Parceria entre GDF e Senac-DF forma 1,5 mil estudantes no Técnico no Ensino Médio
Cerimônia neste domingo (22), no Pavilhão do Parque da Cidade, celebra jovens da rede pública que concluíram a educação básica com qualificação profissional
Thaís Miranda, da Agência Brasília | Edição: Carolina Caraballo
Cerca de 1,5 mil estudantes da rede pública do Distrito Federal celebraram, neste domingo (22), a conclusão do programa Técnico no Ensino Médio, resultado da parceria entre o Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Educação, e o Senac-DF. Esta é a primeira turma a concluir o ciclo inaugural, iniciado em 2023. A cerimônia de formatura, realizada no Pavilhão do Parque da Cidade, reuniu familiares, professores, gestores e autoridades em um momento que marca o fim da etapa escolar e o início da trajetória no mercado de trabalho para os jovens.
O programa permite que os alunos cursem o ensino médio em um turno e, no outro, realizem a formação técnica no Senac-DF. Ao final, recebem, além do diploma da educação básica, uma qualificação profissional, o que amplia as chances de inserção no mercado de trabalho ou de continuidade dos estudos.
A secretária de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, destacou que a integração entre formação acadêmica e técnica fortalece o ensino público e amplia as perspectivas para os jovens. “O aluno já sai com uma profissão técnica. Então, é um estudante que pode ingressar no mercado de trabalho, não só com o ensino médio regular, mas com o ensino técnico profissional também. São diversos cursos, nas mais diversas áreas, que levam nossos alunos a saírem com essa formação. Isso, para nós, é a realização de um sonho”, afirmou.
O Senac-DF é responsável pela oferta dos cursos, com estrutura pedagógica, laboratórios e docentes especializados, enquanto a Secretaria de Educação articula a participação das escolas da rede pública, garantindo que a formação técnica esteja integrada à rotina escolar de forma organizada e acessível.
Para o diretor regional do Senac-DF, Vitor Corrêa, a iniciativa contribui diretamente para o desenvolvimento social e econômico do Distrito Federal. “São mais de 1,4 mil alunos de ensino médio concluindo o ensino técnico com diploma, mais chance de inserção no mercado de trabalho, maior renda. Saem agora com uma profissão pronta para serem inseridos no mercado de trabalho no momento que a economia de Brasília tanto precisa”, ressaltou.
Os formandos são de diversas escolas do DF e concluíram cursos técnicos em áreas como administração, análises clínicas, contabilidade, desenvolvimento de sistemas, design de interiores, eventos, gastronomia, hemoterapia, informática, nutrição e dietética, programação de jogos digitais, recursos humanos, secretariado e segurança do trabalho.
Hélvia Paranaguá, secretária de Educação do Distrito Federal: “O aluno já sai com uma profissão técnica. Então, é um estudante que pode ingressar no mercado de trabalho, não só com o ensino médio regular, mas com o ensino técnico profissional também”
O próximo ciclo, que ainda está com inscrições abertas, está previsto para começar na próxima segunda-feira (23). Segundo a secretária Hélvia Paranaguá, as vagas foram ampliadas graças ao apoio do Legislativo do DF.
“Tivemos uma ampliação do número de vagas em função da parceria que firmamos com a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Vários deputados colocaram reforço de emenda parlamentar e a gente pôde, então, sair das 1,5 mil vagas para 4 mil. Mas a nossa meta é chegar a 10 mil”, anunciou a titular da pasta.
Entre os formandos, a conquista representa uma porta de entrada para novas oportunidades profissionais e acadêmicas. O estudante Gustavo Costa Santos, 17 anos, de São Sebastião, contou que soube do programa pela escola e decidiu apostar na área administrativa. “Quando eu vi o Senac, eu vi uma oportunidade na minha frente e pensei: ‘Vou tentar um caminho novo, uma coisa que eu comecei a gostar e que eu quero seguir adiante’”, disse. Para ele, a formação amplia as possibilidades para o futuro. “A administração pega bastante coisas em geral, como logística e outras áreas. Acho que isso vai me ajudar bastante, até para administrar uma empresa no futuro.”
Gustavo Costa Santos, estudante: “Quando eu vi o Senac, eu vi uma oportunidade na minha frente e pensei: ‘Vou tentar um caminho novo, uma coisa que eu comecei a gostar e que eu quero seguir adiante’”
A estudante Rebeca Karoline de Souza Moraes, 18 anos, de Santa Maria, também destacou o impacto da formação técnica em sua trajetória. “Sou uma pessoa muito grata por ter tido essa oportunidade. Eu me sinto privilegiada de sair do ensino médio com um diploma e com outra formação tão importante. É uma oportunidade única, porque somos a primeira turma que ingressou nesse projeto. Saber que algo que começou conosco vai seguir ajudando mais jovens é muito importante”, afirmou.
O próximo ciclo começa nesta semana e ainda conta com vagas abertas para estudantes da rede que desejem participar. Para se inscrever, basta acessar o site do Senac-DF.
Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Mulheres em tratamento de saúde que causa a perda de cabelos contam com atendimento gratuito para doação de perucas no Distrito Federal. Para a prestação do serviço, há um banco com cerca de 300 perucas, renovado a cada dois meses. O atendimento ocorre diariamente, conforme a demanda, com limite de uma peça por pessoa.
As perucas são produzidas por voluntários a partir do reaproveitamento de cabelos naturais doados. A iniciativa reúne a confecção de próteses mamárias, cortes de cabelo e barba, além do fornecimento de toucas e lenços. Há necessidade de novos voluntários para a produção, que oferece capacitação para os interessados.
Como doar
Para a doação, a orientação é separar mechas com no mínimo 20 centímetros, prender os fios antes do corte e entregá-los secos, em saco ou envelope. Fios com química ou coloração também podem ser entregues. O recebimento das doações de cabelo ocorre das 8h30 às 12h e das 13h às 16h. Para confirmar os dias de atendimento, a orientação é entrar em contato pelo telefone (61) 3364-5467.
A oficina também recebe insumos para a confecção das peças, como telas, linhas de náilon ou tecelagem, silicone adesivo selante, tecido do tipo voil, xampu e condicionador.
Como acessar o serviço
O atendimento é voltado a pessoas que passam por tratamento de saúde com perda de cabelo. O critério informado é estar preferencialmente sem cabelos e apresentar documento de identificação pessoal com foto e relatório médico atualizado, emitido nos últimos seis meses.
O cadastro é feito na Sala de Acolhimento da Rede Feminina, situada no ambulatório do Hospital de Base do Distrito Federal (Corredor 5). Após o registro, são apresentados os modelos, tamanhos e cores para escolha do beneficiário. Informações sobre serviços, voluntariado e doações também estão disponíveis neste site e no perfil oficial @redefemininabrasilia.
Livro é fruto de dissertação de mestrado e se dirige a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadoras, além do público em geral
A Câmara Legislativa do Distrito Federal sediará, no próximo 13 agosto, a partir das 19h, o lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital, de autoria da advogada Janaína Rodrigues de Sousa. A obra analisa a participação feminina na política do Distrito Federal a partir de 2013 — ano em que a Câmara Legislativa do Distrito Federal implementou a Procuradoria Geral da Mulher. O lançamento será transmitido ao vivo pela TV Câmara e no YouTube.
A obra, que será lançada no dia 13, nasceu durante o mestrado da autora. Janaína destaca que o livro se dirige a mulheres que atuam ou desejam atuar na política, a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadores, além do público em geral. Ela espera também incentivar novas pesquisas sobre o tema na Câmara Legislativa. “Desejo que ele sirva como instrumento de formação política e de conscientização. Quero que as pessoas compreendam que a participação feminina não interessa apenas às mulheres — ela é indispensável para fortalecer a democracia e tornar as políticas públicas mais representativas.”
O livro mapeia os obstáculos que as mulheres enfrentam ao longo da trajetória política, com ênfase nas barreiras que persistem mesmo após a eleição. “Mesmo ocupando uma cadeira no Parlamento, muitas mulheres continuam afastadas dos principais espaços de poder, como a Mesa Diretora, as presidências de comissões estratégicas — o que chamamos de hard politics — e as relatorias de maior relevância. É o chamado ‘teto de vidro’: uma barreira muitas vezes invisível que permite a presença das mulheres, mas dificulta seu acesso ao poder real de decisão”, explica a autora.
Para Janaína, ocupar espaço não é suficiente se não vier acompanhado de poder de decisão. “Eu acredito que a presença das mulheres na política não pode ser apenas simbólica. Nós precisamos ocupar os espaços onde as decisões são tomadas, transformar nossas experiências em leis e a nossa voz em poder. Não estamos pedindo licença para participar da história — estamos assumindo o protagonismo de escrevê-la. A política é, também, um espaço para chamar de nosso. Precisamos de mais mulheres nos representando”, conclui.
Serviço
Lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital
Local: Foyer do Plenário
Quando: 13 de agosto, às 19h
Em meio a grandes marcas de tecnologia e inovação, a ideia de um universitário de 19 anos movimentou o estande do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) na Rio Innovation Week, na semana passada. Arthur Almeida Santos, de 19 anos, desenvolveu um jogo para explicar de forma lúdica as atribuições do órgão em que estagia.
Quando soube que a proposta do MP era desenvolver um quizz, jogo de perguntas e respostas, o ex-aluno da área de programação de jogos digitais da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) levantou a mão para discordar.
“Pedi licença e disse que ‘quizz’ não é engajante. Perguntei por que não um jogo? E eles me deram o trabalho de desenvolver”, contou, em entrevista à Agência Brasil, o jovem de Quintino, na Zona Norte do Rio.
A ideia que ele deu foi “simples”, resume: as pessoas precisavam classificar, entre várias atribuições do poder público, qual era do MP-RJ, considerando as regiões do estado.
“É uma forma criativa de ensinar às pessoas o que é o Ministério Público e o que ele faz. As pessoas tinham um minuto e 40 segundos para fazerem sua melhor pontuação e ganharem o melhor brinde, que era um ecobag”.
Aluno do segundo período do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Arthur surpreende ao destacar que gosta da parte humana de sua formação.
“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”.
Ele chegou a cursar Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), mas mudou de área em busca desse equilíbrio maior entre ser humano e tecnologia.
“Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, disse ele, que agora está em sua primeira experiência profissional.
O estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) Crédito: MPRJ/Bruno Bou
Reconhecimento
O jovem integrou o grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Ela conta que Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que o ajudou no visual do jogo.
“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa Fraga. “Ele tem 19 anos, chegou aqui querendo trabalhar com gamificação, mas nós não temos um setor específico desse assunto, e ele trabalha, então, com o pessoal de tecnologia da informação (TI), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência”.
A procuradora afirmou que esperava que o jogo fosse agradar, mas não imaginava que seria o sucesso que foi no evento.
“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”.
“Eu disse para ele, lá no festival, que ele tinha que aproveitar aquela oportunidade, que aquilo ali era uma porta que estava se abrindo para ele. Um futuro muito grande”, comentou Elisa Fraga.
Ter o trabalho reconhecido pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, foi algo que emocionou Arthur.
“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembra. “Conseguir um elogio da entidade máxima do MP é muito difícil e extraordinário. E eu consegui. É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”.