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Albergues inativos dão lugar a escolas infantis e centros de línguas

Prédios abandonados foram reformados e entregues à Secretaria de Educação

 

A partir de 2022, o Centro de Educação Infantil (CEI) de Planaltina abrirá com 960 vagas | Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

 

CATARINA LIMA, DA AGÊNCIA BRASÍLIA | EDIÇÃO: RENATA LU

Está pronta a reforma que transformou o prédio do antigo albergue de Planaltina em escola. A partir do próximo ano, a população das localidades do Pipiripau e Arapoanga, naquela região administrativa, poderá contar com um Centro de Educação Infantil (CEI) com 960 vagas. O custo da reforma foi de R$ 4,5 milhões, recursos de emendas parlamentares.

 

O prédio conta com 16 salas de aula, das quais 12 serão destinadas à educação infantil, que atenderá crianças de quatro e cinco anos, e quatro serão utilizadas pelo ensino fundamental I, para menores de seis a 10 anos. De acordo com a diretora do Centro de Educação Infantil, Dinamar Rodrigues, 90% da obra está concluída.

O espaço conta com quadra poliesportiva e área verde. O prédio do antigo albergue foi cedido à Secretaria de Educação do DF pela Terracap. A diretora informou que a regional de ensino está preparando o remanejamento dos alunos para a nova escola. “A demanda aqui é grande, principalmente na educação infantil”, disse.

 

Centro Interescolar de Línguas (CIL) de São Sebastião: 12 salas de aula com capacidade para atender 3.600 alunos nas aulas de inglês, francês e espanhol | Foto: Paulo H Carvalho/Agência Brasília

“A procura foi grande. No momento não temos vagas ociosas”Luciana Pontes, coordenadora de Ensino de São Sebastião

São Sebastião

A cidade de São Sebastião também teve um albergue inativo transformado em escola. O prédio, que durante oito anos ficou abandonado, passou por uma reforma de R$ 1,5 milhão e hoje abriga o Centro Interescolar de Línguas (CIL), da cidade. O administrador da região, Alan Valim, comemora o fato de as crianças e adolescentes de São Sebastião não precisarem mais se deslocar para o Plano Piloto para estudar inglês, francês e espanhol.

Inaugurado no segundo semestre deste ano, o CIL conta com 12 salas com capacidade para atender 3.600 alunos. Por falta de professores para o turno matutino, a escola de línguas de São Sebastião funciona neste semestre apenas nos períodos da tarde e da noite. “A procura foi grande. No momento não temos vagas ociosas”, disse a coordenadora de Ensino da cidade, Luciana Pontes.

Além do CIL, o prédio do antigo albergue deu lugar à sede da regional de ensino da cidade, que até então não tinha onde funcionar. Também deverá ser construído ainda no local o Centro Educacional Zumbi dos Palmares, que terá 16 salas, divididas em seis blocos. O local será destinado ao ensino de crianças do 6º ao 9º ano.

 

 

 

 

 

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Educação midiática: mapa revela projetos de conscientização pelo país

Segunda fase da iniciativa está com inscrições abertas

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Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

Na hora do intervalo ou em trabalhos durante as aulas da escola municipal Josué de Castro, na área rural de Theobroma (RO), a comunicação ganhou novo sentido. Isso porque um estúdio improvisado de rádio, com dois microfones e outros equipamentos, tem feito com que crianças e adolescentes olhem a Amazônia, onde moram, de outra forma. 

O projeto de educação midiática, que existe há pouco mais de dois anos, faz com que das quatro caixas de som do pátio da escola, os estudantes possam se informar e reconhecer, em alto e bom som, temas como sustentabilidade, educação e saúde.

Inscrições de novos projetos

Projetos como o “Rádio na Escola”, da escola do interior de Rondônia, estão no Mapa Brasileiro da Educação Midiática que reúne até agora 226 iniciativas. O mapa é uma iniciativa da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), com apoio do governo do Reino Unido no Brasil, parceria técnica do Porvir (portal de inovação educacional) e cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco Brasil).

Até 16 de março, estão abertas as inscrições para a inclusão de novas experiências e recursos que promovam o uso crítico, responsável e criativo das mídias em diferentes contextos educativos.

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Mobilização

No caso da escola de Theobroma (RO), de acordo com o diretor da unidade, Elias Bastos, o rádio é aplicado da pré-escola até o nono ano do ensino fundamental.

10/03/2026 - Educação midiática: mapa revela projetos de conscientização no País. No caso da escola de Theobroma (RO), de acordo com o diretor da unidade de ensino, Elias Bastos, de 32 anos, o rádio é aplicado da pré-escola até o nono ano do ensino fundamental. Foto: Elias Bastos/Arquivo Pessoal
Aluna de unidade de ensino de Theobroma (RO) participa do programa Rádio na Escola – Foto Elias Bastos/Arquivo Pessoal

Ele explica que as gravações feitas pelos próprios alunos, sob orientação dos professores, têm conseguido retornos até das famílias dos estudantes, em assuntos como a poluição da nascente do Rio São João.

“Eles já entenderam que é importante conservar a natureza que nos cerca”.  O projeto tem finalidade também de combater desinformação e boatos.

A escola, de 183 alunos, fica no interior de um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, batizado de “Antônio Conselheiro” (liderança popular na guerra de Canudos).

“Pelo rádio, temos falado também de como evitar a proliferação da dengue e os riscos da evasão escolar”, diz o professor, que mora na área urbana, a cerca de 47 quilômetros de distância (ou mais de uma hora de viagem em estrada sem asfaltamento”.

Os resultados da iniciativa escolar têm animado os docentes a seguir viagem.

10/03/2026 - Educação midiática: mapa revela projetos de conscientização no País. No caso da escola de Theobroma (RO), de acordo com o diretor da unidade de ensino, Elias Bastos, de 32 anos, o rádio é aplicado da pré-escola até o nono ano do ensino fundamental. Foto: Elias Bastos/Arquivo Pessoal
Em escola de Theobroma (RO), rádio é aplicado da pré-escola até o nono ano do ensino fundamental – Foto Elias Bastos/Arquivo Pessoal

Contra fake news

As inscrições para integrar o mapa de educação midiática são feitas por um formulário online e analisadas pela equipe técnica do projeto. A nova edição do mapa está prevista para junho. Para participar dessa consolidação nacional de informações, o projeto deve, por exemplo, promover uma análise crítica da mídia, fazer checagem de fatos e produção de conteúdos em prol da cidadania.

“A segunda chamada é um convite para que mais educadores, pesquisadores e organizações compartilhem suas experiências.

“Queremos ampliar o mapeamento de ações de educação midiática no país, fortalecendo uma rede cada vez mais diversa, criativa e representativa”, destacou a coordenadora de Educação Midiática da Secom. Thaís Brito,

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Mais de mil estudantes participam de workshop de educação financeira no DF

Terceira edição do Futuro em Conta, Workshop de Educação Financeira orientou jovens sobre planejamento financeiro e consumo consciente, entre outros temas

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Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

Mais de mil estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal participaram, nesta segunda-feira (9), da 3ª edição do Futuro em Conta, Workshop de Educação Financeira. O evento é idealizado pela Secretaria da Juventude (Sejuve-DF) e foi promovido em parceria com a Voga Investimentos. A iniciativa orienta jovens sobre planejamento financeiro, consumo consciente e organização das finanças pessoais.

Durante o workshop, os estudantes tiveram contato com conceitos práticos de educação financeira, como organização do orçamento pessoal, planejamento de gastos e a importância de começar a investir com responsabilidade. Também foram apresentados exemplos de aplicações acessíveis para iniciantes, como Tesouro Selic, CDBs, LCI/LCA e poupança, além da explicação de como funcionam os investimentos, em que o investidor empresta dinheiro ao governo ou a bancos por um período determinado e recebe o valor de volta com juros.

André Kubitschek: “Quando o jovem aprende a cuidar do próprio dinheiro, ele passa a ter mais autonomia para tomar decisões, planejar sua vida e construir um futuro com mais segurança” | Foto: Divulgação/Sejuve-DF

Para o secretário da Juventude do DF, André Kubitschek, a educação financeira é um instrumento importante para ampliar as oportunidades da juventude. “A educação financeira é uma ferramenta de liberdade. Quando o jovem aprende a cuidar do próprio dinheiro, ele passa a ter mais autonomia para tomar decisões, planejar sua vida e construir um futuro com mais segurança”, destacou.

 

A estudante Ana Clara Silva, 16 anos, ressaltou que a experiência proporcionou novos aprendizados a ela. “A gente quase não aprende isso na escola. Hoje eu entendi que saber cuidar do dinheiro é importante para conseguir realizar nossos planos no futuro”, afirmou.

Com a nova edição, mais de 2.000 jovens de escolas públicas do DF já participaram das atividades do projeto, que busca incentivar hábitos financeiros saudáveis e preparar os estudantes para decisões financeiras mais conscientes ao longo da vida.

*Com informações da Sejuve-DF

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CLDF debate PL que combate a revitimização e a espetacularização do feminicídio

Especialistas defendem combate ao sensacionalismo, educação de gênero e rede de proteção humanizada para garantir a dignidade e preservar a memória das vítimas

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Foto: Henrique Jesus / Divulgação

Em uma audiência pública marcada por relatos e dados, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) debateu, na noite desta quinta-feira (05) o Projeto de Lei nº 1819/2025. A proposta, de autoria do deputado Max Maciel (PSOL), busca garantir a proteção do nome, da imagem e da honra de mulheres vítimas de violência doméstica, combatendo a revitimização no ambiente digital e na mídia.

Segundo cenário apresentado pelo parlamentar, no Distrito Federal, aproximadamente uma mulher é morta por feminicídio a cada 12 dias. Entre 2015 e 2025, a violência de gênero deixou 469 órfãos na capital. “A violência doméstica não termina necessariamente com a morte da vítima”, alertou o deputado Max Maciel. Segundo ele, o ciclo de violência “continua no espaço público por meio da exposição da imagem da vítima, da circulação de narrativas que culpam a mulher, da tentativa de justificar a agressão ou até mesmo de transformar a morte em um espetáculo”.

Conforme explicou o distrital, a proposta busca estimular uma mudança de foco na abordagem da violência contra a mulher. “Em vez de focar exclusivamente nas condutas, o projeto busca organizar a atuação do Estado diante das formas de violência. Buscamos romper a lógica de tratar esse fenômeno apenas como uma disputa entre autor e vítima, focando também na dimensão pública do problema. Queremos fortalecer a atuação preventiva do Estado”, frisou.

O poder da linguagem e a revitimização

 

Foto: Henrique Jesus / Divulgação

A jornalista e pesquisadora Ana Maduro, cujos estudos na Universidade de Brasília (UnB) fundamentaram o projeto, destacou como a escolha das palavras “pode atenuar crimes bárbaros”. “O que que o feminicídio tem a ver com a linguagem? Tudo. No momento que a gente olha para uma manchete ‘mulher é morta após trair o marido’, eu estou tornando o feminicídio um crime justificável, estou culpabilizando a vítima”, afirmou.

A pesquisadora também alertou para a sexualização das vítimas na mídia, citando o uso de fotos com biquínis ou batom vermelho para ilustrar notícias de assassinatos, o que fere a dignidade e a memória da mulher. “Imagine que você é vítima de violência… e veiculam sua foto no Google. Sua foto vai ficar ali para sempre. É a sua memória”, afirmou, ressaltando que o texto jornalístico deve ser um aliado da denúncia e não um gerador de medo para outras mulheres.

Para Karine Fonseca, presidenta da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn-DF), a questão também deve ser tratada como um problema de saúde pública, especialmente pelo impacto nas famílias. “As famílias vítimas de feminicídio enfrentam o luto prolongado, uma dor que se retroalimenta pela história que foi contada… a memória foi corrompida e a pessoa amada foi colocada como culpada”, pontuou.

Em sua fala, ela resgatou a memória de movimentos feministas históricos para reforçar que “a sociedade não pode mais aceitar a culpabilização das vítimas”, afirmando categoricamente que “a culpa não foi da mulher de querer sair daquele relacionamento” e que a misoginia “é a verdadeira raiz dessa violência”.

Recorte racial e invisibilidade

Aline Pereira, representante do Movimento Negro Unificado (MNU), trouxe a necessidade de se considerar o aspecto racial no debate, citando casos emblemáticos como os de Cláudia Ferreira – mulher que foi morta pela PM e arrastada por uma viatura no RJ em 2014 – e o da vereadora Marielle Franco. “A cada vez que aquela imagem circulava [de Cláudia sendo arrastada por um camburão], Cláudia era assassinada novamente”, desabafou Aline.

Ela citou o exemplo de Marielle Franco para reivindicar o direito das mulheres negras ao espaço público e à memória respeitosa, defendendo que, quando houver exposição pela violência, que ocorra de “maneira humana” e não desumanizada.

Segurança Pública e Prevenção

A Tenente-Coronel Renata Braz das Neves Cardoso, da Polícia Militar do DF, apresentou avanços institucionais, como a inclusão, em 2018, da disciplina Intervenção Policial Militar em Ocorrências de Violência Doméstica em todos os cursos de formação e aperfeiçoamento da corporação.

Segundo a oficial, é vital que os policiais entendam que “um chamado ao 190 é um pedido de socorro e, independentemente da quantidade de vezes que essa mulher acessa o serviço, a PM tem que estar disponível” para prestar o melhor atendimento possível, sem revitimização.

Além do treinamento, Renata Braz detalhou programas práticos que apresentam resultados expressivos, como o grupo reflexivo para servidores da segurança que são autores de violência. Ela relatou que, por meio desse acompanhamento compulsório, o índice de violência doméstica praticada por militares caiu drasticamente. “Conseguimos reduzir em praticamente 100% feminicídios cometidos por servidores da segurança pública”, pontuou.

Marina Cordeiro, coordenadora da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, trouxe dados sobre a realidade nacional e local. Apenas em janeiro de 2026, o Brasil registrou 330 vítimas fatais de violência de gênero, o que representa uma média de “11 mulheres com as suas vidas ceifadas nesse país por dia”.

Ela enfatizou a necessidade de uma perspectiva interseccional para proteger todas as mulheres em sua diversidade e criticou duramente a falha institucional no Distrito Federal, que apresenta altos índices de rejeição de auxílio judicial. Segundo informou, a Capital Federal  está no topo do ranking de denegação de medidas protetivas, com 15,7% das medidas tendo sido negadas no ano de 2025, o que totaliza 3.320 mulheres que tiveram esses pedidos rejeitados. “Nós não sabemos o que aconteceu depois com essas mulheres”, afirmou.

O projeto de lei

O texto do PL, que já tramitou nas comissões e aguarda votação em Plenário, estabelece que a divulgação ou exposição indevida do nome ou da imagem das vítimas, realizada por agressores ou seus familiares em mídias, propagandas ou entrevistas, constitui explicitamente uma forma de violência psicológica, conforme já previsto na Lei Maria da Penha.

A justificativa da proposta aponta que essa exposição é frequentemente utilizada como uma “tática de intimidação e desmoralização” para isolar a mulher e minar sua credibilidade.

Para enfrentar o problema, o PL impõe diretrizes ao Poder Executivo, como: adoção de providências administrativas para coibir a exposição indevida; promoção de campanhas educativas sobre os impactos da exposição pública das vítimas; e atendimento prioritário em serviços de apoio psicológico, jurídico e social para as vítimas e seus familiares quando houver agravamento do sofrimento pela exposição.

A íntegra da audiência pública pode ser conferida no YouTube da CLDF. Confira:

 

 

 

Christopher Gama – Agência CLDF de Notícias

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