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BRASILIA 65 ANOS

O ‘X’ DE FONTENELLE E O SINO DE TIRADENTES

 

Brasília saiu do papel para o concreto em 1956, quando Ernesto Silva, diretor da Novacap, publicou, em 30 de setembro, o edital para o concurso do Plano Piloto. Havia uma premiação definida para os cinco primeiros classificados: Cr$ 1 milhão, para o primeiro; Cr$ 500 mil, para o segundo; Cr$ 400 mil, para o terceiro; Cr$ 300 mil, para o quarto; e Cr$ 200 mil, para o quinto lugar.

O edital, aberto em 11 de março de 1957, teve apresentação de 26 projetos participantes. A comissão julgadora selecionou 10 projetos, depois de uma inusitada polêmica. O representante do IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil, Paulo Fagundes, se recusou a votar em um dos dez escolhidos. Justamente o projeto de Lucio Costa. Fagundes justificou: “Não era um projeto. Era apenas uma ideia com alguns desenhos”. O representante do IAB pediu que o projeto de Lucio Costa fosse retirado e entrasse o 11º em seu lugar”. Israel Pinheiro, presidente do júri, pediu que Paulo Fagundes, do IAB, fizesse um voto em separado. Colocou-o em votação. Por maioria, a comissão negou o pedido. O projeto de Lucio Costa foi salvo graças ao empenho e clarividência do consultor inglês, Sir William Holford, e pela determinação do arquiteto Oscar Niemeyer, que usou de sua autoridade para definição do primeiro lugar. Assim, em 16 de marco de 1957, foi anunciado o projeto vencedor: o Plano Piloto de Lucio Costa, inventivo, inovador e revolucionário, com uma cidade em quatro escalas. Monumental, que confere à cidade o caráter de Capital, onde se concentram as principais atividades administrativas, com destaque para a Esplanada dos Ministérios, Catedral e Praça dos Três Poderes. Gregária, no cruzamento dos dois eixos, onde se situam os setores bancário, hoteleiro, comercial e de diversões. Residencial, onde estão localizadas as superquadras que reinventaram a forma de morar. Além dos blocos de pilotis, há áreas destinadas a escolas, clubes, comércio e igrejas. E a Bucólica, permeando as três escalas, para formar as áreas livres e arborizadas, conferindo a Brasília o caráter de Cidade-Parque.

Assim começou a gestação da cidade. Era a burocracia das ordens e das leis, antes do ronco dos tratores.

Depois de um mês de estudos, o engenheiro Augusto Guimarães Filho, braço direito de Lucio Costa, permitiu que os tratores da Novacap abrissem a primeira clareira: o “X” de Mario Fontenelle. Este Sinal da Cruz é a marca seminal da nova capital, que espelha a aventura geopolítica mais épica do povo brasileiro. O mecânico de avião, Mario Fontenelle, que ganhou uma câmera fotográfica do presidente JK, cravou sua lança no coração do Cerrado. A foto dos eixos, ainda coberto de vegetação, tornou-se o ícone do início da construção.

E o que tem a ver o “X” de Fontenelle com o sino de Tiradentes?

Aí entra a sensibilidade cívica e cultural do Fundador, presidente Juscelino Kubitschek. Como ex-seminarista e seresteiro, JK conhecia a linguagem dos sinos. Ele sabia que sinos falam. Sabia que cada sineiro está preparado para tocar várias linguagens. Cada toque tem um significado diferente. Pode dar notícia de nascimento ou fúnebres, de festa e hora da Missa. Os repiques e os dobres sonoros são uma orquestra de bronze, ecoando por montanhas e vales.

Mas, onde Tiradentes e Brasília entram na história dos sinos? Na inauguração de Brasília, o presidente JK mandou buscar o sino da Capela do Padre Faria, de Ouro Preto, para ser instalado na Praça dos Três Poderes e anunciasse a boa nova: inauguração da cidade. Veja o ressonante simbolismo do pedido de JK. Ele queria o mesmo sino que anunciou e chorou a morte de Tiradentes, em 21 de abril de 1792, anunciando a inauguração de Brasília. Por que este mesmo sino? Porque o sino da Capela do Padre Faria foi o único sino do Brasil que pranteou a morte de Tiradentes, desobedecendo ordens da Corte Portuguesa, que obrigava todos os sinos da Colônia a tocar a alegria da morte de um traidor.

Profundo simbolismo desse ato. O presidente JK fez questão de que o único sino brasileiro que pranteou a morte de nosso Herói da Liberdade, Joaquim José da Silva Xavier, estivesse com sua forte carga de emoção e de História entre os pilares laterais do prédio do Supremo Tribunal Federal, onde foi armado o altar para a celebração da missa rezada pelo Cardeal Cerejeira, o Legado Pontifício.

Na quarta-feira, dia 20 de abril, às 23:30horas, o sineiro ouro-pretano, Amador Gomes, exibiu sua arte com repiques e dobres festivos do sino da Capela do Padre Faria, enquanto o cardeal Cerejeira abençoava a Nova Capital. Logo em seguida, por rádio-mensagem direto do Vaticano, o papa João XXIII exaltou o “laborioso e generoso povo brasileiro” com sua Bênção Apostólica.

O “X” de Fontenelle e o sino que pranteou o enforcamento de Tiradentes revivem hoje os 65 anos de Brasília com uma mensagem mais do que simbólica. Tão real quanto atual, clamando por Independência e Liberdade. Cada servidor do Legislativo, Judiciário e Executivo precisa servir ao povo brasileiro e não se servir do Brasil.

 

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A TV JUSTIÇA E A INJUSTIÇA

SE UMA IMAGEM VALE POR MIL PALAVRAS, QUANTO VALE A UMA TRANSMISSÃO AO VIVO EM REDE NACIONAL?

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“A fotografia é a verdade. A TV, pelo vídeo e cinema, é a verdade 24 vezes por segundo”- do cineasta e crítico Jean Luc Godard.
A polêmica está no ar. Melhor, nas telas, em rede nacional.
Duas fotos fizeram mais estragos ao Supremo do que toda quebradeira de 8 de janeiro. Flagrantes terríveis!
A foto de Brenno Carvalho em O GLOBO e a foto de Wilton Junior no ESTADÃO.
E agora surge a polêmica da TV Justiça.
O jornalista Cláudio Dantas foi categórico: “A emissora teria deixado de mostrar os ministros André Mendonça e FUX justamente em momentos importantes dos confrontos que marcaram a sessão”.
E Cláudio Dantas vai além: Jaqueline Paiva, atual responsável pela TV Justiça, ocupou cargos de comunicação em governos petistas, incluindo uma função na Secretaria de Imprensa da Presidência do governo Dilma Rousseff. Jaqueline Paiva atuou na EBC, durante o segundo mandato de Lula. A matéria relata ainda que ela foi nomeada para comandar a comunicação do STF por Edson Fachin.
Fotografia é a verdade. Filme continua sendo a verdade 24 vezes por segundo.
E quanto vale uma transmissão direta ao vivo… EDITADA?
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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ

O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.

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No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.

Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…)  formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”

O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.

Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.

Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

 

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.

 

 

DESCRIÇÃO COMPLETA

 

Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:

Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.” 

 

 

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A MAGIA EM FLORES

A Cidade Canção primaverou-se!

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Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.

 

MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO

“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.

Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo,  a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

 

 

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO

Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.

Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.

Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.

 

SAIBA MAIS

Veja duas outras matérias:

1) O batismo e a

cronologia da criação e urbanização.

2) Como o modelo de gestão participativa levou

 o município de Maringá a bater recordes

de competitividade e de sustentabilidade.

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Reportagens

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