Janela da Corte
GUSTAVO PENA
Silvestre Gorgulho
1 – Duas coisas que mais o incomodam na arquitetura e no urbanismo de Brasília.
Essa briga feroz, que talvez pudesse ser evitada, entre a cidade ideal e a cidade real. A segunda coisa é, certamente, a tremenda confusão que isso causa.
2 – Quais os três arquitetos brasileiros que estão fazendo um trabalho de vanguarda, atualmente.
O mineiro Éolo Maia, o gaúcho Edson Mahfuz e o capixaba Alexandre Feu.
3 – Quais os três monumentos que mais lhe enchem os olhos no mundo?
Por razões profundas e pouco razoáveis: A Escola de Sagres, em Portugal; o Portal de São Francisco de Assis, em Ouro Preto; e quadro “La Danse de Matisse”, de Henri Matisse, hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York.
4 – Dê 3 adjetivos que traduzem bem o seu “Monumento à Liberdade de Imprensa” ?
Prefiro três substantivos: Idéia, Nação e Liberdade.
5 – Dizem que a diferença entre o arquiteto e o jornalista é esta: o arquiteto acha que é o dono do mundo e o jornalista não quer nem saber quem é o dono do mundo. A causa disto é tanta Liberdade?
Quem falou isto não sabe como é penoso ser arquiteto ou jornalista em tempos tão materialistas. Como o jornalista, o arquiteto sintetiza as idéias. A Liberdade é poder expressar isso sem medo.
6 – Esse será o primeiro Monumento que o Governo do PT constrói em Brasília. Como se sente, vendo que o próprio Oscar Niemeyer foi preterido?
O convite foi da Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas, o que me honra e me entusiasma. Quanto ao mestre Oscar, que tanto admiro, este nunca será “preterido”.
7 – O Monumento à Liberdade de Imprensa será um espaço importantíssimo em Brasília onde está instalada a Radiobrás, o órgão oficial que só divulga as coisas boas de Governo e não trata das coisas ruins. Liberdade de Imprensa combina com Radiobrás?
A Hora do Brasil criada na ditadura de Vargas está com o tempo contado. O Monumento quer evocar um novo tempo. O tempo e a hora do Brasil ser grande, ser justo e ser feliz.
8 – Há conflito entre Brasília ser sede da Radiobrás e ser sede do Monumento de Liberdade da Imprensa?
Talvez sim. Mas os conflitos de idéias são fundamentos da Democracia.
9 – Qual é a maior censura à Imprensa: a política ou a econômica?
A censura política é mãe de todas as outras.
10 – Você diz que a liberdade de Imprensa é um caminho de vidro. Límpido, nítido mas delicado. Como o Monumento ajudará percorrer esse caminho, a favor da classe jornalística?
É uma forma clara, simples, concisa, como uma manchete permanente que nos lembra a luta dos idealistas, o que falta ainda conquistar é o necessário cuidado de toda a sociedade na preservação dos direitos da cidadania.
11 – Nos dois últimos anos, 241 jornalistas, em todo mundo, foram mortos no exercício da profissão. No Brasil foram sete. Como o Monumento reverenciará a memória destes profissionais?
O lugar é criado para a Memória que vive no encontro das pessoas, através de imagens, sons, documentos e esperança.
12 – Qual o pecado capital de Brasília?
O paradoxo que é termos espaços monumentais abrigando quase sempre sentimentos mesquinhos.