar as análises integrando dados obtidos nas praias com informações coletadas em áreas de alimentação e migração, incorporar novas áreas de desova identificadas recentemente no Nordeste e investir em estudos genéticos e de telemetria para entender melhor as rotas migratórias e a conectividade entre diferentes áreas de uso das tartarugas. Assim, o Brasil poderá fortalecer ainda mais sua contribuição para a conservação da tartaruga-de-pente no Atlântico, garantindo que as futuras gerações continuem encontrando esses animais emblemáticos nas nossas praias.
O artigo completo, intitulado “Long-term trends of hawksbill turtle nest numbers and female abundance across key Brazilian nesting areas”, está disponível em acesso aberto na revista Global Ecology and Conservation (doi:10.1016/j.gecco.2025.e03941).
Armando J. B. Santos
Ph.D. in Biological Oceanography, Florida State University
Marine Turtle Research, Ecology, and Conservation
Room 3035 EOAS, 1011 Academic Way, Tallahassee, FL 32304
Website: armandobarsante.github.io
Google Scholar: https://g.co/kgs/ytHXaEB
CRBio: 107.293/05-D
Artigos
Visitação Institucional ao Congresso cresce 20% e alcança melhor resultado desde 2012
Há 13 anos, as visitas eram feitas todos os dias da semana, sem limite de visitantes por grupo. No ano passado, já não havia visitas guiadas às terças e quartas-feiras, dias das sessões nos plenários da Câmara e do Senado, e os grupos foram de no máximo 50 pessoas
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A Visitação Institucional ao Congresso Nacional recebeu 167.462 visitantes no ano passado, contra 139.173 em 2024. O resultado representa recorde diário e o maior público anual desde 2012, quando a visitação operava com dois dias a mais por semana (terça e quarta). Mesmo com essa diferença de dias de funcionamento, 2025 alcançou patamar próximo ao daquele ano, evidenciando o fortalecimento do programa e o crescente interesse do público em conhecer a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Engajamento e aproximação com a sociedade
O desempenho de 2025 reflete um conjunto de iniciativas voltadas a aprimorar a experiência do visitante e reforçar o papel institucional do turismo cívico como porta de entrada para o público conhecer, de forma qualificada e acolhedora, o Congresso Nacional, sua arquitetura, seus espaços simbólicos e o funcionamento da Câmara dos Deputados, contribuindo para uma relação mais próxima entre a instituição e a sociedade.
Ações especiais em 2025
Ao longo do ano, foram realizadas diversas atividades que ampliaram o alcance do programa e impulsionaram o engajamento do público visitante, entre as quais:
• Comemorações dos 65 anos do Congresso Nacional (abril): roteiro inédito, com passagem por áreas nunca antes visitadas e ampla cobertura jornalística externa. Apenas nos quatro dias de visitações especiais, foram 5.182 visitantes.
• Visitas às cúpulas (maio e outubro): programação especial com trabalhadores terceirizados, no mês de maio (mês do trabalhador), e com servidores, em outubro, em período próximo ao Dia do Servidor.
• Espaço Criança no Congresso (julho): ação voltada a famílias, com programação especial para o público infantil.
• Inauguração do Espaço Plenarinho (Salão Negro): ampliação da oferta de atividades para crianças durante a visita.
• “Orelhão” da Rádio Câmara (Salão Negro): iniciativa interativa para que visitantes pudessem pedir músicas, tornando a experiência mais participativa.
• Programação de Natal (dezembro): cantatas com participação especial de uma carreata de Natal ao final da apresentação.
• Visite EnCena: intervenções com esquetes teatrais integradas à visitação, aproximando o público de personagens e “vozes” ligadas à história do Brasil e do Parlamento.
• Visite 360: experiências imersivas com filmes em realidade virtual, utilizando óculos e fones de ouvido, para que o visitante vivencie narrativas marcantes do Parlamento.
• Implantação do Espaço do Visitante: com destaque para a réplica da tribuna do Plenário Ulysses Guimarães, que vem sendo amplamente utilizada pelos visitantes.
Ações em andamento (janeiro) e próximos passos
Os programas Visite EnCena e Visite 360 seguem em realização, ampliando as alternativas culturais e imersivas para o público. No Espaço do Visitante, a tribuna já está à disposição para fotos das 9h às 17h, todos os dias, e a Loja Institucional da Câmara será inaugurada em breve.
Mais informações sobre a Visitação Institucional ao Congresso estão disponíveis no portal.
Artigos
CLDF anuncia novo concurso de fotografia “Brasília Sob Lentes”
A iniciativa pretende estimular a educação para a cidadania por meio da arte e da cultura, além de incentivar um olhar crítico e sensível sobre a capital federal
Foto: Pedro França / Agência Senado
A Câmara Legislativa do Distrito Federal instituiu, por meio do ato da segunda vice-presidente, deputada Paula Belmonte (PSDB), publicado no Diário da Câmara Legislativa (DCL) no último dia 9, o concurso de fotografia “Brasília Sob Lentes”. A iniciativa pretende estimular a educação para a cidadania por meio da arte e da cultura, além de incentivar um olhar crítico e sensível sobre a capital federal.
Segundo o texto, o concurso será aberto à participação da comunidade em geral, com categorias, critérios e prazos definidos em edital específico a ser divulgado. As fotografias selecionadas também serão premiadas conforme as regras estabelecidas.
O ato determina, ainda, que a Escola do Legislativo do Distrito Federal (Elegis) será responsável por planejar, coordenar e executar o concurso, podendo firmar convênios e acordos de cooperação com instituições públicas e educacionais, tanto públicas quanto privadas.
Para a deputada Paula Belmonte, o projeto é uma oportunidade de fortalecer o vínculo entre a CLDF e a sociedade, incentivando o pertencimento, a identidade e a participação social. “A fotografia é uma poderosa ferramenta de expressão e cidadania. Com esse concurso, queremos aproximar a população da Câmara Legislativa e valorizar os múltiplos olhares sobre Brasília”, enfatiza a parlamentar.
*Com informações do gabinete da deputada Paula Belmonte (PSDB)
Agência CLDF
Artigos
Vestibular da USP vai cobrar obras indígenas e quadrinhos
Universidade divulgou livros de leitura obrigatória entre 2030 e 2033
Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil
A Universidade de São Paulo (USP) divulgou as obras de literatura para leitura obrigatória que será cobrada dos vestibulandos nos exames de 2030 a 2033. A lista traz mudanças em relação aos autores do ciclo 2026-2029 e amplia gêneros literários e a origem dos autores.

A nova relação foi aprovada em reunião do Conselho de Graduação da universidade, por unanimidade, e traz o retorno de obras de teatro como referência, gênero que esteve de fora nos últimos exames, além de incluir os quadrinhos, por meio de uma graphic novel (romance gráfico).
Será a primeira vez que os autores indígenas serão cobrados na Fuvest, com a obra Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, uma coletânea de contos de Trudruá Dorrico e Maurício Negro, no biênio 2030-2031, e Fantasmas, de Daniel Munduruku, para 2032-2033.
“Temos a preocupação de trazer visões mais contemporâneas, abordando um espectro de problemas mais amplo e favorecendo a avaliação comparativa entre escolas literárias e as próprias obras”, explicou o diretor executivo da Fundação para o Vestibular (Fuvest) Gustavo Monaco.
A abordagem, que tem sido o tom tanto na Fuvest quanto em outros vestibulares e no próprio Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vem de uma percepção que Monaco resume como a de que o conhecimento é fracionado apenas por razões didáticas. Ele destaca a importância de os estudantes que chegam à universidade serem capazes de estabelecer relações entre essas concepções e narrativas diferentes.
A ampliação também impacta a correção das questões. A banca de português é a maior da Fuvest, pois todos os candidatos da segunda fase fazem a prova, e são cerca de 30 mil pessoas. Metade das questões envolve literatura, e a correção delas cabe a professores da USP, doutorandos, ex-alunos de doutorados e alunos de pós-doutorado. Com a ampliação, cresce a complexidade das perguntas, e também das respostas.
“Tem sido mais comum, durante a correção, que surjam debates, pois algumas respostas trazem novas formas de pensar os temas, com abordagens que levam a pensar novas formas de comparação”, comenta Monaco.
A lista amplia a retomada de autores masculinos, já que as obras cobradas entre 2026 e 2028 tinham somente autoras, e manterá a paridade de gêneros.
Confira a lista de obras:
Lista de livros para 2030 e 2031
- Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
- Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, Trudruá Dorrico e Maurício Negro (contos)
- A Moratória, Jorge Andrade (teatro)
- Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
- Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
- Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
- Memorial do Convento, José Saramago (romance)
- A Ilha Fantástica, Germano Almeida (romance)
- Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus (romance)
Lista de livros para 2032 e 2033
- Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
- Orfeu da Conceição, Vinicius de Moraes (teatro)
- Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
- Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
- Úrsula, Maria Firmina dos Reis (romance)
- Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
- O Plantador de Abóboras, Luís Cardoso (romance)
- Casa de Família, Paula Fábrio (romance)
- Fantasmas, Daniel Munduruku (romance)
-
Artigos4 meses ago23 de setembro dia de Padre Pio
-
Reportagens3 meses agoTV Brasil e Canal Gov transmitirão Círio de Nazaré neste domingo
-
Reportagens3 meses agoGDF leva Harlem Globetrotters a Ceilândia em ação social com estudantes
-
Artigos4 meses agoESG Summit Brasília 2025
-
Reportagens3 meses agoDe cara nova, Parque da Cidade celebra 47 anos como espaço de lazer, convivência e memória
-
Reportagens3 meses agoParque da Cidade chega aos 47 anos como símbolo de qualidade de vida na capital
-
Artigos4 meses agoCONCLUSÃO E FINAL DA VIDA DE JEAN DE LÉRY
-
Reportagens4 meses agoFestivais, exposição sobre design e Fest Rock Brasília estão entre as opções culturais da capital neste fim de semana