Janela da Corte
MILTON SELIGMAN
Silvestre Gorgulho
1 – O que mais o incomoda em Brasília.
A segregação social que é mais acentuada aqui, em função do nível de vida de algumas Satélites e do Plano Piloto. É por isso que defendo políticas públicas voltadas para a redistribuição de renda.
2 – O clone é uma realidade da engenharia genética. Dê o nome de cinco brasileiros que, pela importância, mereceriam ser copiados em série.
A minha formação familiar judaica, com forte influência cristã, me coloca sempre ao lado da vida e dos valores éticos e morais do ser humano. Um ser de laboratório, resultado de artifícios da engenharia genética, é uma criatura assustadora. Defendo a reprodução natural de seres humanos e acredito que a herança genética natural é a garantia que os nossos melhores valores possam progredir e aprimorar-se.
3 – Depois de ser presidente do PMDB-DF, uma avaliação: é mais fácil ser um tucano de FHC ou um peemedebista do dr. Ulysses?
Foi fácil ser um peemedebista do Dr. Ulysses como é fácil ser um tucano de Fernando Henrique. Ambos são líderes que se complementam na história política brasileira. Se um conduziu o movimento que conquistou a Democracia, o outro conduz um movimento que está reformando o Brasil. São líderes que se sucedem.
4 – Três nomes que sabem honrar o nome de Brasília?
Oscar Niemeyer, Athos Bulcão e Vera Brandt.
5 – A política é uma arma para se fazer justiça ou um caminho mais fácil para encobrir injustiças?
A política é o mecanismo que busca, por meio do equilíbrio de posições, construir desenvolvimento e justiça social. Não há como negar que muito fazem mal uso deste instrumento, revertendo-o para conquistar vantagens pessoais.
6 – Brasília não é mais a mesma. Caiu a qualidade de vida porque o nivelamento é por baixo ou porque é uma tendência nacional?
Brasília é Brasil. Todo o Brasil está vivendo um processo de adaptação, um processo de despertar para um mundo diferente onde o padrão de vida está associado a valores bastante diversos. Existência de empregos, preservação do meio ambiente, segurança pública, educação eficiente, saúde, etc. Os tempos são de mudança, mas Brasília segue sendo um paradigma de desenvolvimento humano para o qual nós brasilienses devemos construir as condições de sustentabilidade.
7 – Os líderes sindicais brasileiros fizeram do sindicalismo uma profissão ou perderam o bonde da história?
Acho que as duas coisas. Ainda temos líderes respeitáveis. Mas no Brasil, o sindicalismo vem perdendo espaço pela falta de atualização de suas bandeiras de luta. De fato, alguns radicalizam o discurso para esconder a falta de propostas ou a defesa de teses ultrapassadas.
8 – Bolsa Escola, Projeto Orla e DF Verde. O PT está no caminho certo?
Eu gosto muito destes três projetos e os defendo. O Orla foi, inclusive, plataforma de campanha de Maria de Lourdes, candidata do PSDB. Entretanto, a avaliação sobre o caminho do PT em Brasília tem que ser ampliada. Sinto falta, por exemplo, de uma política de valorização do servidor público em uma sociedade sem inflação, da inércia em relação a uma política de geração de empregos e do modo como o PT conduz sua política de alianças na Câmara Distrital.
9 – Quem pensa grande e quem pensa pequeno no Governo do PT de Brasília?
Considero, apenas, que o valor intelectual do Governador Cristóvam Buarque está fora de discussão. Trata-se de um dos grandes pensadores contemporâneos do Brasil.
10 – Sem autonomia econômica, sede dos 3 Poderes e do Corpo Diplomático, foi bom para Brasília conseguir a autonomia política?
Brasília tem menos de 40 anos e 10 de representação política. Temos que melhorar muito o nível do debate e a qualidade das propostas, mas estamos progredindo. Temos que continuar trabalhando para seu aprimoramento.
11 – Todos são iguais perante a Lei ou para a Justiça tem gente conseguindo “ser mais iguais do que os outros”?
Somos um País injusto, mas desejoso de mudar. A herança de injustiça social que temos, fruto de tantos anos de concentração de renda começou a mudar. Nosso maior problema reside nas desigualdades e isto ainda permite que alguns sejam “mais iguais do que os outros”. Mas está mudando.
12 – Há espaço para uma esquerda “light” em Brasília?
Há espaço para todos em Brasília. Somos a síntese do Brasil.
13 – Para quem o eleitor brasiliense dará mais votos para deputado federal. Para Milton Seligman ou para Sigmaringa Seixas?
Sempre votei no Sigmaringa, fiz campanha para ele e me orgulho disto. É um amigo querido que tem espaço garantido na vida pública de Brasília. Hoje estamos em partidos diferentes e eu tenho minhas pretensões políticas, que dependerão sempre das decisões de meu partido, o PSDB. Sigmaringa e eu queremos o mesmo tipo de sociedade, mas acreditamos em caminhos diferentes.
14 – Qual o pecado capital de Brasília?
Não ter conseguido levar a qualidade de vida do Plano Piloto para o Entorno