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O MITO QUE VIROU LENDA
PELÉ – ERA UMA VEZ
Há um ano o mundo recebeu a triste notícia: PELÉ FALECEU. Impacto geral. Capa de todos os jornais do mundo. Nenhuma personalidade recebeu da mídia de todos os seis continentes o tratamento dado ao Rei do Futebol.
Este é um dos capítulos da segunda edição do meu livro “DE CASACA E CHUTEIRAS – A Era dos grandes dribles na Política, Cultura e História – JK-BRASÍLIA-PELÉ” que já está na gráfica para ser impresso em janeiro de 2024.
Vou lembrar um texto que fiz no Correio Braziliense no dia do falecimento do Rei.
ERA UMA VEZ um menino pobre, de uma família pobre, em um país pobre que tinha o dom de fazer mágicas: de uma bolinha-de-meia fez sete bolas de ouro.
Era uma vez, um menino que nasceu Edson, em 23 de outubro de 1940, em Três Corações. Virou DICO, para a família. E ganhou o apelido PELÉ, em São Lourenço, quando seu pai Dondinho jogava no time de minha terra natal.
Era uma vez um garotinho negro, humilde e franzino que fez, com sua arte e sua genialidade, o Brasil maior. Colocou o mundo inteirinho dentro da Vila Belmiro, em Santos. Fez do Maracanã, do Pacaembu e de muitos outros estádios do mundo, altar de suas oferendas.
Era uma vez um garoto de 17 anos, único nessa idade a participar de uma Copa do Mundo, jogando a final, fazendo gols e sendo Campeão.
Era uma vez um atleta que entrou para o mundo das artes, participando da literatura (prefaciou um livro de Carlos Drummond de Andrade); contracenou com Sylvester Stallone (Victory), e com muitos outros artistas em 18 filmes e algumas telenovelas. Entre eles: Os Trapalhões, Paulo Goulart, Milton Gonçalves, Grande Otelo, Dina Sfat, Tereza Raquel e José Lewgoy. Gostava de música. Pelé gravou com Elis Regina, Roberto Carlos, Chico Buarque, Wilson Simonal, Jair Rodrigues e Gilberto Gil.
Em julho de 1971, Pelé se aposentou na Seleção Brasileira, mas a Seleção não o deixou. Continuou como eterna referência.
…
O tempo passa, os anos avançam e o mito permanece. Amantes ou não do futebol têm sempre na ponta da língua a expressão mais nobre e digna para lembrá-lo: a Lenda de um Rei. Lenda que sempre recomeça. ERA UMA VEZ um menino pobre, que ao fazer Mil Gols lembrou das crianças pobres e, de uma bola, fez uma coroa de Rei.
MUITAS SAUDADES DE UM AMIGO.