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Comissão da Câmara aprova redução da maioridade penal para 16 anos

A PEC recebeu 44 votos favoráveis e 18 contrários na CCJ

 

Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

 

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC nº 32/15) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil.

A PEC recebeu 44 votos favoráveis e 18 contrários. O aval da comissão representa o primeiro passo da tramitação da proposta, que agora seguirá para análise de uma comissão especial antes de ser votada em dois turnos, no Plenário da Casa.

A aprovação do parecer favorável do relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), ocorreu após mais de duas horas de intenso debate. Para o relator, a medida é juridicamente viável, não viola as chamadas cláusulas pétreas da Constituição Federal, nem tratados internacionais.

A conclusão de Assis foi rebatida por deputados contrários à iniciativa, que argumentam que os direitos da infância e da juventude são cláusulas pétreas que não podem ser alteradas salvo com uma nova constituinte.

“Esta é uma cláusula pétrea da Constituição. Ou seja, só pode ser modificada com uma nova Constituição. E não estamos aqui falando de uma nova Constituição, mas sim de alterar a atual, modificando uma cláusula que não pode ser alterada”, alegou o deputado Tadeu Veneri (PT-PR), para quem a PEC, se aprovada no Congresso Nacional, será barrada no STF.

“Não podemos iludir a população de que isto vai prosperar. Não vai. Vai chegar no STF e vai parar. E teremos feito um grande debate apenas com cunho eleitoral”, acrescentou Veneri.

A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) endossou a tese de que a redução da maioridade penal é uma resposta populista, eleitoreira e que não resolverá os graves problemas da segurança pública.

“O pressuposto é que, com a entrada destes jovens no sistema penitenciário, e não mais no sistema socioeducativo, teremos uma punição mais severa e à altura das infrações que eles cometeram. Isto é uma mentira. O índice de reentrada no sistema socioeducativo é de 23%. No sistema prisional é de 42%”, afirmou Sâmia.

A parlamentar argumentou que, segundo dados oficiais, apenas 0,5% das infrações cometidas por adolescentes são consideradas crimes gravíssimos.

“Estamos propondo alterar todo o tratamento dado aos adolescentes [em geral] por causa de 0,5% […] quando este Congresso Nacional deveria estar se dedicando a identificar onde estamos falhando para que haja tantos jovens cometendo crimes em vez de estarem sentados nos bancos escolares”, ponderou Sâmia.

Defensor da proposta, o deputado Mendonça Filho argumentou que o correto seria submeter o tema a um referendo popular.

“Ninguém aguenta mais a violência no Brasil. Temos 44 mil homicídios por ano. Vivemos um padrão de guerra civil e fazemos de conta que esta realidade não existe”, comentou Filho, atribuindo a insegurança a “leis frouxas” e à “impunidade” que, segundo ele, facilita a ação do crime organizado.

Ele admitiu que a redução da maioridade penal para 16 anos não vai resolver o problema da violência. Mas defendeu que, em conjunto com outros mecanismos legais, vai contribuir para o combate ao crime organizado.

“Cerca de 25% da população brasileira vive hoje sob a influência direta de milícias e de organizações criminosas que, inclusive, aliciam menores de 18 anos para praticar crimes porque, para elas, o custo de fazer isto é barato”, disse.

O deputado Rodrigo de Castro (União-MG) também classificou a aprovação da PEC como um “claro sinal” contra a impunidade, mas lamentou que a discussão, que se arrasta há anos no Congresso Nacional, tenha se transformado em um debate sobre aspectos ideológicos que nada têm a ver com a segurança pública. “Me constrange ver este debate se tornar um debate de ideologias”.

Para Otoni de Paula (PSD-RJ), é um erro o Congresso Nacional discutir um projeto tão importante e polêmico como a redução da maioridade penal às vésperas de uma eleição.

“Por que não aprovamos a redução da maioridade penal durante os quatro anos do governo Bolsonaro já que tínhamos base para isso? Da mesma forma como não transformamos as facções criminosas em grupos terroristas. Tivemos quatro anos e não fizemos isto”, argumentou.

Ele afirmou que há risco de que, com a redução da maioridade penal, os criminosos passem a aliciar crianças e adolescentes ainda mais novos.

“Como ficarão os adolescentes de 15 anos e 11 meses que cometeram crimes hediondos? Amanhã, vamos debater a redução para 14 anos? Depois para 12? Porque este problema é estrutural. E a partir da redução da maioridade penal para 16 anos, o tráfico vai recrutar meninos abaixo de 16 anos”, concluiu de Paula.

*texto ampliado às 14h28

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Criada há 30 anos, cota de candidaturas femininas ainda não levou à igualdade

Bancada feminina comemora indicação de autoridades mulheres
Waldemir Barreto/Agência Senado›

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Há 30 anos, os partidos políticos passaram a ter de reservar às mulheres parte das candidaturas nas eleições proporcionais. Desde então, a presença feminina nas disputas eleitorais aumentou de forma significativa. O crescimento no número de eleitas, porém, não avançou na mesma proporção.

Aplicada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, a chamada cota de gênero foi criada para ampliar a participação feminina na política. Atualmente, exige que nenhum dos gêneros tenha menos de 30% das candidaturas a deputado ou deputada e a vereador ou vereadora.

Em 1994, antes da adoção da medida, 188 mulheres concorreram a deputada federal em todo o país, o equivalente a 6,2% das candidaturas. Em 2022, foram 3.717, ou 35% do total, uma proporção cinco vezes maior. Entre os eleitos e eleitas, a participação feminina passou de 7,4% para apenas 17,7% no mesmo período, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A primeira regra foi criada pela Lei 9.100, de 1995, que estabeleceu uma cota mínima de 20% de candidaturas femininas para as eleições municipais de 1996. Nos anos seguintes, a legislação foi ampliada e ganhou novos mecanismos para tornar a participação das mulheres mais efetiva.

Arlindo Fernandes, consultor legislativo do Senado, explica que, se um partido não tiver candidaturas suficientes de um dos gêneros, terá de reduzir também as do outro para preservar a proporção determinada pela legislação.

— Com essa lógica e com esse entendimento, se realiza materialmente a ideia de que o mínimo de 30% das candidaturas será feminino — diz.

Mudanças na legislação

A Lei Geral das Eleições, de 1997, ampliou a política de gênero para as disputas proporcionais estaduais e federais. Para as eleições de 1998, a lei estabeleceu uma regra de transição, com mínimo de 25% das candidaturas para cada sexo. A partir de 2002, passou a valer o piso de 30% previsto na Lei das Eleições.

Outra mudança importante ocorreu em 2009. Até então, a lei determinava que os partidos apenas reservassem o percentual mínimo. A nova redação passou a exigir que eles efetivamente preenchessem pelo menos 30% das candidaturas com pessoas de cada gênero.

A regra foi aplicada pela primeira vez nas eleições gerais de 2010. Vale para deputado federal, deputado estadual ou distrital e vereador. Não se aplica às eleições para presidente da República, governador, prefeito e senador.

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Salto nas candidaturas 

O salto mais expressivo no número de candidaturas ocorreu entre 2006 e 2010, primeira eleição geral depois da mudança que passou a exigir o preenchimento da cota. O número de candidatas praticamente dobrou, de 666 em 2006 para 1.335 em 2010. A participação feminina subiu de 12,6% para 22,2%.

Ainda assim, o percentual de 30% de candidaturas femininas a deputada federal só foi superado em 2014, quando 2.270 mulheres disputaram o cargo, ou 31,8% do total.

— Essas conquistas não são apenas conquistas femininas. São parte do processo democrático no Brasil, um verdadeiro avanço civilizatório — avalia o consultor legislativo Fernandes.

Crescimento lento

O aumento das candidaturas não se refletiu na mesma velocidade entre as mulheres eleitas. Em 2022, elas representaram quase 35% das candidaturas a deputado e deputada federal, mas apenas 17,7% das eleitas, ou 91 das 513 cadeiras.

Foi, ainda assim, um grande avanço em relação a 1998, quando, apesar da mudança na lei criando a cota de candidaturas, o número de deputadas federais eleitas caiu, única redução nos últimos 30 anos: apenas 29, contra 38 em 1994.

Depois disso, houve um crescimento gradual. O avanço mais expressivo ocorreu de 2014 para 2018, quando o número de deputadas eleitas saltou de 51 para 77, ou 15% do total — aumento de pouco mais de 50% em relação à eleição anterior.

Recursos de campanha 

A legislação também passou a assegurar que as candidatas possam disputar as eleições em condições de igualdade. Atualmente, pelo menos 30% dos recursos destinados às campanhas e do tempo de propaganda eleitoral gratuita devem ir para as candidaturas femininas, observada a proporção de mulheres apresentadas pelo partido.

O consultor legislativo Arlindo Fernandes lembra que a ampliação da política de cotas passou pela busca de condições materiais para as candidaturas.

— Se nós temos 30% das candidaturas, nós queremos 30% dos recursos — resume.

Punição à fraude 

A Justiça Eleitoral também pune candidaturas fictícias, apresentadas apenas para cumprir formalmente a cota. Entre os elementos que podem indicar fraude estão votação zerada ou inexpressiva, ausência de movimentação financeira relevante e falta de atos efetivos de campanha.

As consequências podem atingir toda a lista proporcional, com cassação de diplomas, anulação dos votos e novo cálculo para a distribuição das vagas. A inelegibilidade pode atingir quem participou da fraude.

— No limite, pode acontecer, e já aconteceu, de ser eliminada toda a lista do partido — ressalta o consultor Fernandes.

A legislação também passou a combater a violência política contra as mulheres. A Lei 14.192, de 2021, prevê punições para atos destinados a impedir ou dificultar o exercício dos direitos políticos de candidatas e detentoras de mandato.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Blitz educativa aborda os cuidados no trânsito no período de chuvas

Asfalto molhado, a baixa visibilidade e a formação de poças d’água podem aumentar o risco de acidentes

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Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

 

Com a chegada do período chuvoso, ações educativas para orientar os motoristas e pedestres sobre a importância de redobrar a atenção nas vias serão reforçadas. O asfalto molhado, a baixa visibilidade e a formação de poças d’água podem aumentar o risco de sinistros de trânsito.

As ações serão realizadas na quarta-feira (9), no Eixo Monumental, na altura da Torre de TV, e na sexta-feira (11), em Taguatinga, na via QNL 5/7. A campanha tem o objetivo de conscientizar motoristas e pedestres para a prevenção de sinistros em pistas molhadas, com foco em orientações práticas de segurança e entrega de material educativo.

 

Blitz educativa sobre chuvas

⇒ Data: quarta-feira (9)
Horário: das 10h às 11h
Local: Eixo Monumental, entre o Eixo Cultural Ibero-Americano e a Torre de TV

⇒ Data: sexta-feira (11)
Horário: das 10h às 11h
Local: Taguatinga Norte, via QNL 5/7, em frente ao mercado Veneza

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Troféu Câmara Legislativa garante espaço ao cinema brasiliense no Festival de Brasília

Consolidação da Mostra Brasília, exclusiva para produções cinematográficas do Distrito Federal, na programação oficial do festival foi possibilitada pela premiação da CLDF, criada em 1996

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Troféu Câmara Legislativa impulsionou a produção da sétima arte no Distrito Federal

“Criado pelos deputados distritais, em 1996, o Troféu Câmara Legislativa foi, desde o início, uma das maiores premiações do Festival de Brasília”. A constatação do jornalista e cineasta Sérgio Moriconi, em livro — Apontamentos para uma história — que documenta o cinema brasiliense desde a fundação da cidade, dá a medida da importância da premiação da CLDF para os filmes do Distrito Federal, a qual acompanha o desenvolvimento da produção local — movimento iniciado na década de 1990.

Naquele período, um cenário favorável ao surgimento de novos realizadores e obras cinematográficas que iam além do Plano Piloto, além de intensa mobilização do setor, terminou por exigir uma presença mais efetiva dos títulos brasilienses no festival. “Como a pressão por mais espaços para a exibição das produções da cidade continuava, os organizadores do certame criaram a Mostra Brasília”, relembra Moriconi.

Antes, de acordo com os primeiros regulamentos, todo filme do Distrito Federal que fosse exibido na competição principal ou mesmo em mostras paralelas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, automaticamente, concorria ao Troféu Câmara Legislativa. O aumento significativo do número de títulos, no entanto, fez surgir a necessidade de se criar uma comissão de seleção própria e um júri oficial específico para julgar os concorrentes à premiação da CLDF.

“Exibir seus filmes durante o festival no Cine Brasília continuava sendo uma glória para os realizadores da cidade”, escreveu Sérgio Moriconi, que, em 1998, levou o Troféu Câmara Legislativa, na terceira edição do prêmio, com o curta-metragem Athos, no qual retrata o multiartista Athos Bulcão (1918-2008), cuja trajetória nas artes visuais se confunde com a história da Nova Capital.

A Mostra Brasília — que se consolidou como espaço exclusivo para títulos que disputam o Troféu Câmara Legislativa — passou a ter lugar permanente na programação oficial “e se transformaria num verdadeiro evento entre os frequentadores do Festival de Brasília”, atesta Moriconi. Em 2026, a mostra será realizada de 14 a 18 de setembro, com início às 18h e entrada franca, no Cine Brasília.

 

Vencedor do Troféu CLDF em 1998, Sérgio Moriconi desta importância da premiação (Arquivo Pessoal)

 

Outros filmes do DF

Além dos 15 títulos — quatro longas e onze curtas-metragens — que disputarão o 28º Troféu Câmara Legislativa, o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (de 11 a 19 de setembro) apresentará mais filmes do Distrito Federal ou que têm relação com Brasília. A competição nacional de longas exibirá Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira, e a de curtas trará Gastronomia do Olho, dirigido por Nicolau.

Sessões especiais programam os seguintes filmes: Histórias de Terror e Delicadeza, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório; A Última Diária, de Marcelo Pelúcio e Zefel Coff; e Música Secular, de Emanuel Lavor. O diretor Jimi Figueiredo foi o vencedor do 14º Troféu Câmara Legislativa, na categoria curta-metragem, com Verdadeiro ou Falso (2009), e da 16ª edição, com o longa Cru (2011).

Na sessão “História(s) Do Cinema Brasileiro — Clássicos”, encontra-se Brasília Segundo Feldman, de Vladimir Carvalho, além de outros filmes do documentarista, nascido na Paraíba, que se tornou um dos principais nomes do cinema brasiliense. O diretor venceu, na categoria longa-metragem, a 5ª (Barra 68 – Sem Perder a Ternura) e a 11ª edição do Troféu Câmara Legislativa (O Engenho de Zé Lins). Na edição de número 21, levou o prêmio de direção e roteiro por Cícero Dias: o Compadre de Picasso. A despedida de Vladimir Carvalho, morto em 2024, é tema de Adeus, Brasília, de Moacir Macedo, na sessão “História(s) Do Cinema Brasileiro – Contemporâneos”.

No festival de 2026, o projeto Preservação do Acervo Filmográfico do Arquivo Público do Distrito Federal: Pesquisa, Tratamento e Digitalização apresentará imagens clássicas do Parque Rogério Pithon Farias (atual Parque da Cidade Sarah Kubitschek) e trechos de registros amadores e cinejornais. E a sessão “Premiere DF” exibirá Brasifilia, de Francenilton Klava, e Jornada nas Estrelas, de Angelo Pignaton.

O filme O Verão da Lata, dirigido pelo cineasta Santiago Dellape — integrante do júri do 28º Troféu Câmara Legislativa –, passará na solenidade de encerramento do 59º Festival de Brasília, que será aberto, nesta sexta-feira (11), com o curta Brasília – Planejamento Urbano, documentário de 1964, dirigido por Fernando Coni Campos (1933-1988), e o longa A Pele Morta, codirigido pelos irmãos Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres.

Marco Túlio Alencar – Agência CLDF

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