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Dia de Doar mobiliza mais de 28 milhões de pessoas, com ações comunitárias em 72 cidades e abrangência em todas as regiões do país

Pelé, Luciano Huck, Alok, Fábio Porchat, Danni Suzuki e Flávia Alessandra também participaram do movimento, conscientizando sobre a importância da generosidade

 

No dia 29 de novembro, milhões de brasileiros realizaram ações solidárias em todo país e participaram do Dia de Doar. De acordo com os dados iniciais levantados, foram mobilizados mais de 4,5 milhões de reais em doações, mapeados via plataformas de doação, publicações e relatórios de atividades de instituições e empresas participantes.

Para aumentar a visibilidade do movimento, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ) e a estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte (CE), foram iluminados na cor laranja ,reforçando a mensagem de solidariedade e empatia, em uma iniciativa liderada pelo Instituto Phi.

Para João Paulo Vergueiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), que lidera a iniciativa no Brasil, “os resultados reforçam a nossa crença que a população brasileira é muito generosa e segue fazendo doações quando convidada para isso, como no Dia de Doar. Quanto mais falamos sobre fazer o bem, mais as pessoas doam”.

Para avaliar o impacto em reais do Dia de Doar, a ABCR conta com um Programa de Dados, que identificou que mais de R$ 2,3 milhões foram doados on-line este ano, um aumento de aproximadamente 50% em relação a 2021. São parceiras no Programa as empresas Abacashi, Altrus, Apoia.se, Benfeitoria, BSocial, Captador, Catarse, Causei o Bem, Doação Solutions, Doare, Doe Bem, Grifa.me, iFood, Kickante, Movimento Arredondar, Reapp, União Pela Vida, Risü, Ribon, Sitawi, Trackmob e Vakinha.

Oo Dia de Doar mobilizou organizações sem fins lucrativos, pessoas físicas, órgãos públicos e empresas, de todas as origens e em todas as regiões do país.

Celebridades também disseminaram o movimento. O streamer Casimiro Miguel, um dos maiores influenciadores digitais do país, falou sobre o Dia de Doar e a iluminação do Cristo durante transmissão de uma partida da Copa do Mundo FIFA, quando anunciou a doação do que foi recebida no Superchat do Youtube do canal em 29 de novembro. Pelé, Alok, Luciano Huck, Danni Suzuki e Flávia Alessandra, dentre outras celebridades, postaram sobre o Dia de Doar em suas redes sociais.

Campanhas comunitárias aumentaram em 140% em 2022

Para incentivar a realização das campanhas comunitárias, o movimento lançou, pelo segundo ano consecutivo, o Edital de Apoio à Filantropia Comunitária. Quarenta iniciativas receberam 500 reais para ajudar a alavancar suas campanhas locais, o que representa o dobro das ações apoiadas em 2021. A grande novidade deste ano foi o apoio inédito da Meta, com créditos de até 5 mil dólares para anúncios no Facebook e no Instagram. Dez coalizões e tiveram suas campanhas online impulsionadas.

Neste ano, o Dia de Doar teve um aumento de 140% nas campanhas comunitárias ativas pelo país e 40 cidades participaram pela primeira vez. Entre elas estão Salvador (BA), Anápolis (GO), Caxias (RS), Criciúma (RS), Corumbá (MS), Florianópolis (SC), Glória do Goitá (PE), Itu (SP), Londrina (PR), Maringá (PR), Natal (RN), bairro de Primavera (Caxias – RJ) e São Luís (MA).

Mais de R$ 181 mil e 58 toneladas de alimentos foram doados como iniciativa das campanhas comunitárias. As informações foram coletadas voluntariamente pelas lideranças, sendo esses números maiores do que conseguimos registrar.

Algumas das principais ações pelo Brasil

O Dia de Doar começou cedo em Pelotas (RS). O dia 1º de novembro marcou o início da gincana solidária Doa Pelotas, criada para desafiar as escolas municipais, estaduais e particulares a captarem doações de várias formas para aumentar a solidariedade na cidade. A gincana, que foi encerrada no dia 29, incentivou a arrecadação de alimentos não perecíveis, materiais de higiene e de limpeza, roupas, brinquedos e doação de sangue.  No dia do término da competição, cerca de 20 projetos sociais compareceram ao largo do Mercado Central de Pelotas e se apresentaram para o público. O espaço também teve várias apresentações artísticas.

Já a cidade de Itu, localizada no interior de São Paulo, participou pela primeira vez da campanha. Liderada pela diretora da empresa Abraço Social, Tânia Faga, a campanha da cidade também foi iniciada no dia 1º de novembro e encerrada no dia 27 do mesmo mês. A iniciativa foi apoiada pela prefeitura do município e teve a participação de mais de 20 organizações e projetos sociais da cidade. No dia 27, ocorreu a Feira da Generosidade, que reuniu as organizações apoiadoras em um dia com muita música, artesanato, espaço gastronômico e área kids.

Em Salvador (BA), foram realizadas ações em diferentes datas em prol de mais de 50 instituições. No dia 10 de novembro, foi lançada uma vaquinha online durante um evento para aproximadamente 60 pessoas na sede do SEBRAE. O lançamento apresentou a campanha comunitária para o setor empresarial e estimulou doações desse público. No dia 20 de novembro, o foco foi a doação de sangue com o intuito de ampliar o banco da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba).

No dia 26 de novembro, uma ação corpo a corpo no Porto da Barra, um dos principais pontos turísticos da cidade, fomentou a cultura de doação e distribuiu folders e outros materiais explicativos sobre a campanha. O dia 29 de novembro foi marcado por diversas ações nas ruas e maior incidência nas redes sociais com o intuito de atrair ainda mais doadores.

O #DoaPiracicaba (SP) também iniciou em 29 de novembro e encerrou no dia 10 de dezembro. Dezoito entidades do município foram beneficiadas por meio de doações a partir de 2 reais. No primeiro dia da campanha, foi feito um evento na praça José Bonifácio, no centro da cidade, com carro de som, animação e música.

“O Dia de Doar foi muito além das minhas expectativas. Consegui reunir praticamente todas as instituições de Piracicaba e elas ficaram tão felizes e gratas, se sentiram tão acolhidas e fortalecidas, algo que nunca aconteceu. No próximo ano, as entidades querem montar uma associação para representá-las e ter uma conta única, um site e uma rede social somente para o Dia de Doar, além de outros projetos e eventos de doações”, relata Ana Lúcia Amstalden, líder municipal do Dia de Doar no município.

Já a cidade de Tubarão (RS) realizou o maior evento solidário de sua história no dia 4 de dezembro: o espetáculo musical “À espera de Noel”, que contou com atrações musicais, stand up e a peça teatral Um natal nada convencional com a família Adams. A arrecadação da venda de ingressos beneficiou 18 entidades regionais como APAE, Cáritas Diocesana, Lar da Menina, Sociedade Musical Lira e Vida e Arte.

Outros exemplos de campanhas comunitárias foram: #DoaAraçatuba (SP), #DoaBlumenau (SC), #DoaFerraz (SP), #DoaAssu (RN), #DoaFloripa (SC), #DoaGloriadoGoitá (PE), #DoaEsteio (RS), #DoaItu (SP), #DoaMauá, #DoaTubarão (SC), #DoaTeresina (PI), #DoaValinhos (SP), #DoaParaibuna (SP) ,#DoaMaringá (PR) e #DoeCampinas (SP).

Empresas também realizaram ações de generosidade

O Dia de Doar também gerou ações de solidariedade nas empresas. Pelo segundo ano consecutivo, o iFood participou da mobilização, estimulando doações pelo aplicativo na finalização do pedido. Nesta edição, a marca doou o mesmo valor de todas doações realizadas pelos usuários para ONGs da educação, chegando a R$ 88 mil reais somente no dia 29 de novembro. O mês de Doar também marcou o lançamento de uma nova opção de arredondar o valor total do pagamento, possibilitando doar entre R$ 0,50 e R$ 0,99. Formato implementado em parceria com a ONG Movimento Arredondar após a realização de uma consultoria para ampliar o programa de doações.

O Movimento Arredondar convocou as empresas parceiras para fazer um post solidário, convidando as pessoas a realizarem uma doação participando das parcerias recorrentes com marcas como Burger King®, Petz, GPA (Pão de Açúcar, Minuto, Mercado Extra, Mini Extra, Compre Bem), Quitanda, Extraplus Supermercados, St Marche, Empório Santa Maria, Serrano, Super Lagoa, Lag Atacadão, Popeyes, NK Store, Corello, Shoulder, Track&Field, Raus Café, Nunu Moves, Belshop, Amoreira, Ecoville, Tricard e Fasano.

Durante toda a semana do Dia de Doar, a rede Extraplus Supermercados dobrou o valor doado pelos clientes que optaram por arredondar a compra entre os dias 29 de novembro e 06 de dezembro. A parceria recorrente com o Movimento Arredondar viabilizou recursos para as ONGs Instituto Terra e Instituto Ponte, que atuam respectivamente nas causas do meio ambiente e educação. O Burger King® usou as redes sociais para estimular seus seguidores a arredondar seu troco nas compras dos produtos no caixa ou no totem da rede. Com a ajuda da influenciadora Ju Cris, a marca convidou os clientes a doar centavos para 13 ONGs da área de educação. A parceria, que teve início em 2018, já arrecadou mais de 4 milhões de reais.

O Smiles, programa de fidelidade gratuito da GOL, se comprometeu a doar 100 milhas a cada compartilhamento dos posts sobre o Dia de Doar nos perfis dos parceiros no Instagram. Houve cinco mil compartilhamentos e o Smiles dobrou o valor arrecadado. A quantia foi destinada para as ONGs que fazem parte do Milhas do Bem, projeto social do Smiles, totalizando 1 milhão de milhas dodadas

Outras empresas que também aderiram ao Dia de Doar foram: Shopee, Sabesp, Social Docs, Café Bauducco, Bolo da Madre, Instituto CCR e Unicesumar.

Organizações não governamentais

As organizações não governamentais também marcaram presença no Dia de Doar.  Em Barretos, no interior de São Paulo, o dia 29 de novembro foi a data em que o Hospital de Amor Barretos recebeu os ‘Palhaços da Alegria’ do Instituto Sociocultural do HA. Foi realizada uma grande festa pelos corredores da instituição, com bexigas e músicas que incentivaram as pessoas a doarem alimentos, sangue ou recursos financeiros para o hospital.

A Plan International Brasil aproveitou para comemorar seu aniversário de 25 anos e organizou um jantar beneficente em São Paulo (SP) no dia 29 de novembro. A quantia arrecadada foi revertida para os projetos da ONG no Piauí, Maranhão, Bahia e em São Paulo.

A rede da LBV também realizou ações em diversos estados: São Paulo, Rondônia, Pará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Distrito Federal. A organização promoveu campanhas com empresas, mobilizações com colaboradores, drive thrus solidários, entre outras atividades.

Como surgiu o Dia de Doar

O Dia de Doar faz parte de um movimento mundial chamado #GivingTuesday (terça-feira de doação). A iniciativa aconteceu pela primeira vez nos Estados Unidos, em 2012, e é realizada sempre na terça-feira após o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving), uma resposta solidária à Black Friday e à Cyber Monday.

No Brasil, a primeira edição foi em 2013 e, no ano seguinte, o país entrou oficialmente no movimento global. Liderado pela ABCR, o Dia de Doar faz parte da rede do Movimento por uma Cultura de Doação. Neste ano, contou com apoio do Movimento Bem Maior, Fundação José Luiz Egydio Setúbal e o Morro do Conselho. Além de parceria de comunicação do Instituto Mol.

O Dia de Doar é uma iniciativa que visa estimular a doação de pessoas físicas, empresas e organizações e tem um papel fundamental ao mostrar que todos podem participar, fortalecendo o hábito de doar como parte do cotidiano das pessoas. Já as organizações sem fins lucrativos podem realizar ações para receber doações, virtuais ou presenciais. Mais informações, acesse www.diadedoar.org.br ou pelas redes sociais @diadedoar.

 

 

 

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Escritor Joaquim Arena preenche vazios de Europa negra invisibilizada

Autor participa do Clube do Livro do CCBB-RJ

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Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

Revelar uma Europa negra, apagada das narrativas oficiais, é o que propõe o autor luso-cabo-verdiano Joaquim Arena, que revisita a presença de africanos e seus descendentes no continente europeu por meio do livro Debaixo da nossa pele (2017).

A partir de viagens por Portugal, arquivos e relatos, o escritor reconstrói trajetórias de personagens negros pouco conhecidos. A jornada também se cruza com a história da migração cabo-verdiana para Lisboa e com a trajetória do próprio escritor.

Arena nasceu na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, em 1964. É filho de pai português e de mãe cabo-verdiana e viveu grande parte da sua vida em Lisboa. Em Portugal, ele se formou em direito e iniciou a carreira em jornalismo.

O escritor está no Rio de Janeiro para participar do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), no centro da capital fluminense, às 17h30 desta quarta-feira (14).

Autor de seis romances, traduzidos em várias línguas, Arena escreveu Siríaco e Mister Charles, vencedor do Prémio Oceanos de Literatura, na categoria Prosa, em 2023. Atualmente, reside em Cabo Verde, na cidade de Praia.

Cabo Verde e Brasil

Com o tema “Romance histórico: onde a realidade encontra a ficção”, o encontro gratuito propõe uma conversa sobre memória, pertencimento, identidade e as marcas do passado colonial que permanecem no presente.

A partir da obra de Arena, o evento busca aproximar experiências históricas e culturais de Cabo Verde e do Brasil, dois países atravessados por deslocamentos populacionais, encontros entre diferentes culturas e pelas relações entre África e Europa.

O autor conta que Debaixo da nossa pele fala da miscigenação e da circulação dos povos da África para a Europa. O público poderá perceber semelhanças com a formação do Brasil.

“Debaixo da nossa pele fala dessa condição humana de deslocamento das pessoas de um país a outro, levadas por questões econômicas, sociais e políticas. O livro faz essa síntese, pois a circulação continua ainda hoje, é positiva, abre oportunidades de novas janelas de vida para muitas pessoas”, diz Arena.

 

Rio de Janeiro (RJ), 14/10/2026 – O escritor luso-cabo-verdiano, Joaquim Arena, que participará do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ),  fala à Agência Brasil, no centro da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O escritor luso-cabo-verdiano, Joaquim Arena, que participará do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB-RJ). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Preenchendo vazios

Para o escritor, a história tem um poder atrativo mais forte do que o presente.

“Sou levado a encontrar, no meio dos fatos históricos, os vazios. São esses vazios que eu pretendo preencher através da minha ficção. Aproveito episódios verídicos que são muito inspiradores para que nós imaginemos uma personagem. Fico com vontade de saber mais, senão eu invento a personagem”, afirma o autor.

Arena conheceu a literatura brasileira aos 12 anos, com a obra de Jorge Amado. Ele se identificou com o livro Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, que também fez parte da sua formação. Para ele, foi uma porta de entrada de uma literatura que não era portuguesa, europeia nem africana.

“Nós, das antigas colônias portuguesas, recebemos a literatura brasileira como uma janela para um mundo muito semelhante ao nosso”.

“Jorge Amado, com sua Bahia, está na formação de muitos autores lusófonos na África. Depois, vamos crescendo e encontrando Guimarães Rosa, José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos. O romance da década de 30 fala dos retirantes, da seca. É uma realidade muito próxima da nossa”, diz Arena.

O autor acredita que um clube de leitura é um reduto onde se mantém ainda uma magia e em que se ouve falar de invenções.

“Há um pacto do autor com o público. O escritor sabe que o que ele inventou não existiu. O leitor sabe que o romance saiu da imaginação. Isso cada vez mais num mundo acelerado, com redes sociais, com streamings”.

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Técnicos apresentam o andamento das metas fiscais do governo

Apresentação feita à CEOF mostra que, até agosto, receita corrente líquida do DF foi de R$ 28 bilhões, o que significa cerca de 72% da meta

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Foto: Felipe Ando/Agência CLDF

Com relação à despesa total empenhada, GDF gastou R$ 31 bilhões até agosto, dos R$ 47,6 bilhões previstos para o ano

A Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa realizou audiência pública na manhã desta quinta-feira (15) para avaliar as metas fiscais do Governo do Distrito Federal nos primeiros 8 meses de 2026. Na ocasião, técnicos do governo apresentaram à comissão números referentes a receitas e despesas do GDF nos dois primeiros quadrimestres do ano em comparação às metas previstas nas leis orçamentárias. 

Confira a cobertura fotográfica no Flickr da CLDF

Com relação às receitas correntes, a previsão inicial para 2026 era de R$ 39 bilhões e o valor alcançado até agosto é de R$ 28 bilhões, o que significa um alcance de 71,85% da meta. As receitas de capital até agosto somam R$ 1,1 bilhão, enquanto a previsão inicial para 2026 era de R$ 726 milhões, o que representa 163,16% de alcance da meta. O total de receitas tributárias até agosto soma R$ 20,1 bilhões, enquanto a previsão para o ano era de R$ 25,4 bilhões, representando 79,29% da meta estabelecida. O ICMS, sozinho, representa 46,2% de toda a arrecadação com impostos e taxas. Com relação à despesa total empenhada, a dotação autorizada para 2026 era de R$ 47,6 bilhões, sendo que o governo gastou R$ 31 bilhões até agosto, o que representa 65,3% da dotação.

Para o deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), presidente da CEOF, os números são positivos para o governo. “De maio a agosto, tivemos um incremento na casa de R$ 1 bilhão fruto da alienação de bens. Assim chegamos a 72% do total previsto a realizar de receita. Já temos um indicativo de que teremos excesso de arrecadação ao longo do último quadrimestre. Estamos chegando a quase 50% do saldo total previsto para investimentos no ano, que é de R$ 3,5 bilhões. Isso mostra que os investimentos não pararam mesmo diante de situações orçamentárias excepcionais”, avaliou.

Representando o governo, o assessor especial de política fiscal da Secretaria de Economia do DF, Luiz Barreto, ressaltou que o ano de 2026 foi impactado pelo déficit orçamentário do ano anterior. “O DF, nos últimos dois anos, apresentou déficit. E esse déficit teve impacto em 2026. Nós entramos em 2026 com quase R$ 3 bilhões de déficit. Por isso, a execução orçamentária de 2026 precisa priorizar o que é relevante, como saúde e educação. Até o presente momento temos um resultado primário de superávit de R$ 1,8 bilhão na Lei de Diretrizes Orçamentárias e déficit de R$ 1,5 bilhão na Lei Orçamentária Anual”, explicou.

O assessor também comentou os números relacionados a gastos com pessoal e repasses obrigatórios para a educação. “Até agosto tivemos um índice de 40,54% do orçamento destinado para gasto com pessoal, o que está dentro do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Sobre os mínimos empenhados em educação, a lei determina que ao final do exercício temos que atingir 25% e hoje estamos em 23%”, relatou Barreto. A íntegra da audiência pública está disponível no canal da TV Câmara Distrital no YouTube.

 

 

Eder Wen – Agência CLDF

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Debatedores alertam para diferentes formas de violência contra meninas

A audiência foi presidida pela senadora Leany Lemos (C)
Geraldo Magela/Agência Senado

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Crianças e adolescentes representam um terço dos usuários de internet no mundo. No Brasil, um em cada cinco adolescentes foi vítima de alguma forma de abuso ou exploração sexual facilitada pela tecnologia em 2025. A maioria das vítimas é formada por meninas, e a violência ocorre principalmente em aplicativos conhecidos, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A informação foi apresentada nesta quinta-feira (15) em audiência da Comissão de Direitos Humanos (CDH), que debateu os desafios das políticas públicas para garantir a proteção integral das meninas no país. Os participantes também alertaram para outras formas de violência contra meninas e defenderam medidas de prevenção e proteção.

O debate foi requerido pela presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em alusão ao Dia Internacional da Menina, celebrado no domingo (11), por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU). A reunião foi presidida pela senadora Leany Lemos (PSB-DF), suplente da senadora licenciada Leila Barros (PDT-DF). Para Leany, é preciso prevenir violências e permitir que cada menina desenvolva plenamente as suas capacidades.

— Quantas meninas ouvem que a liderança não é para elas? Quantas assumem responsabilidades domésticas e do cuidado antes de terem condições de construir seus próprios projetos de vida, e nisso elas nem sonham ser outras coisas, porque elas não têm essas oportunidades? Quantas meninas, na maioria negras ou pobres das periferias e das regiões distantes do Brasil, enfrentam obstáculos ainda maiores para exercer esses direitos, que são direitos universais? Então, essas perguntas têm que orientar as nossas políticas públicas — afirmou.

Ambiente digital

A coordenadora-geral de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernanda Souza Carlos, afirmou que a exploração sexual de crianças e adolescentes exige novas estratégias de enfrentamento, diante da migração de parte dos crimes para o ambiente digital. Ela defendeu a articulação entre órgãos públicos e sociedade civil para ampliar a proteção às meninas.

— O crime que a gente via antigamente com as meninas, as crianças à beira da rodovia, hoje, a gente não vê mais. Esse crime está no digital. Então, cada vez mais fica mais complexo o combate aos crimes voltados à exploração sexual de crianças e adolescentes, porque, de certa forma, ele está invisível. Então, precisa-se de um trabalho muito maior, porque tem muita coisa que a gente não está vendo fisicamente aqui, mas está acontecendo pelo aparelho de celular, que todo mundo tem hoje em mãos — afirmou.

A diretora de Projetos Especiais da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, alertou para o uso da inteligência artificial generativa na produção de material de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Segundo ela, mulheres e meninas são as principais vítimas desse tipo de violência. A diretora afirmou que o caráter artificial do conteúdo leva parte da população a subestimar o crime, que provoca danos às vítimas.

O representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo de Lins e Horta, destacou mudanças na legislação brasileira, entre elas a entrada em vigor em 2025 do ECA Digital e da Lei 15.487, de 2026, que aumenta penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes na internet. Segundo ele, o país avançou no enfrentamento de crimes como a violência sexual on-line, o cyberbullying e a extorsão sexual, mas precisa garantir a implementação das normas e das políticas de proteção.

— A gente tem uma base legislativa sólida, o desafio é implementar toda ela — afirmou.

Outras violências

Coordenadora de Políticas Educacionais da ONG Associação Serenas, Graziela Larissa da Silva Santos chamou a atenção para comportamentos que podem ser tratados como brincadeiras, mas que violam os direitos das meninas. Segundo pesquisa da organização, sete em cada dez professores ouvidos presenciaram “cantadas” indesejadas dirigidas a meninas nas escolas, e 42% relataram ter visto alunos tocar ou acariciar o corpo de meninas sem consentimento. Ela defendeu a formação de professores e gestores para prevenir a violência, acolher as vítimas e encaminhá-las à rede de proteção.

A delegada-chefe adjunta da Polícia Civil do Distrito Federal, Cyntia Cristina de Carvalho e Silva, destacou que o atendimento não deve se limitar à investigação criminal. Para ela, é necessário articular os serviços de segurança pública, saúde e assistência social, considerando também situações de dependência financeira e os riscos enfrentados pelas vítimas após a denúncia.

— A proteção e a responsabilização precisam caminhar juntas — afirmou.

Os participantes ainda abordaram a gravidez na adolescência e seus impactos na trajetória escolar e profissional, além de questões relacionadas à saúde menstrual e à violência sexual dentro de casa.

Também participaram do debate a especialista em gênero e inclusão da Plan International Brasil, Ana Nery Lima; a coordenadora de Relações Governamentais do Instituto Alana, Tayanne Galeno; a gerente de Comunicação do Instituto Liberta, Renata Greco; e a gerente Meal e Estratégia da Organização Visão Mundial, Manuela Franchini Melani.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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