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ADEUS, ESTEVES COLNAGO!
A VIDA É CHEIA DE NÃO ME DEIXES
Despedimos hoje do amigo ESTEVES COLNAGO.
Triste e muito difícil acreditar na sua partida.
Conheci esse queridíssimo capixaba, meio mineiro, quando ele era Secretário da Agricultura do Amazonas, em 1974. Desde então o acompanho com admiração pelo seu trabalho sério, eficiente, leal e sempre a favor do Brasil.
Guardo do Colnago as melhores recordações. Muitas. Uma delas foi quando ajudei a escritora Rachel de Queiroz a fazer de seu sítio em Quixadá (CE) uma RPPN.
A sigla significa Reserva Particular do Patrimônio Natural e é uma categoria criada pela iniciativa de proprietários rurais, cuja principal característica é a conservação da diversidade biológica, garantindo ao proprietário da área a titularidade do imóvel. Essa iniciativa possibilita a participação dos fazendeiros no esforço nacional da conservação da natureza e amplia as áreas protegidas. Pois bem, aprovada a RPPN pelo Ibama, Rachel de Queiroz me ligou:
– Silvestre, agora o Ibama quer que eu faça uma placa para colocar na entrada da fazenda anunciando a RPPN. Me ajuda.
– Sim, vou ver como posso ajudar. Como você foi a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras, me mande uma frase linda para colocar na placa.
– Ahhh, não precisa Silvestre. O nome da fazenda já é uma frase.
– E qual é o nome da fazenda?
– FAZENDA NÃO ME DEIXES.
E sabe quem me ajudou a fazer a placa e colocá-la na entrada da fazenda da Rachel de Queiroz?
Sim, foi ele que nos deixou hoje: ESTEVES COLNAGO.
Fico até pensando: deve ter sido uma homenagem ao amor que Colnago tinha e terá sempre pela cearense Glaucia Benevides.
A vida é mesmo cheia de NÃO ME DEIXES.
Obrigado, meu querido amigo. Você sempre será luz. Seu legado está em nossos corações. (SG)
Fotos:
1) Esteves Colnago quando presidente da CPRM
2) A placa na entrada da Fazenda NÃO ME DEIXES, tirado do livro QUIXADÁ, do ambientalista e escritor Miguel von Behr.