A oferta de horários estendidos busca atender à população que estuda ou trabalha durante o expediente convencional. A maior parte das UBSs funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, mas as unidades com atendimento estendido constituem alternativa para o acesso aos serviços.
Reportagens
Reunião técnica da CTMU debate o futuro do metrô do DF
Metroviários protestaram contra possibilidade de privatização do metrô e cobraram melhores condições de trabalho
Foto: Eurico Eduardo/ Agência CLDF
A Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) realizou, nesta quarta-feira (30), uma reunião técnica que discutiu a atual situação e os principais gargalos de infraestrutura do sistema de metrô no DF. O encontro foi promovido pelo presidente da CTMU, deputado Max Maciel (Psol), e contou com a presença de representantes da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô DF), de metroviários e de especialistas em mobilidade urbana.
Os dois episódios de incêndio em vagões ocorridos este ano foram citados como exemplo para se destacar a urgência de melhorias na infraestrutura do transporte metroviário. Maciel pontuou que o sistema enfrenta sérias dificuldades operacionais e estruturais, desde o sucateamento dos trens até problemas com contratos de empresas terceirizadas que, segundo ele, comprometem a eficiência e a manutenção do serviço.
“O transporte metroviário é uma pauta de grande importância para a atuação desta comissão e do nosso mandato, pois sabemos que nossa rede enfrenta uma série de desafios que comprometem seu funcionamento e a prestação adequada do serviço”, afirmou Maciel, mencionando as recentes visitas técnicas e audiências públicas promovidas para investigar a situação.
A falta de integração com áreas como Asa Norte, Sobradinho e Planaltina reflete, para ele, a falta de capacidade de os gestores públicos encararem a mobilidade urbana sobre trilhos como prioridade no DF. O deputado alertou para a necessidade de se tratar o transporte por metrô como uma política de Estado, e não apenas de governo. “O problema do sistema de transporte sobre trilos no DF é que ele não é encarado como um programa de Estado. Entra governo e sai governo e ninguém encara isso como prioridade”, afirmou.
Investimentos
O diretor-presidente do Metrô, Handerson Cabral Ribeiro, destacou que a companhia está atenda às necessidades de modernização da malha e que uma série de investimentos estão previstos para promover melhorias estruturais. Segundo informou, está previsto um aporte de R$ 900 milhões para a aquisição de 15 novos trens que serão comprados por meio de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A aquisição do novo maquinário aguarda trâmite contratual junto ao Governo Federal.
Ribeiro afirmou ainda que a companhia está investindo R$ 400 milhões para ampliação do metrô de Samambaia, e que as obras serão iniciadas em janeiro de 2025. “Nós estamos trabalhando com muita seriedade para garantir que, dentro dos próximos cinco anos, a gente tenha um conjunto considerável de investimentos na expansão da malha, aquisição de novos equipamentos e modernização do sistema para reforçar a disponibilidade dos nossos trens”, afirmou.
Sobre os episódios de incêndio nos veículos, os representantes do Metrô afirmaram que foi contratada uma empresa que está fazendo uma perícia técnica que resultará num laudo constando suas reais causas e que, de posse desse documento, a companhia adotará medidas para que eventos como este não ocorram novamente.
Trabalhadores alegam sucateamento
Metroviários presentes relataram más condições de trabalho e baixo quantitativo de empregados para denunciar o que chamaram de “sucateamento do sistema”. A metroviária Tânia cobrou um tratamento mais humanizado com relação aos empregados e aos usuários. Ela rechaçou a fala dos representantes da empresa, de que o metro está passando por uma modernização, e mencionou que a unidade de Taguatinga, onde trabalha, está operando apenas com gerador de energia, o que tem causado um “calor absurdo” em sua estação. “Vocês [dirigentes] não escutam a população. Essa modernização nunca chega na ponta”, protestou.
O último concurso do Metrô do Distrito Federal foi realizado em 2013, o que, de acordo com a fala de representantes sindicais, reflete a falta preocupação do GDF em investir em recursos humanos para atender às crescentes demandas e ao aumento do fluxo de passageiros.
Representado a Federação Nacional dos Metroviários (Fenametro), Alda Lúcia declarou ser contra a ideia de privatização. Ela mencionou o caso de Minas Gerais para justificar que a desestatização encarece o custo da passagem e prejudica a qualidade do serviço.
Segundo informou, o metrô de Belo Horizonte transportava cerca de 240 mil pessoas diariamente antes da privatização, número que caiu para 90 mil por conta do encarecimento da passagem, que saltou de R$ 1,80 para R$ 5,50. “É obrigação do Estado manter o transporte público. Privatizar só serve para quem quer ter lucro, e o transporte público não serve para isso”, declarou.
Maciel afirmou que a CTMU continuará realizando reuniões e audiências públicas para debater soluções para os problemas enfrentados pelo metrô, bem como discutir iniciativas para melhorias e expansão das linhas. O deputado pontuou trabalhará para que o orçamento de 2025 para a área seja compatível com as necessidades do DF. A reunião teve transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital (canal 9.3) e pelo YouTube da CLDF.
Christopher Gama – Agência CLDF de Notícias
Reportagens
Jovens eleitores quilombolas defendem voto em defesa de ideais
Mais de 188 mil pessoas identificados como quilombolas vão às urnas
No próximo dia 4 de outubro, o agricultor Joaquim Moreira, de 87 anos, pessoa mais velha da comunidade quilombola de Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), fará o caminho até a escola em que vai votar em uma companhia especial. 

Ele estará com a neta, a estudante Thauany Silva, de 16 anos, que terá a primeira experiência na urna. Ambos estão muito ansiosos pela data e com os títulos bem guardados em suas carteiras. “Sempre votei e vou votar de novo”, diz o agricultor.
Thauany ficou tão empolgada com o primeiro voto que, assim que completou 16 anos em abril, foi com a mãe, Mayara, até o centro da cidade para fazer valer os direitos de cidadã.
Dobro de eleitores
Nas eleições de 2026, o número de eleitores que se identificaram como quilombolas praticamente dobrou em relação ao pleito de 2024, segundo os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Eram 95.409 pessoas nas eleições municipais e subiu para para 188.371 em 2026. Em Goiás, onde a família deles vota, o número de quilombolas eleitores subiu de 3.625 para 5.394
Mayara Silva, de 36, mãe de Thauany, afirma que ensina aos filhos que é necessário acompanhar as decisões políticas porque interferem diariamente no dia a dia da sua comunidade. “Não tem como fechar os olhos para o fato que tudo é política”, diz.
A adolescente ficou muito feliz quando recebeu o título provisório de eleitora em mãos. “Quando a gente vota, estamos cuidando do futuro de todos nós, né?”, argumenta.
“Até o ar que a gente respira”
O sentimento de querer participar do dia importante da democracia também encanta a universitária de direito Franciele Silva, de 27 anos. Ela, que é nascida e criada na comunidade de Rio dos Macacos, em Simões Filho (BA), explica que tem o título de eleitor desde os 18 anos.
“Eu tinha muita curiosidade sobre como era votar. Até o ar que a gente respira tem a ver com política. Minha mãe sempre me ensinou a lutar pelos meus direitos e da minha comunidade”, enfatiza. Franciele, desde que começou a estudar direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA), passou a trazer ainda mais informações para a comunidade sobre caminhos para a defesa do seu território. “Votar é fundamental”.
Inclusive, no Nordeste, há maior quantidade de quilombolas eleitores do país. Em 2024, eram 51.633 pessoas e, em 2026, serão 95.901. Segundo o TSE, a região tem mais da metade do eleitorado quilombola do país.
Mais visibilidade
O crescimento do eleitorado nas comunidades tradicionais tem relação com a ampliação da visibilidade e da conscientização política nos territórios, segundo avalia a professora Bia Nunes. Ela é pesquisadora da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
“Nós temos levado as nossas pautas a diferentes espaços e encontramos parcerias.” Ela diz que, o engajamento de eleitores quilombolas ocorre a partir de conscientização e letramento sobre o papel que os quilombolas realizam pela natureza como guardiões da floresta. “Entender, por exemplo, a importância que os territórios têm para a biodiversidade. É o trabalho que os quilombolas sempre fizeram e fazem”, acrescenta.
Bia Nunes diz que a reivindicação de políticas públicas leva em conta o papel que as comunidades têm para a coletividade. “As pessoas começam a dimensionar esse trabalho e a entender a importância do voto e de escolher os representantes”.
A representante da entidade ressalta ainda que a população quilombola tem entendido que deve exigir dos governantes comprometimento com a proteção das pessoas e avanço das titulações de territórios quilombolas pelo país. Para isso, o engajamento dos mais jovens torna-se um caminho essencial.
Bia Nunes defende mais campanhas por parte do Estado brasileiro para o estímulo de eleitores e candidatos quilombolas. Inclusive, ainda há um contexto de vulnerabilidade, formado por pressões e ameaças de violências. “Eu mesmo sou uma pessoa que estou no programa de proteção porque, no ano de 2020, eu sofri uma ameaça contra a minha vida (quando era candidata)”.
Consciência política
A conscientização política da comunidade quilombola tem diferentes caminhos, como explica o educador de alfabetização financeira Rafael Costa, de 32 anos, da comunidade Mesquita, da Cidade Ocidental (GO). Ele avalia que há um crescimento de interesse por temas temas relacionados à participação e à representatividade política.
“Quanto mais as pessoas se informam, mais pesquisam, estudam e passam a ter mais noção da necessidade de políticas públicas, por exemplo”, contextualiza.
Rafael Costa avalia que as comunidades, que cresceram com espírito de cooperação e altruísmo, precisam estar atentas para evitar golpes financeiros e desinformação. “A partir do momento que se conscientizam sobre seu modo de vida e de produção, começam também a desenvolver maior consciência política”, argumenta.
Há, segundo o educador financeiro, engajamento e politização dos jovens adultos sobre participação política para se defender da desinformação que ameaça territórios. “A comunidade está cada vez mais se fortalecendo politicamente”.
Reportagens
Unidades básicas de saúde oferecem atendimento em horário noturno e aos sábados
No DF, Atenção Primária à Saúde conta com nove postos abertos até as 22h durante a semana e 66 aos sábados
Por
Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Pessoas residentes no Distrito Federal que precisam acessar uma unidade básica de saúde (UBS) fora do horário comercial dispõem de opções de atendimento em horário estendido. Das 183 UBSs da rede de saúde pública do DF, nove funcionam no período noturno, de segunda a sexta-feira, das 18h às 22h, e 66 unidades abrem aos sábados, das 7h às 12h.
Durante os horários estendidos, as unidades oferecem os serviços da Atenção Primária à Saúde, incluindo consultas agendadas e atendimento à demanda espontânea para situações de menor complexidade.
Nas UBSs, a população encontra acompanhamento de condições como hipertensão e diabetes, pré-natal, vacinação, curativos, renovação de receitas e atendimento com equipes de Saúde da Família, entre outros procedimentos. Casos de urgência e emergência são encaminhados para as unidades de pronto atendimento (UPAs) ou hospitais da rede.
Os endereços, horários de funcionamento e demais informações sobre as UBSs do Distrito Federal podem ser consultados no Painel Infosaúde — Atenção Primária. O sistema reúne dados atualizados da rede e permite verificar quais unidades operam em horário ampliado.
Reportagens
Câmara Legislativa celebra 10 anos do Instituto Arte Jovem
Cerimônia lembrou da trajetória e das contribuições sociais feitas pela organização social que oferece aulas de música, dança e canto em Ceilândia
Foto: Tiago Orihuela/Agência CLDF
Sessão solene contou com apresentação do bailarino Thiago Batista
“Uma ideia teimosa, que a gente não sabe como vai dar certo, mas tem a certeza de que precisa existir.” Foi assim o início do Instituto Arte Jovem, nas palavras de seu fundador e diretor artístico Edmilson Campos Júnior. Criada em 2016, a organização social oferece aulas de música, dança e canto na região administrativa de Ceilândia. A trajetória foi homenageada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em sessão solene na noite de terça-feira (18).
>> Confira a cobertura fotográfica
“Hoje, essa ideia tem quase 600 crianças e jovens de Ceilândia”, ressaltou Edmilson Júnior, que discursou sobre a transformação promovida pela arte. “Nós vimos crianças chegarem aqui sem coragem de olhar nos olhos. Pouco tempo depois, subiram no palco e se apresentaram para centenas de pessoas. Já vimos jovens descobrirem aqui um talento que nem sabiam que existia e, junto com ele, descobriram o próprio valor. Não é só ensinar música e dança. É ensinar que vocês são capazes”, enfatizou o fundador.
Edmilson Júnior também deixou um conselho para os alunos:“Se em algum momento a vida disser a vocês que não dá, que é difícil demais, que não é para gente como nós, lembrem-se dessa noite. Lembrem-se de um projeto nascido em Ceilândia, sem quase nada além de vontade, e que hoje está sendo homenageado pela Câmara Legislativa. Desistir nunca foi uma opção para nós. E também não vai ser para vocês”.

A homenagem foi uma iniciativa do deputado distrital Martins Machado (Republicanos), que destacou o impacto do instituto na família e na comunidade, ajudando a construir novas perspectivas. “É gente que ganhou confiança, encontrou oportunidades e passou a enxergar novos caminhos. Quando uma pessoa começa a acreditar mais em si mesma, muita coisa ao redor dela também começa a mudar”, refletiu.
Representando as famílias dos alunos, Antônio Carlos de Souza demonstrou gratidão aos professores, colaboradores, parceiros e “todos que acreditaram e continuam acreditando no projeto”. “(O instituto) abriu portas, fortaleceu sonhos e ajudou nossas crianças e jovens a descobrirem suas capacidades, sua sensibilidade e seu lugar no mundo.”
A cofundadora e diretora-geral do Instituto Arte Jovem, Inayá Amanacy, comentou sobre a continuidade da organização, que está sempre agregando novos integrantes e alunos. “Hoje, nós temos alunos que tocam com a gente, já são pais e seus filhos continuam conosco”, observou.

Um dos propósitos do instituto é a formação permanente de novos professores, conforme explicou o professor Edmilson Campos, que também é pai do fundador da organização. “O nosso papel é estar sempre formando e transformando. Eu sempre coloco os alunos para aprender a dar aula, independentemente da idade. Se tem seis anos, ensina para quem tem quatro. Você já é professor ao ensinar tudo o que sabe para o outro que não sabe”, detalhou.
No final, foram entregues moções de louvor a participantes do Instituto Arte Jovem, em reconhecimento à relevante contribuição prestada à formação musical, cultural e cidadã, promovendo inclusão social, desenvolvimento humano e valorização dos talentos locais.
A sessão solene completa está disponível no YouTube da TV Câmara Distrital.
Agência CLDF
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