Reportagens
Programa do GDF já liberou mais de R$ 2,4 milhões em microcrédito em 2023
Valor investido este ano é praticamente o dobro do mesmo período de 2022; juros giram em torno de 1% ao mês na modalidade urbana e de 3% ao ano para a atividade rural
Rafael Secunho, da Agência Brasília I Edição: Débora Cronemberger
O Prospera oferece crédito para atender pessoas físicas e jurídicas nas áreas urbanas e rurais que possuam atividades produtivas de pequeno porte. Até abril deste ano, o programa já contabiliza 103 contratos urbanos e nove rurais
A atendente Vanise Canuto, 35, enfrentou o desafio de mudar de vida em tempos de pandemia. Assim como muitos brasileiros, perdeu o emprego e teve de recomeçar sua vida profissional. Com talento para produzir doces e bolos, começou informalmente a vender quitutes para ex-colegas e vizinhos. O negócio começou a ganhar corpo e, daí, nasceu o espírito empreendedor da moça.
Há dois anos, Vanise resolveu abrir uma cafeteria no Vicente Pires e, para isso, pegou um empréstimo no Prospera – o programa de microcrédito da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda do Distrito Federal (Sedet). “Meu primeiro empréstimo foi para comprar a batedeira, a máquina de café e outros equipamentos. O segundo, peguei para fazer meu capital de giro”, conta. “E, agora, estou viabilizando um terceiro para contratar funcionário e expandir o negócio”.

O Prospera oferece crédito para atender pessoas físicas e jurídicas nas áreas urbanas e rurais, que possuam atividades produtivas de pequeno porte. De 2022 para cá, o programa vem crescendo e atraindo novos interessados. De janeiro a abril de 2022, foram 90 contratos urbanos fechados e um total de R$ 1,28 milhão em volume de créditos liberados. No mesmo período de 2023, os recursos praticamente dobraram, chegando a R$ 2,48 milhões, com 103 contratos assinados na modalidade urbana e nove, na rural.
O comércio de Vanise vai bem. O movimento é grande ao longo das tardes. E ela atribui às facilidades obtidas pelo programa a oportunidade de se tornar uma pequena empreendedora. “Os juros do Prospera são excelentes, às vezes dá abaixo de 1% ao mês. Consegui um avalista sem problemas, e o meu negócio está fluindo cada vez mais”, pontua.
“A gente vê o Prospera proporcionando uma transformação nos negócios das pessoas. Empreendedores que dificilmente pegariam um crédito no mercado privado optam pelo programa”, explica a coordenadora de microcrédito da Sedet, Bárbara Oliveira. “São candidatos que geralmente não têm um escore bom e que os bancos veem como risco alto conceder o empréstimo.”
A servidora frisa que os juros, que giram em torno de 1% ao mês na modalidade urbana e de 3% ao ano para a atividade rural, são imbatíveis. O Prospera conta com técnicos que acompanham os negócios e fazem um aconselhamento sobre como investir e alavancar a atividade comercial. As agências do trabalhador são os locais onde o crédito pode ser contratado, de acordo com o perfil do interessado.
Para mais informações sobre o Prospera, clique aqui.
Reportagens
Audiovisual brasileiro terá linhas de crédito e plano de exportação
Programa federal quer fortalecer setor como indústria estratégica
Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) anunciou nesta segunda-feira (25) a criação do Programa da Nova Indústria do Audiovisual Brasileiro. O objetivo é disponibilizar linhas de crédito específicas e um plano de exportação de produtos para o setor, considerado pelo governo federal como estratégico para o desenvolvimento nacional. 

Segundo o ministro Márcio Elias Rosa, o evento marca a inclusão da cadeia produtiva do audiovisual no programa da Nova Indústria Brasil (NIB). Lançado em janeiro de 2024 pelo governo federal, o NIB usa instrumentos tradicionais de políticas públicas, como subsídios, empréstimos com juros reduzidos e ampliação de investimentos federais, além de incentivos tributários e fundos especiais para estimular setores da economia.
De acordo com Rosa, para cada R$ 10 milhões produzidos no audiovisual, é gerado um impacto de R$ 12 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
“Nós estamos falando de uma atividade econômica que ainda não tinha uma política ordenada. O setor audiovisual representa 0,6% do PIB. Isso é maior do que muita atividade industrial tradicional, como a indústria têxtil. Também emprega mais do que a indústria automotiva”, destacou o ministro em evento no Rio de Janeiro.
A política será lançada oficialmente, com todos os detalhes, no próximo sábado (30), no Rio de Janeiro, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O MDIC destacou como uma das principais missões garantir acesso do audiovisual a crédito. O objetivo é buscar investimentos com agentes financeiros como BNDES, Finep, Banco do Brasil e Caixa Econômica.
Tanto o ministério quanto representantes do setor afirmam que pretendem seguir modelos bem-sucedidos de exportação de produções nacionais, como os empreendidos por Índia, China e Coreia do Sul. A presidente da Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual (Fica), Walkiria Barbosa, citou o exemplo dos coreanos.
“Tenho a certeza de que nós estamos dando um grande passo para a construção de uma política de Estado. Cito sempre a Coreia do Sul, porque era um país que ninguém conhecia há 20 anos e hoje, por meio do audiovisual, o mundo consome tudo de lá, inclusive os produtos de beleza. Nós podemos fazer exatamente o que eles fizeram”, disse Walkiria.
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, reforçou a importância do engajamento do setor em mostrar o potencial do audiovisual brasileiro como indústria capaz de gerar riqueza, inovação, empregos e projeção internacional.
“Essa é mais uma vitória obtida por meio da luta, da história, da construção coletiva, dos saberes, da cultura brasileira, do reafirmar das nossas tradições, que tanto vivemos, tanto sofremos em alguns momentos, mas tanto nos orgulhamos. Vamos aprender juntos nessa caminhada e vamos fazer com que o audiovisual seja uma indústria brasileira de ponta no mundo”, disse Noleto.
Reportagens
Equipes do Hospital da Criança se unem no controle de infecções
Pacientes internados são monitorados periodicamente para reduzir riscos ligados a uso de cateter
Por
Agência Brasília* | Edição: Chico Neto
Garantir a segurança de uma criança que passa por tratamento de saúde envolve prevenir infecções e, caso elas aconteçam, agir em tempo hábil para combatê-las. Para aprimorar esse cuidado, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) implementou novo processo de vigilância, integrando a equipe de enfermagem ao monitoramento das infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras).
As Iras se dividem entre infecções primárias da corrente sanguínea (IPCS), pneumonia associada à ventilação e a infecções do trato urinário. Dos três tipos, o mais comum no HCB é o IPCS, devido ao perfil de pacientes atendidos: crianças imunossuprimidas, vários tipos de cateter e complexidade de acessos venosos. Periodicamente, os pacientes internados passam por visitas duranta as quais se coletam os bundles, conjuntos de informações referentes ao controle de infecções.
“Podemos ver os sinais precocemente e agir precocemente para evitar a infecção”
Lorena Borges, enfermeira do HCB
As visitas para verificação de cateteres das crianças internadas no Hospital são feitas pelas equipes do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do HCB e de enfermagem. Ao envolver mais profissionais na tarefa, o hospital consegue identificar sinais de infecção mais rapidamente.
Análises aprimoradas
“Sempre trabalhamos com os bundles de IPCS, mas as auditorias eram muito centradas no SCIH”, relata o gerente do Serviço, o infectologista Bruno Lima. “Tínhamos dificuldade em cobrir alguns turnos e de discussão de condutas entre as equipes.” Com o novo processo, a equipe orientou os enfermeiros sobre a melhor forma de analisar os cateteres e quais informações coletar com pacientes e acompanhantes.
Essa integração traz tempo de resposta mais rápido, avalia a enfermeira Lorena Borges, gerente da Linha de Cuidado do Paciente Onco-hematológico: “Podemos ver os sinais precocemente e agir precocemente para evitar a infecção”. A periodicidade das vistorias varia dependendo do perfil de atendimento de cada ala da internação do HCB, mas todos os pacientes são acompanhados no que se refere a vermelhidão, presença de sangue, fluidez do cateter e outras características relacionadas a um processo infeccioso.
O HCB também adotou uma ferramenta para o registro das visitas, gerando um histórico de cada paciente. Com isso, em casos de infecção, é possível verificar outras informações relacionadas à causa ou ao manejo do quadro. “Hoje, o processo todo é registrado na plataforma RedCap e conseguimos rastrear todos os bundles nominalmente”, aponta Bruno Lima. “Se tivermos uma infecção e quisermos rastreá-los retroativamente, temos acesso a essas informações, o que foi um ganho muito grande”.
O novo processo teve início em 2025, como um projeto-piloto, e alcançou toda a internação em janeiro deste ano. Ao longo das diferentes fases da implementação, o HCB tem mantido uma taxa de conformidade de 96%. A expectativa é que, ao final do primeiro semestre, os dados consolidados confirmem os bons resultados alcançados até o momento.
*Com informações do Hospital da Criança de Brasília
Reportagens
Novas leis ampliam proteção e oportunidades para mulheres no DF
Normas visam ampliar a proteção às vítimas de violência doméstica e fortalecer o empreendedorismo das profissionais do setor de beleza, estética e cuidados pessoais
Foto: Andressa Anholete/Agência CLDF
Leis aprovadas alteram normas do aluguel social e criam o Programa Beleza Legal DF
O Distrito Federal passa a contar, a partir deste mês, com duas novas leis em benefício das mulheres. As normas, publicadas no Diário Oficial do DF, visam ampliar a proteção às vítimas de violência doméstica e fortalecer o empreendedorismo das profissionais do setor de beleza, estética e cuidados pessoais no DF.
De autoria da deputada Doutora Jane (Republicanos), ambos os textos foram promulgados pelo presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), após a derrubada dos vetos do Buriti na sessão plenária de 29 de abril.
A Lei nº 7.879/2026 altera a norma que trata do aluguel social (Lei nº 6.623/2020) para agilizar a concessão do benefício às mulheres vítimas de violência doméstica. A medida, na prática, permite que essas pessoas possam acessar os recursos para a locação de moradia desde o registro do boletim de ocorrência policial. Antes dessa alteração, para receber o auxílio de R$ 600 mensais, as beneficiárias precisavam atender alguns requisitos, entre eles, já terem uma medida protetiva vigente.
“Quando a mulher registra boletim de ocorrência, muitas vezes não aceita oferta de Casa Abrigo, mas não tem para onde retornar. Se ela tiver oportunidade de registrar a ocorrência e puder lançar mão do aluguel social, isso vai fortalecer a vontade e o desejo de sair de uma relação de abuso e de violência doméstica”, avalia Doutora Jane.

A outra norma que passou a integrar o ordenamento jurídico do DF é a Lei nº 7.890/2026, que institui o Programa Beleza Legal DF. A iniciativa busca incentivar o desenvolvimento, a formalização e a valorização de milhares de mulheres que atuam no ramo da beleza, estética e cuidados pessoais no Distrito Federal.
Entre as diretrizes do programa, estão o incentivo à formalização como MEI (Microempreendedor Individual), a oferta de capacitação técnica gratuita, o acesso a microcrédito, além do incentivo à formação de redes e cooperativas femininas. Para isso, a nova lei prevê parcerias com instituições de ensino, organizações do terceiro setor e órgãos do Sistema S, a exemplo do Sebrae e Senac.
Autora da norma, Doutora Jane argumenta que o setor de beleza é um dos que mais crescem no DF, gerando emprego e renda em todas as regiões administrativas. “As trabalhadoras da área são verdadeiras empreendedoras do cuidado, que sustentam famílias e movimentam a economia local. Nosso objetivo é garantir que elas tenham acesso à formalização, crédito, capacitação e saúde ocupacional, promovendo dignidade e desenvolvimento”, explica a parlamentar.
Para a deputada Doutora Jane, as duas novas leis representam “conquistas concretas” para mulheres que enfrentam realidades diferentes, mas que carecem, igualmente, de apoio do Estado. “Uma mulher em situação de violência não pode esperar. Ela precisa de proteção imediata, de um lugar seguro para recomeçar. E uma mulher que trabalha, empreende e sustenta sua família também precisa de oportunidades para crescer com dignidade”, ressalta a distrital.
* Com informações da assessoria de imprensa da deputada Doutora Jane
Denise Caputo – Agência CLDF
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