Brasília desponta no turismo nacional como capital de grandes eventos e movimenta a economia
Somente na última semana, capital foi palco da atual edição dos Jogos da Juventude, do terceiro show de Katy Perry no Brasil e da apresentação da dupla Henrique & Juliano; calendário atrai turistas de todo o país e impulsiona comércio, hotéis e o setor de serviços
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Adriana Izel e Catarina Loiola, da Agência Brasília | Edição: Paulo Soares
De cidade conhecida pela vocação cívica e arquitetônica, Brasília passou a ocupar um novo lugar no mapa do turismo brasileiro: o de destino estratégico para grandes eventos culturais, esportivos e de negócios. Nos últimos anos, a capital tornou-se referência no setor, o que já impacta diretamente a economia local e a oferta de lazer para moradores e visitantes. Segundo dados da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) saltou de R$ 8 milhões em 2022 para uma expectativa de R$ 80 milhões em 2025.
“A capital está muito preparada para receber turistas. É uma cidade segura, o aeroporto é próximo ao centro da cidade e conecta turistas do Norte e Nordeste de forma cômoda e acessível devido à quantidade de voos. A rede hoteleira está muito perto dos nossos grandes espaços de eventos, como a Arena BRB, o Centro de Convenções Ulysses Guimarães e o Pavilhão do Parque da Cidade, o que permite que o turista vá a pé aos eventos. O nosso clima favorece a realização de festivais. Esses fatores ajudaram a consolidar Brasília no segmento de eventos”, pontua o secretário de Turismo do DF, Cristiano Araújo.
Fãs marcam presença no show da cantora Katy Perry, na Arena BRB Mané Garrincha | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília
O calendário reforça essa vocação. Somente na última semana, a cidade recebe a atual edição dos Jogos da Juventude, o show da cantora internacional Katy Perry — que só passou por São Paulo e Curitiba — e a mega apresentação da dupla sertaneja Henrique & Juliano. “São eventos que estão com lotação máxima e deixando nossos hotéis cheios. Anteriormente, a máxima era de que em Brasília não tinha nada para fazer no final de semana. Hoje já somos consideradas a capital dos eventos por causa da infraestrutura da cidade e também pelas ações do GDF de fortalecimento dos setores gastronômico, hoteleiro e turístico”, acrescenta.
O governo tem apoiado e investido nos grandes eventos, além de ter criado rotas turísticas, reativado o ônibus gratuito de turismo cívico, reformado e reaberto monumentos — a exemplo do Museu de Arte de Brasília (MAB) e do Teatro Nacional Cláudio Santoro — e facilitado o acesso a pontos turísticos por meio do programa Vai de Graça, que isenta o pagamento da tarifa do transporte público aos domingos e feriados.
Experiência positiva
A médica veterinária Fernanda Araújo, 25 anos, veio de Roraima para Brasília apenas para assistir à apresentação da cantora Katy Perry, na Arena BRB Mané Garrincha, nesta sexta-feira (19). “Escolhi o show de Brasília pela questão geográfica, porque, como conecta o país, consegue trazer muita gente do Norte e Nordeste, então fica mais barato para nós. O segundo fator foi que tenho uma amiga que mora aqui e fez muitos comentários positivos sobre a acessibilidade e segurança da região”, conta.
Esta é a segunda passagem da jovem na capital, mas a primeira vez que ela terá a oportunidade de conhecer os pontos turísticos. “Na noite que cheguei, conheci o Congresso Nacional e a Casa de Chá. Hoje tem o show — cheguei cedo para ficar pertinho da Katy — e nos outros dias quero passear mais na Esplanada, no Lago Paranoá e minha amiga também me indicou o Eixão do Lazer, estou bem animada”, revela Fernanda.
Claryce Oliveira, Luis Gustavo, Matheus Brito e Fernanda Araújo
Para a analista administrativo Letícia Moraes, 26, a vinda de Katy Perry para Brasília mostrou, mais uma vez, que a cidade está preparada para grandes eventos e festivais. “Peguei um hotel aqui do lado e levei uns dez minutos para chegar aqui, caminhando. Em São Paulo isso é impossível, fui para um festival que teve lá no último final de semana e sofri para pegar o metrô”, compara a jovem, que nasceu em Ceilândia.
Fã da cantora desde pequena, Letícia montou um look personalizado inspirado em um clipe da artista e convidou a irmã para viver a experiência. “Conheci a Katy em 2011 e, desde então, acompanho todos os lançamentos. São letras muito fortes, que foram me acompanhando ao longo da vida, muitas eram exatamente o que eu precisava ouvir em momentos de dificuldade”, afirma.
Quem também escolheu Brasília para viver o grande momento foi o assistente de relacionamento Matheus Brito, 28. Natural do DF, ele mora no Rio de Janeiro desde 2017 e, sempre que possível, busca aproveitar a agenda cultural da cidade do coração. “Tenho visto nos últimos anos o boom que Brasília está tendo, com mais visibilidade nacional e com shows de outros artistas além da Katy Perry, como o do Bruno Mars”, afirma ele, que está hospedado na casa da mãe, em Planaltina. “Vim cedo para a fila e achei muito tranquilo chegar no estádio.”
“A capital está muito preparada para receber turistas. É uma cidade segura, o aeroporto é próximo ao centro da cidade e conecta turistas do Norte e Nordeste de forma cômoda e acessível devido a quantidade de voos”
Cristiano Araújo, secretário de Turismo
Impacto
O movimento crescente de turistas na capital federal é demonstrado pelo aumento de desembarques no Aeroporto Internacional de Brasília, eleito o melhor da América e o 4º melhor do mundo em ranking feito por uma plataforma especializada em maio deste ano. Dados da Inframerica apontam que, de janeiro a junho, cerca de 440 mil passageiros desembarcaram no terminal — 38% a mais que no mesmo período de 2024.
Além disso, segundo o Ministério do Turismo, Embratur e Polícia Federal, também nos primeiros cinco meses deste ano, mais de 44 mil visitantes estrangeiros pousaram em Brasília. O resultado é 8,3% superior ao mesmo período do ano passado, quando o DF recebeu 24 mil visitantes internacionais.
Para o presidente do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhobar), Jael Silva, a realização de grandes eventos e o aumento de turistas circulando no Quadradinho impulsionam a economia local. Segundo a entidade, são mais de 400 hotéis distribuídos na capital, prontos para receber turistas de negócios ou eventos com alto padrão de qualidade.
“A gente tem visto, realmente, uma mudança no fluxo de turistas aqui na capital federal. Isso traz um novo público para o trade hoteleiro”, enfatiza Silva. “A Secretaria de Turismo tem procurado trazer mais eventos para a cidade, o que colabora para esta melhora. Não só shows, mas eventos esportivos, como o campeonato Mundial de Kung Fu, os Jogos da Juventude e o Miss Brasil Globo 2025, movimentam toda a rede hoteleira e todo o sistema de bares de Brasília, melhorando muito a situação econômica (da capital).”
Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Mulheres em tratamento de saúde que causa a perda de cabelos contam com atendimento gratuito para doação de perucas no Distrito Federal. Para a prestação do serviço, há um banco com cerca de 300 perucas, renovado a cada dois meses. O atendimento ocorre diariamente, conforme a demanda, com limite de uma peça por pessoa.
As perucas são produzidas por voluntários a partir do reaproveitamento de cabelos naturais doados. A iniciativa reúne a confecção de próteses mamárias, cortes de cabelo e barba, além do fornecimento de toucas e lenços. Há necessidade de novos voluntários para a produção, que oferece capacitação para os interessados.
Como doar
Para a doação, a orientação é separar mechas com no mínimo 20 centímetros, prender os fios antes do corte e entregá-los secos, em saco ou envelope. Fios com química ou coloração também podem ser entregues. O recebimento das doações de cabelo ocorre das 8h30 às 12h e das 13h às 16h. Para confirmar os dias de atendimento, a orientação é entrar em contato pelo telefone (61) 3364-5467.
A oficina também recebe insumos para a confecção das peças, como telas, linhas de náilon ou tecelagem, silicone adesivo selante, tecido do tipo voil, xampu e condicionador.
Como acessar o serviço
O atendimento é voltado a pessoas que passam por tratamento de saúde com perda de cabelo. O critério informado é estar preferencialmente sem cabelos e apresentar documento de identificação pessoal com foto e relatório médico atualizado, emitido nos últimos seis meses.
O cadastro é feito na Sala de Acolhimento da Rede Feminina, situada no ambulatório do Hospital de Base do Distrito Federal (Corredor 5). Após o registro, são apresentados os modelos, tamanhos e cores para escolha do beneficiário. Informações sobre serviços, voluntariado e doações também estão disponíveis neste site e no perfil oficial @redefemininabrasilia.
Livro é fruto de dissertação de mestrado e se dirige a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadoras, além do público em geral
A Câmara Legislativa do Distrito Federal sediará, no próximo 13 agosto, a partir das 19h, o lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital, de autoria da advogada Janaína Rodrigues de Sousa. A obra analisa a participação feminina na política do Distrito Federal a partir de 2013 — ano em que a Câmara Legislativa do Distrito Federal implementou a Procuradoria Geral da Mulher. O lançamento será transmitido ao vivo pela TV Câmara e no YouTube.
A obra, que será lançada no dia 13, nasceu durante o mestrado da autora. Janaína destaca que o livro se dirige a mulheres que atuam ou desejam atuar na política, a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadores, além do público em geral. Ela espera também incentivar novas pesquisas sobre o tema na Câmara Legislativa. “Desejo que ele sirva como instrumento de formação política e de conscientização. Quero que as pessoas compreendam que a participação feminina não interessa apenas às mulheres — ela é indispensável para fortalecer a democracia e tornar as políticas públicas mais representativas.”
O livro mapeia os obstáculos que as mulheres enfrentam ao longo da trajetória política, com ênfase nas barreiras que persistem mesmo após a eleição. “Mesmo ocupando uma cadeira no Parlamento, muitas mulheres continuam afastadas dos principais espaços de poder, como a Mesa Diretora, as presidências de comissões estratégicas — o que chamamos de hard politics — e as relatorias de maior relevância. É o chamado ‘teto de vidro’: uma barreira muitas vezes invisível que permite a presença das mulheres, mas dificulta seu acesso ao poder real de decisão”, explica a autora.
Para Janaína, ocupar espaço não é suficiente se não vier acompanhado de poder de decisão. “Eu acredito que a presença das mulheres na política não pode ser apenas simbólica. Nós precisamos ocupar os espaços onde as decisões são tomadas, transformar nossas experiências em leis e a nossa voz em poder. Não estamos pedindo licença para participar da história — estamos assumindo o protagonismo de escrevê-la. A política é, também, um espaço para chamar de nosso. Precisamos de mais mulheres nos representando”, conclui.
Serviço
Lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital
Local: Foyer do Plenário
Quando: 13 de agosto, às 19h
Em meio a grandes marcas de tecnologia e inovação, a ideia de um universitário de 19 anos movimentou o estande do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) na Rio Innovation Week, na semana passada. Arthur Almeida Santos, de 19 anos, desenvolveu um jogo para explicar de forma lúdica as atribuições do órgão em que estagia.
Quando soube que a proposta do MP era desenvolver um quizz, jogo de perguntas e respostas, o ex-aluno da área de programação de jogos digitais da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) levantou a mão para discordar.
“Pedi licença e disse que ‘quizz’ não é engajante. Perguntei por que não um jogo? E eles me deram o trabalho de desenvolver”, contou, em entrevista à Agência Brasil, o jovem de Quintino, na Zona Norte do Rio.
A ideia que ele deu foi “simples”, resume: as pessoas precisavam classificar, entre várias atribuições do poder público, qual era do MP-RJ, considerando as regiões do estado.
“É uma forma criativa de ensinar às pessoas o que é o Ministério Público e o que ele faz. As pessoas tinham um minuto e 40 segundos para fazerem sua melhor pontuação e ganharem o melhor brinde, que era um ecobag”.
Aluno do segundo período do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Arthur surpreende ao destacar que gosta da parte humana de sua formação.
“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”.
Ele chegou a cursar Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), mas mudou de área em busca desse equilíbrio maior entre ser humano e tecnologia.
“Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, disse ele, que agora está em sua primeira experiência profissional.
O estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) Crédito: MPRJ/Bruno Bou
Reconhecimento
O jovem integrou o grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Ela conta que Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que o ajudou no visual do jogo.
“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa Fraga. “Ele tem 19 anos, chegou aqui querendo trabalhar com gamificação, mas nós não temos um setor específico desse assunto, e ele trabalha, então, com o pessoal de tecnologia da informação (TI), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência”.
A procuradora afirmou que esperava que o jogo fosse agradar, mas não imaginava que seria o sucesso que foi no evento.
“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”.
“Eu disse para ele, lá no festival, que ele tinha que aproveitar aquela oportunidade, que aquilo ali era uma porta que estava se abrindo para ele. Um futuro muito grande”, comentou Elisa Fraga.
Ter o trabalho reconhecido pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, foi algo que emocionou Arthur.
“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembra. “Conseguir um elogio da entidade máxima do MP é muito difícil e extraordinário. E eu consegui. É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”.