Poesias

Maria Fernanda Gorgulho – Um rastro de luz e amores

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Um rastro de luz e amores


Silvestre Gorgulho


Era uma vez uma menina muito palhaça,
Tão palhaça que era um festival de humor,
Seus dedinhos sorriam de seu próprio rosto e suas pupilas tremeluziam um brilho de amor.


Era uma vez uma menina muito sapeca,
Tão sapeca para sua idade
Que adorava uma moto incrementada e sempre quis viver em alta velocidade.


Era uma vez uma menina bem artista,
Tão artista que dançava aqui e ali
Seu palco encantado era a praia, a praça, o jardim e até a Sapucaí…


Era uma vez uma menina muito vaidosa
Ah! uma vaidade p´rá ninguém botar defeito
Tão vaidosa que sua mãe vivia escondendo a maquiagem, mas não tinha jeito…


Palhaça, sapeca, artista e vaidosa era uma menina transfigurada em cores.
Bem assim: metade ave e metade onça.
Sua plumagem e canto fascinavam pela capacidade de conquistar sorrisos
Mas, selvagem, enfeitiçava pela capacidade de sepultar temores.


Era uma vez uma menina que, em 21 anos, construiu um rastro de luz e amores.

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