Reportagens
Brasileira Ana Paula Maia disputa final do International Booker Prize
Prêmio britânico celebra obras estrangeiras traduzidas para o inglês
Cristina Índio do Brasil – Repórter da Agência Brasil
O resultado do International Booker Prize de 2026 será revelado nesta terça-feira (19) no Tate Museum de Londres. Entre os seis finalistas está a escritora Ana Paula Maia, que concorre com o livro Assim na Terra como Embaixo da Terra.

No dia 24 de fevereiro de 2026, a obra da brasileira foi selecionada pelo júri entre 13 livros, a partir de 128 livros submetidos por editoras.
Obra
Assim na Terra como Embaixo da Terra narra o cotidiano de uma colônia penal isolada em vias de desativação. A instituição foi construída em um terreno com histórico de assassinato e de tortura de pessoas escravizadas e assassinato.
A colônia, criada para ser um modelo de detenção do qual preso algum jamais fugiria e que tinha como objetivo socializar os detentos para reinserção social, na prática, se torna uma espécie de campo de extermínio.
Para o júri do prêmio, o livro de Ana Paula Maia é “uma novela brutal, assombrosa e hipnótica”. Em comentário, a equipe julgadora ressalta que os leitores admirarão a precisão da escrita de Maia, que não traz excessos.
“Mas o que eles vão adorar é a forma como o romance permanece na mente muito tempo depois de terminá-lo. Ele fica com você e te força a pensar sobre os sistemas que criamos para conter a violência e se, no fim das contas, eles acabam por reproduzi-la”, acrescentou.
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Autora
Ana Paula Maia nasceu e cresceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, filha de uma professora de língua portuguesa e literatura e de um comerciante.
O gosto pelos filmes de terror e de velho oeste, que assistia nos cinemas com o irmão, influenciou o estilo da autora. O primeiro romance, O Habitante das Falhas Subterrâneas foi publicado em 2003.
Também roteirista, com o ator e cineasta Guilherme Weber, escreveu o roteiro do filme Deserto, lançado em 2017. No teatro foi co-autora com Mauro Santa Cecília e Ricardo Petraglia do monólogo O Rei dos Escombros. Na televisão, em 2019, foi autora de Desalma, série exclusiva criada para a plataforma GloboPlay.
Por dois anos seguidos, 2018 e 2019, ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura para o Melhor Romance do Ano. O primeiro com o livro Assim na Terra como embaixo da Terra. O segundo com Enterre Seus Mortos.
Seleção
Conforme o site da premiação britânica, a seleção “celebra as melhores obras de ficção de formato longo ou coletâneas de contos traduzidas para o inglês e publicadas no Reino Unido e/ou Irlanda entre 1º de maio de 2025 e 30 de abril de 2026”.
Segundo o International Booker Prize, a lista final de seis livros foi escolhida pelo júri de 2026, presidido pela premiada autora Natasha Brown e integrado também pelo escritor, radialista e professor de Matemática e de Divulgação Científica da Universidade de Oxford, Marcus du Sautoy; a tradutora Sophie Hughes, finalista do Prêmio Internacional Booker; o escritor, editor da Lolwe e livreiro Troy Onyango; e a premiada romancista e colunista Nilanjana S. Roy.
“O Prêmio Internacional Booker reconhece o trabalho vital da tradução, com o prêmio de 50 mil libras dividido igualmente entre o autor e o tradutor vencedores. Cada título finalista receberá um prêmio de 5 mil libras: 2,5 mil libras para o autor e 2,5 mil libras para o tradutor”, completou.
A intenção do prêmio é promover obras de todo o mundo que se originaram em uma grande quantidade de idiomas. “O prêmio fomenta uma comunidade global engajada de escritores e leitores cujas experiências e interesses transcendem fronteiras nacionais”, apontou.
De acordo com os organizadores, os livros finalistas tratam, por exemplo, de temas e experiências internacionais, muitas delas inspiradas em momentos reais da história.
Transportam os leitores de Taiwan sob domínio japonês na década de 1930 à Europa controlada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Partem da magia e da vida doméstica nos subúrbios da França na década de 1990 para a turbulência e consequências da Revolução Iraniana de 1979. De uma brutal colônia penal num canto remoto do Brasil a uma rígida comunidade patriarcal nos Alpes Albaneses.
“Um elenco diversificado de personagens ricamente construídas inclui uma bruxa suburbana, um cineasta moralmente questionável, um carcereiro sanguinário, uma virgem consagrada com uma nova identidade, uma jovem romancista e a sua intérprete que partilham a paixão pela gastronomia, e uma família multi generacional de imigrantes iranianos”, diz publicação da organização do prêmio.
A presença feminina é forte na concorrência. Na autoria dos livros, cinco são de mulheres, enquanto na tradução estão quatro.
“Entre as autoras, encontram-se uma atriz premiada, uma ex-assistente social e uma argumentista de manga e videojogos”, informou o Prêmio Internacional Booker de 2026, que tem o apoio da Bukhman Philanthropies.
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Moraes dá 48 horas para Bolsonaro informar se autorizou vídeo com IA
Produção foi apresentada no sábado em convenção do Partido Liberal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (28) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste, no prazo de 48 horas, sobre a utilização de sua imagem e voz em um vídeo produzido por meio de inteligência artificial (IA) e exibido durante a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25).

Na decisão, Moraes afirma que é necessário esclarecer se Bolsonaro autorizou a produção e a divulgação do vídeo, que simulava um pronunciamento em apoio à pré-candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, à Presidência da República.
Segundo o ministro, a resposta é necessária para verificar se houve novo descumprimento das condições impostas ao ex-presidente durante a prisão domiciliar humanitária. Se essa hipótese for confirmada, Bolsonaro corre o risco de ter o benefício revogado.
Caso ele não tenha autorizado a produção do vídeo, Moraes aponta eventual grave desrespeito à legislação eleitoral por parte de Flávio Bolsonaro e do PL, podendo, inclusive, acarretar em inelegibilidade.
“Se não houve autorização do custodiado Jair Messias Bolsonaro para utilização de sua imagem e voz para declarações político-eleitoral, além de constituir desrespeito à ordem judicial por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal (PL), tal conduta poderá tipificar a denominada ‘deep fake’, prática expressamente vedada pela legislação eleitoral, um vez que, haverá a caracterização de criação ou divulgação de conteúdo sintético destinado a associar artificialmente a imagem, a voz ou a manifestação de determinada pessoa a candidato, partido ou causa política, sem sua expressa autorização”.
Na decisão desta terça-feira, Moraes lembra que Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar humanitária, está com os direitos políticos suspensos em razão de condenação criminal definitiva por tentativa de golpe de Estado e está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros.
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Exposição dos Povos da Floresta chega a Brasília e ocupa Memorial dos Povos Indígenas
Em cartaz a partir de quarta-feira (29), mostra tem entrada gratuita e reúne artistas indígenas, povos tradicionais e diferentes expressões da arte amazônica
Por
Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes
Brasília recebe, a partir desta quarta-feira (29), a Exposição dos Povos da Floresta, uma mostra que reúne artistas de diferentes territórios da Amazônia em um encontro entre arte, ancestralidade, território e memória. Integrando a Etapa Brasília do Festival dos Povos da Floresta, a exposição ocupa o Memorial dos Povos Indígenas (MPI), com visitação gratuita até 27 de setembro.
Idealizado pelo Centro de Inovação da Amazônia (Rioterra), o Festival dos Povos da Floresta promove a circulação de artistas, mestres tradicionais e comunidades originárias, ampliando o acesso às múltiplas expressões culturais amazônicas em diferentes regiões do país. A cerimônia de abertura será na terça-feira (28), das 19h às 21h, marcando o encontro de artistas, curadores, convidados e público em uma celebração da diversidade cultural brasileira.
A exposição reúne fotografias, pinturas, esculturas, instalações, registros audiovisuais, experiências em realidade virtual e curtas-metragens, construindo um percurso sensorial que aproxima o visitante das diferentes narrativas e modos de vida presentes na Amazônia.
Entre os destaques estão obras de Gustavo Caboco, Paula Sampaio, Will Arehj, Wauto Am, além do acervo fotográfico da Rioterra com trabalhos de Marcela Bonfim, Alexis Bastos, Fred Bastos, Alexandre Rotuno e do próprio Will Arehj.
A mostra também reúne artistas de Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, refletindo a diversidade estética, cultural e territorial da região amazônica. Participam nomes como Saulo de Souza, Rafael Prado, Evandro Câmara, Bototo, Avener Prado, Isaías Miliano, Pedro Macuxi, Kaiwino Wiz (Georgina), Vinícius Kenede, Caripoune Yermollay, Ya Juarez, Keyla Palikur, Thay Ptit, Hugo Figueiredo e Gilson Tupinambá, entre outros.
Ao longo de sua trajetória, a Exposição dos Povos da Floresta percorreu Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Belém (PA), incorporando novas ocupações artísticas e diferentes olhares curatoriais em cada território. Em Brasília, essas experiências convergem em uma exposição que sintetiza os diálogos construídos ao longo do projeto, sob curadoria de Isabela Bastos e Lucas Baim.
Mais do que apresentar obras de arte, a mostra propõe uma reflexão sobre a pluralidade dos povos amazônicos, evidenciando suas memórias, cosmologias, formas de resistência e modos de produzir conhecimento por meio da arte.
Programação audiovisual e realidade virtual
Além das obras expostas, o público poderá assistir a uma seleção de curtas-metragens produzidos em Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, com narrativas que dialogam com os temas da exposição e ampliam a experiência do visitante.
A programação inclui ainda uma imersão em realidade virtual composta por quatro experiências audiovisuais que apresentam paisagens, saberes e vivências da Amazônia, permitindo ao público conhecer diferentes territórios por meio de tecnologia imersiva.
Comprometida com a democratização do acesso à cultura, a exposição contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérpretes de Libras e audiodescrição das obras por meio de QR Code.
Ao reunir diferentes linguagens artísticas, territórios e experiências culturais, a Exposição dos Povos da Floresta reafirma o compromisso do festival em fortalecer o protagonismo dos povos amazônicos e ampliar a circulação de suas produções, aproximando o público brasileiro da riqueza artística e cultural da região.
Serviço
Exposição dos Povos da Floresta
⇒ Local: Memorial dos Povos Indígenas (MPI)
⇒ Cerimônia de abertura: terça-feira (28), das 19h às 21h
⇒ Visitação: de quarta-feira (29) a 27 de setembro
⇒ Funcionamento: terça-feira a domingo, das 9h às 17h
⇒ Entrada gratuita.
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