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Comunidades no Nordeste transformam saberes e sabores locais em rotas de turismo sustentável

Paisagens Alimentares: turismo, gastronomia, sustentabillidade e desenvolvimento social reunidos em um único projeto.

 

Foto: Renata Silva

Um projeto de pesquisa agroalimentar coordenado pela Embrapa Alimentos e Territórios (AL) e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está transformando comunidades rurais no Semiárido nordestino. A partir da valorização da cultura alimentar e do turismo sustentável de base comunitária, a iniciativa contribuiu para estruturar seis rotas turísticas com potencial de geração de renda, fortalecer o protagonismo e autonomia de mulheres e jovens e preservar os saberes tradicionais.

Com atuação em cinco territórios nos estados de Alagoas, Pernambuco e Sergipe, o projeto batizado de Paisagens Alimentares envolveu diretamente mais de 500 participantes, com impacto estimado em mais de cinco mil pessoas da região. A proposta parte de um conceito simples, mas poderoso: alimentos carregam histórias, identidades e modos de vida, e podem se tornar o eixo de experiências turísticas autênticas e sustentáveis.

A partir de diagnósticos participativos, oficinas, intercâmbios e imersões, o projeto consolidou o conceito de Paisagens Alimentares como espaços geográficos que conectam biodiversidade, produção agroalimentar, história dos alimentos e cultura local. A ideia central é permitir que a história de um território seja contada e valorizada por meio de seus sabores, saberes e práticas cotidianas.

“O Paisagens Alimentares trouxe um despertar: fez a gente perceber o valor do conhecimento local e da força que temos enquanto rede de mulheres”, conta Anatália Costa Neta, da Associação das Mulheres Empoderadas de Terra Caída, em Indiaroba (SE). “Ele abriu portas para a autonomia financeira, para mudanças de hábitos e, principalmente, para o fortalecimento da autoestima dessas mulheres”, ressalta (veja mais depoimentos no quadro abaixo).

Segundo o analista de inovação da Embrapa Aluísio Goulart, que coordena o projeto, as paisagens alimentares revelam a multifuncionalidade da agricultura. “Além de produzir alimentos, elas constroem vínculos sociais, preservam a natureza e resguardam o patrimônio cultural de comunidades guardiãs da sociobiodiversidade”, afirma. “Integrado a esse processo, o turismo de base comunitária surge como estratégia de geração de renda, autoestima e pertencimento”.

 

Cinco territórios nordestinos e mais de 5 mil pessoas impactadas

Entre as mais de 500 pessoas diretamente envolvidas nas atividades estão agricultores familiares, marisqueiras, quilombolas, catadoras de mangaba, pescadores, jovens e lideranças comunitárias. O impacto indireto ultrapassa cinco mil pessoas, considerando familiares, consumidores, fornecedores, prestadores de serviços e demais atores das cadeias produtivas locais.

Apenas em Sergipe, estima-se que 2.800 pessoas tenham sido beneficiadas. Em Pernambuco, o número chega a 1.200. Em Alagoas, mais de mil pessoas foram impactadas. As rotas estruturadas evidenciam ingredientes locais, tradições culinárias e paisagens culturais, permitindo que turistas vivenciem de perto o cotidiano destas comunidades.

De acordo com os cálculos do projeto, em um cenário moderado de 100 visitantes por mês por território, com gasto médio de R$ 200 por pessoa, a renda anual pode chegar a R$240 mil por território, totalizando R$ 1,44 milhão anuais nos seis municípios. Se houver maior estruturação e divulgação das rotas, esse número pode ultrapassar esses valores, tornando o turismo de base comunitária uma alternativa concreta de inclusão socioprodutiva e desenvolvimento sustentável.

 

 

Arte: Fabiano Estanislau com apoio de IA

Em Alagoas, as ações se concentraram em comunidades de agricultores familiares, na região de Olho d’Água do Casado e em Palmeira dos Índios. Em Sergipe, envolveram marisqueiras, extrativistas, empreendedores e artesãos dos povoados de Pontal, Preguiça e Terra Caída, no município de Indiaroba, além de São Cristóvão. Já em Pernambuco, as atividades ocorreram em Sirinhaém e Rio Formoso, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, território compartilhado por marisqueiras e remanescentes de quilombolas.

Segundo Denise Levy, especialista ambiental sênior do BID, o projeto comprova o papel estratégico do turismo comunitário e gastronômico para diversificar a economia rural com ética, participação e responsabilidade ambiental.

 


A rota pernambucana “Riquezas ancestrais”

Conheça as rotas turísticas de cada território

Em São Cristóvão, a rota “Cidade Mãe de Sergipe” reconta a miscigenação brasileira a partir do uso do coco, da mandioca e do açúcar. No litoral sergipano, o roteiro “Delícias da Terra” valoriza saberes de mulheres marisqueiras e catadoras de mangaba em Indiaroba, fruto símbolo da identidade sergipana.

Em Alagoas, a rota “Da Caatinga aos Cânions” celebra a biodiversidade com pratos feitos a partir de ingredientes nativos, enquanto a vivência “Agricultura Familiar na Serra das Pias”, em Palmeira dos Índios, aproxima visitantes do universo da agroecologia e da jabuticaba.

Já em Pernambuco, a experiência “Riquezas ancestrais e do manguezal” convida os visitantes a mergulhar nos modos de vida de quilombolas e marisqueiras, em um ambiente onde terra e mar se entrelaçam com sabores e memórias.

Mulheres e jovens em destaque

O protagonismo feminino é uma marca do projeto. Em todos os territórios atendidos, mulheres rurais estiveram à frente das ações — liderando associações, coordenando trilhas turísticas, organizando vivências e estimulando a produção artesanal e agroecológica. Ao lado delas, jovens também foram mobilizados para atuar como guias, comunicadores e multiplicadores das tradições locais, impulsionando a valorização dos saberes e a permanência no campo.

Um dos casos mais emblemáticos está na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, em Pernambuco, onde 35 mulheres da Associação das Marisqueiras de Sirinhaém (Amas) estruturaram uma rota turística chamada Trilha das Marisqueiras, baseando-se em seus conhecimentos sobre o ciclo das marés e dos ecossistemas locais. A experiência imersiva inclui visita guiada aos manguezais, apresentação das técnicas sustentáveis de coleta de mariscos e degustação de pratos típicos como caldinhos e doces com frutas da região. Com o apoio do projeto, a trilha foi estruturada com novas estações de visitação, conteúdos educativos e práticas de economia circular, como o artesanato com resíduos do mangue e da pesca.

 

Arte: Fabiano Estanislau, com apoio de IA

Com a iniciativa envolvendo as marisqueiras de Aver-o-Mar, o município de Sirinhaém foi premiado com o 3º lugar no Green Destinations Stories Awards, na categoria “Comunidades Prósperas”. O reconhecimento foi concedido durante a Feira Internacional de Berlim 2025. “O projeto agregou muito na nossa associação e na comunidade. Hoje, nós somos reconhecidas e valorizadas dentro de casa, pelos nossos esposos, na cidade e até fora do Brasil”, declara Viviane Maria Wanderly, presidente da associação. A projeção é que cerca de 900 pessoas do município sejam impactadas direta e indiretamente pela atividade turística dessas mulheres.

 

Uma metodologia que conecta alimento, território e pessoas

Goulart conta que a base da metodologia foi a escuta ativa, com ações como rodas de conversa, oficinas, capacitações, intercâmbios e planejamento coletivo. A construção de potenciais rotas turísticas foi ancorada em narrativas locais, com foco na governança comunitária e na comunicação participativa.

As paisagens alimentares evidenciam as funções paisagísticas, ambientais e sociais da agricultura, que podem ser compreendidas em vivências compartilhadas por meio do turismo sustentável de base comunitária, criando novos laços entre o rural e urbano.

Além disso, o projeto promoveu o desenvolvimento de modelos de organização social atrelados a sistemas alimentares, conectou universidades, instituições de pesquisa, governamentais e empresas. Como resultado, também consolidou uma rede sociotécnica entre os representantes dos seis municípios.

Assim, foi criada a Rede Territórios Saberes e Sabores, que conta com a participação de todas as iniciativas desenvolvidas e permite que as comunidades tenham autonomia, planejem e executem ações sustentáveis, mesmo após o encerramento do projeto, como a organização e participação em eventos.

“A experiência mostrou como os produtos turísticos autênticos, enraizados na realidade de cada localidade, podem gerar impacto econômico com gestão comunitária, inovação social e articulação em rede”, explica a turismóloga e agrônoma Lydayanne Lilás Nobre, que atuou como bolsista no projeto.

O modelo desenvolvido pode inspirar outras iniciativas no País contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas à multifuncionalidade da agricultura, ao turismo sustentável e à valorização de territórios vulneráveis, com base na cultura alimentar, na inclusão socioprodutiva e no protagonismo local.

Foto: Renata Silva

 

Aumento da renda e da autoestima”, atestam as participantes

“O projeto conseguiu conectar vidas e propósitos. A participação e a troca com as pessoas fez com que a gente se reconhecesse, valorizasse nosso território e acreditasse que a gente pode, sim, transformar realidades. Conseguiu conectar os agricultores familiares e os territórios em um objetivo comum. Nós podemos ser multiplicadores, podemos levar nossos saberes para outros lugares e territórios. Valorizou a gente enquanto pessoas e respeitou nossos conhecimentos”, afirma Ana Paula daSilva, liderança do Assentamento Nova Esperança, em Olho d’Água do Casado (AL).

Experiências que conectam e contam histórias

Jirlande Souza é artesã de São Cristóvão (SE) e conta que além de fortalecer a comunidade, a participação no projeto contribuiu para seu desenvolvimento pessoal. “Hoje, eu tenho outra visão e percepção de mim e da minha cidade. Eu não sabia a riqueza que tinha aqui, como a queijada e o bricelet”.

Além dessas delícias únicas da gastronomia de Sergipe, os turistas podem conhecer nos outros territórios diversos alimentos como o aratu, um caranguejo vermelho ingrediente principal de caldinhos, empadas e hambúrguer; além de frutas nativas brasileiras como a mangaba e a jabuticaba que são utilizadas para a produção de geleias, compotas, licores e fermentados.

Com articulação em rede, agricultores familiares de Palmeira dos Índios (AL), membros da Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa (Coopcam), estão aperfeiçoando e diversificando produtos à base da jabuticaba. De acordo com a liderança comunitária Salete Barbosa, “estamos participando de diversas feiras levando e divulgando nossos produtos. Já estamos pensando em inovar os roteiros turísticos, beneficiar novos produtos e expandir os trabalhos com sementes crioulas”.

Comunidade Quilombola Engenho Siqueira, localizada na APA de Guadalupe em Rio Formoso (PE) já colhe os frutos dessa conexão. A associação conseguiu participar de editais de projetos e acessar recursos voltados para o turismo de base comunitária. A rede trouxe outros complementos que fortalecem ainda mais a comunidade.

“Participar do projeto foi um divisor de águas. A gente vinha iniciando com ações de turismo de base comunitária e o Paisagens Alimentares abriu as nossas mentes. Adquirimos conhecimentos, trocamos experiências em intercâmbios e contribuiu para que a nossa comunidade ficasse cada vez mais unida. Conseguimos ver que temos um potencial incrível. Mas, para isso, precisávamos estar preparados para colocar em prática as ações de turismo e proporcionar uma melhor vivência para as pessoas que vêm até o nosso território”, conta o presidente da Associação, Rodney da Silva.

Foto: Fabiano Estanislau

 

Alinhamento estratégico e potencial de replicação

O projeto está alinhado às estratégias da Embrapa (Visão 2030), Estratégia País Brasil 2024-2027, ao Programa de Regionalização do Turismo (PRT), ao Plano Nacional de Turismo e ao Plano Plurianual 2024-2027. As ações do Paisagens Alimentares contribuem ainda para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Denise Levy ressalta que mais do que um projeto pontual, Paisagens Alimentares se consolidou como uma referência em pesquisa aplicada para o desenvolvimento sustentável. Sua metodologia e seus resultados demonstram o potencial transformador da conexão entre alimento, cultura, turismo e território.

A especialista do BID pontua que ações como as desenvolvidas no projeto têm potencial para serem aplicadas em outras regiões do Brasil e da América Latina para que possam florescer a partir de suas próprias paisagens alimentares.

Fabiano Estanislau (MTb 453/AC)
Embrapa Alimentos e Territórios

Contatos para a imprensa

Renata Silva (MTb 12.361/MG)
Embrapa Alimentos e Territórios

 

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Editais incentivam envolvimento de estudantes na iniciação científica

Com inscrições até 29 de junho, chamadas do Pibic, Pibic-AF, Pibiti e Pibic-EM estimulam a participação em projetos de pesquisa e inovação na UnB

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Da Secretaria de Comunicação da UnB

 

Iniciação científica oportuniza a estudantes de graduação e do ensino médio a qualificação em pesquisa e a produção de conhecimento científico. Foto: Beto Monteiro/Secom UnB

A Diretoria de Iniciação Científica (Proic) da UnB, ligada ao Decanato de Pós-Graduação (DPG), lançou quatro editais de iniciação científica para o ciclo 2026-2027. As iniciativas contemplarão estudantes de graduação e de ensino médio interessados em participar de projetos de pesquisa sob orientação de docentes ou técnicos administrativos da Universidade de Brasília. As inscrições acontecem pelo envio de projetos, via orientadores, até 29 de junho.

>> Confira os editais

O edital de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) visa despertar a vocação científica dos estudantes, fortalecer a formação profissional e desenvolver novos talentos nos campos da pesquisa e da inovação. Já o de Ações Afirmativas (Pibic-AF) é voltado a ingressantes por sistemas de cotas sociais, cotas para negros, indígenas, quilombolas ou pessoas trans, ou ainda pelo Programa de Estudantes do Convênio de Graduação (PEC-G) do Ministério da Educação (MEC).

Outro edital é o de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti), cujo foco é qualificar estudantes de graduação em iniciativas para o avanço em tecnologia e inovação e incentivar a produção de conhecimento nessas áreas, em diferentes setores, desde comercial ao empresarial, social e ambiental.

Nestes três casos, podem aderir estudantes da UnB e de outras instituições de ensino superior do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride).

Há ainda o edital de Ensino Médio (Pibic-EM), destinado à participação de alunos de escolas públicas do DF no último nível escolar, seja do ensino regular, técnico ou militar. Neste, concorrem apenas estudantes de escolas públicas cadastradas junto à coordenação do Programa de Iniciação Científica do Ensino Médio (confira na chamada).

Para o diretor de Fomento à Iniciação Científica do DPG, Juscelino Bezerra, os editais consolidam a promoção à iniciação científica (IC) na Universidade ao democratizarem o acesso à pesquisa, integrarem a graduação à pós-graduação, ampliarem a produção científica e as perspectivas profissionais de estudantes e contribuírem para a permanência qualificada e para a equalização das condições de formação científica.

“Para os estudantes de graduação, a iniciação proporciona contato direto com metodologias e práticas de pesquisa, desenvolvimento do pensamento crítico e criativo, integração a grupos de pesquisa consolidados, fortalecimento do currículo para acesso à pós-graduação e inserção qualificada no mercado de trabalho”, enumera. “Para os estudantes do ensino médio, a participação desperta precocemente a vocação científica, desenvolve hábitos de investigação e raciocínio metodológico, e amplia horizontes de escolha profissional e vocacional”, acrescenta.

UnB conta com mais de mil bolsistas em projetos de iniciação científica. Foto: André Gomes/Secom UnB

SUBMISSÃO DE PROJETOS – As inscrições de projetos científicos devem ser feitas pelos orientadores via Plataforma de Iniciação Científica (Plic), no site www.plic.app.br/unb. As propostas devem conter detalhes do projeto de pesquisa – introdução (problema e objetivos), justificativa (contribuição para a área), bibliografia e metodologia –, plano de trabalho dos estudantes e currículo lattes atualizado dos pesquisadores.

Os projetos contemplados poderão contar com estudantes voluntários ou bolsistas – estes, com remuneração vigente por até 12 meses, com início em setembro de 2026 e término em agosto de 2027. Cada estudante só poderá ser cadastrado, seja como bolsista ou voluntário, em um plano de trabalho, considerando o conjunto dos editais do Programa de Iniciação Científica. Já os orientadores só poderão indicar, cada, dois projetos por edital; ter, no máximo, dois bolsistas de um mesmo edital; e acumular até cinco bolsas entre os quatro editais.

Os critérios de participação dos discentes e orientadores, bem como os de pontuação dos projetos, podem ser consultados nas respectivas chamadas. Os editais contam com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). A UnB também fomenta o programa com R$ 2,5 milhões em recursos próprios.

Juscelino Bezerra comenta que, no ciclo anterior (2024-2025), a UnB contabilizou um panorama expressivo de 1.291 projetos de pesquisa inscritos, com 1.073 orientadores e 3.718 planos de trabalho. “Atualmente, temos 644 cotas de bolsas ativas do CNPq, 300 bolsas da UnB e 151 bolsas da FAPDF, totalizando 1.095 cotas de bolsas”, menciona.

CONEXÃO – Para facilitar a adesão de estudantes a iniciativas que concorrerão aos editais e aproximar orientadores dos interessados em realizar iniciação científica, o Proic disponibiliza o Painel de Vagas e o Banco de Talentos. O Painel exibe as ofertas de projetos de pesquisa conforme as grandes áreas do conhecimento, com o perfil do estudante desejado e descrição das atividades a serem realizadas. Já o Banco de Talentos é destinado aos orientadores, para que pesquisem estudantes que queiram atuar na iniciação científica e a área de conhecimento de interesse.

Em relação ao edital do Pibiti, parcerias com o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/UnB), o Parque Científico e Tecnológico (PCTec/UnB) e a Diretoria Técnico-Científica da Polícia Federal (Ditec/PF) visam facilitar o acesso de estudantes aos projetos de inovação e pesquisa para participação na chamada.

 

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.

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Hospital de Base muda vida de pessoas com transtornos alimentares

Única unidade do SUS a oferecer esse tipo de atendimento no Distrito Federal, o HBDF reúne psiquiatras, psicólogos e nutricionistas em acompanhamento estruturado para pacientes

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Agência Brasília* | Edição: Plácido Fernandes

 

O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), é a única unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal a oferecer atendimento ambulatorial estruturado para pessoas com transtornos alimentares. Com equipe formada por psiquiatras, psicólogos e nutricionistas, o serviço reúne diferentes especialidades para oferecer acompanhamento integrado aos pacientes.

Foi esse acolhimento que ajudou Maria Eduarda* a iniciar o processo de recuperação. A preocupação com a aparência começou ainda na adolescência. O que parecia ser apenas o desejo de emagrecer deu lugar a uma relação cada vez mais difícil com a alimentação e com a própria imagem. Após anos recorrendo a dietas radicais, ela desenvolveu transtornos alimentares que comprometeram sua saúde e a levaram à internação.

“Eu estava tão mal que comecei a sentir dor, meu corpo já não aguentava mais. Cheguei a perder o movimento das pernas. Não conseguia fazer nada sozinha, nem levantar o braço. Eu percebi que precisava de ajuda, mas, ao mesmo tempo, me achava bonita”, relembra.

No Brasil, 11 milhões de pessoas afetadas

Neste 2 de junho, Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas convivem com algum transtorno alimentar no mundo. No Brasil, estima-se que aproximadamente 11 milhões de pessoas apresentem algum tipo de distúrbio relacionado à alimentação.

No HBDF, destaca o médico psiquiatra Geison Machado, o tratamento começa pelo acolhimento e pela compreensão da história de cada paciente

“Não existe uma solução simples ou imediata. A evolução clínica depende, em grande parte, do manejo adequado, do reconhecimento da doença e da construção de estratégias terapêuticas individualizadas”

Geison Machado, médico psiquiatra do HBDF

 

De acordo com o médico psiquiatra do HBDF, Geison Machado, o tratamento começa pelo acolhimento e pela compreensão da história de cada paciente. “Não existe uma solução simples ou imediata. A evolução clínica depende, em grande parte, do manejo adequado, do reconhecimento da doença e da construção de estratégias terapêuticas individualizadas. Esse processo pode envolver diversos obstáculos, uma vez que nem sempre os pacientes apresentam condições clínicas, recursos emocionais ou disponibilidade subjetiva para reunir todos os elementos necessários ao tratamento e à recuperação”, explica.

Para Maria Eduarda, o maior desafio sempre esteve relacionado aos conflitos internos provocados pela doença. “Eu sabia que precisava melhorar e que não estava bem, mas isso iria contra algo que deixava a minha autoestima boa. É uma luta interna muito difícil, mas percebi que precisava de um tratamento que me ajudasse a viver a minha vida”, resume.

Entre os transtornos alimentares mais comuns estão a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e a compulsão alimentar periódica. As doenças podem se manifestar de diferentes formas e nem sempre estão associadas à magreza extrema.

Segundo Machado, iniciativas de conscientização ajudam a ampliar o conhecimento sobre o tema e reduzir o estigma que ainda cerca esses transtornos. “Ao ampliar a compreensão sobre essas doenças, torna-se possível oferecer maior acolhimento às dificuldades, ao sofrimento e às demandas vivenciadas pelos pacientes. O conhecimento adequado também favorece o reconhecimento dos sintomas e facilita a busca por ajuda especializada”, afirma.

Redes sociais e pressão estética

No HBDF, o atendimento é realizado de forma conjunta por psiquiatra, psicólogo e nutricionista, o que permite acompanhar diferentes aspectos da doença simultaneamente

Maria Eduarda, que segue em acompanhamento no HBDF, conta que a preocupação excessiva com o peso começou cedo. “Me lembro de não comer nada em dias que iria para alguma festa, porque queria estar mais bonita”, relata.

Para o psiquiatra, a exposição constante a padrões estéticos nas redes sociais, associada à pressão por determinados tipos físicos e à busca por resultados rápidos, pode contribuir para o desenvolvimento dos transtornos, especialmente entre adolescentes.

“Tive muito medo de não levarem o meu problema a sério, mas me ajudaram muito. Não me senti julgada em nenhum momento”

Maria Eduarda, nome fictício para preservar a identidade da paciente

 

“A comparação com outras pessoas faz parte do desenvolvimento humano. Porém, quando essa exposição ocorre de forma precoce e intensa, a cobrança aumenta e o surgimento de um transtorno se torna mais provável”, explica Geison Machado.

Como parte da recuperação, Maria Eduarda busca transformar hábitos e comportamentos que influenciam sua relação com a própria imagem. “Preciso mudar a forma como penso, os conteúdos que consumo nas redes sociais e até a maneira como lido com meus impulsos”, diz.

Como funciona o acompanhamento

No Hospital de Base, o atendimento é realizado de forma conjunta por psiquiatra, psicólogo e nutricionista. A atuação integrada permite que diferentes aspectos da doença sejam acompanhados simultaneamente. “O atendimento multiprofissional amplia nossa capacidade de escuta, fortalece o manejo clínico e contribui para respostas mais efetivas às necessidades dos pacientes”, destaca Machado.

Maria Eduarda relembra que teve receio na primeira consulta, mas depois se sentiu acolhida e ouvida. “Tive muito medo de não levarem o meu problema a sério, mas me ajudaram muito. Não me senti julgada em nenhum momento. Foi algo muito importante pra mim. Agora, sinto que vou conseguir seguir com o tratamento até o final”, celebra.

O atendimento ambulatorial para transtornos alimentares do Hospital de Base está disponível para toda a população do Distrito Federal. Para ter acesso ao serviço, é necessário apresentar um encaminhamento médico, da rede pública ou privada, para agendamento da consulta de avaliação.

(Obs.: *nome fictício para preservar a identidade da paciente)

*Com informações da IgesDF

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Mais de 130 filmes do DF se inscrevem para disputar o 28º Troféu Câmara Legislativa

Serão selecionados cinco longas e 10 curtas-metragens, exibidos de 14 a 18 de setembro durante o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

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Foto: Agência CLDF

Troféu Câmara Legislativa destinado a filmes produzidos no Distrito Federal recebeu 131 inscrições para a sua 28ª edição. São 23 longas e 108 curtas-metragens, concluídos a partir do ano passado. “Estes números confirmam a força do cinema brasiliense e reforçam o papel da CLDF no fomento à indústria audiovisual do DF”, observa Claudinei Pirelli, em nome do Comitê Gestor da premiação.

Os títulos serão submetidos a uma seleção para escolher cinco longas e 10 curtas, que comporão a Mostra Brasília – competição que integra a programação oficial do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A exibição dos filmes que concorrerão ao 28º Troféu Câmara Legislativa acontecerá de 14 a 18 de setembro, no Cine Brasília, com entrada gratuita.

As produções inscritas e habilitadas a participar da seleção são de vários gêneros cinematográficos: ficção (69), documentário (46), híbrido – mais de uma linguagem (11) e animação (cinco).

“Esse resultado também demonstra a diversidade do audiovisual brasiliense, que atua de diversas maneiras, confirmando a criatividade e a habilidade técnica dos nossos realizadores”, completou Pirelli.

Premiação

Os filmes selecionados para a Mostra Brasília disputarão prêmios em dinheiro, que somam R$ 298 mil. Os vencedores serão escolhidos pelo júri oficial – composto por três especialistas na área do audiovisual – e o júri popular, formado pelos espectadores que comparecerem às sessões no Cine Brasília.

Os prêmios são divididos entre os melhores títulos – longa e curta-metragem –, indicados pelos dois júris, e categorias técnicas, como direção, ator, atriz e trilha sonora. Estes últimos, escolhidos pelo júri oficial, entre todos os filmes da competição.

O Troféu Câmara Legislativa foi criado em 1996, com o objetivo de reconhecer o talento dos cineastas do Distrito Federal e incentivar os jovens realizadores, e, ano após ano, acompanhou o crescimento da produção cinematográfica local. Na primeira edição, apenas seis títulos concorreram à premiação.

Marco Túlio Alencar – Agência CLDF

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