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Mais de 1,5 mil quilos de lixo são retirados do Paranoá na 12ª edição do Lago Limpo
Pneus, garrafas, latas, cadeirinha de plástico e até um triciclo foram recolhidos em ação de conscientização para a preservação de recursos hídricos do DF
A 12ª edição do programa Lago Limpo, realizada no Deck Sul, retirou mais de 1.560 quilos de lixo das margens e do fundo do Paranoá | Fotos: Marco Peixoto/ Caesb
Por Agência Brasília* | Edição: Carolina Caraballo
Terminou neste sábado (21) a 12ª edição da Semana do Lago Limpo. Realizada no Deck Sul, a ação recolheu mais de 1.560 quilos de lixo das margens e do fundo do Paranoá. Tinha pneu, garrafa, lata, cadeirinha de plástico e até um triciclo. Os resíduos foram acondicionados e encaminhados à triagem para que, em seguida, seja feita a destinação adequada, de acordo com a classe do resíduo. Em 2023, foram retiradas sete toneladas de resíduos no Pontão do Lago Sul.
O objetivo da ação foi alertar e conscientizar a população sobre o descarte correto de resíduos e a importância da preservação dos recursos hídricos. Mais de 100 voluntários – dentre mergulhadores, reeducandos e estudantes do Centro Universitário UDF – se uniram no mutirão de limpeza no Lago Paranoá, com apoio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema-DF), do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap-DF), da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), do Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), do Batalhão de Polícia Militar Ambiental do Distrito Federal (PMDF Ambiental), da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF), da Administração Regional do Plano Piloto (RA-PP), da Associação de Pesca Esportiva, Subaquática e Conscientização Ambiental do Distrito Federal (ASPSSHARK-DF) e da Associação Brasileira de Esportes e Pesca Subaquáticos (DFSUB).
“Este sábado ficou marcado pela união e compromisso da Caesb e de vários órgãos do GDF com a preservação dos recursos hídricos da capital, sob o comando do governador Ibaneis Rocha”, afirmou o presidente da Caesb, Luís Antônio Reis. “O Lago Paranoá tem uma história de superação. A Caesb teve um papel fundamental nesse processo. O sucesso do Programa de Despoluição do Lago Paranoá possibilitou transformar um corpo receptor de esgotos em um novo manancial de água para a população do Distrito Federal, além de ser utilizado para esportes náuticos, pesca recreativa e atividades de lazer.”
Ao longo da semana, a limpeza das margens e do espelho d’água do Lago Paranoá foi coordenada pela Adasa, com a participação de reeducandos da Funap. Deuselita Martins, diretora-executiva da Fundação, destacou a importância do trabalho realizado pelos internos na ação de limpeza. “O serviço iniciou bem antes dessa semana de limpeza, com os detentos confeccionando 20 sextos flutuantes utilizados na coleta de resíduos no espelho d’água. O contato direto com o problema do lixo – e como ele afeta o espaço que deveria ser de lazer – é uma experiência muito válida para eles,” afirmou.
Hoje, a programação incluiu atividades educativas e ambientais, com dinâmicas relacionadas à limpeza do lago e ao descarte correto de resíduos. A unidade móvel de água da Caesb também marcou presença no evento, para hidratar o público que trabalhou como voluntário e os moradores que foram prestigiar a ação.

Além da limpeza, a programação incluiu atividades educativas e ambientais, com dinâmicas relacionadas à limpeza do lago e ao descarte correto de resíduos
Ação voluntária
Diretor-presidente da Adasa, Raimundo Ribeiro destacou o espírito de colaboração da Semana do Lago Limpo. “Esses voluntários não recebem nada por isso; ao contrário, investem seu tempo e recurso. Isso demonstra que quando a sociedade está motivada, pode trabalhar em parceria com o governo”, ressaltou. “Estamos aqui limpando, mas o essencial é que a população não jogue lixo no lugar errado.”
O mergulhador e economista Esteves Colnago, 50 anos, foi um dos voluntários do evento neste sábado. Com 30 anos de experiência em mergulho, essa é a primeira vez que ele participa de uma ação no Paranoá. “O mergulho permite ter um outro olhar para a natureza. Já participei de uma ação em Brazlândia, no Lago Veredinha. Naquela ocasião, foram retirados muitos pneus, garrafas, pedaços de madeira e, por incrível que pareça, postes de quadra de vôlei”, relatou.

“A lição que fica para a gente é a importância de se preservar a natureza e o meio ambiente”, disse Maria de Fátima Portela
Para o economista, participar da ação é valorizar o cartão postal de Brasília, que é o Paranoá: “É um trabalho fantástico que faz com que as pessoas sejam conscientizadas a não jogar lixo no lago.” Ele também elogiou o trabalho que os órgãos do Governo do Distrito Federal (GDF) fazem com os mananciais da capital. “O lago acaba sendo transformado em uma opção de lazer e atividades esportivas. A ação ajuda a conscientizar as pessoas a não jogar lixo no lago; lá não é depósito, não pode ter garrafas ou pneus, porque isso faz mal não só para as pessoas, como também para a natureza”, observou.
A aposentada Maria de Fátima Portela, 62 anos, moradora de Santa Maria, destacou que o evento é muito importante. “A lição que fica para a gente é a importância de se preservar a natureza e o meio ambiente. Eu mesma saio de casa sempre com uma sacola de lixo e recolho as coisas na rua. Sempre faço a minha parte”, contou. “Quero parabenizar o GDF e o governador Ibaneis Rocha pelo excelente trabalho que tem sido feito na preservação dos recursos hídricos”.
*Com informações da Caesb e da Adasa
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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ
O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.
No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.
Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…) formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.
Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.
Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.
DESCRIÇÃO COMPLETA
Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:
“Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.
MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO
“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.
Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo, a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO
Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.
Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.
Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.
SAIBA MAIS
Veja duas outras matérias:
1) O batismo e a
cronologia da criação e urbanização.
2) Como o modelo de gestão participativa levou
o município de Maringá a bater recordes
de competitividade e de sustentabilidade.

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