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Aberta a competição pelo 28º Troféu Câmara Legislativa para filmes do DF

Espaço do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro exclusivo para filmes do Distrito Federal, a Mostra Brasília começou na noite desta segunda-feira (14). A disputa prossegue durante a semana, com entrada franca

 

Foto: Lourenço Cardoso / Agência CLDF

 

Dois filmes de animação abriram, na noite desta segunda-feira (14), a Mostra Brasília, espaço do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro destinado às produções do Distrito Federal que concorrem ao 28º Troféu Câmara Legislativa. No Cine Brasília, sede do festival, e em outros locais (leia abaixo), as exibições dos títulos selecionados para a competição prosseguem até a próxima sexta-feira (18), com entrada gratuita.

 

Foto: Lourenço Cardoso / Agência CLDF

No primeiro programa da disputa, subiram ao palco para falar sobre suas obras as equipes do curta Hacker Leonilia e do longa Amadeo e o Hipotético Mundo Novo. No início da sessão, a apresentadora Juliana Drummond destacou o papel do Troféu Câmara Legislativa, criado há três décadas: “Nessas 28 edições, a CLDF vem reconhecendo e incentivando o cinema brasiliense”. Antes, foi exibida uma vinheta com imagens de premiações do Troféu, que este ano adotou como slogan “Há 30 anos junto do cinema brasiliense”.

 

Foto: Lourenço Cardoso / Agência CLDF

Sobre os filmes da noite, Naruna Costa, da equipe do longa, observou que eram “duas animações com protagonismo negro”. Já o diretor do curta, Gustavo Fontele Dourado, fez uma defesa dos órgãos de fomento à indústria cinematográfica e chamou a atenção para as implicações do uso da inteligência artificial (IA) no cinema de animação.

Locais de exibição

Nesta terça-feira (15), a Mostra Brasília apresenta mais dois filmes – um curta e um longa-metragem. Os títulos são exibidos, às 18h, na Sala Vladimir Carvalho do Cine Brasília; e às 19h45, no Complexo Cultural de Planaltina e na Universidade Católica de Brasília – Bloco G, em Taguatinga. No dia seguinte, há reprise dos filmes da noite anterior na sala 2 do Cine Cultura Liberty Mall, às 15h. Diariamente, a partir das 21h15, os filmes são debatidos no auditório do Cine Brasília.

 

Foto: Lourenço Cardoso / Agência CLDF

Os vencedores do 28º Troféu Câmara Legislativa serão conhecidos na cerimônia de encerramento do 59º Festival de Brasília, no próximo sábado (19), a partir das 17h. Os prêmios são concedidos pelo júri popular – composto pelo público que comparece às exibições – e júri oficial, formado por especialistas da área cinematográfica.

Marco Túlio Alencar – Agência CLDF

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“Tiktokização” e crise sufocam propostas de campanha, diz Fenaj

Entidade reflete sobre lacunas da cobertura eleitoral de 2026

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Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

O debate público sobre os rumos do Brasil tem sido esvaziado por um modelo eleitoral distorcido, marcado pela ausência de propostas estruturais. É o que aponta a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro. Em entrevista à Agência Brasil, ela argumenta que os problemas reais do país estão deixando de ser discutidos devido a dois principais fatores: a busca da grande mídia por audiência instantânea – e, na maioria dos casos, momentânea – e a adesão das candidaturas a uma lógica de marketing superficial.

“Sofremos um processo violento de ‘tiktokização’ da campanha eleitoral. Tudo se resume à dancinha”, declarou Samira.

Ela acrescenta que, em tempos de atenção pulverizada e consumo superficial de notícias, poucos candidatos parecem dispostos a debater a sério os reais problemas do Brasil. Samira também destaca qual é o papel do jornalismo nas grandes crises, como a que enfrenta o Supremo Tribunal Federal (STF) e a importância de ir além nessa pauta. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista exclusiva.

Agência Brasil: A atual crise político-institucional, que envolve denúncias relacionadas ao caso Master, afeta o debate eleitoral?

Samira de Castro: Sim. Ela já extrapolou o Poder Judiciário – envolvendo outras organizações, como a Polícia Federal – e está dominando o debate. O pior é que, a meu ver, ela continuará dominando o noticiário.

Agência Brasil: Com a aproximação do primeiro turno [em 4 de outubro], você acha que a imprensa e a opinião pública vão encontrar uma forma mais equilibrada para seguir acompanhando e noticiando o caso e, ao mesmo tempo, estimular os candidatos a detalharem suas propostas e os demais problemas brasileiros?

Samira de Castro: Sendo muito sincera, acho que não. Há um outro aspecto nisso tudo que preocupa a mim e à Fenaj, que é a questão do jornalismo declaratório, da superficialidade com que este e outros escândalos são tratados.

Agência Brasil: De que maneira isso atrapalha o debate eleitoral e, no limite, impacta o curso normal das eleições?

Samira de Castro: Primeiramente, o debate eleitoral fica prejudicado porque, no primeiro plano, as atenções se voltam todas para a crise institucional – que neste caso é [afeita ao] Poder Judiciário. Com isso, as pautas comuns dos períodos eleitorais, ou seja, a discussão das propostas dos candidatos, das demandas da sociedade civil e das pautas nacionais, ficam em segundo plano.

Ainda que um ou outro veículo entreviste os candidatos ou tenha feito séries sobre os problemas reais do Brasil, isto fica em segundo plano diante do cenário de crise. Em parte, isso ocorre também por uma lógica própria da comunicação, que é a busca pela audiência, cuja atenção é mobilizada. O resultado é que a população não debate com profundidade os programas de governo e as candidaturas, nem em nível nacional nem estadual. O que, em última instância, prejudica a sociedade civil organizada, cujas proposições não são contempladas.

Agência Brasil: Diante da gravidade da crise, isso poderia ser diferente? Como equacionar a necessária cobertura dos fatos e, ao mesmo tempo, garantir espaço para o debate dos problemas estruturais do país?

Samira de Castro: Acho que a mídia precisa insistir na segunda agenda. É importante cobrir a crise do Poder Judiciário. Inclusive porque rende muita audiência – o que também é necessário. Mas a agenda própria aos debates políticos precisa de uma certa insistência; de uma visão de longo prazo que não se esgota apenas na eleição. Porque tanto a realidade nacional tem que ser o tempo todo informada à sociedade, como também os desafios futuros, sobretudo nos campos econômico, social e geopolítico, como a interferência dos Estados Unidos. Esses temas podem até não ser o assunto principal neste momento, mas têm que ser discutidos com fontes plurais e confiáveis, evitando vieses editoriais. É preciso ir além do jornalismo declaratório, do “quem disse o quê”, e buscar ouvir a população, que é afetada no dia a dia pela política.

Agência Brasil: Toda crise política e institucional interessa ou beneficia a algum segmento e também cabe à imprensa deixar isto claro – mesmo sob risco de ser acusada de parcial?

Samira de Castro: Acho que a imprensa vai ser cada vez mais desafiada nessas coberturas eleitorais. Não só pelas crises persistentes, mas por uma reflexão muito franca sobre qual é, de fato, nosso papel. É ficarmos só na repercussão de fatos que mobilizam determinados setores políticos e econômicos? Para um segmento do espectro político, interessa que a crise institucional seja coberta todo dia, com vazamentos seletivos, investigações direcionadas. É um projeto em disputa.

O jornalismo tem que perceber seu papel nesse momento e agir com responsabilidade, cumprindo sua função social de compartilhar informação de relevante interesse público, capaz de gerar cidadania. Mas, ao contrário disso, muitos veículos de imprensa estão se guiando pela lógica de concorrer com as redes sociais, buscando uma atenção capaz de gerar engajamento momentâneo, mas sem discutir nada com profundidade, o que prejudica os esforços de veículos para se manterem relevantes. Além disso, é preciso reconhecer que houve um empobrecimento também das campanhas. Parece-me que estamos sofrendo um violento processo de “tiktokização” da campanha eleitoral. Você olha os perfis dos candidatos e tudo se resume a dancinha. É uma loucura. Poucos parecem debater a sério os reais problemas do Brasil.

Agência Brasil: E quais são, a seu ver, os temas mais urgentes nestas eleições?

Samira de Castro: Um deles certamente é a questão climática. Como as candidaturas enxergam as mudanças climáticas e suas consequências? Outra questão é como explorar nossas terras raras. Eu, particularmente, me interesso pela questão da atração de data centers, um tema bastante complicado e controverso. Enfim, há inúmeros temas na ordem do dia e sobre os quais não estamos vendo um debate aprofundado.

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Pessoa idosa: veja onde denunciar violações de direitos e buscar ajuda no DF

Opções de atendimento para registros, informações e apoio à população idosa estão disponíveis em unidades do DF

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Karol Ribeiro, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto

 

O acesso a informações diante de uma situação de violência, abandono ou violação de direitos auxilia na proteção da pessoa idosa. No Distrito Federal, diferentes órgãos oferecem canais para registros, informações e encaminhamento de casos. O atendimento pode ser acionado por familiares, responsáveis ou por qualquer pessoa com conhecimento de uma situação de violência.

No DF, alguns serviços destinados aos idosos funcionam 24 horas por dia, durante toda a semana | Foto: Divulgação

O canal principal para comunicar violações de direitos é o Disque 100 – Disque Direitos Humanos, serviço gratuito com funcionamento 24 horas por dia, em todos os dias da semana. Podem ser comunicados casos de violência física, psicológica e patrimonial, abandono, discriminação e outras situações de ameaça aos direitos da pessoa idosa.

No DF, outra opção é a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, Orientação Sexual, Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin). O cidadão pode procurar a unidade ou utilizar o telefone 197 e a Delegacia Eletrônica para apresentar denúncias e buscar informações sobre crimes.

Também é possível acionar o Disque 162. O canal recebe registros, reclamações, sugestões e outras manifestações relativas aos serviços públicos.

Orientação e acolhimento

Para atendimento e orientação sobre os serviços voltados a essa faixa etária, há acolhimento às pessoas idosas e aos seus responsáveis, por meio dos telefones (61) 2244-1294 e 2244-1295.

O Viver 60+ consiste em uma política permanente direcionada à promoção do envelhecimento saudável, à convivência, à inclusão social, ao bem-estar e à garantia de direitos da pessoa idosa.

 

A iniciativa reúne atividades de saúde preventiva, práticas físicas adaptadas, ações culturais e recreativas, socialização, cidadania e autocuidado. Também são oferecidas orientações relativas às áreas de psicologia, fisioterapia e enfermagem.

Atendimento e comunicação de violência

A orientação para quem presencia ou suspeita de violência contra a pessoa idosa é procurar ajuda e comunicar o fato. A comunicação do caso pode ser feita pelo Disque 100, inclusive por terceiros com conhecimento da situação.

Em casos de indícios de crime ou necessidade de atendimento policial, o cidadão deve utilizar o 197 e a Delegacia Eletrônica.

Em situações de emergência, o acionamento deve seguir a natureza da ocorrência, pelos telefones 190; 192 e 193.

Canais de atendimento

♦ Disque 100 – Disque Direitos Humanos
Denúncias de violações de direitos, inclusive contra pessoas idosas. Atendimento gratuito, 24 horas por dia.

♦ Disque 197
Denúncias e informações relacionadas a crimes.

♦ Disque 162
Recebe manifestações sobre serviços públicos, como denúncias, reclamações, sugestões e elogios.

♦ Subidoso
(61) 2244-1294 / 2244-1295
Orientação e direcionamento para serviços voltados à pessoa idosa.

♦ 190 – Polícia Militar
Atendimento em situações de emergência policial.

♦ 192 – Samu
Atendimento de urgência e emergência em saúde.

♦ 193
Atendimento em situações de emergência.

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Embrapa fortalece presença na África e abre caminhos para novas parcerias Imprimir

Missão da Embrapa participa do Africa Food Systems Forum, em Ruanda

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Memorandos de entendimento com instituições da Etiópia e avanços na parceria com Moçambique reforçam a cooperação científica e tecnológica; experiência da AgriZone é apresentada como referência para a COP32, em 2027.

A Embrapa ampliou sua agenda de cooperação internacional na África com iniciativas em Ruanda, Moçambique e Etiópia, na última semana de agosto. Em Kigali, capital de Ruanda, a presidente Silvia Massruhá participou do Africa Food Systems Forum (AFSF), onde foram assinados Memorandos de Entendimento com o Instituto Etíope de Pesquisa Agrícola (EIAR) e o Kerchanshe Group. Em Moçambique, a diretora Ana Euler, de Inovação Social e Transferência de Tecnologia, integrou missão da ApexBrasil ao país, enquanto a Assessoria de Relações Internacionais (ARIN) realizou missão à Etiópia para prospectar projetos conjuntos e acompanhar as articulações para a COP32, prevista para 2027.

A experiência da AgriZone, coordenada pela Embrapa na COP30, em Belém, foi apresentada como referência que pode inspirar a participação brasileira na próxima conferência climática.

África Food Systems Forum

Realizado em Kigali, entre 31 de agosto e 4 de setembro, o Africa Food Systems Forum é um dos principais encontros internacionais dedicados ao futuro dos sistemas alimentares africanos e reuniu mais de 4 mil participantes, entre chefes de Estado, cientistas, investidores e lideranças do setor privado. A participação da Embrapa ampliou as possibilidades de cooperação científica, tecnológica e de inovação entre o Brasil e países africanos.

Durante o fórum, a presidente Silvia Massruhá participou da sessão de abertura e, no mesmo dia, em  2 de setembro, do painel técnico AgriLLM Showcase, que apresentou uma ferramenta de modelo de linguagem aberta e multilíngue desenvolvida especificamente para o setor agrícola. A iniciativa reúne uma rede internacional formada por organizações como CGIAR, FAO, Fundação Gates, Digital Green, Instituto de Agricultura e Inteligência Artificial (IAAI) e Embrapa.

Silvia destacou o papel da ciência, da inteligência artificial e da análise de dados para transformar a agricultura e ampliar a capacidade de antecipar desafios. Ela defendeu a transição de uma agricultura baseada na reação aos problemas para um modelo preditivo, capaz de antecipar riscos e apoiar decisões. “É a capacidade de simular a colheita antes de plantar, prever a praga antes do sintoma, antecipar o risco climático antes da perda e de recomendar a decisão certa, para cada produtor, no momento certo”, afirmou.

Segundo a presidente, o uso de dados, inteligência artificial e modelos de previsão podem contribuir para uma produção mais eficiente, sustentável e resiliente, especialmente diante das mudanças climáticas e da necessidade de ampliar a segurança alimentar.

Além da agenda técnica, a delegação da Embrapa participou de reuniões bilaterais com parceiros como CGIAR, Crop Trust, Fundação Gates, ICARDA, IOFS, Banco Mundial, AGRA e FARA. O fórum também abriu oportunidades de diálogo em temas como agronegócio, máquinas e implementos agrícolas, fertilizantes, saúde do solo, bioinsumos, gestão hídrica, tecnologia digital, inteligência artificial, energia, pecuária, agricultura familiar, pesquisa e segurança alimentar.

“A participação da Embrapa tem como objetivo a construção de agenda estratégica de diálogo sobre segurança alimentar, inovação, sustentabilidade e transformação dos sistemas agroalimentares. Além dos seminários, realizamos reuniões bilaterais com ministros da Agricultura e Meio Ambiente de Ruanda, representantes do CGIAR, além do banco de Agricultura da Nigéria e da Organização Islâmica para a Segurança Alimentar”, relatou a presidente.

Memorandos ampliam cooperação com a Etiópia

Durante o fórum, a Embrapa assinou Memorando de Entendimento com o Instituto Etíope de Pesquisa Agrícola (EIAR). O acordo prevê cooperação na bovinocultura de carne e leite e capacitação de recursos humanos.

Também foi assinado Memorando de Entendimento com o Kerchanshe Group, com foco na cooperação para a produção de carne bovina, incluindo reprodução de genética, transferência de embriões, manejo e sanidade animal, forragens e integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). O manejo das culturas de café, cacau e baunilha também está entre os temas de interesse.

Os acordos fortalecem a cooperação científica e tecnológica da Embrapa com parceiros africanos e ampliam as possibilidades de desenvolvimento de iniciativas conjuntas no continente.

Na foto (abaixo), a missão em Ruanda, integrada pela presidente, e os assessores internacionais Paulo Melo, Jane Simoni e Paulo Galerani. Também esteve presente o representante da Embrapa no escritório do Brasil na Etiópia, José Edinilson Miranda.

Moçambique: cooperação para ampliar a produção de alimentos

Entre 31 de agosto e 6 de setembro, a Embrapa participou da Feira Internacional de Maputo (FACIM), na capital de Moçambique, como parte do Pavilhão Brasil. A diretora Ana Euler, de Inovação Social e Transferência de Tecnologia, integrou a missão da ApexBrasil ao país, realizada em coordenação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com o objetivo de aproximar empresas brasileiras de parceiros estratégicos no continente.

A agenda incluiu reuniões bilaterais com o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), a FAO, o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) e o Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pesca e Aquacultura (Idepa).

 Reuniões bilaterais marcam a participação da diretora Ana Euler na Feira Internacional de Maputo, em Moçambique

Na abertura da feira, o presidente de Moçambique, Daniel Chapo, conversou com Ana Euler e ressaltou a necessidade de ampliar a parceria com a Embrapa para aumentar a produção de alimentos no país. O ministro da Agricultura, Roberto Albino, apresentou demandas relacionadas à importação de sementes, ao codesenvolvimento de cultivares e à formação de técnicos e agricultores.

As discussões avançaram na construção de um Memorando de Entendimento com o governo de Moçambique, tendo entre os temas o fortalecimento da produção de alimentos da cesta básica, como arroz, feijão, carne, ovos, frango, peixe, leite e milho. A capacitação de técnicos e agricultores e compra de sementes também estão entre as demandas.

“O que o presidente de Moçambique nos pede é que a Embrapa atue no país com transferência de tecnologia para aumentar a produção de alimentos. Hoje, o país importa a maior parte do que consome”, explica Ana Euler.

Capacitação e adaptação de tecnologias

Para a Embrapa, a cooperação com Moçambique deve começar pelo fortalecimento do capital humano. Uma das frentes em discussão é ampliar o acesso de técnicos e agricultores às plataformas digitais da Empresa. O e-Campo, plataforma de capacitação da Embrapa, reúne, segundo Euler, mais de 200 cursos, 1,5 milhão de inscritos e usuários em 167 países. Atualmente, 1.200 extensionistas moçambicanos participam de curso oferecido pela plataforma.

A proposta é combinar ensino digital, comunidades de prática, intercâmbio e acompanhamento técnico, além de adaptar conteúdos às cadeias produtivas locais. Entre as áreas de interesse estão produção de alimentos, mudanças climáticas, pecuária, bioinsumos e genética.

Agenda de cooperação na Etiópia

Como parte da agenda internacional da Embrapa no continente africano, Jane Simoni, supervisora de Cooperação Técnica e Científica da Assessoria de Relações Internacionais (ARIN), e o pesquisador Paulo Melo participaram, nos dias 27 e 28 de agosto, de missão oficial à Etiópia. A agenda teve como objetivo identificar oportunidades de cooperação no âmbito do projeto “Ethiopia-Brazil Agricultural Innovation Partnership”, voltado ao desenvolvimento de iniciativas conjuntas entre a Embrapa e o Instituto Etíope de Pesquisa Agrícola (EIAR).

A missão incluiu visitas às unidades de pesquisa do EIAR em Holetta e Bishoftu, com foco na infraestrutura laboratorial, nas instalações de pesquisa e nas atividades científicas desenvolvidas no país. A equipe também avaliou possibilidades de intercâmbio de experiências e cooperação técnica.

Durante a missão, os representantes da Embrapa se reuniram com a equipe organizadora da COP32, que será realizada na Etiópia em 2027, para compartilhar conhecimentos e aprendizados do Brasil na organização da COP30. Na sequência, a equipe da ARIN acompanhou eventos paralelos do Africa Food Systems Forum, em Kigali.

AgriZone: experiência da COP30 pode inspirar a COP32

Nesse diálogo com os organizadores da COP32, a experiência da AgriZone, espaço coordenado pela Embrapa durante a COP30, em Belém, ganha relevância como referência para a próxima conferência climática.

A proposta é levar para a COP32 não apenas conteúdos ou tecnologias desenvolvidos no Brasil, mas a metodologia de integração entre ciência, tecnologia, inovação, diferentes atores dos sistemas agroalimentares e cooperação internacional utilizada na AgriZone.

A experiência brasileira poderá contribuir para aproximar instituições de pesquisa, governos, setor produtivo, organizações internacionais e outros atores em torno de temas como segurança alimentar, agricultura sustentável, adaptação às mudanças climáticas e resiliência.

“A aproximação com a Etiópia e os demais países africanos reforça, assim, uma agenda de cooperação que combina pesquisa, capacitação, desenvolvimento tecnológico e construção conjunta de soluções, ampliando a presença internacional da Embrapa e as possibilidades de cooperação Sul-Sul”, avalia o chefe da Assessoria de Relações Internacionais, Marcelo Morandi.

 

Maria Clara Guaraldo e Gabriela Braz (estagiária) (MTb 5027/MG)
Assessoria de Comunicação (Ascom)
Contatos para a imprensa: imprensa@embrapa.br
Tradução em inglês: Maria Rita Andreozzi, supervisionada por Mariana de Lima Medeiros (13044/DF)
Assessoria de Comunicação (Ascom)
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