Reportagens
Fim da escala 6×1 passa pela 3ª sessão de discussão no Plenário
Paulo Paim (de costas e no telão) defendeu a proposta e disse que ela deve ter primeira votação na semana que vem
Ton Molina/Agência Senado
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acaba com a escala 6×1 (seis dias trabalhados e um de descanso) passou pela terceira sessão de discussão no Plenário nesta quinta-feira (8). A PEC 221/2019 ainda precisará de duas sessões de discussão para completar o total de cinco sessões antes da votação em primeiro turno.
O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu a proposta e disse que ela será votada na próxima semana.
— A votação será na semana que vem. O Brasil todo está nessa expectativa. Três sessões terminam hoje, mais duas na terça e na quarta, e na própria quarta à noite ou na quinta-feira nós votaremos essa proposta, que será uma grande conquista para o povo trabalhador — disse Paim em Plenário.
Caso a PEC seja aprovada em primeiro turno, seguirá para o segundo turno, com outras três sessões de discussão em Plenário antes da votação final. Uma PEC precisa ter ao menos três quintos dos votos favoráveis nas duas votações, o que representa o apoio de pelo menos 49 senadores.
A proposição, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro. O relator foi o senador Omar Aziz (PSD-AM).
‘Hora da mudança’
Único senador inscrito para discutir a proposta nesta quinta-feira, Paim lembrou que na Câmara dos Deputados a PEC foi aprovada com apenas 19 votos contrários (e 461 favoráveis). Na sua visão, o Senado deveria aprovar o texto por unanimidade, assim não haveria perdedores e vencedores. Para ele, nenhum parlamentar deveria querer ter no currículo um voto contra a redução da jornada:
— A sociedade que construirmos hoje é a sociedade em que nós mesmos vamos viver e envelhecer. Não podemos aceitar que alguém passe a vida inteira trabalhando seis dias e descansando um dia. Não aceitamos! É chegada a hora da mudança. Não podemos aceitar jornadas que afastem pais, mães, filhos, netos e bisnetos. Não podemos aceitar que o trabalhador chegue à aposentadoria doente, cansado, sem forças para aproveitar a vida.
Na quarta-feira (7), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que uma votação mais rápida da PEC depende dos senadores, que podem apresentar requerimentos para dispensar prazos e sessões de discussão. Se algum requerimento for apresentado, será colocado em votação, afirmou Davi.


Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Reportagens
MEC irá pedir investigação de ameaças a universidades em redes sociais
Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos será acionada
Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC) irá acionar a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal após ameaças denunciadas por universidades federais. Em entrevista à Agência Brasil, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse que a pasta tem “uma preocupação grande de que essa violência escale”.

O ministro conversou com a Agência Brasil após visitar a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que sofreu um incêndio de grandes proporções, com prejuízo estimado em R$ 100 milhões.
A PF foi acionada para investigar as causas do incêndio. No entanto, como há também denúncias de ameaças feitas nas redes sociais, o ministro pedirá uma investigação específica.
“Nós acionamos a Polícia Federal, que já instaurou inquérito sobre o incêndio em Pernambuco. Mas, após as ameaças verificadas nas redes sociais, nós vamos acionar agora a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, que atua em conjunto com o Ministério da Educação para vários eventos de ameaças na rede escolar e também ameaça de universidades”, ressaltou.
Além das ameaças na UFPE, nesta quinta-feira (8), a Universidade Federal Fluminense (UFF) também informou em nota que recebeu denúncias de ameaças à instituição.
A universidade informou que se trata de conteúdos compartilhados em aplicativos de mensagens e redes sociais. As mensagens falam, por exemplo, em incendiar a universidade e agredir estudantes em atos políticos. A PF também foi acionada para este caso.
“Toda vez que a gente tem uma situação de risco, a gente aciona a Diretoria de Crimes Cibernéticos da PF e, dessa vez também, tendo em vista o que a gente encontrou no monitoramento das redes sociais e naquilo que a gente tem recebido de estudantes, reitores e professores”, disse, Barchini.
“A universidade é um ambiente plural, um ambiente de manifestação política também”, acrescentou.
Reportagens
Projeto Marias da Penha estreia ciclo de contação de histórias e música contra a violência de gênero na CLDF
Ação com estudantes do CEF 03 de Sobradinho abre série de 10 apresentações culturais e educativas promovidas em instituições do DF
Foto: Divulgação
A programação terá contação de histórias com o Grupo Paepalanthus, que traduz temas urgentes em narrativas lúdicas e poéticas
Unindo arte, debate e cidadania, o Projeto Marias da Penha: Cultura e Conscientização contra a Violência de Gênero dá início nesta quinta-feira (8) a uma nova etapa de suas atividades, apostando na contação de histórias e em intervenções artísticas como ferramentas de transformação social. A abertura acontece, a partir das 14h, na Sala de Reunião das Comissões Pedro de Sousa, localizada no Térreo Superior (TS) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), com a participação de turmas do Centro de Ensino Fundamental 03 (CEF 03) de Sobradinho.
A atividade de hoje é a primeira de uma série de 10 apresentações que irão circular pela CLDF e por diversas outras instituições do Distrito Federal. A proposta leva reflexões sobre a prevenção da violência doméstica e familiar de maneira acessível e sensível aos jovens, dialogando diretamente com a realidade da comunidade escolar.
A programação traz a contação de histórias do Grupo Paepalanthus, que traduz temas urgentes em narrativas lúdicas e poéticas, além da discotecagem temática comandada pelo DJ Zapatta, trazendo repertório focado na valorização, força e no empoderamento feminino.
Durante o encontro na CLDF, os estudantes visitam a Exposição Marias, conhecem o histórico do projeto e recebem a cartilha educativa “Não é Mimimi, é Violência” — material didático desenvolvido para auxiliar na identificação de condutas abusivas e na divulgação dos canais de apoio e denúncia.
Com entrada franca, a iniciativa é uma realização conjunta da Artise e do Projeto Marias da Penha, contando com o fomento do Ministério da Cultura e o apoio institucional da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e do Conselho Curador de Cultura.
Serviço
Abertura do ciclo de contações – Projeto Marias da Penha.
Data: Hoje, 8 de outubro de 2026.
Horário: 14h
Local: Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) – Sala de Reunião das Comissões Pedro de Sousa (Térreo Superior – TS).
Atrações: Contação de histórias com o Grupo Paepalanthus e discotecagem com DJ Zapatta
Entrada: Gratuita.
Agência CLDF
Reportagens
Especialistas defendem que ciência é fundamental para orientar escolhas de consumidores
Em um mundo dominado pelo excesso de informações, o consumidor fica cada vez mais perdido na hora de escolher os alimentos que podem ou não prejudicar a saúde.
Foto: Adobe Stock
Ingredientes que sempre fizeram parte da dieta passaram, de repente, a ser tratados como vilões. Entre eles estão o glúten, a lactose, aditivos e produtos industrializados. Mas até que ponto o excesso de informação pode se transformar em desinformação? Para especialistas da Embrapa e de outras instituições públicas e privadas que atuam na área, a ciência é fundamental para oferecer bases seguras às escolhas alimentares dos consumidores.
A Embrapa, inclusive, possui em seu escopo de pesquisa e desenvolvimento um portfólio exclusivamente voltado ao protagonismo do consumidor. Segundo a presidente desse portfólio, a pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Maria do Socorro Bastos, entre as atribuições estratégicas está a elaboração de notas técnicas para subsidiar posicionamentos da Empresa em temas relacionados ao consumo de alimentos. Um exemplo recente foi o apoio científico a projetos de lei relacionados à composição e à rotulagem de chocolates, com base em pesquisas sobre o teor de cacau nos produtos.
A equipe, que reúne 14 pesquisadores de 13 centros de pesquisa da Embrapa em diferentes regiões brasileiras, oferece ainda subsídios a políticas públicas voltadas à alimentação. “Para nós, o consumidor não é o destino final da ciência; é o ponto de partida”, destaca.
O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Clenio Pillon, reforça que o objetivo do portfólio é orientar as escolhas de consumo para além de preço e produto, levando em conta também critérios como saudabilidade, conveniência, sustentabilidade, ética, rastreabilidade e procedência. “Por isso, a proposta é incorporar essas demandas desde o desenvolvimento das nossas soluções tecnológicas”, afirma. De acordo com ele, a Empresa trabalha hoje com agendas preditivas para o futuro, considerando as demandas alimentares dos próximos 20 a 30 anos.
Desmistificando rótulosPara a engenheira de alimentos Giovanna Pisanelli, que trabalha na equipe do aplicativo “Desrotulando”, o excesso de informações midiáticas, internet e redes sociais aterroriza o consumidor atual com dados muitas vezes inverídicos ou exagerados sobre os produtos alimentares. Nesse sentido, ela defende que o recado é claro: não basta olhar as informações em destaque na frente da embalagem; é preciso consultar também a tabela nutricional, que fica no verso. E esse é justamente o objetivo do aplicativo, que permite ao consumidor escanear os produtos e ter acesso de forma clara e objetiva à lista de ingredientes e aos valores de nutrientes presentes em sua composição. O perfil do Desrotulando no Instagram, que tem hoje mais de 900 mil seguidores, também cumpre o papel de tirar dúvidas dos usuários sobre o que é fato ou falso. Ela explica que existem mais de 200 aditivos regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que seu uso, nas condições autorizadas, não deve ser confundido com risco à saúde. A engenheira de alimentos desmistifica ainda outra frase atual, que diz “descasque mais e desembale menos”. “É claro que a intenção é boa e o cenário é ideal, mas há que se pesar na balança o tempo e o poder aquisitivo dos consumidores. Nem sempre os alimentos processados são os vilões e, por isso, não é saudável demonizá-los. O segredo está em uma alimentação variada e equilibrada”, observa. Outro mito é dizer que qualquer alimento com mais de cinco ingredientes é ultraprocessado. “A granola, por exemplo, possui 22”, conta. Pisanelli destaca as lupas (símbolos de advertência frontal colocados nas embalagens para indicar o alto teor de nutrientes que devem ser consumidos com moderação) como um dos maiores avanços regulatórios dos últimos tempos. Mas, ao mesmo tempo, lembra que ainda são de difícil visualização. Por isso, já estão no radar de revisão da Anvisa. |
Aspectos históricos, culturais e sociais que impactam o consumoLeticia Moreira Casotti, professora do Instituto COPPEAD de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que o consumidor é fruto dos aspectos históricos, culturais e sociais que definem as sociedades. Segundo ela, as nossas escolhas carregam significados construídos historicamente e socialmente, muitos deles tão naturalizados que nem percebemos. A frase “eu sou o que eu como” é muito simplista para avaliar um sistema complexo como o que define o consumo. “São inúmeras variáveis que mudam de acordo com as comunidades e com o próprio tempo”, diz. Ela cita como exemplo os coletores menstruais, cuja aceitação entre as mulheres cresceu nos últimos anos. “Essa é uma mudança relevante na sociedade que imputa naturalidade e praticidade a um fenômeno antes olhado com nojo e preconceito”, pontua. Ela enfatiza que para a Embrapa é fundamental estar próxima aos consumidores e, acima de tudo, tentar compreender os seus hábitos e as camadas escondidas que os pautam. A adoção de uma inovação não depende apenas de características objetivas do produto — preço, durabilidade, sustentabilidade ou segurança. Ela esbarra em valores, tabus e na relação cultural com os produtos. “O consumo é um movimento efervescente. Não basta dar protagonismo ao consumidor, mas entender o porquê de suas escolhas. Hoje é fundamental que as soluções tecnológicas oferecidas ao mercado sejam cocriadas entre ciência e população”, enfatiza. |
Canetas emagrecedoras e seus efeitos no consumidorHellen Maluly, professora das Faculdades Oswaldo Cruz (FOC), aponta uma nova tendência que também altera o consumo: os medicamentos agonistas de GLP-1 – como semaglutida, liraglutida e tirzepatida -, mais conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Utilizados no tratamento de diabetes e, em alguns casos, da obesidade, eles começam a aparecer também como força capaz de modificar padrões de consumo de alimentos. Maluly explica que esses medicamentos não atuam apenas sobre fome e saciedade, mas podem interferir na experiência sensorial e no sistema cerebral de recompensa ligado à comida. Os efeitos podem ser divididos em quatro pilares: sensorial, neurobiológico, econômico/comportamental e identidade. Ou seja, a mudança provocada pelo medicamento percorre uma cadeia que começa na percepção do alimento, passa pelo desejo de comê-lo e chega às compras e à própria relação emocional do consumidor com a comida. Na parte sensorial, esses medicamentos podem resultar em alterações de paladar, olfato e até percepção de textura. Podem ocorrer redução ou alteração da sensibilidade gustativa e olfativa e mudanças na sensação tátil dos alimentos na boca. “Isso significa que a consequência não é apenas comer menos, mas comer diferente”, diz a professora. A questão que conversa diretamente com o conceito de “consumidor protagonista” é se essas demandas já são grandes o suficiente para influenciar o desenvolvimento de novos alimentos “GLP-1 friendly” pela indústria e pela pesquisa. Mas, pelas discussões atuais, ainda são necessários estudos de longo prazo para avaliar essa tendência. |
Da ciência à experiência dos consumidoresMarcos Botton e Mauro Celso Zanus, da Embrapa Uva e Vinho, destacam as cultivares BRS Vitória (foto) e BRS Lorena como exemplos concretos de entregas da Embrapa ao mercado consumidor. A BRS Vitória é uma uva de mesa sem sementes, hoje comercializada por diferentes marcas e apreciada no varejo pelos atributos de doçura, aroma, crocância e ausência de sementes. Já a BRS Lorena é destinada ao processamento, o que os pesquisadores classificam como mercado silencioso, uma vez que a uva é usada na elaboração de produtos aromáticos, de fácil consumo e com baixo teor alcoólico. As cultivares são, majoritariamente, produzidas por pequenos produtores e vinícolas familiares, o que mostra possibilidades de mercado para diferentes escalas de produção. Apesar da inserção no mercado, os pesquisadores lembram que o desenvolvimento de boas cultivares não encerra o trabalho. Existem ainda desafios relacionados ao ponto de colheita e à relação entre preço e volume produzido. Ou seja: a inovação agrícola não termina na lavoura nem na qualidade intrínseca do produto. A apresentação, o posicionamento, a experiência e a percepção também interferem na adoção pelo mercado. Outra experiência é a Taça Oficial do Espumante Brasileiro, um desenvolvimento conjunto entre a Embrapa, a Associação Brasileira de Enologia (ABE) e a loja de cristais Strauss. O produto agrega elementos de reputação, como indicação geográfica e terroir, para valorizar o espumante brasileiro. É um resultado de pesquisa que chega à experiência sensorial de consumo e mostra que não basta pesquisar o produto, é importante compreender também a maneira como o consumidor o experimenta. |
P&D em DebateAs discussões ocorreram durante o debate “Ciência e consumidor na era da (des) informação”, que reuniu cerca de 400 pessoas on-line no dia 7 de outubro de 2026. O evento faz parte do “P&D em Debate”, iniciativa capitaneada pela Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DEPD) da Embrapa para debater temas relevantes relacionados à inteligência estratégica de PD&I no País. O próximo encontro ocorrerá no dia 29 de outubro e abordará o tema transformação ecológica. |
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/


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