Artigos

CAVALOS-MARINHOS

REVISITANDO O PROJETO HIPPOCAMPUS

A beleza e o fascínio dos cavalos-marinhos, uma espécie em extinção.

 

Marcelo Vidal: “As interações turísticas com a fauna silvestre, quando ordenadas, regulamentadas e monitoradas, têm o potencial de auxiliar na conservação das espécies, satisfazer as expectativas do visitante e promover a geração de renda nas comunidades receptoras”.

Eles são peixes que nadam em vertical. A cabeça pode ser semelhante a um cavalo, mas cada cavalo-marinho, mesmo de uma mesma espécie, tem aparência própria.  Dizem os estudos que são mais de 45 espécies habitando as águas costeiras do Planeta. O cavalo-marinho tem cores diferentes e elas variam de acordo com a sua bagagem genética e a influência do ambiente para a camuflagem.  Eles não têm escamas, mas placas ósseas cobertas de tecidos cutâneos. São lindos, místicos e lendários. Vamos conhecer mais sobre os cavalos-marinhos e revisitar o Projeto Hippocampus, hoje Instituto Hippocampus, que tem a sede, desde 2020, no Porto de Suape a 40 km de Recife-PE.

 

ROSANA BEATRIZ SILVEIRA – ENTREVISTA

A bióloga Rosana Beatriz Silveira, Coordenadora do Projeto Hippocampus, fala sobre as espécies de cavalos-marinhos, explica as pesquisas e o monitoramento em estuários, onde se verifica a ocorrência de espécies e o estado de conservação na Costa Brasileira.

FOLHA DO MEIO – O que são cavalos-marinhos e onde ocorrem. Quantas espécies existem no Brasil?

Rosana Silveira – Os cavalos-marinhos são peixes de osso (literalmente: possuem uma armadura de placas ósseas que revestem todo o seu corpo). Estão globalmente ameaçados de extinção. No Brasil existem 3 espécies: Hippocampus reidi, o cavalo-marinho do focinho longo. Hippocampus patagonicus, o do focinho curto. Hippocampus erectus, o cavalo-marinho raiado, que tem um tamanho de focinho intermediário entre as outras duas espécies. Todas as três espécies ocorrem no mar, porém H. reidi habita também, estuários e manguezais. Temos H. reidi e H. erectus com registros em toda costa do Brasil, sendo que H. patagonicus é restrito às regiões sudeste e sul do Brasil.

FMA – O que é “passeio do cavalo-marinho”?

Rosana – O “passeio do cavalo-marinho” é uma atividade turística que envolve interação com os cavalos-marinhos (Hippocampus reidi) durante um passeio realizado de jangada ou canoa pelos manguezais, onde o animal é capturado e colocado em vidros para observação e registro de imagens. Após a observação, o animal é solto no mesmo local onde foi capturado. Existem três locais principais onde tradicionalmente isto acontece: manguezal de Maracaípe, PE. No manguezal de Barra Grande, PI e em Mangue Seco, e na praia de Jericoacoara, Ceará. Os dois últimos, dentro de áreas protegidas federais, que são a APA Delta do Parnaíba e Parque Nacional de Jericoacoara, respectivamente. Em Maracaípe, as atividades ocorrem dentro de uma unidade de conservação estadual, a APA dos Rios Sirinhaém e Maracaípe.

 

 

FMA – A captura dos cavalos-marinhos durante os passeios turísticos afeta a espécie?

Rosana – Infelizmente sim. Nós trabalhamos monitorando as populações envolvidas nas interações turísticas por longos anos. Desde 2001 a 2021 em Maracaípe, Pernanbuco. De 2011 a 2015 em Jericoacoara, no Ceará. E de 2014 a 2015 no Delta do Parnaíba. Embora, e com certeza, esta não seja a única pressão sofrida pelos cavalos-marinhos, sem dúvida ela impactou na dinâmica populacional da espécie. Nossos resultados mostraram que no Parque Nacional de Jericoacoara houve significativa redução da população de cavalos-marinhos expostas às atividades turísticas. Este foi o primeiro estudo a identificar essas fragilidades e, serviu de apoio à decisão da gestão do Parque Nacional de Jericoacoara de proibir, desde 2023, a captura dos animais durante o passeio turístico. Na APA Delta do Parnaíba, além da diminuição populacional, houve grande desestruturação da população, aliás o que não ocorreu em Jericoacoara. A gestão da APA está consciente da questão e decidiu por um período de transição para que os canoeiros possam se adaptar à nova situação de não captura. Detalhes deste trabalho podem ser lidos em Silveira et al. (2022b). Em Maracaípe, a situação é a mais delicada de todas. A população desses animais estaria criticamente ameaçada, pois há muitos anos são emitidos relatórios e notas técnicas ao Município que, aliás ajudou a financiar a pesquisa de monitoramento. Mas não houve nenhuma ação para a conservação da espécie. No momento, estamos publicando os 20 anos de monitoramento dessa população.

FMA – Quando sai a publicação e qual a principal mensagem que ela traz?

Rosana – Nossa perspectiva é para este semestre. A publicação mostra a importância dos monitoramentos de longo tempo e a necessidade de ordenamento e fiscalização das atividades que envolvem interação coma fauna silvestre. E que a conservação dos cavalos-marinhos não implica em negligenciar as atividades de subsistência dos jangadeiros, existe um equilíbrio, como mostrado em Jericoacara.

“Passeio do cavalo-marinho” no Parque nacional de Jericoacoara. Foto: Marcelo Vidal

FMA – Pelo jeito, então, os trabalhos nos “passeios de cavalo-marinho” vão acabar…

Rosana – Não, não! Longe disso. Os passeios são totalmente sustentáveis, preparados com muito cuidado e tem um valor educacional imenso. Pelos passeios nossa equipe ajuda a conscientizar crianças e adultos. São muito importantes. Atualmente seguimos colaborando no projeto “Pesquisa e manejo do turismo interativo com cavalos-marinhos no litoral nordeste brasileiro” coordenado pelo analista ambiental Marcelo Vidal do CNPT/ICMBio e inserida no Plano Estratégico de Pesquisa e Gestão da Informação sobre Biodiversidade (PEP-ICMBio/2023) ou em Plano Específico de Pesquisa de Unidade de Conservação. Marcelo Derzi Vidal, doutor em Biodiversidade e Conservação, ministra palestra sobre “Turismo com fauna em Unidades de Conservação para estudantes de programa de Pós-graduação em Ecoturismo e Conservação em universidades, escolas públicas e eventos turísticos. Ele sempre diz que as interações turísticas com a fauna silvestre, quando ordenadas, regulamentadas e monitoradas, têm o potencial de auxiliar na conservação das espécies, satisfazer as expectativas do visitante e promover a geração de renda nas comunidades receptoras.

FMA – Tem um artigo científico sobre a pesca incidental de arrasto que ocorre sobre os cavalos-marinhos no estado do Rio de Janeiro. Mostra a gravidade da pesca. O que você pode falar sobre isso?

Rosana – Olha, é um estudo muito importante. A pesquisa de campo foi realizada entre 2016 e 2018 em toda a costa do Rio de Janeiro. Este estudo teve a colaboração efetiva de 10 pescadores em cinco portos, o de Angra dos Reis, Niterói, São Gonçalo, Cabo Frio e Macaé. O estudo mostra que foram coletados dados e materiais importantíssimos. Os pescadores, além de coletar os cavalos-marinhos presos nas redes, preenchiam o mapa de bordo, feito especialmente para os cavalos-marinhos, onde era possível obter informações de extensão e profundidade de ocorrência dos animais e quais espécies estavam envolvidas nesta retirada incidental. Muitos cavalos-marinhos já chegavam mortos pela pressão sofrida nas redes, seus órgãos eram evertidos para fora do corpo, outros morriam asfixiados. O estudo é base para muitos de nossos trabalhos. Um verdadeiro alerta!

 

 

Esquerda: Hippocampus patagonicus com seus órgãos evertidos pela pressão sofrida nas redes de arrasto (seta vermelha). Direita: Macho grávido morto com a bolsa incubadora aberta mostrando os embriões também mortos. Somente na amostra deste estudo, estimou-se mais de 81 mil embriões perdidos.

FMA – E que espécies seriam estas, elas são muito capturadas pelas redes de arrasto?

Rosana – Sim, basicamente estamos falando de uma espécie capturada, Hippocampus patagonicus. Foram 2.041 indivíduos coletados nas redes de arrasto e apenas 6 indivíduos de H. reidi durante todo o período de estudo. Nenhum H. erectus, a terceira espécie brasileira, foi capturado. Com base nesta amostra e considerando o tamanho da frota pesqueira de arrasto que atua nas regiões sudeste e sul do Brasil, estimamos que mais de 2 milhões de H. patagonicus são retirados anualmente por essa prática. Sem contar que muitos são machos grávidos podendo-se considerar a perda de milhares e milhares de embriões que não vão nascer para compor o estoque natural. Esta espécie, que tem preferência por profundidades entre 40 e 60 m, e cuja única área brasileira de ocorrência é justamente as regiões piscosas do sudeste e sul. A região necessita de mais proteção e as áreas protegidas marinhas ainda são raras no sul do Brasil. Há necessidade de atender melhor essas espécies, pois as UCs que existem no RS não abrangem a área de ocorrência de H. patagonicus. Detalhes deste trabalho podem lidos em Silveira et al. (2023).

FMA – Você sempre cita ‘Silveira et al’. Quem é este tal de Silveira?

Rosana – Desculpe, é a forma resumida que se convencionou citar em textos científicos sobre os trabalhos já realizados: é o sobrenome do primeiro autor seguido de “et al.” (abreviação em latim que significa “e outros”) que são os coautores ou colaboradores. No caso, este tal Silveira é meu sobrenome e o “et al.” são os vários companheiros de pesquisa com quem trabalhei nas respectivas publicações, cujos nomes completos e afiliações podem ser conferidos nas mesmas.

FMA – Conte-nos sobre o trabalho atualmente realizado pelo Instituto Hippocampus em Pernambuco.

Rosana – Nosso trabalho está realizando o monitoramento em estuários e verificando a ocorrência de espécies e o estado de conservação delas nestes locais. Nosso resultado mais recente publicado (Silveira et al. 2024), aborda cavalos-marinhos em área impactadas por catástrofes ambientais, como o derrame de petróleo ocorrido em 2019 na costa brasileira. Avaliamos duas populações de locais próximos: a ilha de Cocaia e o estuário do rio Massangana, ambas dentro da área portuária de Suape, onde atualmente mantemos nossa sede. O derrame de petróleo de 2019 que tem origem desconhecida, afetou fortemente a costa brasileira, do nordeste ao sudeste, porém somente o estado de Pernambuco recebeu 30% de todo petróleo vazado, sendo Ipojuca e o Cabo de Santo Agostinho, dos municípios mais afetados e onde se desenvolveu este trabalho. Na ilha de Cocaia, exposta diretamente ao mar e altamente impactada pelo petróleo, os cavalos-marinhos coletados deram origem às proles malformadas, enquanto em Massangana, ponto mais interno do Porto e aparentemente saudável, não se observou as malformações. Este foi o primeiro registro de malformações em cavalos-marinhos oriundas de contaminantes ambientais em todo o mundo. Foi muito importante observar que os cavalos-marinhos adultos que foram coletados nestes manguezais eram perfeitos, de aparência saldável e muito bonitos. Jamais saberíamos que a população estava impactada se não tivéssemos levados os machos grávidos ao laboratório para estimar a fertilidade natural. Enquanto continuamos o trabalho, estamos sugerindo estes resultados como uma nova metodologia acurada de monitoramento ambiental.

As figuras A e B são recém-nascido e embrião com morfologia normal. As demais são todos malformados. Entre as principais malformações podemos identificar a escoliose severa, onde o peixe tem sua cauda voltada para trás e para cima, o que impede sua natação, promovendo sua morte, mesmo na ausência de outras malformações. Muito comum também, o focinho e crânio alterados, o formato dos olhos alterado e, frequentemente a falta deles, entre muitas outras anomalias.

 

 

 

Locais de coleta de H. reidi: Ilha de Cocaia (área afetada) e estuário do Rio Massangana (área aparentemente saudável). Informações sobre a extensão do litoral impactado e quantidade (t) de óleo derramado adaptadas de Magalhães et al. (2021). A e B, detalhes do derrame na Ilha de CocaiaM (Fotos governo de Pernambuco).

 

 

FMA – Em 2004, eu estive em Ipojuca, mais precisamente e Porto de Galinhas, e fiz uma matéria sobre o Projeto Hippocampus.  Lá se vão 20 anos.  O que mudou?

Rosana – Muita coisa aconteceu neste período. De lá para cá tivemos muitas parcerias fundamentais para o crescimento do Projeto Hippocampus, como a Refinaria Abreu & Lima (PE) de 2008 a 2013 (foram três convênios); a Petrobras Socioambiental de 2014 a 2016 (um patrocínio); Funbio de 2016 a 2018 (um convênio); Município do Ipojuca (três convênios em várias ocasiões). Desde 2020, quando tivemos que fechar a sede de visitação e entregar a casa por conta da covid-19, estamos com sede temporária no Porto de Suape que numa ação voluntária, conhecendo nossa trajetória, acolheu nossos laboratórios na área do complexo portuário e tem prestado apoio aos nossos trabalhos desde então. Atualmente contamos com novos parceiros, como a TECON, a DISLUB e o escritório de Morais Amaral Arquitetura.

 

SAIBA MAIS

BOX 1

O QUE É O PROJETO HIPPOCAMPUS?

O Projeto Hippocampus, desenvolvido pelo Instituto Hippocampus, existe desde 1994, oriundo do Rio Grande do Sul. O Projeto pesquisa a biologia dos cavalos-marinhos brasileiros em laboratório e em ambientes naturais em apoio aos programas de manejo e conservação para as espécies. Em março de 2001, esse Projeto foi transferido para o município de Ipojuca, em Pernambuco, onde teve sede em Porto de Galinhas até 2020. Desde julho de 2020, o Instituto Hippocampus está sediado no Porto de Suape, próximo a Recife, e é mantido por meio de doações e parcerias. O Porto de Suape cedeu um espaço no Centro de Treinamento (Cetreino) para que o Instituto mantenha suas atividades de pesquisa de campo e laboratório. O Instituto Hippocampus conta a parceria de pesquisadores em várias universidades e áreas do conhecimento.

 

CURIOSIDADES SOBRE CAVALO-MARINHO

O nome do gênero dos cavalos-marinhos Hippocampus significa, em grego, “monstro marinho semelhante a um cavalo” ou, segundo outra tradução, “lagarta semelhante a um cavalo”.

O hipocampo no cérebro humano leva o nome do cavalo-marinho (gênero Hippocampus) devido a seu formato semelhante ao peixe.

A bolsa incubadora de um cavalo-marinho macho pode conter simultaneamente mais de mil embriões.

Durante o desenvolvimento dos filhotes na bolsa do cavalo-marinho macho, ele os nutre através de uma falsa placenta, um epitélio altamente vascularizado que passa aos embriões cálcio para formação do esqueleto, vitaminas e fatores de crescimento, assim como regula a concentração salina dentro da bolsa evitando choque osmótico aos embriões enquanto o macho move-se entre salinidades distintas. Também protege a prole de choques mecânicos.

MANUAL de PROTEÇÃO        

Três lembretes importantes para quem quiser ajudar na preservação dos cavalos-marinhos:

1 – Não comercialize, não compre e não use cavalos-marinhos como remédio e como decoração, pelo menos até que este animal sai da lista de espécies em extinção.

2 – Cuide das águas estuarinas, dos manques e da água do mar. Eles precisam de muita qualidade de água para sobreviverem, assim como nós.

3 – Não retire estes animais de seus habitats e denuncie o uso ilegal ao IBAMA, ICMBio e MPF.  

DESMISTIFICANDO

Não existe nenhuma comprovação científica, mas a cultura popular diz que os cavalos-marinhos são afrodisíacos, bons para saúde humana, para curar unha encravada, câncer e muitas outras doenças. E é aí que está o perigo, porque atraídos por estas fantasias farmacêuticas e pela fama de curadores, os cavalos-marinhos são caçados aos montes e vendidos como peças secas nos mercados pesqueiros por míseros R$ 10,00. Chegam a estar ameaçados de extinção. Evidente que além do comércio para remédios e simpatias, têm um outro comércio forte: peixes ornamentais para aquários. No exterior existem empresas fazendo o cultivo de cavalos-marinhos para venda como peixes ornamentais.

MAIS INFORMAÇÕES: o Projeto tem apoio socioambiental do Complexo Industrial Portuário de Suape, Tecon, Dislub e Morais Amaral Arquitetura. Os artigos científicos referentes aos trabalhos citados nesta matéria podem ser baixados do site: www.projetohippocampus.org ou solicitados pelo e-mail: labaquac@yahoo.com  –  @projetohippocampus

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos

NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ

O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.

Publicado

em

Por

 

No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.

Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…)  formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”

O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.

Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.

Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

 

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.

 

 

DESCRIÇÃO COMPLETA

 

Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:

Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.” 

 

 

Continue Lendo

Artigos

A MAGIA EM FLORES

A Cidade Canção primaverou-se!

Publicado

em

Por

 

Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.

 

MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO

“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.

Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo,  a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

 

 

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO

Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.

Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.

Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.

 

SAIBA MAIS

Veja duas outras matérias:

1) O batismo e a

cronologia da criação e urbanização.

2) Como o modelo de gestão participativa levou

 o município de Maringá a bater recordes

de competitividade e de sustentabilidade.

Continue Lendo

Artigos

ERA UMA VEZ…

QUANDO NASCIA UM REI.

Publicado

em

Por

 

Mais uma data cheia de uma lenda brasileira.
Neste 2026, fazem 70 anos da posse de JK na Presidência da República, em 31 de janeiro… 50 anos de sua morte em 22 de agosto… e, 70 anos do primeiro jogo oficial do Rei Pelé, então um menino de apenas 15 anos, como profissional do Santos.
Pelé, que completaria 16 anos em 23 de outubro de 1956, entrou no segundo tempo (no lugar de Del Vecchio) do jogo Santos 7 x 1 Corinthians de Santo André, fez gol aos 36 min do segundo tempo e ganhou seu primeiro troféu: a Taça Independência.
Daí para frente, o Edson virou DICO… que virou PELÉ… que reinventou o futebol e que parou guerras.
Recebi de um leitor de meu livro “DE CASACA E CHUTEIRAS – PELÉ-BRASÍLIA-JK – A ERA DOS GRANDES DRIBLES NA POLÍTICA, CULTURA E HISTÓRIA” o seguinte comentário sobre a polêmica quem foi maior: Pelé ou Maradona?
– “Pelé tornou o futebol mudialmente conhecido. Maradona ficou conhecido por causa do futebol”.
FOTOS: A súmula original com o registro do primeiro gol de Pelé integra o acervo do Museu de Santo André desde 2019. Ela registra a partida realizada em 7 de setembro de 1956 entre o Santos Futebol Clube e o Corinthians de Santo André no Estádio Américo Guazzeli.
Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010