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Troca da Bandeira atrai brasilienses e turistas em celebração aos 65 anos de Brasília
Solenidade de substituição da Bandeira Nacional faz parte do turismo cívico brasileiro e foi organizada pelo GDF, por intermédio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros
Por Victor Fuzeira, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader
Na véspera do aniversário de 65 anos de Brasília, o Governo do Distrito Federal (GDF) promoveu, neste domingo (20), uma edição especial da cerimônia de Troca da Bandeira Nacional, na Praça dos Três Poderes.
“A troca da Bandeira Nacional é um momento cívico muito importante e tem um forte simbolismo. No aniversário de Brasília, esse hasteamento tem ainda mais relevância. É por isso que nos reunimos aqui na Praça dos Três Poderes: para celebrar nosso amor à pátria e nosso amor por Brasília”, declarou o governador Ibaneis Rocha.
Para Ibaneis Rocha, a troca da Bandeira Nacional neste domingo foi momento de “celebrar nosso amor à pátria e nosso amor por Brasília” | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Tradição mensal do turismo cívico brasileiro, a solenidade, costumeiramente realizada no primeiro domingo de cada mês, é coordenada pelo Ministério da Defesa e organizada, em sistema de rodízio, entre o Exército, Marinha, Aeronáutica e as corporações do Distrito Federal. Desta vez, coube à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros Militar do DF conduzir o ritual, em celebração ao aniversário da cidade.
“O hasteamento da Bandeira é um momento de respeito à pátria que integra as celebrações do aniversário de Brasília. Um símbolo que nos remete à união e à esperança, reforçando a importância de trabalharmos pelo bem da sociedade”, acrescentou a vice-governadora Celina Leão.
Desta vez, a organização do evento ficou a cargo das forças de segurança do DF
A comandante-geral da PMDF, Ana Paula Barros Habka, celebrou a oportunidade de unir o ritual cívico-militar às comemorações de aniversário de Brasília. “Hoje é um dia diferente, porque, apesar de todos os meses realizarmos a troca da Bandeira, essa foi pensada especialmente para homenagear Brasília”, disse.
A militar também celebrou a participação das crianças no evento, muitas delas vestidas como pequenos policiais e bombeiros. “É um momento cívico-militar muito especial, que inspira os pequenos e reforça o carinho da população pelas nossas corporações.”
O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Leonardo Duarte Raslan, também exaltou a relevância da data. “É um dia de festa e alegria. Estamos aqui com a polícia, o bombeiro e as autoridades do GDF para expressar nosso amor pela pátria. É uma honra fazer parte dessa homenagem à cidade.”
Emoção
90 quilos
peso da Bandeira Nacional hasteada na Praça dos Três Poderes
A programação seguiu o protocolo oficial: leitura do histórico da Bandeira Nacional, hasteamento de um novo exemplar ao som do Hino Nacional e salva de 21 tiros de canhão. Em seguida, foi realizado o arriamento da bandeira anterior, acompanhado pelo Hino da Bandeira e o tradicional desfile das tropas.
Com 286 m², 90 quilos, 20 metros de comprimento e 14 de altura, a Bandeira Nacional da Praça dos Três Poderes é reconhecida pelo Guinness Book como a maior do mundo. Ela é hasteada a 105 metros do chão, e ostenta na base a inscrição: “Sob a guarda do povo brasileiro, nesta Praça dos Três Poderes, a Bandeira, sempre no alto – visão permanente da Pátria”.
Para garantir a integridade do símbolo nacional, o exemplar é trocado a cada 30 dias, devido à ação do tempo. A bandeira substituída é incinerada após a cerimônia, e a manutenção do mastro é responsabilidade da Novacap.

A cerimônia emocionou não apenas os militares, mas também os civis que acompanharam o momento. A estudante Lara Fernanda Ribeiro, de 20 anos, levou o irmão Gabriel, de 6, para assistir à solenidade. “É a segunda vez que venho. Ele é apaixonado pela PMDF e quisemos proporcionar essa experiência para ele. Com o aniversário de Brasília, foi ainda mais especial.”
Natural de Ceilândia, o sargento Ricardo Naves, da PMDF, reforçou a importância da participação das crianças nos rituais cívicos da cidade. “Fazer com que eles participem é essencial para o crescimento deles. Viemos desde lá explicando cada monumento pelo caminho, para que conheçam e valorizem a história de Brasília.”
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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ
O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.
No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.
Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…) formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.
Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.
Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.
DESCRIÇÃO COMPLETA
Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:
“Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.
MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO
“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.
Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo, a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO
Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.
Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.
Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.
SAIBA MAIS
Veja duas outras matérias:
1) O batismo e a
cronologia da criação e urbanização.
2) Como o modelo de gestão participativa levou
o município de Maringá a bater recordes
de competitividade e de sustentabilidade.
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