Reportagens
CLDF realiza sessão solene em homenagem ao Dia Nacional do Surdo
Debate abordará inclusão, acessibilidade e políticas públicas para pessoas surdas no DF, na segunda (28), a partir das 10h
Foto: Marcos Filho Sandes/Secom Araguaína
Homenagem faz alusão à data celebrada nacionalmente em 26 de setembro, para a valorização e a promoção dos direitos das pessoas surdas
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza, nesta segunda-feira (28), sessão solene em homenagem ao Dia Nacional do Surdo. A cerimônia acontece a partir das 10h, no plenário da Casa, por iniciativa do deputado Iolando (MDB).
A data, celebrada nacionalmente em 26 de setembro, é dedicada à valorização da comunidade surda e à promoção dos direitos das pessoas surdas. A sessão na CLDF será uma oportunidade para destacar a importância da inclusão, da acessibilidade e do respeito à diversidade linguística e cultural da comunidade surda.
Durante a solenidade, devem ser ressaltadas as conquistas alcançadas ao longo dos anos e os desafios ainda enfrentados pelas pessoas surdas no acesso à educação, à saúde, ao mercado de trabalho, aos serviços públicos e à participação plena na sociedade.
A iniciativa do deputado Iolando reforça a importância de ampliar o debate sobre políticas públicas voltadas à comunidade surda e de fortalecer ações que garantam acessibilidade e igualdade de oportunidades.
Agência CLDF
Reportagens
Brasília diante do clima extremo: o desafio de reinventar a mobilidade
Projetada sob a lógica do automóvel, a capital enfrenta os efeitos do crescimento urbano, das chuvas intensas e das ondas de calor, que expõem novas fragilidades e exigem soluções para uma cidade mais resiliente.
Brasília nasceu sob o signo do automóvel. Grandes eixos rodoviários, vias largas, extensas áreas de estacionamento e setores separados por funções fizeram parte da concepção de uma capital moderna, construída em uma época em que o carro representava liberdade, desenvolvimento e progresso. Mais de seis décadas depois da inauguração da cidade, esse modelo urbano enfrenta um desafio que não estava no centro das preocupações dos planejadores dos anos 1950: as mudanças climáticas.
Chuvas intensas em curtos períodos, ondas de calor, estiagens prolongadas e tempestades severas têm colocado à prova a infraestrutura das grandes cidades. No Distrito Federal, esses fenômenos se somam ao crescimento urbano, à impermeabilização do solo e à expansão das áreas construídas, criando novos desafios para a mobilidade.
Quando uma chuva forte atinge Brasília, os efeitos podem aparecer rapidamente. Pontos de alagamento dificultam a circulação, enxurradas comprometem vias, acidentes provocam congestionamentos e o transporte coletivo perde regularidade. Em uma cidade na qual grande parte dos deslocamentos depende das rodovias, uma ocorrência localizada pode repercutir em diferentes regiões.
Uma cidade desenhada para o automóvel
O Plano Piloto, concebido por Lucio Costa, organizou Brasília a partir de grandes escalas urbanas e de um sistema viário hierarquizado. O automóvel ocupava papel importante nesse desenho. Naquele momento, porém, a população e a ocupação territorial eram muito menores do que as atuais.
Com o passar das décadas, Brasília deixou de ser apenas o Plano Piloto. O Distrito Federal transformou-se em uma extensa área metropolitana, marcada por deslocamentos diários entre regiões administrativas e municípios do Entorno.
Muitos moradores percorrem dezenas de quilômetros para trabalhar, estudar ou acessar serviços. Essa configuração aumenta a pressão sobre os principais corredores viários e torna a mobilidade particularmente sensível a acidentes, obras e eventos meteorológicos extremos.
O problema não está apenas no número de carros. A distância entre moradia, emprego e serviços também influencia diretamente a quantidade e a duração dos deslocamentos.
Mais concreto, menos capacidade de absorção
O crescimento urbano produz outra consequência importante: a impermeabilização do solo.
Quando áreas naturais são substituídas por asfalto, concreto, estacionamentos e edificações, diminui a quantidade de água da chuva que consegue penetrar no terreno. Em precipitações intensas, grandes volumes de água precisam ser rapidamente conduzidos pelos sistemas de drenagem.
Se a chuva supera a capacidade dessa infraestrutura, aumenta o risco de enxurradas e alagamentos.
A preservação de áreas verdes, portanto, não representa apenas uma questão paisagística. Vegetação, parques, áreas permeáveis e solos preservados podem contribuir para a infiltração da água, redução da temperatura local e maior resiliência urbana.
O Cerrado possui ainda uma característica particularmente relevante para Brasília: sua vegetação e seus solos desempenham papel importante no ciclo da água. A expansão urbana sem planejamento adequado pode reduzir alguns desses serviços ambientais justamente quando eventos extremos exigem cidades mais preparadas para absorver impactos.
O calor também muda a mobilidade
As chuvas não são o único problema.
Períodos de calor intenso afetam diretamente quem precisa caminhar, pedalar ou esperar pelo transporte coletivo. Grandes distâncias, pouca sombra e superfícies asfaltadas expostas ao sol podem tornar pequenos trajetos desconfortáveis e, em situações extremas, representar risco maior para crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis ao calor.
Há também um paradoxo urbano. Quanto menos confortável é caminhar ou utilizar o transporte público, maior pode ser a preferência pelo automóvel. Mais veículos significam congestionamentos, maior consumo de energia e, dependendo da matriz energética e da tecnologia utilizada, mais emissões de gases de efeito estufa.
Adaptar a cidade ao aquecimento global passa, portanto, também pela maneira como as pessoas se deslocam.
Brasília precisa de sombra
Uma das medidas de adaptação aparentemente mais simples pode produzir diferentes benefícios: ampliar a arborização urbana.
Árvores ajudam a criar sombra para pedestres, reduzem a exposição direta ao sol e podem contribuir para amenizar temperaturas em determinados espaços urbanos. Mas a arborização precisa fazer parte de um planejamento integrado.
Calçadas adequadas, pontos de ônibus protegidos, ciclovias conectadas, áreas permeáveis e corredores verdes podem formar uma infraestrutura urbana preparada simultaneamente para mobilidade e adaptação climática.
O desafio é fazer com que caminhar alguns quilômetros ou esperar um ônibus deixe de ser uma experiência tão dependente das condições do tempo.
Transporte público como política climática
Investir em transporte coletivo também pode ser entendido como estratégia de adaptação e mitigação climática.
Uma rede eficiente de ônibus, metrô e outros modais reduz a necessidade de deslocamentos individuais e permite transportar mais pessoas utilizando menos espaço urbano. Em Brasília, onde as distâncias entre algumas regiões são grandes, integrar diferentes meios de transporte torna-se especialmente importante.
Não significa eliminar o automóvel de uma cidade originalmente planejada para ele. Significa oferecer alternativas competitivas.
Para isso, transporte coletivo precisa combinar frequência, previsibilidade, conforto, integração e acesso fácil. Ciclovias e calçadas também precisam funcionar como redes, e não apenas como trechos isolados.
Chuva extrema exige outra lógica
As mudanças climáticas também obrigam cidades a rever parâmetros utilizados no planejamento de infraestrutura.
Sistemas de drenagem construídos a partir de padrões históricos de precipitação podem enfrentar dificuldades diante de chuvas mais concentradas e intensas. Isso aumenta a importância de soluções capazes de reter, infiltrar e administrar a água antes que ela chegue às vias.
Jardins de chuva, pavimentos permeáveis, reservatórios de retenção, parques inundáveis e recuperação de áreas naturais são exemplos das chamadas soluções baseadas na natureza.
Em vez de simplesmente tentar retirar a água da cidade o mais rapidamente possível, essa abordagem procura criar espaços capazes de armazená-la temporariamente e permitir sua infiltração gradual.
O crescimento do DF está no centro da discussão
A questão climática de Brasília não pode ser analisada somente dentro dos limites do Plano Piloto.
O crescimento populacional e urbano do Distrito Federal altera o uso do solo, aumenta deslocamentos e amplia a demanda por infraestrutura. Novos bairros, condomínios e áreas comerciais significam mais vias, estacionamentos, telhados e superfícies impermeáveis.
Sem planejamento integrado, o crescimento pode ampliar vulnerabilidades já existentes.
Por isso, decisões sobre habitação, transporte, drenagem, arborização e preservação ambiental precisam ser tratadas de maneira conjunta. Construir moradias cada vez mais distantes das áreas de emprego, por exemplo, não é apenas uma decisão habitacional: é também uma decisão sobre trânsito, emissões e qualidade de vida.
Uma capital modernista diante de um novo século
Brasília foi uma experiência urbana ousada para seu tempo. Agora, a capital enfrenta o desafio de adaptar essa estrutura às condições ambientais do século XXI.
Isso não significa abandonar o projeto que tornou a cidade reconhecida mundialmente, mas compreender que as necessidades mudaram.
A cidade planejada em uma época de expansão do automóvel precisa conviver com transporte coletivo de alta capacidade, mobilidade ativa, infraestrutura verde e sistemas de drenagem preparados para eventos mais severos.
As mudanças climáticas transformaram a capacidade de adaptação em uma questão central do planejamento urbano.
Para Brasília, o desafio é particularmente simbólico. Uma cidade criada para representar o futuro do Brasil precisa novamente pensar no futuro — desta vez, não apenas em como as pessoas vão circular, mas em como poderão continuar circulando quando o clima colocar seu planejamento à prova.
Reportagens
Professor de ciências precisa de formação constante, diz pesquisadora
Estudo sustenta que não basta tecnologia no ensino de Stem
Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil
O ensino de um conjunto de disciplinas conhecidas como Stem (ciência, tecnologia, engenharia e matemática, na sigla em inglês) requer formação constante de professores, para além dos investimentos necessários em infraestrutura.

A avaliação é defendida pelos autores do Panorama da Educação Stem no Brasil. O levantamento faz uma análise de como ciência, tecnologia, engenharia e matemática estão sendo incorporadas à educação básica brasileira.
Os pesquisadores buscaram informações de seis capitais: Manaus, Belém, João Pessoa, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
O levantamento é organizado pela Fundação Carlos Chagas, instituição sem fins lucrativos que atua na área de concursos públicos e pesquisas educacionais, em parceria com o British Council, entidade do Reino Unido voltada a relações culturais e oportunidades educacionais.
A pesquisadora Sandra Unbehaum, coordenadora do estudo, enfatiza que, para o ensino de Stem, não basta infraestrutura, como computador nas escolas.
“É preciso investir na formação de profissionais de um modo profundo e constante”, diz à Agência Brasil.
Ela ressalta que a formação dos professores precisa ser vista como “parte do trabalho” deles, algo que fazem dentro da jornada. A pesquisadora contextualiza que muitos professores no país vivenciam a realidade de “atuar em mais de uma escola ou ter número excessivo de turmas e alunos”.
“A formação não pode ser pontual, não pode ser somente para professores que conseguem articular o seu tempo de trabalho e de formação”, defende.
Ela inclui a necessidade de a capacitação não ser exclusivamente a distância. “É importante, mas eu entendo que formação aprofundada se dá também na troca presencial”.
Acesso para evitar desigualdade
Outro ponto destacado pela pesquisadora é que a infraestrutura necessária para o ensino de Stem, como computadores, equipamentos tecnológicos, acesso à internet e suporte técnico, seja igual entre as diversas regiões do país, para evitar desigualdades.
“A falta de acesso adequado a toda tecnologia hoje disponível, que deveria ser democraticamente disponível para todos, vai contribuir para uma desigualdade educacional. Isso ainda é um desafio muito grande”.
Sandra Unbehaum ressalta que a educação Stem tem “papel estruturante” na formação básica.
“Pode redefinir a forma como o conhecimento é construído, deixando de ser um comportamento passivo e individual para se tornar uma aprendizagem investigativa e aplicável”.
Ela aponta que esse conhecimento é fundamental para preparar os estudantes brasileiros para os desafios atuais, como a era da inteligência artificial (IA) e a busca de soluções para a questão climática.
“Em relação à IA, uma abordagem Stem deve contribuir para o desenvolvimento de um pensamento crítico, questionador, de maneira a propiciar um uso responsável”, defende.
Ela acrescenta que o ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática nas escolas precisa ser integrado, sem que sejam “gavetas separadas”.
Desafios
Ao longo das 170 páginas do relatório, os pesquisadores citam desafios encontrados, como o reconhecimento, por parte dos próprios professores, de “certa resistência às tecnologias”. Falta de conhecimento técnico e insegurança estão entre as hipóteses mencionadas.
Em Manaus, por exemplo, foi apresentada a dificuldade de ter professores com licenciaturas específicas, fazendo com que o professor de educação física dê aula de ciências, ou o professor de ciências dê aula de matemática. “São situações pontuais, mas que acontecem”, escreve o panorama.
Em Curitiba, foi encontrada elevada taxa de rotatividade docente nos anos finais, que leva a “sequelas”, como “fratura a um trabalho contínuo e coletivamente construído no interior da escola.”
Boas práticas
Os pesquisadores destacaram boas práticas encontradas nas seis capitais analisadas:
- Manaus: jogos de tabuleiro e dinâmicas sem dispositivos eletrônicos, ou seja, “desplugadas”, para ensinar lógica de programação e pensamento computacional. Indo além, Centros de Tecnologias Educacionais promovem a inclusão de escolas ribeirinhas com conexão via satélite.
- Belém: desenvolvimento de óculos de realidade virtual de baixo custo feitos com fibra de miriti (matéria-prima tradicional da região) para apoiar o ensino de geometria, aliando cultura local e tecnologia.
- João Pessoa: forte investimento em infraestrutura e conectividade, além de “imersões tecnológicas”, nas quais professores passam por períodos intensivos aprendendo a integrar tecnologia às aulas.
- São Paulo: formadores de Tecnologia para Aprendizagem como multiplicadores nas diretorias de ensino e desenvolvimento de iniciativas em parceria com instituições externas, entre elas a Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, para implementação do Programa de Aprendizagem Construcionista.
- Curitiba: aplicação do conceito de Cidade Educadora por meio dos Faróis do Saber, adaptados como espaços maker (aprender fazendo) com impressoras 3D e cortadoras a laser, além da criação do Farol Móvel para circular com recursos tecnológicos pelas salas de aula.
Rio de Janeiro
Na capital fluminense, foram destacados os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GET), iniciativa criada em 2022 que transforma escolas em espaços vocacionados com abordagem interdisciplinar entre matérias.
A rede municipal de ensino da cidade conta com 317 GETs e espera chegar a 350 até o fim do ano, atendendo a 150 mil estudantes.
A professora de história Vanini Bernardes Costa de Lima dá aulas no GET Ceará, no bairro de Inhaúma, zona norte carioca. Ela conta que o foco do ensino na unidade é a integração das matérias Stem e também artes, alterando a sigla para Steam.
Vanini apresenta o exemplo do “colaboratório”, um laboratório maker equipado com impressoras 3D, placas de robótica, óculos de realidade virtual, máquinas de corte e computadores.
“Neste espaço, nossos alunos e alunas resolvem problemas reais de forma colaborativa, integrando esses diversos saberes”, diz ela à Agência Brasil.
Ela acrescenta que o investimento em profissionais qualificados e recursos permite que “cada estudante desenvolva potencialidades que, antes, ficavam ocultas em modelos tradicionais”.
A professora aponta ainda que a metodologia de ensino incentiva a participação das meninas nas áreas Steam.
“As alunas têm espaço e escuta. Acredito que esta política as incentiva a perceber que podem e devem ocupar os lugares que quiserem”, conclui.
Além da teoria
Manuela Calixto de Lira Bernardo Abreu, de 15 anos, é estudante do 9º ano na unidade. Ela considera que a tecnologia empregada no GET a faz ter mais interesse pelas aulas e não deixa os alunos “só na teoria”.
“Temos a oportunidade de pesquisar, criar projetos e usar ferramentas diferentes. Eu gosto bastante da modelagem 3D, por exemplo, porque podemos transformar uma ideia em algo que conseguimos visualizar e desenvolver”, cita.
Para ela, o ensino Steam ganha cada vez mais importância em um mundo permeado pela IA.
“Acho que precisamos aprender a entender e usar essas tecnologias, e não apenas consumir o que elas oferecem”, diz a estudante.
O secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, Hugo Nepomuceno, sustenta que os GETs fornecem protagonismo estudantil e “mão na massa”.
“Os estudantes têm a oportunidade de desenvolver projetos interdisciplinares que vão além do livro didático”, pontua.
À Agência Brasil, ele destaca que os GETs provocam impacto direto no entorno escolar.
“A proposta é aproximar tecnologia e conhecimento do cotidiano das famílias e fortalecer a relação das escolas com seus territórios.”
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Eleições 2026: eleitores de todo o país irão às urnas em horário unificado, seguindo fuso de Brasília
Medida permite a divulgação dos primeiros votos apurados para todos os cargos logo após as 17 horas
Em 2026, os eleitores de todo o Brasil irão às urnas em um horário unificado: entre 8 e 17 horas, no horário de Brasília. Assim que acabar o horário de votação, os primeiros votos apurados para qualquer cargo em disputa já poderão ser divulgados.
A divulgação de todos os resultados ao mesmo tempo não era possível antes de 2022 (quando a unificação passou a valer), por conta dos fusos horários diferentes.
Confira página especial da Câmara sobre as Eleições 2026
“Não podia divulgar os resultados para presidente da República, porque isso poderia, de alguma forma, influenciar o eleitor que ainda estava na fila. A gente divulgava o resultado de governadores e do Parlamento (deputados e senadores), mas não divulgava de presidente até dar 19 horas, pois eram 17 horas no Acre e no Amazonas”, explica o especialista em direito eleitoral Bruno Andrade.
Caminho do voto
Depois que todos os eleitores que estavam na fila terminam de votar, o presidente da mesa encerra a votação na urna eletrônica. A partir daí, a urna não recebe novos votos e são gerados os arquivos necessários para a apuração.
O caminho do voto: da seção eleitoral ao resultado
Para enviar os dados de totalização dos votos no sistema da Justiça Eleitoral, é usada a mídia de resultado. É como um pen drive protegido por travas eletrônicas de segurança que cada urna tem.
Próximas etapas
Depois da eleição, candidatos e partidos precisam apresentar à Justiça Eleitoral a prestação final das contas de campanha. Em 2026, o prazo termina em 3 de novembro para quem concorreu apenas no primeiro turno. Para os candidatos que disputarem o segundo turno, a prestação de contas referente aos dois turnos deverá ser apresentada até 14 de novembro.
Na diplomação, a pessoa eleita recebe o diploma, documento da Justiça Eleitoral que registra seu nome, o partido, federação ou coligação pela qual concorreu e o cargo para o qual foi eleita. No caso dos suplentes, o documento também informa a classificação.
Esse último dado é importante para os deputados porque os parlamentares não se elegem só pela maioria dos votos. São os partidos e as federações que ganham cadeiras na medida em que recebem mais votos dos eleitores em relação ao total de votos válidos.
Saiba como funciona a eleição para deputados
“Essas cadeiras vão para os melhores colocados dentro do partido ou federação. Se os concorrentes identificarem algum problema nesse cálculo, podem entrar com um recurso depois da diplomação”, acrescenta.
Segundo o especialista, o diploma tem duas funções. A primeira é simbólica: formaliza o reconhecimento de que a pessoa foi eleita. A segunda é jurídica: a diplomação também serve como marco para prazos de questionamento do resultado eleitoral.
Candidaturas indeferidas
Segundo Bruno Andrade, quando o registro de uma candidatura está sub judice, há outro fator complicador. O candidato pode continuar na disputa enquanto essa situação permanecer. Se o eleito estiver com o registro indeferido, mesmo que a decisão ainda esteja sob recurso, ele não poderá ser diplomado.
“Nesse caso, assume o presidente da Câmara, no caso do presidente da República, e ou o presidente da Assembleia Legislativa Estadual, no caso de governador. Ele fica interinamente enquanto não resolve o problema. Se foi confirmado o indeferimento do processo, tem que ter nova eleição”, explica.
Posse
Se a diplomação acontecer com sucesso, a pessoa eleita pode tomar posse. A cerimônia é um rito obrigatório, que marca o início da atividade no cargo, embora eventuais processos eleitorais ainda possam continuar em tramitação.
“A partir desse exercício de mandato é que a pessoa vai poder tomar medidas como parlamentar. Pode participar de votações, ser escolhido representante da Maioria, da Minoria, compor bancada”, afirma Bruno Andrade.
“Com a posse é que a gente começa a ter esses atos de parlamentar efetivamente. Antes disso, ele tem a proteção enquanto parlamentar, porque já está diplomado, mas ainda não exerce efetivamente as tarefas de um parlamentar”, conclui.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
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