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Suspeitas de intoxicação por metanol: um caso é descartado e outro segue em investigação no DF

Secretaria de Saúde tem notificado e monitorado casos suspeitos para definição de ações de vigilância

 

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Agência Brasília* | Edição: Paulo Soares

 

Dos dois casos suspeitos de intoxicação por metanol no Distrito Federal, um deles foi descartado após exame laboratorial concluir “não detectado” para metanol. O laudo do paciente de 34 anos foi emitido pelo Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nesta segunda-feira (6).

O segundo caso envolve um paciente de 47 anos, internado no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). O paciente segue sendo monitorado e, até o fim da tarde desta segunda-feira (6), não havia confirmação de intoxicação por metanol. O caso foi atendido na UPA de Brazlândia e transferido primeiro para o Hospital Regional de Santa Maria e depois para o HBDF. O paciente é residente no estado de Goiás.

Vigilância Sanitária promoveu fiscalização de bebidas alcoólicas | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF

De acordo com o subsecretário de Vigilância à Saúde da Secretaria de Saúde (SES-DF), Fabiano dos Anjos Martins, o paciente está sendo acompanhado por uma equipe multidisciplinar especializada. “Todos os casos suspeitos serão notificados e monitorados pela Secretaria de Saúde do DF, que é responsável pelo controle dessas ocorrências no Distrito Federal”.

A SES-DF destaca que, na ocorrência de um caso suspeito de intoxicação por metanol, deve ser realizado contato com o CIATox, por meio dos telefones (61) 99288-9358 e 0800 644 6774, para orientações do manejo clínico.

 

*Com informações da Secretaria de Saúde

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MARIA ELISA COSTA

A HISTÓRIA DE COMO NASCEU BRASILIA E O LEGADO DA FILHA DE LUCIO COSTA

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“O tempo tem carícias com as coisas velhas”, pressentia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina (1889-1985). Hoje, 66 anos depois da inauguração, Brasília vive uma realidade: participantes de sua construção estão em outro patamar. Os artistas construtores, todos eles, já se foram. O legado de JK, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Joaquim Cardozo, Athos Bulcão, Mariane Perretti, Burle Marx, Ceschiatti e Bruno Giorgi está aí para a gente celebrar e respeitar.

 

Dia 25, sexta-feira, partiu uma das mais importantes coajuvantes da criação e da construção de Brasília, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa.

Maria Elisa se une a outros personagens que ajudaram a colocar Brasília de pé: Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Augusto Guimarães, Carlos Magalhães da Silveira, Jofre Mozart Parada e Moacyr Gomes de Souza.

A escolha do projeto do Plano Piloto foi feita em 16 de março de 1957. A construção, mesmo, começou em abril. Vamos voltar três meses antes. Tardinha de uma segunda-feira, 4 de fevereiro de 1957. Maria Elisa, com 22 anos, cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura. Tão logo Maria Elisa entra no apartamento, ouve a voz do pai:

– Minha filha, vem aqui que quero mostrar “uma coisa”.

Ela chega, cheia de livros e cadernos, e não dá lá muita importância para a “coisa”. A “coisa” era, simplesmente, o primeiro esboço da Asa Sul de Brasília, a lápis com toques de cor e com anotações manuscritas. Na escala de 1/25.000, como o projeto foi apresentado no concurso.

Ela ainda ouviu seu pai descrever a nova capital, tim-tim por tim-tim. Quando terminou, lembra Maria Elisa: “Papai, com a camisa encharcada de suor, expôs pela primeira vez em palavra falada, a sua criação solitária. Sim – continua ela – porque o projeto de Brasília foi feito por ele sozinho, em casa. Fui a primeira pessoa a saber como seria nossa capital”.

Aquela revelação – uma descoberta que mudaria a História do Brasil e o conceito de urbanismo no mundo – continha um conteúdo único e um vislumbre singular de esperança e de revolução. Ela mesmo explica:

“Quando lembro desse momento ímpar, o que mais me surpreende é que não achei nada de extraordinário. Tudo aquilo me parecia simplesmente normal: mudar a capital, inventar uma cidade… tudo!  O próprio fato do meu pai ter feito o projeto sozinho em casa, desenhado a mão-livre e em escala, para mim não foi surpresa. Era esse, o jeito dele”.

A montagem do projeto do Plano Piloto para inscrição no concurso foi outra epopeia artesanal. “Fizemos a montagem em pranchas de cartolina, espalhadas no chão, com a ajuda de minha irmã Helena e de nossa prima, Nadja, sob rígida orientação do ‘inventor’. Detalhe por detalhe. A gente ia colando aquelas preciosas páginas nas cartolinas com aneisinhos de fita adesiva”.

O projeto tinha cinco pranchas, uma com o belo desenho da cidade em escala de 1/25.000, a nanquim e colorido com lápis de cor. E, mais quatro, com o texto da “Memória Descritiva” datilografado, ilustrado com impecáveis croquis, também desenhados a nanquim, alguns com leves toques de cor aqui e ali. À exceção da datilografia, tudo foi feito pessoalmente por Lucio Costa sem a ajuda de ninguém.

A própria Maria Elisa conta: “Fomos para a cidade de carro, meu pai dirigindo. Parou junto à entrada do Ministério da Educação. Minha irmã e eu descemos e entregamos as cinco pranchas na sobreloja. Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26, e entregamos para meu pai. Era 11 de março de 1957”. A partir daí, foi a saga da construção.

 

Maria Elisa: “Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26 e entregamos a meu pai”.

 

 

Desde aquele 4 de fevereiro, Maria Elisa Costa nunca mais se desgrudou de Brasília. Acompanhou tudo. Era a ‘mãe’ cuidando da ‘filha’, como membro do Conselho de Arquitetura e Meio Ambiente, como presidente do IPHAN ou atendendo solicitações diversas dos governadores de Brasília.

Passaram-se os anos. E lá estava Maria Elisa Costa na luta para defender a Capital em duas situações opostas e adjacentes: de um lado, a extensa área urbana em expansão e, de outro, o Plano Piloto a ser preservado. Ela tinha a noção exata de que uma coisa é gerenciar o desenvolvimento urbano da cidade em expansão. E outra, bem diferente, é  assegurar a preservação de seu núcleo original. Explica ela: “O centro histórico da capital é a área delimitada pelo divisor de águas da Bacia do Paranoá. Toda e qualquer intervenção nessa área, mesmo não sendo localizada dentro do perímetro tombado ou em seu entorno direto, deve ser compatível com o texto original da Portaria 314 do IPHAN. Tem que ser fiscalizada. Toda e qualquer intervenção nessa área deve passar por uma comissão técnica permanente de alto nível, criada para esse fim. E que tenha com poder de veto”.

A eterna guardiã do dr. Lucio reacendeu em nosso espírito o sentido da preservação e ajudou a moldar a beleza de Brasília.

Obrigado, Maria Elisa Costa.

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BRASÍLIA

O urbanismo revolucionário das superquadras sensíveis à água e que dá qualidade de vida

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O conceito de “super-quadras” como extensão residencial

aberta ao público, em contr

Brasília enriqueceu os dicionários da Língua Portuguesa com neologismos clássicos desde sua inauguração. Por exemplo, Plano Piloto. Buscando o significado no dicionário ou na internet, está lá: “Plano Piloto é a região administrativa central de Brasília, projetada pelo urbanista Lúcio Costa em formato de avião”. Outro exemplo, superquadra. Se você for ao Google, a definição: “Superquadra é uma forma de organização urbanística. No Brasil é conhecida como a experiência morfológica realizada na área residencial de Brasília”. Outro exemplo: tesourinha. Além do nome de uma ave muito conhecida, está lá no dicionário: “Em Brasília, as tesourinhas são passagens subterrâneas e viadutos em formato de alça que cruzam o Eixão e os Eixinhos, que servem para mudar de direção e entrar nas superquadras sem precisar de semáforos”. Os três conceitos – plano piloto, superquadra e tesourinha – nasceram com Brasília e estão ligados à vida na capital da República.

 

Em abril passado, Brasília completou 66 anos de inauguração. Nessas quase sete décadas, a capital evoluiu, adensou e virou a terceira maior cidade do País. Mas, as suas quatro características urbanísticas continuam as mesmas, mesmo porque desde 1987 é uma cidade tombada pela Unesco.

Dentro dos pontos principais do plano Piloto estão o Eixo Monumental, o Eixo Rodoviário (Asas Sul e Norte) e as áreas residenciais, divididas nas famosas Superquadras. O Plano Piloto de Brasília tem ao todo 96 superquadras residenciais, divididas de forma igual entre a Asa Sul e a Asa Norte. A grande característica das superquadras é que os blocos têm apenas seis andares e se sustentam em pilotis. São áreas muito arborizadas, com apenas um único acesso comum, garantindo um tráfego mais calmo, evitando o trânsito de não moradores. Elas se completam com escolas, igrejas e comércios variados. É sobre as superquadras que vamos conversar com o arquiteto e escritor Maurício Andrés Ribeiro.

 

MAURÍCIO ANDRÉS RIBEIRO – ENTREVISTA

aposição ao de “condomínio”

como arcos fechados e privativo,

foi inovador e revelou-se válido e civilizado.

Lucio Costa 3/XII/85

 

 

Silvestre Gorgulho – Maurício, você é mineiro, mas mora em Brasília há muito tempo. Por onde passou e trabalhou, você é um profissional sempre atento às questões ambientais, urbanísticas e sustentáveis. Pergunto, o que você acha do projeto Lucio Costa e, especialmente, sobre as superquadras?

Maurício Andrés – Olha, sou fã do urbanista Lucio Costa. E eu falo isto de uma maneira profissional, por ter estudado a trajetória dele, e sobretudo porque durante 26 anos de minha vida, morei em apartamentos, em superquadras na Asa Sul de Brasília, e tive o privilégio de vivenciar um padrão urbanístico de alta qualidade. Brasília é a concretização de uma utopia. Uma cidade com um projeto que revolucionou o modo de viver.

 

Silvestre – Você é um pesquisador das questões hídricas e ambientais. Você foi diretor-executivo do Conama e trabalhou muito tempo na Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Como você vê a questão do manejo da água dentro desse mundo das superquadras?

Maurício – Devemos ressaltar a importância da concepção urbanística das superquadras em Brasília. Inventadas há mais de 66 anos por Lucio Costa, tornaram-se um padrão urbanístico desejável, que precisa ser revalorizado no contexto das mudanças climáticas e de seus eventos extremos. Foi uma criação urbanística que traduziu de forma pioneira aquilo que atualmente se chama de cidades-esponja, defendida pelo arquiteto chinês Kongjian Yu, que ao invés de conduzir a água por meio do concreto de obras rígidas utiliza a infraestrutura verde para absorver, limpar e reutilizar a água da chuva no próprio local onde ela cai, evitando enchentes graves. Quero lembrar ainda que as superquadras podem ser vistas como exemplos pioneiros daquilo que propõe o movimento das cidades sensíveis à água que se originou décadas depois na Austrália. Elas buscam formas de convivência harmônica com a água, respeitam o ciclo hidrológico, facilitam a infiltração. Constroem jardins filtrantes, valetas para conduzir a água de chuva, telhados verdes, áreas de infiltração em cada lote, evitando que as enxurradas se avolumem.

 

Silvestre – Nesse ponto, o espaço verde nas superquadras é muito generoso.

Maurício – É verdade. Ali as árvores crescem livremente, com amplos espaços. A fiação é subterrânea e elas não sofrem podas radicais como vemos em outras cidades em que as árvores são confinadas em passeios estreitos e com fiação aérea. Em Brasília, ciência e arte se aliaram no planejamento do desenho urbano, paisagismo, urbanismo e arquitetura. As superquadras são uma inspiração para um modelo saudável de cidade sensível à água.

 

Beleza e qualidade de vida nas superquadras em Brasília.

 

Silvestre – Na verdade, quando Lucio Costa, Niemeyer e Burle Marx criaram a Superquadra Modelo, que está na 308/108 Sul, eles plantaram um modelo não só original como de muita qualidade de vida.

Maurício –  E não é só isso. Brasília virou uma cidade-parque. Evidente que outros paisagistas contribuíram para esverdear a paisagem de todo os Distrito Federal. É bom lembrar que não havia conhecimento sobre paisagismo e arborização urbana no Cerrado. Tudo foi aprendido experimentalmente. Hoje, Brasília é um grande parque nas Asas Sul e Norte, entremeado por edifícios e casas onde as pessoas vivem. Essas generosas áreas verdes são esponjas que absorvem grande parte da água de chuva e reduzem os riscos e danos das inundações catastróficas que acontecem em outras cidades.

 

Silvestre – E tem o lado da convivência, da humanização do ambiente.

Maurício – Esse é um legado que o urbanista deixou não só para os brasilienses, mas para todo o mundo. A superquadra é amigável para com as crianças, com muitos espaços para elas brincarem, nos pilotis abertos e sem cercas dos prédios. Nas áreas verdes os moradores passeiam com seus animais de estimação, nos playgrounds cercados ou não. Eu vivi isso quando morava em Brasília durante a pandemia do Covid-19. As quarentenas e a necessidade de ficar em casa tornaram mais nítida a qualidade do urbanismo e da arborização da cidade.

 

Paisagismo da superquadra modelo: 308 sul

 

Silvestre – Eu hoje moro da 308 Sul, uma superquadra modelo, e entendo perfeitamente o que você está dizendo.

Maurício – Sim, você que mora ali pode ver duas coisas diariamente: primeiro, o número de turistas que visitam essas superquadras. Turistas nacionais e estrangeiros. Sobretudo estudantes de arquitetura, engenharia e paisagismo. É visível esse ambiente saudável das superquadras que dispõem de espaços para exercícios físicos sem aglomerações ao ar livre. Na pandemia, elas contribuíram muito para aliviar o isolamento necessário na emergência sanitária, para promover a saúde e para evitar que o vírus se espalhasse. Elas mostraram qualidades valiosas com seus amplos espaços públicos, muito verde, muita ventilação e iluminação natural, pouca densidade, ambientes saudáveis e já testados pela prática e vivência. Tais espaços são muito apropriados e evitam que as crianças e idosos fiquem confinados nos apartamentos.

 

Silvestre- Quem estuda a construção de Brasília, percebe que JK foi um gênio político e administrativo. Ele construiu a nova capital na hora certa.

Maurício – Sempre pensei nisso. Brasília incorporou um Brasil muito maior ao que já existia beirando o litoral. Foi uma redescoberta do País. E tudo isso em cinco anos. O presidente JK prometeu e cumpriu fazer 50 anos em apenas cinco. Uma verdadeira revolução sem dar um só tiro. E tem mais: Brasília foi construída pelo estado, em terras públicas previamente desapropriadas. Não sofreu as limitações impostas pelo mercado, pelo lucro e pela redução de custos que sacrifica os espaços públicos, as áreas verdes e a qualidade ambiental, como aconteceu em outros lugares.

 

Vista aérea da superquadra 308 Sul de Brasília, podendo ver a Escola Parque, modelo educacional de Aluísio Teixeira, e a Igrejinha de Fátima, projeto de Oscar Niemeyer.

 

Silvestre- E como você vê a gestão nas superquadras?

Mauricio – Este é outro dado interessante. Cada superquadra tem sua prefeitura, numa gestão urbana descentralizada. A mobilização dos moradores em torno de objetivos locais é o ponto de partida para várias benfeitorias urbanas: a implantação de playgrounds para crianças, a gestão dos resíduos, as questões de segurança e o controle da poluição sonora.

 

Silvestre – Mas nem tudo são flores. Hoje existe a questão da mobilidade urbana e, muito pior, em algumas entrequadras, na área norte, acontecem inundações severas.

Maurício – Muito bem lembrado. Inicialmente não aconteciam inundações urbanas na cidade. Entretanto, em algumas áreas houve excessiva impermeabilização do solo por estacionamentos, pistas de automóveis e construções variadas. Isso interferiu no sistema de drenagem. Maiores volumes escorriam depois de chuvas fortes e passaram a ocorrer inundações a jusante dessas áreas impermeabilizadas. Outras causas que contribuem para as inundações são o entupimento das redes de drenagem, a falta de manutenção adequada e os eventos extremos associados ao aquecimento global.

 

Silvestre – Ano que vem, em dezembro de 2027, serão 40 anos do Tombamento de Brasília. Como arquiteto, o que você pode dizer sobre uma cidade tombada com apenas 27 anos?

Maurício – Esta foi outra revolução que Brasília provocou no mundo e nos trabalhos da Unesco. Aí temos que dar glória e agradecer o então governador José Aparecido de Oliveira que viu e provou para a Unesco que Brasília tinha que ser tombada por ser uma cidade mais importante em futuro do que em passado. Por isso, Brasília tornou-se a única cidade moderna inscrita na lista do patrimônio mundial da UNESCO, o que a protegeu das investidas das empresas imobiliárias para adensá-la e verticalizá-la. O espírito que inspirou a criação das superquadras nessa cidade deve ser resgatado e valorizado, para que continue a inspirar outros projetos de urbanização no Brasil.

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O BATISMO E A URBANIZAÇÃO

A cronologia da criação e urbanização de Maringá, hoje um município exemplo de sustentabilidade

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A maioria das cidades brasileiras interioranas brasileiras nasceu às margens de rios ou em entroncamentos, quase sempre ponto de apoio e descanso de tropeiros. Maringá não fugiu a regra. No entrocamento ao noroeste do Paraná, em 1940, surgiu um núcleo rural rústico como ponto de apoio comercial para os trabalhadores da região. O núcleo foi batizado com o nome de Maringá.

 

Durante o processo de colonização do norte do Paraná pela Companhia de Terras Norte do Paraná, na década de 1940, a música “Maringá” era frequentemente cantada pelos trabalhadores nas frentes de desmatamento e construção. Segundo relatos, foi Elizabeth Thomas, esposa de Arthur Thomas, um dos diretores da Companhia de Terras Norte do Paraná, que  sugeriu que o núcleo recebesse o nome da música. A proposta foi aceita e tudo foi oficializado em 10 de maio de 1947.

 

CRONOLOGIA HISTÓRICA DE MARINGÁ

Inspirado na música que fazia sucesso na época da colonização, Maringá teve um ritmo frenético de desenvolvimento econômico, urbanístico e cultural.

 

Hotel Campestre,  primeiro hotel de Maringá, é inaugurado em 1942. Em setembro de 1956, foi construído o primeiro grande hotel de alvenaria e luxo da cidade nova chamado Grande Hotel Maringá, que depois passou a se chamar Hotel Bandeirantes.

 

1923 – O início de tudo foi em 1923, quando uma comitiva liderada por Edwin Samuel Montagu, ex-secretário de Finanças do Tesouro Britânico, veio ao Brasil para negociar uma dívida. Entre os membros da comitiva estava Simon Joseph Fraser, o 16º Lorde Lovat da Escócia, que viajou com outro objetivo em mente: procurar terras férteis para cultivar algodão, matéria-prima imprescindível para a indústria têxtil britânica.

Lorde Lovat visitou terras do interior paulista e chegou ao norte do Paraná. Decidiu investir na plantação de algodão na região e fundou a empresa Brazil Plantation Sindicate, responsável pelo gerenciamento de suas propriedades em terras brasileiras.

1925 – Em junho de 1925, é fundada a Paraná Plantations Company, empresa de Londres que comandaria a subsidiária Companhia de Terras Norte do Paraná, no Brasil. A região era predominantemente ocupada por florestas de Mata Atlântica, atraindo a atenção de produtores rurais paulistas, mineiros, japoneses e italianos, atraídos pela presença da terra roxa (nome vem de terra rossa, em italiano, ou terra vermelha).

1929 – Em 21 de agosto de 1929, foi fundada Londrina, uma homenagem a Londres, capital ingleza. Com a venda dos primeiros lotes de terra no “norte novo do Paraná”, veio a febre da ocupação da região. Era a chegada em massa de desbravadores. Nasceram os primeiros núcleos urbanos.

1938 – Começa a colonização de Maringá. O povoamento da área compreendida pelo atual município iniciou-se em 1938. Mas foi, apenas, a partir dos primeiros anos da década de 40, que começaram a ser erguidas as primeiras edificações de madeira, na localidade conhecida, mais tarde, por Maringá Velho. Em 1938, foi vendido o primeiro lote de Maringá, adquirido pelo padre alemão Emílio Clemente Scherer, que veio para o Brasil fugindo do  nazismo.

 

Esta foto aérea registra parte da atual Zona 3, quando a região ainda passava pela abertura de suas ruas e avenidas e dava os primeiros passos de sua ocupação urbana.

1940 – Em 12 de fevereiro de 1940, surge a primeira igreja de Maringá, construída pelo padre Scherer. Ele é considerado pioneiro. Foi o primeiro desbravador de Maringá. A propriedade que ele adquiriu foi batizada de Fazenda São Bonifácio. Vale lembrar que São Bonifácio foi um monge beneditino, conhecido como “Apóstolo da Alemanha”.

1942 –   Num entroncamento, surge nesse ano um pequeno povoado, que servia como ponto de apoio aos pioneiros desbravadores.

1943 –  Segundo o historiador do Patrimônio Histórico de Maringá, João Laércio Lopes Leal, foi em 1943 que nasceu o projeto da cidade de Maringá. O projeto é assinado pelo urbanista paulista Jorge de Macedo Vieira, adepto do conceito de “Cidade Jardim” elaborado pelo britânico Ebenezer Howard. O urbanista Macedo Vieira recebeu a ajuda de seu amigo e ex-colega da Escola Politécnica da USP, Cássio Vidigal, então diretor da Companhia de Terras Norte do Paraná.

1947 – A fundação oficial de Maringá – data em que a cidade comemora seu aniversário – é 10 de maio de 1947, quando a Companhia de Terras Norte do Paraná abriu um escritório na cidade. Essa Companhia foi adquirida por investidores brasileiros nos anos 1940 e, em 1951, rebatizada como Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Prestes a fazer 80 anos, Maringá tem hoje cerca de 430 mil habitantes.

1950 –  Na década de 1950, Maringá pulou de 40 mil habitantes para 100 mil, sobressaindo a Vila Operária e o Maringá Velho como regiões mais prósperas. Nesse contexto destacam-se no perímetro urbano as casas comerciais, serrarias, as máquinas de café e as cerealistas.

 

Idealizada por Dom Jaime Luiz Coelho e projetada pelo arquiteto José Augusto Bellucci, a bela Catedral de Maringá foi construída entre julho de 1959 e maio de 1972.

 

1960 –  Em 1960, Maringá registra expansão tanto vertical quanto horizontal, solidificando a posição de centro regional, atestando ares de metrópole. Na esteira do vertiginoso progresso nascem instituições seminais ao desenvolvimento sócio-econômico, caso da cooperativa COCAMAR (27 de março de 1963) e da Universidade Estadual de Maringá (1969), Basílica de Maringá, o Country Clube, o Parque do Ingá, o Parque Alfredo Nyffeler, o Parque do Japão e o Bosque das Grevíleas.

 

Em 1959, o compositor mineiro Joubert de Carvalho foi homenageado pela cidade de Maringá com o nome de uma rua, antes chamada de rua

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