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Brasília Sedia o IV Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro
Evento destaca a riqueza cultural e ancestral do teatro de terreiro com programação gratuita e atrações nacionais e locais
Uma semana de celebração no IV FBTT, com teatro, música, dança e brincadeiras populares, misturando tradições e novas expressões culturais. – Foto: Bruno Jungmann – @brunojungmann/divulgação
A capital federal será palco do IV Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro (FBTT), organizado pelo grupo de cultura popular Fuá de Seu Estrelo. Com o tema “O verbo do teatro é sonhar”, o evento celebra a importância do teatro como uma prática ancestral e culturalmente rica no Brasil, trazendo uma programação diversificada e vibrante.
A abertura do festival acontece neste sábado (31), às 22h, no Terreiro de Mãe Baiana, Ilê Axé Oyá Bagan, localizado no Paranoá. A cerimônia inaugural marcará o início de uma semana repleta de atividades, incluindo teatro, música, dança e brincadeiras populares, além de outras formas de expressão cultural.
De 9 a 15 de setembro, o Centro Tradicional de Invenção Cultural, sede do Grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, será o palco principal das apresentações. A programação contará com uma série de espetáculos locais e nacionais, reunindo artistas e grupos renomados no cenário do teatro de terreiro, como Helder Vasconcelos (PE), Odília Nunes (PE), Mestre Aguinaldo (PE), Mundo Rodá (SP) e La Mínima (SP). Artistas locais também terão destaque, entre eles Zé Regino, Coletivo EntreVazios, As Caixeiras Cia. de Bonecas, Mamulengo Fuzuê e a Orquestra Alada Trovão da Mata.
Tico Magalhães, fundador do grupo, define o teatro de terreiro como uma manifestação que “tem como base a abrição do imaginário. Uma feitura teatral artesanal, inventiva e não colonial. Um teatro que abre espaço para que o nosso lugar nos habite, partindo de cada brincante que, por meio de um mergulho em seu interior, cria, improvisa, recebe a figura e permite que ela nos atravesse”.
A entrada para todos os eventos será gratuita. O festival é realizado pelo Centro Tradicional de Invenção Cultural, Grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, com o apoio do Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
Seu Estrelo
Em março deste ano, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) reconheceu o grupo cultural Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro como Patrimônio Imaterial do Distrito Federal. Fundado por Tico Magalhães em 2004, o grupo é um bloco cultural que celebra elementos culturais do Cerrado, combinando tradições do teatro popular e de terreiro. Segundo a assessoria do grupo, a tradição criada pelo Fuá de Seu Estrelo evoca o conceito de patrimônio ao “invocar o passado e mostrar que tradição e identidade estão em constante movimento, não parando no tempo”.
O grupo busca oferecer à cidade um “identificador cultural”, ampliando sua geografia através da fantasia, apresentando um novo samba, uma nova forma de teatro, novas festas populares, e uma inventiva escola de cultura tradicional. Com sua mitologia própria e um estilo de samba único, o Fuá de Seu Estrelo é uma tradição moderna que mescla o real e o imaginário do Planalto Central em suas apresentações.
Programação do IV Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro
31 de agosto (sábado)
22h – Abertura: Orquestra Alada Trovão da Mata (DF)
Local: Ilê Axé Oyá Bagan, Paranoá
Entrada: 1kg de alimento não perecível
9 a 15 de setembro
Local: Centro Tradicional de Invenção Cultural (813 Sul)
9/09 (segunda-feira)
20h – Rodas de Palhaço | Cia La Mínima (SP)
10/09 (terça-feira)
20h – Memórias da Rabeca | Cia Mundu Rodá (SP)
11/09 (quarta-feira)
20h – Decripolou Totepou | Odília Nunes (PE)
12/09 (quinta-feira)
20h – Roda de Conversa com Mestra Nice (PE) e Mestre Tico Magalhães (DF)
13/09 (sexta-feira)
18h30 – “Uma trilogia de teatro lambe-lambe: enquanto houver amor eu me transformo” | As Caixeiras Cia de Bonecas (DF)
20h30 – “6ª Roda: O Alado ou o Portão Qualquerer” | Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro (DF)
14/09 (sábado)
18h – “A flor da cana” | Mestre Agnaldo (PE)
20h – “4ª Roda ou o Amor é um rio sem margem” | Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro (DF)
15/09 (domingo)
17h – “Carrego o que posso faço o quintal onde dá” | Coletivo Entrevazios (DF)
20h – “Espiral Brinquedo Meu” | Helder Vasconcelos (PE)
Mais informações podem ser encontradas na página do grupo nas redes sociais.
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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ
O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.
No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.
Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…) formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.
Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.
Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.
DESCRIÇÃO COMPLETA
Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:
“Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.
MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO
“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.
Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo, a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO
Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.
Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.
Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.
SAIBA MAIS
Veja duas outras matérias:
1) O batismo e a
cronologia da criação e urbanização.
2) Como o modelo de gestão participativa levou
o município de Maringá a bater recordes
de competitividade e de sustentabilidade.

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