Janela da Corte
ANTÔNIO CARLOS DA FONTOURA
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Em
cinema ele já vez de tudo. Em tevê,
também. O professor Antônio Carlos
da Fontoura ficou uma semana em Brasília,
coordenando um curso de cinema promovido pela
Funarte e pelo Polo de Cinema e Vídeo
do DF, dentro do programa "Oficina de
Roteiro". Antônio Carlos da Fontoura,
que iniciou sua formação cinematográfica
sob orientação do documentarista
sueco Arne Sucksdorff, fez, em Brasília,
o que mais gosta: dedicou-se à formação
de profissionais de roteiro e direção,
coordenando cursos livres e laboratórios
de criação. As aulas terminaram
na sexta-feira. Fontoura, que já fez
filmes de curta-metragem (Heitor dos Prazeres,
Ver Ouvir e Ouro Preto & Scliar), filmes
de longa-metragem (Copacabana me Engana, A
Rainha Diaba e Espelho da Carne) e produções
para tevê (Ciranda-Cirandinha, Plantão
de Polícia, as minisséries Chapadão
do Bugre e Capitães de Areia) e durante
três anos integrou a equipe de Você
Decide, atualmente dirige a Escola de Televisão
da Faculdade Estácio de Sá,
no Rio, e prepara algumas produções
independentes para cinema e tevê. Ainda
este ano começa a filmar "Hospital
Brasil" uma comédia que tem no
elenco Jô Soares, Chico Anísio
e Ton Cavalcante. Com a estada do professor
Antônio Carlos da Fontoura na Capital,
Brasília já não é
mais a mesma, por isso não poderia
voltar para o Rio sem antes dar o seu recado
na Janela da Corte.
1 – O que mais lhe
incomodou em Brasília.
A dependência do automóvel.
2 – O que mais lhe agradou
em Brasília.
A magia do espaço, das formas, da luz
e do próprio cerrado.
3 – Para você
quem deveria ganhar o Oscar de todos os tempos:
diretor brasileiro : Glauber Rocha
diretor estrangeiro : Orson Welles
filme brasileiro : Dois: "Deus e o Diabo
na Terra do Sol", de Glauber e "Vidas
Secas".
filme estrangeiro : "A Marca da Maldade",
de Welles e a "A Doce Vida", de
Fellini.
4 – Quem fez sua cabeça?
Cineasta : Jean Luc Godard
Escritor : Patrícia Highsmith
Político : JK
5 – O seu filme "Copacabana
Me Engana" é considerado um dos
grandes momentos do Cinema Novo. Foi Odete
Lara, então sua mulher, quem inspirou
o filme?
Foi a vista de minha janela, na Rua Barata
Ribeiro, em Copacabana, que me inspirou. Mas
foi Odete quem o motivou.
6 – Você teve
algum filme que não conseguiu terminar?
Por que?
Teve sim, "A Cangaceira Eletrônica",
que algum dia ainda vou filmar aqui em Brasília.
7 – Dá para viver
de fazer filme no Brasil?
No meu caso, não vivo só de
fazer de filme.
8 – Quem ficou rico
com cinema no Brasil?
Luis Severiano Ribeiro.
9 – Onde está
o melhor: no Cinema ou na Televisão.
São coisas diferentes. Cinema é
o sonho, uma aventura mágica. Como
dizia meu amigo Armando Costa, a televisão
é um chiclete para os olhos.
10 – Dentro do panorama
do cinema mundial, o cinema brasileiro tem
alguma coisa a acrescentar em termos de linguagem,
lançamento de nomes ou qualquer outra
coisa?
A fome e a vontade de comer.
11 – Como você
vê o atual momento do Cinema Brasileiro?
É agora ou nunca. A hora é essa.
12 – E a tevê
brasileira?
Está na hora da tevê brasileira
se repensar. A novela é um exemplo.
13 – O que é
mais fácil: escrever roteiros, dirigir
filmes ou programas de tevê, ter apenas
idéia e trabalhar o produto final ou
apenas dar aula?
Tudo isso ou é fácil ou é
impossível.
14 – Existe censura
politicamente correta?
Tem censura? Sou contra.
15 – Qual o melhor ângulo
do Brasil?
O melhor eu não sei. Mas o pior é
o ângulo do personalismo, do oportunismo
e do desrespeito aos valores coletivos.
16 – Qual o pecado capital
de Brasília?
Poder tanto e tão pouco.