Por Thaís Miranda, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Tinha tudo para ser um simples muro de 20 metros que corta o Setor de Educação de Planaltina. Mas não era apenas um muro. A estrutura de concreto se tornou uma verdadeira exposição de 14 obras de arte elaboradas por alunos da Coordenação Regional de Ensino (CRE) de Planaltina. A inauguração dos desenhos e frases dos estudantes no muro foi na manhã desta quinta-feira (6), durante animada cerimônia entre professores e educandos.
Inauguração do mural: material selecionado em concurso reúne trabalhos originários do talento dos próprios alunos | Fotos: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília
O material que agora estampa o muro da CRE Planaltina foi selecionado a partir do concurso Frase e Desenho, que envolveu estudantes das 66 escolas públicas da região. As obras não apenas embelezam o ambiente escolar, mas também inspiram a comunidade com as reflexões sobre o tema proposto na competição: “O que é a felicidade?”
O desafio de levar os desenhos dos vencedores da folha de papel ao muro de maneira fidedigna ficou a cargo do artista da cidade Lázaro Augusto Ferreira, conhecido como Gugu.
“A ideia partiu de uma reforma que fizemos na CRE, e queríamos representar uma janela de sentimentos dos nossos estudantes”, explica a coordenadora da Regional de Ensino de Planaltina, Raíssa Monteiro. “Após elegermos os vencedores, o artista levou cinco dias para copiar o material no muro. Foi necessário projetar as obras de arte em tamanho real para que ele pudesse pintar de maneira mais idêntica possível.”
O que é felicidade?
Para Ana Júlia Félix, 10, aluna da Escola Classe 16 de Planaltina, a resposta a essa pergunta estava na ponta da língua: “Temos o costume de ficar alegres com bens materiais, mas a gente tem que prestar atenção nas pequenas coisas da vida, que são as mais importantes”.
A estudante prosseguiu com seu relato: “Eu fiz um desenho de uma menina como se estivesse em uma floresta, e ao fundo tinha uma casa para ela, em aquarela. A menina está apreciando a paisagem. Eu gosto muito da natureza, e meu sonho é ser veterinária. Eu quis trazer isso”.
“Sabemos que o desenho desenvolve habilidades emocionais e artísticas. Já a frase demonstra o sentimento e mostra que somos pensantes”
Raíssa Monteiro, coordenadora da Regional de Ensino de Planaltina
Aluna do 5º ano do CEF JK, Lara Elisangela Nunes, 10, também foi uma das vencedoras do concurso. Ela quis representar grandes obras e monumentos artísticos em seu desenho. “Eu gosto muito de artes e coisas famosas, então desenhei a Monalisa, o Cristo Redentor e uma cidade que eu criei”, descreveu. “A alegria de ter ganhado o concurso é tão grande que não consigo falar em palavras. Eu amo desenhar e a possibilidade de criar”.
Mais do que um passatempo
Para além de uma simples atividade artística, desenhar é uma boa ferramenta para o desenvolvimento holístico das crianças. A prática desempenha um papel importante no desenvolvimento cognitivo das crianças, proporcionando uma plataforma para expressão criativa, desenvolvimento de habilidades motoras finas e estímulo à imaginação.
Quando uma criança desenha, está explorando cores, formas e texturas, estimulando o pensamento visual. O ato de desenhar também promove a concentração e a atenção, ajudando os pequenos a aprenderem a focar uma tarefa por um período prolongado.
“Sabemos que o desenho desenvolve habilidades emocionais e artísticas”, observou a coordenadora da Regional de Ensino de Planaltina, Raíssa Monteiro. “Já a frase demonstra o sentimento e mostra que somos pensantes. Planaltina com certeza fica mais colorida, com traços e cores que a gente consegue demonstrar como os estudantes são importantes para nós. Esses 14 vencedores representam um universo diverso com suas particularidades.”
Carlos Eduardo Bafutto, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
A agenda cultural do Distrito Federal reúne eventos desta quinta (5) até a próxima quarta-feira (11), com atrações gratuitas em diferentes regiões administrativas. A programação inclui o Arranha-Céu — Festival de Circo Atual, no Espaço Cultural Renato Russo, o festival Viola em Canto’s de Mulher, na Candangolândia, e a estreia do espetáculo A Doutora e o Psiconauta, além de exposições e atividades formativas abertas ao público.
Exposição
No Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, o público pode conferir a exposição Escola em Casa: Sentimentos Presenciais, da fotógrafa Zélú, em cartaz até o dia 13 deste mês, no mezanino do local. O trabalho reúne registros feitos entre 2020 e 2025 em escolas e universidades públicas das cinco regiões do país, e investiga as transformações vividas pela educação brasileira durante e após a pandemia de covid-19. O projeto inclui ainda o lançamento do livro homônimo, com 80 fotografias, e uma conversa com a historiadora e arte-educadora Bruna Paz, no último dia da mostra.
♦ Mostra Escola em Casa: Sentimentos Presenciais
→ Visitação: segunda a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 10h às 20h
→ Local: Mezanino do Espaço Cultural Renato Russo – CRS 508, W3 Sul, Bloco A, Loja 72
→ Lançamento do livro e palestra: dia 13, das 19h às 21h.
Circo
Festival Arranha-Céu tem várias atrações para o público, até domingo, no Espaço Cultural Renato Russo e na Cia Miragem | Foto: Divulgação/Lorena Zschabe
Também no Espaço Cultural Renato Russo, outra atração promete sucesso: o Arranha-Céu — Festival de Circo Atual, em cartaz até domingo (8). A iniciativa reúne espetáculos solo, sessão de cinema e atividades formativas que aproximam o público do universo circense. Entre as atrações estão a montagem de Faminta, da atriz e circense Natasha Jascalevich, além de apresentações que exploram diferentes linguagens do circo contemporâneo.
♦ Arranha-Céu — Festival de Circo Atual
→ Data: até domingo
→ Locais: Espaço Cultural Renato Russo – CRS 508, W3 Sul, Bloco A, Loja 72; e Cia Miragem – Rua 1, Lote 23, Vila Telebrasília
→ Ingressos e inscrições: site do coletivo Instrumento de Ver.
Violeiras
Entre esta sexta-feira e domingo, a Praça dos Estados, na entrada da Candangolândia, recebe a oitava edição do festival Viola em Canto’s de Mulher. O encontro reúne apresentações musicais, oficinas, rodas de bate-papo, feira de artesanato e gastronomia típica. A programação destaca artistas de diferentes regiões do país e integra as celebrações do Dia Internacional da Mulher.
♦ Viola em Canto’s de Mulher
→ Data: desta sexta a domingo Local: Praça dos Estados – entrada da Candangolândia (DF)
→ Entrada gratuita. Classificação livre.
Nos palcos
A Doutora e o Psiconauta, peça inspirada no trabalho da psiquiatra Nise da Silveira, aborda a importância da arteterapia nos cuidados com a saúde mental | Foto: Divulgação
O teatro também entra na agenda cultural da semana. No sábado, o espetáculo A Doutora e o Psiconauta abre temporada no Teatro Brasília Shopping. Inspirada na trajetória da psiquiatra Nise da Silveira, a montagem integra o projeto Arte em Engenho e propõe uma reflexão sobre a arteterapia e o papel da criatividade no cuidado em saúde mental.
♦ Espetáculo A Doutora e o Psiconauta
→ Data: sábado, às 20h
→ Local: Teatro Brasília Shopping
→ Entrada franca.
Festival Dulcina
Além da programação voltada ao público, a semana traz uma oportunidade para artistas e grupos de teatro da região.
O Festival Dulcina abriu inscrições para a seleção oficial de espetáculos do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento (Ride-DF). A convocatória recebe inscrições até o dia 16, e os trabalhos selecionados integrarão a programação da quarta edição do evento, prevista para maio.
♦ Festival Dulcina – Convocatória DF
→ Inscrições gratuitas até o dia 16 deste mês, neste link. O festival vai de 14 a 23 de maio, no Teatro Sesc Paulo Autran, em Taguatinga.
A medida autoriza o processo de seleção das famílias por meio da Plataforma de Governança Territorial. Por meio da página, ocupantes de assentamentos e de áreas rurais da União passíveis de regularização podem solicitar a titulação pela internet, sem a necessidade de ir a uma unidade do Incra.
O Decreto nº 4.887/2003 determina que o Incra é a autarquia competente, na esfera federal, pela titulação dos territórios quilombolas.
Como parte de uma reparação histórica, a política de regularização fundiária de Territórios Quilombolas tem a finalidade de proporcionar vida digna e a continuidade desses grupos étnicos.
CLDF vira passarela para celebrar superação de mulheres vítimas de violência
Desfile “Tecidas de Histórias” apresenta, nesta sexta (6), às 17h, na Galeria Espelho d’Água, “modelos” assistidas pelos comitês de proteção à mulher do GDF
Convidadas especiais ocuparão a passarela, com a intenção de destacar “trajetórias marcadas por coragem e reconstrução”
A Galeria Espelho d’Água da Câmara Legislativa se transformará em passarela. Às 17h desta sexta-feira (6), desfilarão, no local, “modelos” assistidas pelos comitês de proteção à mulher, em grande parte vítimas de violência. O evento, que tem apoio do gabinete da deputada Doutora Jane (MDB), quer celebrar “superação, autoestima e autonomia” e faz parte da programação do Março Mais Mulher, organizado pela Secretaria da Mulher do Distrito Federal.
Intitulado “Tecidas de Histórias”, será “mais que um evento de moda”, segundo o órgão do Governo do Distrito Federal (GDF). Na ocasião, além de mulheres acompanhadas pela pasta, convidadas especiais ocuparão a passarela, “consolidando-se como uma ação estratégica de protagonismo feminino”. A ideia é destacar “trajetórias marcadas por coragem e reconstrução”.
O desfile contará com coleções assinadas pelo estilista Fernando Cardoso e pela Estilosa Boutique, responsáveis pela construção estética e conceitual do evento, que pretende enfatizar “a força e a história” de mulheres atendidas pelos comitês de proteção à mulher.
Política pública recente, o objetivo dos comitês é ampliar a rede de acolhimento e fortalecer a busca ativa de vítimas de violência. A proposta é levar informação, escuta qualificada e orientação com a finalidade de devolver autoestima, visibilidade e dignidade. O atendimento é realizado na própria região onde as mulheres vivem, facilitando, por exemplo, o acesso àquelas que têm medo ou receio de procurar a polícia.