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Com entrada e transporte gratuitos, final do Candangão reúne milhares de brasilienses na Arena BRB Mané Garrincha
Torcida faz festa na decisão entre Gama e Capital, mostrando força do futebol brasiliense; partida definiu o campeão do Candangão 2025
Por Victor Fuzeira, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira
Milhares de brasilienses marcaram presença, neste sábado (29), na Arena BRB Mané Garrincha para acompanhar a final do Campeonato Brasiliense de Futebol 2025 entre Gama e Capital. Com ingressos e transporte público gratuitos, benefício concedido pelo Governo do Distrito Federal (GDF), o estádio recebeu 37.845 pessoas para a decisão.
Com a vitória, o Gama conquistou o 14º título local. O alviverde chegou à final após eliminar o arquirrival Brasiliense. Já o Capital alcançou a sua segunda final consecutiva após superar o Ceilândia.
“Sempre assisti aos jogos do Gama no Bezerrão, mas nunca tinha visto meu time no Mané. É maravilhoso”, destacou Felipe Nunes, estudante de 16 anos | Fotos: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília
Entre os torcedores presentes, estava o estudante Felipe Nunes, 16 anos, que veio com a família do Gama, destacou a oportunidade inédita. “Sempre assisti aos jogos do Gama no Bezerrão, mas nunca tinha visto meu time no Mané. É maravilhoso todo mundo poder vir e fazer uma festa bonita. O Gama tem muita tradição e está se reerguendo”, disse ele, empolgado.
O irmão, Fernando Nunes, 13 anos, lembrou que medidas como essa democratizam o acesso ao esporte. “Vim ao Mané para ver Flamengo e Botafogo, mas tive que pagar ingresso. Agora, tem muita gente que torce para o Gama e que não teria condições de vir se não fosse de graça”, afirmou.
Christopher Gustavo Soares, 27 anos, assistente administrativo, celebrou o engajamento dos torcedores. “Os ingressos esgotaram rápido, e a população abraçou a iniciativa. Dá pra ver que o brasiliense quer muito o futebol local valorizado”
Os torcedores do Capital também marcaram presença e elogiaram a ação. Para Hanilton Soares, 54 anos, autônomo de Samambaia, o incentivo ao futebol local precisa ser repetido. “Somos carentes de partidas do Candangão no Mané Garrincha. É um privilégio poder assistir ao meu time aqui”, afirmou.
A grande procura pelos ingressos, distribuídos via plataforma digital, reforçou o sucesso da medida. Christopher Gustavo Soares, 27 anos, assistente administrativo, celebrou o engajamento dos torcedores. “Os ingressos esgotaram rápido, e a população abraçou a iniciativa. Dá pra ver que o brasiliense quer muito o futebol local valorizado”, disse.
Mais de 37 mil pessoas estiveram na Arena BRB Mané Garrincha para acompanhar a final do Candangão 2025
A decisão do Candangão veio poucos dias após a Seleção Brasileira derrotar a Colômbia no mesmo estádio, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em jogo que registrou o maior público do Brasil no ano, com mais de 70 mil pessoas. O sucesso das duas partidas reforça a vocação de Brasília para grandes eventos esportivos e o amor do público local pelo futebol.
Vai de Graça
Além dos ingressos gratuitos, o programa Vai de Graça garantiu transporte sem custos durante todo o fim de semana, facilitando o deslocamento dos torcedores. A medida foi publicada no Diário Oficial do DF na sexta-feira (28) e valeu até 23h59 do domingo.
Em funcionamento desde 1º março, quando entrou em vigor no Carnaval, o Vai de Graça tem permitido que milhares de brasilienses e visitantes da capital utilizem os ônibus e o metrô gratuitamente aos domingos e feriados.
Ele disponibiliza transporte público gratuito, incluindo BRT e Zebrinhas, para incentivar o uso dos ônibus, reduzir a dependência do transporte individual e promover a inclusão social. E o mesmo vale para o metrô. Os passageiros podem utilizar Cartão Mobilidade, Vale-Transporte, PcD, Idoso ou Passe Livre Estudantil para a liberação automática na catraca – para quem não tem nenhuma das opções, podem ser utilizados cartões de crédito e débito, sem qualquer cobrança. Cobradores e fiscais estão orientados a auxiliar os passageiros nos ônibus e nas estações de metrô.
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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ
O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.
No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.
Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…) formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.
Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.
Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.
DESCRIÇÃO COMPLETA
Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:
“Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.
MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO
“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.
Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo, a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO
Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.
Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.
Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.
SAIBA MAIS
Veja duas outras matérias:
1) O batismo e a
cronologia da criação e urbanização.
2) Como o modelo de gestão participativa levou
o município de Maringá a bater recordes
de competitividade e de sustentabilidade.
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