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SETE NOMES PARA CONHECER E ADMIRAR

Dos muitos professores brasileiros e estrangeiros que influenciaram ou participaram da discussão e da implantação da Embrapa, pelo menos sete nomes (além, é lógico, do professor José Pastore – ler sua entrevista) saltam à vista com um efetivo, contínuo e sólido trabalho. Dos oito, apenas três estão vivos e atuantes: ex-ministro Cirne Lima, José Pastore e Eliseu Alves. Os outros cinco são: Theodore Schultz – Aloísio Monteiro Campelo – G. Edward Schuh – Barbara McClintock – Alysson Paolinelli.

 

EMBRAPA: HISTÓRIA BRASILEIRA DE SUCESSO 4

(*1) THEODORE SCHULTZ – (1902-1998)

Theodore Schultz: “O investimento em capital humano é responsável pela prosperidade e pela maior parte do aumento nos ganhos reais por trabalhador”.

 

THEODORE SCHULTZ recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 1979 por seu trabalho sobre desenvolvimento econômico, focado na economia agrícola. Ele fez o seu doutorado em economia na University of Wisconsin–Madison, tendo completado em 1930. Ele dedicou sua vida à análise do papel da agricultura na economia e seu trabalho teve profundas repercussões nas políticas públicas de vários países. Após a Grande Guerra, Schultz pesquisou a rápida recuperação da Alemanha e do Japão, comparando a situação desses países à do Reino Unidos, onde houve racionamento de alimentos por muito tempo. Concluiu que a velocidade de recuperação se devia a uma população saudável e altamente educada. Segundo ele, a educação torna as pessoas produtivas e a boa atenção à saúde aumenta o retorno do investimento em educação. Foi o pai das teorias de capital humano.

 

 

(*2) ALOÍSIO CAMPELO (1927-1999)

 

ALOÍSIO MONTEIRO CARNEIRO CAMPELO foi Secretário do Ministro da Agricultura em 1946. Chefe do Departamento Administrativo da ABCAR no período de 1958 a 1966, nesse mesmo ano foi nomeado secretário executivo da ABCAR onde permaneceu até 1973. O prestígio da ABCAR e do secretário Aloísio Campelo era muito grande junto ao ministro Cirne Lima. O sistema ABCAR eram os olhos e os braços do governo, numa expressão do próprio ministro da Fazenda     Delfim Netto. Aloísio Campelo ocupava um cargo importante no ministério. Entretanto, um dos opositores pessoais de Campelo era seu conterrâneo, o pernambucano Moura Cavalcante, na época, presidente do INCRA. Nesse momento histórico, ocorre um desentendimento entre o ministro Cirne Lima e Delfim Netto. O ministro Cirne Lima pede demissão, e o presidente Médici nomeia, em seu lugar, justamente Moura Cavalcanti, que promoveu a exoneração de Aloísio Campelo do cargo de secretário executivo da ABCAR. Depois, Aloisio Campelo foi nomeado presidente da Suframa (2/01/1975 a 15/03/1979).

 

(*3) ELISEU ALVES

Eliseu Alves recebe a comenda Ordem do Sol Nascente, dada pelo Imperador do Japão, entregue pessoalmente pelo embaixador Teiji Hayashi.  A parceria entre a Embrapa e a JICA [Agência de Cooperação Internacional do Japão] resultou na produção de alimentos no Cerrado brasileiro e viabilizou o acesso de produtos agropecuários em quantidade qualidade à população do Brasil e do Japão.

(*3) ELISEU ROBERTO DE ANDRADE ALVES é daqueles brasileiros que tem uma obra muito mais conhecida do que a si próprio. A sua modéstia, simplicidade e pureza de propósitos são contagiantes. O seu papel na consolidação da Embrapa foi crucial, por ter participado de sua criação, ter sido diretor de Recursos Humanos e, presidente da empresa entre 1980-1985. Eliseu Alves foi o único que trabalhou no projeto, na criação e na implantação da Embrapa. É o pioneiro do antes, do durante e do depois. Até os dias atuais. Nenhum outro nome esteve tão envolvido com a Embrapa como ele. Na década de 1970, como diretor de Recursos Humanos, Eliseu enviou para as melhores universidades do mundo cerca de 2.500 jovens agrônomos, economistas rurais e veterinários brasileiros, trazendo-os de volta com títulos de Mestrado e Ph.D. Este foi o segredo de sucesso da Embrapa.

Em 1985, Eliseu recebeu o título de Doutor Honoris Causa conferido pela Universidade de Purdue, onde fizera o doutorado. Em maio de 2017, a Universidade de Viçosa lhe conferiu o mesmo título. 

Em 1987, a Associação das Universidades Públicas Americanas, que reúne 238 instituições, 5,7 milhões de estudantes (graduação e pós-graduação), 1,2 milhões de empregados e investe cerca de 40 bilhões de dólares em pesquisas, reconheceu Eliseu Alves como um dos mais destacados estudantes estrangeiros que já passaram por suas salas de aula. Até então, apenas cinco outros brasileiros haviam merecido tal honraria, entre eles o sociólogo José Pastore.

O jornalista Sebastião Nery deixou registrado em livro que “Eliseu Alves foi um dos responsáveis pela Revolução Verde Tropical, pelas tecnologias agropecuárias desenvolvidas para a região tropical e fez do AGRO brasileiro uma ‘siderúrgica’ para matar a fome do mundo. Eliseu passou a vida formando técnicos e tendo disponibilidade de recursos públicos para gerir e aplicar na formação de capital humano. Tanto na Embrapa como na Codevasf.

Hoje, aos 94 anos, Eliseu Alves se afastou da vida pública de forma honrada. Como os profetas, Eliseu Alves entrou e saiu da cidade do poder de mãos limpas”.

 

 

(*4) MINISTRO CIRNE LIMA

Para professor Cirne Lima, ex-ministro da Agricultura “investir na educação de jovens é investir na transformação da sociedade”.

 

(*4) MINISTRO LUIZ FERNANDO CIRNE LIMA (Porto Alegre, 01/janeiro/1933) é um educador e empreendedor brasileiro dos bons. Entrou para a Faculdade Federal de Agronomia do Rio Grande do Sul em 1951 e se formou em 1954. Com dois anos de formado, fez concurso para professor e ocupou a cadeira de Zootecnia. Foi ministro da Agricultura no governo Emílio Garrastazu Médici, de 30 de outubro de 1969 a 9 de maio de 1973. Cirne Lima é referência como gestor, consultor e teve participação política destacada não só no setor agrícola como, também, o industrial. Foi presidente da Copesul (Companhia Petroquímica do Sul) sempre investindo na infraestrutura de escolas da região, com o melhoramento dos laboratórios de informática, quadras esportivas e bibliotecas. Para Cirne Lima, “investir na educação de jovens é investir na transformação da sociedade”.

Cirne Lima foi o primeiro brasileiro a julgar bovinos de raça na Inglaterra, no ‘Royal Show’, berço da genética. Cirne deu impulso à pecuária do Sul. Em 1968, ele era presidente da Farsul (Federação da Agricultura do RS) quando a Secretaria da Agricultura decidiu fazer a primeira Expointer em Esteio.

Aos 92 anos, até hoje o ex-ministro cobra investimentos em pesquisa e na infraestrutura para escoamento da safra agrícola. Para ele, o que cabe ao setor público constitui o grande drama do agronegócio brasileiro. ‘Não temos logística de infraestrutura para a agricultura. É inadmissível que caminhões carregados com soja deixem Rondonópolis, em Mato Grosso, em direção ao porto de Santos que, muito congestionado, obriga os caminhões a seguirem viagem para outros portos”. E diz mais: “Claro que temos que aumentar a produtividade nas lavouras, mas o governo precisa cumprir um pouco a sua parte. Nossa produtividade média é superior à dos Estados Unidos em soja e algodão, somos inferiores somente em milho. Mas a infraestrutura norte-americana faz a diferença.” O fato é que o ministro Cirne Lima fez, faz e fará sempre a diferença na gestão da agropecuária brasileira.

 

 

(*5) G. EDWARD SCHUH (1931-2008)

Edward Schuh: “Durante muito tempo o Brasil procurou sua expansão agrícola incorporando novas terras. Essa política foi de baixa produtividade.  A partir da Embrapa, o Brasil optou por uma política de alta produtividade. Decisão acertada que promete ter ainda maiores e melhores resultados”.

 

(*5) G. EDWARD SCHUH (1931-2008) Se existe algum brasilianista de cara e coração ele se chama Edward Schuh, ou Ed Schuh, como gostava de ser chamado. Além de vários estudos e publicações sobre o Brasil, como “O desenvolvimento da agricultura no Brasil/G. Edward Schuh, em colaboração com Eliseu Roberto Alves”, o professor Schuh foi um mestre que mudou a economia nos Estados Unidos, onde nasceu, e no Brasil, onde lecionou e trabalhou, como afirma o professor Terry Roe, da Universidade de Minnsota, Ed Schuh valorizou a agricultura no contexto macroeconômico e fez com suas aulas e estudos uma enorme diferença em todas as dimensões da vida.

Formou-se em Agricultural Education na Purdue University em 1952. Obteve o título de Master of Science em Agricultural Economics na Michigan State University em 1954. Após dois anos servindo ao Exército Americano na Coréia do Sul e no Japão, ingressou na University of Chicago em 1956, onde obteve os títulos de Master of Arts em 1958 e de Ph.D em 1961.

Na Purdue University, realizou brilhante carreira de professor entre 1961 e 1979. Atraiu um bom número de brasileiros para realizar programas de Ph.D em economia rural. Eliseu Alves, Antônio Salazar Pessoa Brandão, Alberto Veiga, Mauro Lopes, Ignez Lopes, José Ramalho, Andrés Villas, Túlio Barbosa, Teotônio Teixeira, Antônio Jorge de Oliveira, Guilherme Dias (em pesquisa sobre agricultura de baixa renda) são bons exemplos de uma sólida convivência acadêmica com o professor-amigo Ed Schuh. Entre 1984 e 1987, foi diretor do Departamento de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Banco Mundial, em Washington-DC. Em seguida, retorna à University of Minnesota, como dean do Humphrey Institute of Public Affairs (1987-1997) e, depois, como coordenador de International Fellowship Programs desse Instituto (1997-2003).

Tal como acontecera na Purdue University, outros brasileiros – como Geraldo Calegar, Carlos Santana, Ana Lucia Kassouf, Afonso Negri Neto, Geraldo de Camargo Barros, Vitor Hoeflich, Carlos Ayres, Petrônio Vilela Filho e o próprio Salazar Brandão – realizaram seus programas de Ph.D, de pós-doutorado ou de professor visitante na University of Minnesota.

Em sua aposentadoria foi homenageado, em maio de 2007, com a realização do chamado Schuh Symposium sobre o tema “Toward a Global Food and Agricultural for an Open International Economy” em Minneapolis. 

Na academia, vale dizer, Schuc orientou pelo menos 150 dissertações e teses de mestrado e doutorado. Desse total, 40 foram sobre problemas brasileiros.

 

(*6) BARBARA McCLINTOCK (*1902-+1992)

Barbara McClintock, doutora em Botânica, é considerada uma das três figuras mais importantes da história da genética. McClintock, nasceu em Hartford, capital do estado de Connecticut, estudou na Faculdade de Agricultura de Cornell-Nova York e venceu o Prêmio Nobel de Medicina em 1983.

O foco principal da pesquisa de Barbara McClintock era na citogenética do milho e em formas de visualizar e caracterizar os cromossomos da planta. Ela foi a responsável por publicar o primeiro mapa genético do cereal. Descobriu ainda que a informação genética não é imóvel e que os genes podem ligar ou desligar a manifestação de certos fenótipos. Também é dela uma das maiores revelações da genética: os genes saltadores que causam o fenômeno conhecido como transposição genética. Esses genes têm a capacidade de se inserirem dentro de outros genes e podem causar doenças, assim como modificar a informação genética do organismo — em humanos, o fenômeno é aplicado em terapias gênicas, por exemplo, com a inserção de mecanismos que podem consertar ou regular defeitos genéticos.

 

(*7) ALYSSON PAOLINELLI (10/julho/1936 – 29/junho/2023)

A chegada de Alysson Paolinelli ao Ministério, em 1974, desanuviou tudo. Ele também era da cepa acadêmica e acompanhava de perto, como secretário da Agricultura de Minas Gerais, tudo o que vinha acontecendo no setor. Como era amigo do grupo como o Eliseu, Renato Simplício, do Irineu, do Cirne Lima e meu, os tempos de entusiasmo voltaram”.

 

ALYSSON PAOLINELLI – Com a posse da primeira diretoria no dia 26 de abril de 1973, marco inicial da sua fundação, a Embrapa passou a se dedicar à organização e à estruturação da empresa. Começou com a incorporação do patrimônio do extinto DNPEA. As transformações mais impactantes, no entanto, só foram acontecer em 1974, durante o governo Ernesto Geisel, tendo à frente, como ministro da Agricultura, o engenheiro agrônomo mineiro e professor da ESAL, Alysson Paolinelli. Bem diz José Pastore: “A chegada de Alysson Paolinelli ao Ministério desanuviou tudo. Ele também é da cepa acadêmica e acompanhava de perto, como secretário da Agricultura de Minas Gerais, tudo o que vinha acontecendo no setor. Como era amigo do grupo como o Eliseu, Renato Simplício, do Irineu, do Cirne Lima e meu, os tempos de entusiasmo voltaram”.

Quando assumiu o Ministério da Agricultura, em 15 de março de 1974, Paolinelli continuou o programa que tinha no governo de Minas que era a ocupação do Cerrado. “Naquela época, dizia ele, a região do Cerrado era mais para mineração e pastagem extensiva. Era terra de fazer longe… Só herdada ou dada. Foi a Embrapa e os investimentos na busca de novas tecnologias que mudaram este quadro. Hoje o Cerrado é um celeiro, um centro produtor de soja, trigo, milho, café, algodão, frutas e hortaliças com produtividade altíssima.

Filho do engenheiro agrônomo Antônio Paolinelli, Alysson deixou Bambuí, sua cidade natal, aos 15 anos, para estudar na ESAL, hoje Universidade Federal de Lavras. Formou-se em 1959.  No mesmo ano tornou-se professor na instituição, onde mais tarde ocuparia o cargo de diretor. No governo Rondon Pacheco, em 1971, assumiu a Secretaria de Agricultura de MG e criou incentivos e inovações tecnológicas que colaboraram para que o Estado se tornasse o maior produtor de café do Brasil.

Em 2006, Alysson Paolinelli ganhou o prêmio World Food Prize, equivalente ao Nobel da alimentação, dado a pessoas que ajudaram consideravelmente a população a melhorar a qualidade, quantidade ou disponibilidade de alimentos no mundo.

 

SAIBA MAIS:
https://folhadomeio.com/2025/02/jose-pastore-conta-a-a-historia-da-embrapa-que-ninguem-contou/

 

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Museu do Catetinho estreia experiência em realidade virtual com inspiração em Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Temporada do filme ‘Água de Beber’ começa neste sábado (25) e segue até setembro, com acesso gratuito aos visitantes

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Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

O Museu do Catetinho, espaço gerido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), inaugura neste sábado (25) a exibição do curta-metragem Água de Beber em realidade virtual. A experiência estará disponível ao público até setembro, com seis óculos instalados em pontos fixos do museu para uso dos visitantes.

Com oito minutos de duração, o filme recria a inspiração da canção homônima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes a partir da fonte localizada no próprio Catetinho. Dirigido por Filipe Gontijo e Henrique Siqueira, o curta propõe uma imersão sensorial que conecta memória, música e patrimônio histórico em um dos espaços simbólicos da capital federal.

A iniciativa conta com o Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), instrumento público de fomento que viabiliza projetos culturais em diferentes linguagens e territórios. No caso da produção audiovisual, o recurso permite ampliar o acesso da população a novas formas de fruição cultural, incorporando tecnologias como a realidade virtual ao circuito de visitação.

 

Para o secretário interino de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, a ação evidencia o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura e na valorização dos espaços históricos. “Ao ocupar o Museu do Catetinho com uma experiência que dialoga com a história da música brasileira e com a identidade do espaço, ampliamos as possibilidades de fruição cultural e reforçamos o compromisso do poder público com a democratização da cultura”, afirma.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

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Brasília

Feita de sonhos, sotaques e muita coragem

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Foto: Diogo Lima / Agência CLDF

 

Mais do que um cartão-postal reconhecido mundialmente por sua arquitetura e urbanismo, Brasília é uma cidade pulsante, construída diariamente por pessoas que transformam sonhos em realidade. Capital do país e símbolo de modernidade, a cidade reúne história, diversidade cultural e desenvolvimento, mantendo vivo o espírito inovador que marcou sua criação.

Ao longo de seus 66 anos, Brasília consolidou-se como centro político e administrativo do Brasil, mas também como espaço de oportunidades, acolhimento e cidadania. Em cada região administrativa, a população ajuda a escrever uma trajetória marcada por crescimento, trabalho e esperança no futuro.

Nesse caminho, a Câmara Legislativa do Distrito Federal desempenha papel essencial ao representar a voz da população, criar leis e fiscalizar ações que impactam diretamente a vida dos cidadãos. O trabalho parlamentar contribui para fortalecer políticas públicas e garantir direitos em áreas fundamentais como saúde, educação, mobilidade e segurança.

Celebrar o aniversário de Brasília é reconhecer a grandeza de uma cidade planejada para o futuro e construída por todos os brasilienses. Mais do que monumentos e paisagens icônicas, Brasília é feita de pessoas, histórias e conquistas que seguem moldando o presente e inspirando as próximas gerações.

 

Agência CLDF

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Mariangela Hungria está na lista Time das 100 personalidades mais influentes do mundo

A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo

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A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo. A lista disponibilizada hoje no site da Time reconhece o impacto, a inovação e as conquistas de personalidades mundiais. Mariangela destacou a emoção com o reconhecimento e disse que a conquista ainda parece difícil de acreditar. “Estamos falando de um reconhecimento das pessoas mais influentes do mundo”, afirmou. A pesquisadora também ressaltou o orgulho de representar a ciência brasileira no cenário internacional. Para ela, essa valorização não é resultado apenas sua trajetória, mas do trabalho desenvolvido na Embrapa, especialmente na área de insumos biológicos na agricultura. “É um grande orgulho para a pesquisa brasileira, principalmente por um tema tão relevante: o uso de biológicos substituindo produtos químicos”, explicou.

Mariangela destacou ainda que esse reconhecimento reflete uma mudança global de percepção, com maior valorização de práticas sustentáveis e da produção de alimentos mais saudáveis. “Isso mostra que o mundo considera importante produzir alimentos que promovam a saúde do solo e das pessoas, com menos resíduos químicos, dentro do conceito de saúde única”, disse. Ela acredita que a visibilidade pode fortalecer ainda mais o protagonismo do Brasil no setor. “Além da alegria pelo reconhecimento, isso ajuda a divulgar essa bandeira dos biológicos, na qual o Brasil já é líder mundial — e pode se tornar ainda mais”, concluiu.

Quem é Mariangela Hungria

Nascida em 06 de fevereiro de 1958, em São Paulo, e criada em Itapetinga (SP), Mariangela Hungria é engenheira agrônoma, pesquisadora e professora universitária, reconhecida mundialmente por sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira. Desde a infância, teve curiosidade por conhecer o que envolve os aspectos relacionados à terra, à água e ao ar. Quando tinha oito anos, ganhou da avó materna o livro “Caçadores de Micróbios”, de Paul de Kruif, sobre a vida de microbiologistas. Depois dessa leitura, decidiu que queria ser microbiologista, mas não na área médica — tinha que ser sobre solo e plantas. Sua busca por conhecimento e seu espírito científico, a levaram a cursar Engenharia Agronômica e se especializar em microbiologia do solo, tornando-se uma das mais renomadas microbiologistas do mundo.

Desde 1982, Mariangela desenvolve inovações que resultaramno lançamento de mais de 30 tecnologias. A cientista possui mais de 500 publicações científicas, documentos técnicos, livros e capítulos de livros. Também já orientou mais de 200 alunos de graduação e pós-graduação.

Para a pesquisadora, há uma crescente demanda global por aumento da produção e da qualidade dos alimentos, mas com sustentabilidade, o que significa reduzir a poluição do solo e da água e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. De acordo com Mariangela, o desenvolvimento sustentável na agricultura deve se alinhar com novos conceitos, enfatizando a “Saúde Única” (One Health), a “Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG)” e a nova visão de agricultura regenerativa. Essa abordagem busca produzir mais com menos — menos insumos, menos água, menos terra, menos esforço humano e menor impacto ambiental.

Contribuições à produção agrícola

O foco das pesquisas de Mariangela Hungria tem sido no aumento da produção e na qualidade de alimentos por meio da substituição, total ou parcial, de fertilizantes químicos por microrganismos portadores de propriedades como a fixação biológica de nitrogênio (FBN), a síntese de fitormônios e a solubilização de fosfatos e rochas potássicas. Ela obteve resultados inovadores ao provar que, ao contrário de relatos dos EUA, Austrália e Europa, a inoculação anual da soja com Bradyrhizobium aumenta, em média, 8% a produção de grãos de soja. Ainda mais relevante, altos rendimentos são conseguidos sem nenhuma aplicação de fertilizante nitrogenado e a confirmação desses benefícios pelo agricultor está na adoção dessa prática, 85% de toda a área cultivada com soja.

Outra tecnologia lançada pela pesquisadora, em 2014, foi a coinoculação da soja, que une as bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e as bactérias promotoras de crescimento de plantas (Azospirillum brasilense). Em pouco mais de dez anos, a coinoculação passou a ser adotada em aproximadamente 35% da área total cultivada de soja.

Reunindo os benefícios da inoculação e da coinoculação da soja, somente em 2025, a economia estimada, ao dispensar o uso de fertilizantes nitrogenados, foi estimada em 25 bilhões de dólares. Além do benefício econômico, o uso dessas bactérias ajudou a mitigar, em 2024, a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes para a atmosfera.

Associado aos trabalhos com soja, a pesquisadora também coordena pesquisas que culminaram com o lançamento de outras tecnologias: autorização/recomendação de bactérias (rizóbios) e coinoculação para a cultura do feijoeiro, Azospirillum brasiliense para as culturas do milho e do trigo e de pastagens com braquiárias. Ainda em relação às gramíneas, em 2021, a equipe da pesquisadora lançou uma tecnologia que permite a redução de 25% na fertilização nitrogenada de cobertura em milho por meio da inoculação com A. brasilense, gerando benefícios econômicos significativos para os agricultores e impactos ambientais positivos para o país.

Trajetória  profissional

Mariangela Hungria é Engenharia Agronômica (Esalq/USP),com mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (Esalq/USP), doutorado em Ciência do Solo (UFRRJ). Na sequência,cursou o doutorado na UFRRJ. A tese foi realizada na Embrapa, a convite da pesquisadora Johanna Döbereiner, cientista que revolucionou a agricultura tropical ao descobrir e aplicar a fixação biológica de nitrogênio (FBN) em culturas agrícolas. Mariangela considera Johanna Döbereiner a mentora mais influente da sua carreira, por ter colaborado decisivamente com sua formação como cientista.

Em 1982, tornou-se pesquisadora da Embrapa: inicialmente na Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ) e, desde 1991, na Embrapa Soja (Londrina, PR). Mariangela acumula ainda três pós-doutorado em universidades nos Estados Unidos e Espanha (Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla).

RECONHECIMENTOS

Mariangela Hungria, laureada da edição de 2025 do Prêmio Mundial de Alimentação – World Food Prize (WFP) – reconhecido como o “Nobel da Agricultura”, recebeu a homenagem em 23 de outubro, em Des Moines, nos Estados Unidos. O Prêmio, concedido pela Fundação World FoodPrize, celebra o impacto positivo das pesquisas da cientista brasileira e sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira.

Mariangela é também comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Mundial de Ciências. É professora e orientadora da pós-graduação em Microbiologia e em Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina. Atua também na Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e na Sociedade Brasileira de Microbiologia.

Desde 2020 Mariangela está classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com o estudo da Universidade de Stanford (EUA). Em 2022, a pesquisadora ocupou a primeira posição brasileira, confirmada em 2025, em Fitotecnia e Agronomia (Plant Science and Agronomy) e em Microbiologia, em lista publicada pelo Research.com, um site que oferece dados sobre contribuições científicas em nível mundial.

Já recebeu várias premiações pela sustentabilidade em agricultura, como o Frederico Menezes, Lenovo-Academia Mundial de Ciências, da Frente Parlamentar Agropecuária eda Fundação Bunge. Em 2025, recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. Em 2026, entrou na lista Forbes que destaca 10 personalidades mundiais que personificam a liderança no agronegócio.

Lebna Landgraf (MTb 2903 -PR)
Embrapa Soja

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