Com crescimento recorde no turismo no primeiro semestre, DF se consolida como destino em alta
Gestão estratégica de fomento ao turismo cultural, gastronômico, cívico e de negócios, faz da capital destino em alta para visitantes do Brasil e exterior
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Carlos Eduardo Bafutto, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira
O Distrito Federal encerra o primeiro semestre de 2025 como destino turístico consolidado, com cada vez mais visitantes do Brasil e do exterior. Neste ano, Brasília foi eleita um dos 25 destinos globais mais procurados, segundo pesquisa da Airbnb, e entrou para o ranking global da InsureMyTrip como destino favorito para trabalhadores digitais.
Para se ter uma ideia do aumento do número de visitantes no Distrito Federal, o movimento de turistas internacionais no Aeroporto Internacional de Brasília cresceu 39%. Em abril, o terminal atingiu volume recorde de passageiros, conforme dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Foram contabilizados 890.989.974 passageiros-quilômetros pagos (RPK), métrica utilizada na aviação para medir a demanda por transporte aéreo.
O aumento no turismo reflete, também, a movimentação gerada por grandes eventos realizados na capital federal. O Aniversário de Brasília, por exemplo, reuniu cerca de 1 milhão de pessoas, a Via Sacra do Morro da Capelinha contou com 150 mil fiéis e o 33º Congresso Abes/Fitabes trouxe mais de 10 mil participantes.
O presidente da Associação de Artesãos da Área Externa da Catedral Metropolitana de Brasília, Glauco Lopes, afirma que o período tem sido lucrativo
A arquitetura, as atrações cívicas e as belezas naturais já não são as únicas atrações de Brasília. A capital federal foi eleita pela segunda vez a cidade mais sustentável do Centro-Oeste, segundo o Ranking de Cidades Sustentáveis 2025, da plataforma Bright Cities.
Segundo o secretário de Turismo do Distrito Federal, Cristiano Araújo, os bons resultados são fruto de uma gestão que aposta no potencial cultural, cívico e criativo da cidade. “Temos trabalhado com planejamento, inovação e diálogo com o setor para transformar experiências e fortalecer a imagem da capital como destino nacional e internacional”, revela. Para o secretário, o turismo em Brasília não é apenas uma atividade econômica. “É, também, uma forma de conectar pessoas à história, à arte e à diversidade do nosso território,” conclui.
O técnico da assessoria da Secretaria de Turismo Bernardo Córdova estima que o número de visitantes cresceu exponencialmente na capital
O presidente da Associação de Artesãos da Área Externa da Catedral Metropolitana de Brasília, Glauco Lopes, afirma que o período tem sido lucrativo. “Aumentou em 100% o turismo. Só temos a agradecer à Catedral Metropolitana, que tem parceria conosco, que nos deixa mostrar nosso artesanato e ao Governo de Brasília também. Somos muito gratos e esperamos que continuemos assim com o nosso turismo bem aquecido aqui no DF”, comemora.
Entre os investimentos do Governo do Distrito Federal (GDF) estão os repasses para a manutenção da Catedral. Foram pagos R$ 957 mil de um total de quase R$ 3 milhões, que será repassado em quatro parcelas até abril de 2026. O recurso será utilizado no restauro e conservação de vitrais, esculturas, sinos, pinturas e mobiliário litúrgico, além de intervenções técnicas especializadas em conformidade com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O técnico da assessoria da Secretaria de Turismo Bernardo Córdova estima que o número de visitantes cresceu exponencialmente na capital. “Do meu ponto de vista pessoal, acho que os turistas aumentaram em uns 250%, pelo menos, porque o volume de atendimento dentro dos CATs [Centros de Atendimento ao Turista], já dobrou e está quase triplicando. Então a gente vê um aumento exponencial”, estima.
Córdoba falou com a reportagem na Casa de Chá, espaço gastronômico na Praça dos Três Poderes, reaberto desde junho de 2024. O local já é um dos pontos mais visitados do Centro Histórico, e recebe mais de 14 mil visitantes por mês. O espaço funciona também como café-escola e Centro de Atendimento ao Turista (CAT).
O Brasil ultrapassou a marca de 100 mil escolas públicas com acesso à internet gratuita e de qualidade para uso pedagógico. Segundo dados atualizados do Indicador Escolas Conectadas (Inec), o país já soma 100.720 instituições conectadas dentro dos parâmetros considerados adequados pelo governo federal.
O avanço faz parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), programa coordenado pelos ministérios da Educação e das Comunicações, em parceria com estados e municípios. A meta do governo é conectar todas as 138 mil escolas públicas de educação básica até o fim de 2026.
Crescimento acelerado
O programa registrou forte avanço nos últimos anos. Em 2023, apenas 45,4% das escolas públicas brasileiras tinham acesso à internet considerada adequada. O índice subiu para 57,3% em dezembro de 2024, chegou a 69,7% no fim de 2025 e alcançou 72,9% em abril deste ano.
Em nota, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o resultado é fruto de um amplo esforço de infraestrutura iniciado em 2023.
“Esse é um momento histórico para a educação e para a inclusão digital do Brasil. Ter mais de 100 mil escolas com acesso gratuito à internet é uma realidade pela qual o governo trabalhou intensamente”, declarou.
Segundo ele, a ampliação da conectividade ajuda a reduzir desigualdades educacionais, especialmente em regiões mais isoladas do país.
“Com essa política transformadora, nossos estudantes terão mais oportunidades de aprendizado e portas abertas para o mercado de trabalho”, acrescentou o ministro.
Uso pedagógico
Além de levar internet às escolas, o programa busca garantir conexão estável e veloz, com redes Wi-Fi adequadas para uso dentro das salas de aula. A proposta é ampliar o acesso a plataformas educacionais, aulas digitais, ferramentas de inovação e capacitação de professores.
Em nota, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a iniciativa busca garantir igualdade de oportunidades para os estudantes da rede pública.
“A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas articula políticas e ações para universalizar o acesso à internet de qualidade e garantir o uso pedagógico da tecnologia em todas as escolas públicas”, afirmou.
Avanço no Norte
O maior crescimento proporcional ocorreu na Região Norte, onde os desafios logísticos historicamente dificultam o acesso à conectividade.
Em dezembro de 2023, apenas 23,6% das escolas da região tinham internet adequada. O índice passou para 36,7% em 2024, chegou a 60,5% em 2025 e atingiu 64,3% em abril deste ano.
Coordenado pelos Ministérios das Comunicações e da Educação, o programa é executado pela da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (EACE).Segundo o governo, a expansão reduziu desigualdades regionais e levou conexão de qualidade a escolas que antes estavam praticamente isoladas digitalmente.
Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira
Jorge Araújo, 61 anos, passou a ter uma rotina de mais cuidados depois que começou a usar medicamentos imunossupressores para tratar a artrite reumatoide, em 2023. “Hoje tenho a artrite controlada. Pego medicamentos na Farmácia de Alto Custo. Só uma caixa do remédio custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por mês. Sem esse apoio, seria um sacrifício muito grande manter o tratamento”, diz o administrador de empresas.
No entanto, com a imunidade reduzida e maior risco de infecções, o morador de Águas Claras encontrou no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Distrito Federal (Crie-DF) um apoio que trouxe mais segurança ao tratamento.
“Já tomei vacinas contra hepatites A e B, pneumo, meningite, gripe e influenza, e ainda tenho outras agendadas. Por causa dos remédios imunossupressores, minha imunidade fica mais baixa. As vacinas ajudam a me proteger de infecções e doenças mais graves”, conta.
Mais proteção
O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais, ou seja, doses que não fazem parte do calendário básico de vacinação.
Desde dezembro de 2023, o serviço já realizou quase 20 mil atendimentos presenciais e aplicou mais de 36,5 mil doses. Segundo a responsável técnica substituta do centro, Lethícia Lima, a unidade atende pacientes com condições específicas, como transplantados e pessoas com doenças crônicas.
O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília
“A principal porta de entrada são as unidades básicas de saúde. O paciente apresenta relatório médico e cartão de vacina, e a equipe do Crie avalia quais doses são necessárias”, explica.
Acesso ampliado
Hoje, o centro funciona no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Para ampliar o acesso ao atendimento, a SES-DF implantou, em agosto de 2024, o Crie Virtual. A iniciativa conecta 108 salas de vacinação da rede pública à equipe especializada do hospital.
“O objetivo é facilitar o acesso do usuário. Com o Crie Virtual, conseguimos atender uma pessoa que mora longe e não possui recursos financeiros para ir ao Hmib. Quando a vacina é ofertada perto da residência, ela consegue concluir o calendário vacinal”, explica Lethícia Lima.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu audiência pública, nesta sexta-feira (22), sobre as demandas dos estudantes com altas habilidades e superdotação (AH/SD). A discussão teve a presença de representantes da Secretaria de Educação do DF, do Ministério da Educação, da Universidade de Brasília, da Ordem dos Advogados do Brasil e, principalmente, de mães que clamaram por mais suporte ao desenvolvimento de seus filhos.
“Dói perceber a falta de apoio, de compreensão e de preparo da sociedade e até das instituições para acolher esses jovens, além do rótulo da inteligência. Porque superdotação não é apenas o desempenho: é também intensidade emocional, conflitos internos e uma solidão difícil de explicar”, disse Silvia Lustosa, mãe de uma filha com AH/SD e um filho em processo de diagnóstico.
A audiência pública abordou a necessidade de aprimoramento de políticas para esse público, em especial o aumento do número de vagas para Atendimento Educacional Especializado (AEE) na rede pública de ensino. No DF, há filas de espera para esse tipo de atendimento, que é ofertado uma vez por semana no contraturno, geralmente nas salas de recursos das escolas. O serviço é voltado não apenas para alunos com AH/SD, mas também para estudantes com deficiências.
Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF
Apesar de não suprir a demanda, participantes da audiência apontaram que a rede pública está à frente da rede privada de ensino, que muitas vezes não oferta qualquer tipo de suporte educacional para estudantes com AH/SD. Atualmente, 10% das matrículas para atendimento especializado nas escolas públicas são disponibilizadas para alunos da rede privada.
Nesse ponto, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), propositor da audiência, defendeu a cobrança de responsabilidade das escolas privadas, sem eximir o papel do Estado. “Os estudantes da educação privada têm direito ao atendimento, em suas especificidades, na educação pública. Nós podemos lutar para pressionar a responsabilização da educação privada, mas não podemos nos desresponsabilizar. Se a escola privada não cumprir esse processo, a educação pública sempre tem que estar de braços abertos, é um direito universal no Brasil”, afirmou o deputado, que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa e Promoção da Educação Inclusiva nas Redes Públicas de Ensino do Distrito Federal.
Outra demanda apresentada na audiência foi pela qualificação permanente de profissionais da educação e da saúde, aumentando a capacidade de diagnóstico precoce e de acolhimento a pessoas com AH/SD. A audiência completa, com todos os pontos abordados, pode ser acessada no YouTube da TV Câmara Distrital.