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SUCURI GRÁVIDA ATROPELADA
Mais de 50 filhotinhos se ejetaram de uma sucuri-verde grávida, que foi atropelada em rodovia no Mato Grosso. A história documentada é um alerta aos motoristas que dirigem em parques e reservas.
A história e a foto são dramáticas. Uma sucuri de mais de 5 metros foi atropelada na rodovia MT-338, em Porto dos Gaúchos, a 644km de Cuiabá. Estatelada no asfalto, a mãe deixou expostos mais de 50 filhotinhos. Essa espécie de cobra, chamada de sucuri-verde, é comum na região e chega a pesar 130 quilos.
Quem postou o vídeo nas redes sociais foi o ‘youtuber’ e empresário na área de turismo e pesca esportiva Ederson Negri Antonioli, morador de Alta Floresta < @edersonnegriantonioli >. Ederson tem parcerias de pesca com os índios Mundurucus e Kayabis para receber turistas na região norte de Mato Grosso.
Na gravação é possível ver a cobra estatelada no meio do asfalto com a barriga aberta e uma placenta branca arrebentada de onde são expelidos dezenas de filhotinhos com cerca de 15 centímetros cada. O vídeo viralizou nas redes sociais e foi motivo de muitas reportagens nas tevês e jornais.

O VIDEO
Por telefone, conversei com Ederson Negri Antonioli que falou sobre seu trabalho com ecoturismo na região de Alta Floresta e as parcerias com os ribeirinhos e as reservas indígenas para o desenvolvimento de suas atividades. Sobre a gravação, Ederson explicou que o vídeo é uma forma de divulgar e conscientizar as pessoas, moradores e turistas, para os cuidados no tráfego pelas estradas que cortam reservas e parques estaduais e nacionais. “É uma tragédia que pode e tem que ser evitada – salientou. O ecoturismo é importante para ampliar o conhecimento e para despertar o amor à natureza. Este vídeo quem fez foi Adriano Próspero que esteve aqui pescando comigo no rio Cururu, que nasce dentro da Reserva do Cachimbo. Quando voltou, ele ficou chocado com a cena. Então me enviou para eu divulgar. É trágico, mas é também um alerta para que se conscientize de nossas responsabilidades em preservar, proteger e cuidar da natureza”.

Ederson Negri Antonioli trabalha com ecoturismo e compartilhou os vídeos em suas redes sociais. Por telefone à Folha do Meio Ambiente, Ederson explicou que quem fez a gravação foi Adriano Próspero que lhe enviou o vídeo porque achava importante a divulgação. “É uma tragédia impactante contra a natureza. É preciso que os motoristas tenham muito cuidado quando trafegam por regiões florestais, parques nacionais e reservas ecológicas”, alertou Ederson Negri. (foto: arquivo pessoal FB)
O biólogo Henrique Abrahão, especialista em cobras e serpentes, comentou o caso em suas redes sociais, que essa espécie de cobra não bota ovos como outras serpentes. Ela estava em fase final de gravidez. Os filhotinhos crescem no útero da mãe e saem quando estão prontos. Apenas alguns deles conseguem chegar à fase adulta. O biólogo ainda chamou a atenção para como as estradas são um dos grandes causadores de mortes de animais, não apenas de serpentes.
Há três tipos de sucuris no Brasil:
- A eunectes-murinus, conhecida como sucuri-verde, é encontrada em 20 estados. Ela é a mais comum na região Norte do país;
- Eunectes deschauenseei, conhecida como sucuri-malhada – é encontrada no Amapá e Pará;
- Eunectes notaeus, conhecida como sucuri-amarela – é encontrada no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
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A TV JUSTIÇA E A INJUSTIÇA
SE UMA IMAGEM VALE POR MIL PALAVRAS, QUANTO VALE A UMA TRANSMISSÃO AO VIVO EM REDE NACIONAL?

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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ
O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.
No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.
Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…) formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.
Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.
Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.
DESCRIÇÃO COMPLETA
Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:
“Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.
MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO
“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.
Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo, a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO
Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.
Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.
Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.
SAIBA MAIS
Veja duas outras matérias:
1) O batismo e a
cronologia da criação e urbanização.
2) Como o modelo de gestão participativa levou
o município de Maringá a bater recordes
de competitividade e de sustentabilidade.
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