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Comunidades no Nordeste transformam saberes e sabores locais em rotas de turismo sustentável

Paisagens Alimentares: turismo, gastronomia, sustentabillidade e desenvolvimento social reunidos em um único projeto.

 

Foto: Renata Silva

Um projeto de pesquisa agroalimentar coordenado pela Embrapa Alimentos e Territórios (AL) e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está transformando comunidades rurais no Semiárido nordestino. A partir da valorização da cultura alimentar e do turismo sustentável de base comunitária, a iniciativa contribuiu para estruturar seis rotas turísticas com potencial de geração de renda, fortalecer o protagonismo e autonomia de mulheres e jovens e preservar os saberes tradicionais.

Com atuação em cinco territórios nos estados de Alagoas, Pernambuco e Sergipe, o projeto batizado de Paisagens Alimentares envolveu diretamente mais de 500 participantes, com impacto estimado em mais de cinco mil pessoas da região. A proposta parte de um conceito simples, mas poderoso: alimentos carregam histórias, identidades e modos de vida, e podem se tornar o eixo de experiências turísticas autênticas e sustentáveis.

A partir de diagnósticos participativos, oficinas, intercâmbios e imersões, o projeto consolidou o conceito de Paisagens Alimentares como espaços geográficos que conectam biodiversidade, produção agroalimentar, história dos alimentos e cultura local. A ideia central é permitir que a história de um território seja contada e valorizada por meio de seus sabores, saberes e práticas cotidianas.

“O Paisagens Alimentares trouxe um despertar: fez a gente perceber o valor do conhecimento local e da força que temos enquanto rede de mulheres”, conta Anatália Costa Neta, da Associação das Mulheres Empoderadas de Terra Caída, em Indiaroba (SE). “Ele abriu portas para a autonomia financeira, para mudanças de hábitos e, principalmente, para o fortalecimento da autoestima dessas mulheres”, ressalta (veja mais depoimentos no quadro abaixo).

Segundo o analista de inovação da Embrapa Aluísio Goulart, que coordena o projeto, as paisagens alimentares revelam a multifuncionalidade da agricultura. “Além de produzir alimentos, elas constroem vínculos sociais, preservam a natureza e resguardam o patrimônio cultural de comunidades guardiãs da sociobiodiversidade”, afirma. “Integrado a esse processo, o turismo de base comunitária surge como estratégia de geração de renda, autoestima e pertencimento”.

 

Cinco territórios nordestinos e mais de 5 mil pessoas impactadas

Entre as mais de 500 pessoas diretamente envolvidas nas atividades estão agricultores familiares, marisqueiras, quilombolas, catadoras de mangaba, pescadores, jovens e lideranças comunitárias. O impacto indireto ultrapassa cinco mil pessoas, considerando familiares, consumidores, fornecedores, prestadores de serviços e demais atores das cadeias produtivas locais.

Apenas em Sergipe, estima-se que 2.800 pessoas tenham sido beneficiadas. Em Pernambuco, o número chega a 1.200. Em Alagoas, mais de mil pessoas foram impactadas. As rotas estruturadas evidenciam ingredientes locais, tradições culinárias e paisagens culturais, permitindo que turistas vivenciem de perto o cotidiano destas comunidades.

De acordo com os cálculos do projeto, em um cenário moderado de 100 visitantes por mês por território, com gasto médio de R$ 200 por pessoa, a renda anual pode chegar a R$240 mil por território, totalizando R$ 1,44 milhão anuais nos seis municípios. Se houver maior estruturação e divulgação das rotas, esse número pode ultrapassar esses valores, tornando o turismo de base comunitária uma alternativa concreta de inclusão socioprodutiva e desenvolvimento sustentável.

 

 

Arte: Fabiano Estanislau com apoio de IA

Em Alagoas, as ações se concentraram em comunidades de agricultores familiares, na região de Olho d’Água do Casado e em Palmeira dos Índios. Em Sergipe, envolveram marisqueiras, extrativistas, empreendedores e artesãos dos povoados de Pontal, Preguiça e Terra Caída, no município de Indiaroba, além de São Cristóvão. Já em Pernambuco, as atividades ocorreram em Sirinhaém e Rio Formoso, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, território compartilhado por marisqueiras e remanescentes de quilombolas.

Segundo Denise Levy, especialista ambiental sênior do BID, o projeto comprova o papel estratégico do turismo comunitário e gastronômico para diversificar a economia rural com ética, participação e responsabilidade ambiental.

 


A rota pernambucana “Riquezas ancestrais”

Conheça as rotas turísticas de cada território

Em São Cristóvão, a rota “Cidade Mãe de Sergipe” reconta a miscigenação brasileira a partir do uso do coco, da mandioca e do açúcar. No litoral sergipano, o roteiro “Delícias da Terra” valoriza saberes de mulheres marisqueiras e catadoras de mangaba em Indiaroba, fruto símbolo da identidade sergipana.

Em Alagoas, a rota “Da Caatinga aos Cânions” celebra a biodiversidade com pratos feitos a partir de ingredientes nativos, enquanto a vivência “Agricultura Familiar na Serra das Pias”, em Palmeira dos Índios, aproxima visitantes do universo da agroecologia e da jabuticaba.

Já em Pernambuco, a experiência “Riquezas ancestrais e do manguezal” convida os visitantes a mergulhar nos modos de vida de quilombolas e marisqueiras, em um ambiente onde terra e mar se entrelaçam com sabores e memórias.

Mulheres e jovens em destaque

O protagonismo feminino é uma marca do projeto. Em todos os territórios atendidos, mulheres rurais estiveram à frente das ações — liderando associações, coordenando trilhas turísticas, organizando vivências e estimulando a produção artesanal e agroecológica. Ao lado delas, jovens também foram mobilizados para atuar como guias, comunicadores e multiplicadores das tradições locais, impulsionando a valorização dos saberes e a permanência no campo.

Um dos casos mais emblemáticos está na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, em Pernambuco, onde 35 mulheres da Associação das Marisqueiras de Sirinhaém (Amas) estruturaram uma rota turística chamada Trilha das Marisqueiras, baseando-se em seus conhecimentos sobre o ciclo das marés e dos ecossistemas locais. A experiência imersiva inclui visita guiada aos manguezais, apresentação das técnicas sustentáveis de coleta de mariscos e degustação de pratos típicos como caldinhos e doces com frutas da região. Com o apoio do projeto, a trilha foi estruturada com novas estações de visitação, conteúdos educativos e práticas de economia circular, como o artesanato com resíduos do mangue e da pesca.

 

Arte: Fabiano Estanislau, com apoio de IA

Com a iniciativa envolvendo as marisqueiras de Aver-o-Mar, o município de Sirinhaém foi premiado com o 3º lugar no Green Destinations Stories Awards, na categoria “Comunidades Prósperas”. O reconhecimento foi concedido durante a Feira Internacional de Berlim 2025. “O projeto agregou muito na nossa associação e na comunidade. Hoje, nós somos reconhecidas e valorizadas dentro de casa, pelos nossos esposos, na cidade e até fora do Brasil”, declara Viviane Maria Wanderly, presidente da associação. A projeção é que cerca de 900 pessoas do município sejam impactadas direta e indiretamente pela atividade turística dessas mulheres.

 

Uma metodologia que conecta alimento, território e pessoas

Goulart conta que a base da metodologia foi a escuta ativa, com ações como rodas de conversa, oficinas, capacitações, intercâmbios e planejamento coletivo. A construção de potenciais rotas turísticas foi ancorada em narrativas locais, com foco na governança comunitária e na comunicação participativa.

As paisagens alimentares evidenciam as funções paisagísticas, ambientais e sociais da agricultura, que podem ser compreendidas em vivências compartilhadas por meio do turismo sustentável de base comunitária, criando novos laços entre o rural e urbano.

Além disso, o projeto promoveu o desenvolvimento de modelos de organização social atrelados a sistemas alimentares, conectou universidades, instituições de pesquisa, governamentais e empresas. Como resultado, também consolidou uma rede sociotécnica entre os representantes dos seis municípios.

Assim, foi criada a Rede Territórios Saberes e Sabores, que conta com a participação de todas as iniciativas desenvolvidas e permite que as comunidades tenham autonomia, planejem e executem ações sustentáveis, mesmo após o encerramento do projeto, como a organização e participação em eventos.

“A experiência mostrou como os produtos turísticos autênticos, enraizados na realidade de cada localidade, podem gerar impacto econômico com gestão comunitária, inovação social e articulação em rede”, explica a turismóloga e agrônoma Lydayanne Lilás Nobre, que atuou como bolsista no projeto.

O modelo desenvolvido pode inspirar outras iniciativas no País contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas à multifuncionalidade da agricultura, ao turismo sustentável e à valorização de territórios vulneráveis, com base na cultura alimentar, na inclusão socioprodutiva e no protagonismo local.

Foto: Renata Silva

 

Aumento da renda e da autoestima”, atestam as participantes

“O projeto conseguiu conectar vidas e propósitos. A participação e a troca com as pessoas fez com que a gente se reconhecesse, valorizasse nosso território e acreditasse que a gente pode, sim, transformar realidades. Conseguiu conectar os agricultores familiares e os territórios em um objetivo comum. Nós podemos ser multiplicadores, podemos levar nossos saberes para outros lugares e territórios. Valorizou a gente enquanto pessoas e respeitou nossos conhecimentos”, afirma Ana Paula daSilva, liderança do Assentamento Nova Esperança, em Olho d’Água do Casado (AL).

Experiências que conectam e contam histórias

Jirlande Souza é artesã de São Cristóvão (SE) e conta que além de fortalecer a comunidade, a participação no projeto contribuiu para seu desenvolvimento pessoal. “Hoje, eu tenho outra visão e percepção de mim e da minha cidade. Eu não sabia a riqueza que tinha aqui, como a queijada e o bricelet”.

Além dessas delícias únicas da gastronomia de Sergipe, os turistas podem conhecer nos outros territórios diversos alimentos como o aratu, um caranguejo vermelho ingrediente principal de caldinhos, empadas e hambúrguer; além de frutas nativas brasileiras como a mangaba e a jabuticaba que são utilizadas para a produção de geleias, compotas, licores e fermentados.

Com articulação em rede, agricultores familiares de Palmeira dos Índios (AL), membros da Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa (Coopcam), estão aperfeiçoando e diversificando produtos à base da jabuticaba. De acordo com a liderança comunitária Salete Barbosa, “estamos participando de diversas feiras levando e divulgando nossos produtos. Já estamos pensando em inovar os roteiros turísticos, beneficiar novos produtos e expandir os trabalhos com sementes crioulas”.

Comunidade Quilombola Engenho Siqueira, localizada na APA de Guadalupe em Rio Formoso (PE) já colhe os frutos dessa conexão. A associação conseguiu participar de editais de projetos e acessar recursos voltados para o turismo de base comunitária. A rede trouxe outros complementos que fortalecem ainda mais a comunidade.

“Participar do projeto foi um divisor de águas. A gente vinha iniciando com ações de turismo de base comunitária e o Paisagens Alimentares abriu as nossas mentes. Adquirimos conhecimentos, trocamos experiências em intercâmbios e contribuiu para que a nossa comunidade ficasse cada vez mais unida. Conseguimos ver que temos um potencial incrível. Mas, para isso, precisávamos estar preparados para colocar em prática as ações de turismo e proporcionar uma melhor vivência para as pessoas que vêm até o nosso território”, conta o presidente da Associação, Rodney da Silva.

Foto: Fabiano Estanislau

 

Alinhamento estratégico e potencial de replicação

O projeto está alinhado às estratégias da Embrapa (Visão 2030), Estratégia País Brasil 2024-2027, ao Programa de Regionalização do Turismo (PRT), ao Plano Nacional de Turismo e ao Plano Plurianual 2024-2027. As ações do Paisagens Alimentares contribuem ainda para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Denise Levy ressalta que mais do que um projeto pontual, Paisagens Alimentares se consolidou como uma referência em pesquisa aplicada para o desenvolvimento sustentável. Sua metodologia e seus resultados demonstram o potencial transformador da conexão entre alimento, cultura, turismo e território.

A especialista do BID pontua que ações como as desenvolvidas no projeto têm potencial para serem aplicadas em outras regiões do Brasil e da América Latina para que possam florescer a partir de suas próprias paisagens alimentares.

Fabiano Estanislau (MTb 453/AC)
Embrapa Alimentos e Territórios

Contatos para a imprensa

Renata Silva (MTb 12.361/MG)
Embrapa Alimentos e Territórios

 

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UM PEDÁGIO PARA VISITAR O PARQUE NACIONAL SERRA DA CAPIVARA

Em desrespeito à memória de Niéde Guidon, a prefeitura da cidade de Coronel José Dias, no sudeste do Piauí, passa a cobrar o acesso ao Parque Nacional Serra da Capivara.

Publicado

em

Por

 

André Pessoa – Especial para Folha do Meio Ambiente

 

A pequena cidade de Coronel José Dias, no sudeste do Piauí, um dos quatro municípios que tem área no Parque Nacional Serra da Capivara, considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, criou uma lei municipal para cobrar uma taxa de acesso à unidade de conservação, alegando que o visitante precisa transitar pela área do município, mesmo que os principais acessos sejam feitos por rodovias federais e estaduais. O que causa estranheza é que o Parque Nacional Serra da Capivara, uma unidade de conservação federal, gerenciada pelo ICMBio, autarquia do Ministério do Meio Ambiente, não cobra nenhum valor para o acesso público à reserva, mas como se trata de um parque arqueológico, o órgão ambiental exige a contratação de um condutor de visitantes para garantir a integridade do seu patrimônio natural e cultural.

Aproveitando essa isenção federal, o município de Coronel José Dias criou uma lei municipal e estabeleceu que todo transeunte que passar pelo município em direção ao parque nacional estará sujeito a cobrança obrigatória de uma taxa individual que começa com R$ 20,00 no primeiro dia, e segue com o valor de R$ 10,00 nos dias seguintes até o quinto dia de visita. Todo visitante que desejar ingressar na reserva federal na área do município de Coronel José Dias estará obrigado a pagar esse novo imposto.

REPERCUSSÃO NEGATIVA

A repercussão junto ao trade turístico não foi positiva, com vários questionamentos nas redes sociais. E, para piorar, uma das associações dos condutores de visitantes, o grupo Pimenteiras, que opera através de uma concessão pública e cobrava a diária de R$ 300,00 para guiar grupos de até 8 pessoas, passou a cobrar R$ 330,00, um percentual acima da inflação brasileira em 2025, e superior, até, ao reajuste escandaloso do judiciário.

Agora, para visitar a Serra da Capivara o turista precisa contratar um guia, no caso dessa associação, com diárias de R$ 330,00, e ainda pagar a taxa de acesso via município, o que termina encarecendo a visita, já que existem várias outras despesas associadas aos passeios, como os ingressos aos museus, em especial ao Museu da Natureza e ao Museu do Homem Americano, ambos gerenciados pela Fundação Museu do Homem Americano, ONG criada pela arqueóloga Niéde Guidon (1933-2025).

GESTÃO ATUAL DO PARQUE
FAZ VISTA GROSSA

Com a morte de Niéde no dia 4 de junho do ano passado, a gerência do parque nacional, que é ocupada pela arqueóloga Marian Rodrigues, indicada de forma política (ela não é funcionária concursada do ICMBio), passou a fazer vista grossa para esses abusos, fazendo com que as críticas nas redes sociais ganhassem repercussão nacional.
Algumas semanas atrás, no INSTAGRAM do parque, a chefe Marian Rodrigues, comemora o aumento do número de visitantes na reserva atribuindo o feito exclusivamente as ações do ICMBio, sem citar, em nenhum momento, o legado de Niéde Guidon, a ampla divulgação da reserva na mídia, o trabalho dos guias e de todo o trade, além do percentual crescente dos visitantes dos dois museus coordenados pela FUMDHAM.

A arqueóloga Marian Rodrigues, indicada de forma política (ela não é funcionária concursada do ICMBio) passou a fazer vista grossa para esses abusos.

OMISSÃO DO ICMBio

A pergunta que fica é: quais ações do ICMBio ajudaram no aumento do fluxo de visitantes? Até que se prove o contrário, a resposta é: nenhuma! Ao contrário, o ICMBio com toda a sua burocracia mais atrapalha do que ajuda a incrementar o fluxo de visitantes, e agora com a sua “omissão” nos casos relatados, o descontrole ganhou força e mesmo a condução dos visitantes sendo uma concessão pública, a Associação Pimenteiras, decidiu por contra própria, majorar sua taxa sem nenhum tipo de controle por parte do ICMBio.
A reportagem da Folha do Meio Ambiente entrou em contato com o secretário de Turismo de Coronel José Dias que decidiu declinar do convite para responder as questões, preferindo manter o silêncio. Ontem, em reunião com o trade para explicar a cobrança da taxa, guias tiveram a sua fala cerceada quando a reunião online foi encerrada sem esclarecer várias questões.

O município de Coronel José Dias- PI está a 23 km do Parque Nacional da Serra da Capivara.

AÇÕES JUNTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO

Para tentar barrar a cobrança do acesso ao parque e o aumento da taxa de condução dos visitantes pela Associação Pimenteiras, duas ações serão impetradas na Justiça Federal e no Ministério Público Federal. A expectativa é que o judiciário deva se pronunciar nos próximos dias. Hoje, a Prefeitura de Coronel José Dias começou a instalação de tendas nas entradas do parque para fiscalizar o acesso dos visitantes e conferir o pagamento do imposto. Uma dessas tendas foi instalada numa área particular da FUMDHAM, no acesso ao principal circuito turístico do parque, o Boqueirão da Pedra Furada (BPF), aparentemente sem nenhum questionamento da instituição científica.
Em áudio divulgado nas redes sociais, o irmão da chefe do Parque Nacional Serra da Capivara, Lucas Gomes, que é secretário municipal de Esportes, disse: “Eu acho interessante que aqui tem muitos guias que fez ‘cagada’, quando a doutora Niéde ainda era viva, nunca falaram o nome dela (sic). Agora é só doutora Niéde, doutora Niéde, doutora Niéde. Rapaz, vocês têm que entender que essa taxa é em Coronel José Dias. Você tem que entender que não é o município de São Raimundo, não (sic). Vocês não são obrigados para vir para Coronel José Dias não, fique por São Raimundo. Vão visitar a Serra Vermelha, a Serra Branca e pronto (sic)”.

A tenda virou ponto de cobrança da taxa

 

NOTA OFICIAL DO MINISTÉRIO
DO MEIO AMBIENTE

Ministério do Meio Ambiente pede que a gestão do próprio Parque Nacional da Serra da Capivara dialogue com a prefeitura de Coronel José Dias para a realocação da tenda para que não confunda o visitante sobre a finalidade da taxa.

VEJA A NOTA:
“O município de Coronel José Dias abrange parte do Parque Nacional da Serra da Capivara, onde não há cobrança de ingresso para acesso à Unidade de Conservação. Paralelamente, o município instituiu e regulamentou, por meio da Lei nº 241/2025 e do Decreto nº 55/2025, a Taxa de Preservação Ambiental e Turística (TPAT), cuja cobrança é de competência exclusivamente municipal e independe de autorização do ICMBio.
De acordo com o decreto, o pagamento da TPAT deve ser realizado previamente ao ingresso, trânsito ou permanência do visitante no território municipal, preferencialmente por meio eletrônico, sendo o atendimento presencial previsto para ocorrer no Centro de Apoio ao Turista (CAT). A fiscalização é exercida por agentes municipais, que podem solicitar o comprovante e aplicar penalidades em caso de irregularidades.

A tenda instalada pelo município nas proximidades da entrada do Parque Nacional foi posicionada em um ponto de passagem obrigatória dos visitantes, com o objetivo de facilitar a orientação e a cobrança da taxa municipal. Contudo, essa localização pode gerar interpretações equivocadas, levando parte do público a acreditar que a TPAT seria uma cobrança vinculada ao ingresso do Parque — o que não existe.
Diante desse cenário orientamos à unidade que dialogue com a prefeitura para a realocação da tenda para que não confunda o visitante sobre a finalidade da taxa; verificar se há falhas na comunicação com os visitantes, especialmente quanto à distinção entre a TPAT municipal e o acesso gratuito ao Parque Nacional. E de nossa parte, caso necessário, realizar uma divulgação em nossos canais quanto a gratuidade no acesso ao Parque”.

 

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47% das ações foram medidas protetivas para mulheres no fim do ano

Em 2024, país teve quase 20% de descumprimento das medidas

Publicado

em

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Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil

 

Quase metade dos processos registrados pelo Plantão Judiciário no Rio de Janeiro, durante o recesso de final de ano, foram relativos a medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, segundo o Tribunal de Justiça do Rio.

Das 18h do dia 19 de dezembro de 2025 às 11h de 6 de janeiro deste ano, foram despachados 4.027 processos na capital fluminense. As medidas protetivas corresponderam a 47%.

Além dessas medidas, foram registradas autorizações de viagens para crianças e adolescentes, internações hospitalares, alvará de sepultamento, busca e apreensão de menores, internações em hospitais, mandados de prisões, alvará de soltura, habeas corpus e representações por prisões cautelares.

No interior do estado, que abrange as regiões de Niterói, Rio Bonito, Duque de Caxias, Petrópolis, Itaguaí, Volta Redonda, Nova Friburgo, Itaocara e Campos dos Goytacazes, foram registrados um total de 2.277 processos.

Descumprimento

O país registrou uma taxa de 18,3% de descumprimento de medidas protetivas de urgência em 2024, o que corresponde a um total de 101.656 registros nas delegacias de polícia. Os números foram divulgados pela primeira vez pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública em julho de 2025 e revelam uma falha no sistema de proteção à mulher, com um crescimento de 10,8% nas violações em relação a 2023.

De acordo com o levantamento, a cada 10 mulheres com proteção judicial, quase duas tiveram a medida desrespeitada pelos agressores.

Os casos de descumprimento somaram 101.656 no ano passado, contra 87.642 em 2023. As medidas mais comuns concedidas pela Justiça incluem a proibição de aproximação e contato com a vítima, além do afastamento do agressor do lar.

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Reforma tributária começa fase de transição com testes de novos impostos em 2026

Empresas já informam CBS e IBS nas notas fiscais, mas cobrança efetiva só começa a partir de 2027

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Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Aguinaldo Ribeiro: reforma traz simplificação tributária

A reforma tributária começa a valer de forma gradual a partir deste ano. Desde 1º de janeiro, a maioria das empresas passou a emitir notas fiscais com a indicação dos novos impostos, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

A CBS substitui o PIS, a Cofins e o IPI, que são tributos federais. Já o IBS vai substituir o ICMS, dos estados, e o ISS, dos municípios.

Neste primeiro momento, o novo sistema funciona em fase de testes. As informações fiscais são registradas, mas ainda não há cobrança efetiva dos novos tributos.

O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator da proposta que resultou na Emenda Constitucional 132, afirma que a reforma traz simplificação e mais transparência ao sistema tributário.

“Essa reforma vai impactar profundamente o país, porque traz a simplificação tributária, elimina a cumulatividade e aumenta a transparência. Hoje, o cidadão não sabe quanto paga de imposto”, afirmou.

A cobrança efetiva da CBS e do Imposto Seletivo — que incide sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente (veja infográfico) — começa em 2027.

Já o IBS entra em fase de transição a partir de 2029, com a extinção total do ICMS e do ISS prevista para 2033.

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), relator do grupo de trabalho da reforma tributária na Câmara, destacou que a medida foi regulamentada pela Lei Complementar 214/25, aprovada no ano passado.

“Estamos criando um novo sistema tributário que ajuda na reindustrialização do país e acaba com a guerra fiscal entre os estados, que prejudicou a sociedade brasileira”, disse.

Outra etapa da reforma foi relatada pelo deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE). O texto, aprovado pela Câmara e pelo Senado, ainda aguarda sanção presidencial.

Para Benevides, os efeitos completos da reforma, previstos para 2033, devem reduzir custos e gerar empregos.

“Isso vai significar uma diminuição do custo de produção e também um aumento do emprego na economia brasileira”, afirmou.

Entre as novidades da reforma está o cashback tributário, que prevê a devolução de parte dos impostos a famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa.

Além disso, os produtos da cesta básica terão alíquota zero dos tributos sobre consumo.

Durante a tramitação da reforma, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou o trabalho conjunto do Legislativo e do Executivo para construir um modelo com menos burocracia, mais agilidade e menor custo para o cidadão contribuinte.

 

 

 

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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