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Prêmio Jabuti: conheça os finalistas de cada categoria deste ano

Lista foi divulgada pela Câmara Brasileira do Livro

 

Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

 

A Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora do Prêmio Jabuti, divulgou nesta terça-feira (7) os cinco finalistas de cada categoria da 67ª edição da premiação. A lista completa está disponível no site oficial e ao final desta matéria.

Os vencedores das 23 categorias, distribuídas nos eixos Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação, incluindo o título de Livro do Ano, serão anunciados na cerimônia marcada para 27 de outubro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A cerimônia, que será exclusiva para convidados, terá transmissão ao vivo pelo canal da CBL no YouTube. Os vencedores receberão a estatueta do Jabuti e um prêmio de R$ 5 mil. O processo de curadoria e julgamento das obras desta edição envolveu mais de 60 jurados com formações diversas e ampla representatividade, segundo a organização do prêmio.

O curador do prêmio, Hubert Alquéres, ressaltou a relevância desta edição.

“Recebemos um total de 4.530 inscrições, o que demonstra a vitalidade da produção literária brasileira e a importância do Jabuti. Agradecemos aos jurados pela dedicação e pelo empenho em selecionar, entre tantas obras de qualidade, aquelas que chegam à etapa final”, afirmou.

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Livro do Ano

A premiação Livro do Ano é concedida à obra melhor classificada entre as categorias dos eixos Literatura e Não Ficção. O eixo Literatura contempla as categorias conto, crônica, histórias em quadrinhos, infantil, juvenil, poesia, romance de entretenimento e romance literário.

O eixo Não Ficção inclui as categorias artes, biografia e reportagem, economia criativa, educação, negócios e saúde e bem-estar.

O autor contemplado com o título de Livro do Ano, além da estatueta e de R$ 70 mil, será premiado com uma viagem à Feira do Livro de Londres, em comemoração ao Ano da Cultura Brasil–Reino Unido.

Confira a lista dos finalistas

Eixo: Literatura

1 – Conto

Título: A bomba e outros contos de futebol | Autor David Butter | Editora Mórula Editorial

Título: Breve inventário de pequenas solidões | Autor Tiago Feijó | Editora Penalux

Título: Dores em salva | Autor Elimário Cardozo | Editora Patuá

Título: Esboços naturais | Autor Cavito | Editora Laranja Original

Título: Nós que nos amávamos tanto | Autora Laís Araruna de Aquino | Editora Cachalote

2 – Crônica

Título: Geografia do tempo | Autor Ary Quintella | Editora Andrea Jakobsson Estúdio

Título: Meia palavra basta | Autor Francisco Bosco | Editora Record

Título: O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim | Autor Ruy Castro | Editora Companhia das Letras

Título: Se eu soubesse: para maiores de 40 anos | Autor Carpinejar | Editora Bertrand Brasil

Título: Tempo e outros tempos | Autor Carlos Heitor Cony “em memória” | Editora Nova Fronteira

3 – Histórias em Quadrinhos

Título: Mais uma história para o velho Smith | Autor Orlandeli | Editora Gambatte

Título: Não sou Orlando | Autora Helena Cunha | Editora Obra Independente

Título: Pigmento | Autora Aline Zouvi | Editora Quadrinhos na Cia.

Título: Quando nasce a autoestima? | Autores Jefferson Costa, Regiane Braz | Editora Orí

Título: Superpunk | Autores Guilherme Petreca, Mirtes Santana | Editora Pipoca & Nanquim

4 – Infantil

Título: Estações | Autores Daniel Munduruku, Marilda Castanha | Editora Moderna

Título: Maior museu do mundo | Autor Caio Zero | Editora Pulo do Gato

Título: O braço mágico | Autores Fernando Zenshô, Roseana Murray | Editora Estrela Cultural

Título: Quem é esse? | Autoras Mariana Demuth, Sabrina Berardocco | Editora Piu

Título: Você dorme como um monstro? | Autor Guilherme Karsten | Editora HarperKids

5 – Juvenil

Título: Conhori e as Icamiabas: guerreiras da Amazônia | Autoras Eliane Potiguara, Tainan Rocha| Editora do Brasil

Título: Marefasto | Autor Juan Glavemburgo| Editoras Flyve, Voe/Algoz

Título: O Silêncio de Kazuki | Autor André Kondo | Editora Telucazu Edições

Título: Quando minha mãe voou no 14-Bis | Autoras Cris Eich, Penélope Martins | Editora PeraBook

Título: Tia Ciata, a grande mãe do samba | Autores Nei Lopes, Rui de Oliveira | Editora Nova Fronteira

6 – Poesia

Título: Cahier de Poésie 3: Caderno de Poesia 3 | Autor Michel Thiollent | Editora Scortecci

Título: Livro de erros | Autora Maria Lúcia Dal Farra | Editora Iluminuras

Título: O lado esquerdo | Autor Manoel Ricardo de Lima | Editoras Mórula Editorial, Cultura e Barbárie

Título: Poesia reunida [1966-2009] | Autores Maria do Carmo Ferreira, Fabrício Marques e Silvana Guimarães (organizadores) | Editora Martelo

Título: Respiro | Autor Armando Freitas Filho | Editora Companhia das Letras

7 – Romance de Entretenimento

Título: A casa da ópera de Manoel Luiz | Autor Celso Taddei | Editora Mondru

Título: As fronteiras de Oline | Autor Rafael Zoehler | Editora Patuá

Título: Boas meninas se afogam em silêncio | Autora Andressa Tabaczinski | Editora Rocco

Título: O amor e sua fome | Autora Lorena Portela | Editora Todavia

Título: Uma família feliz | Autor Raphael Montes | Editora Companhia das Letras

8 – Romance Literário

Título: A extraordinária Zona Norte | Autor Alberto Mussa | Editora Todavia

Título: Bambino a Romaficção | Autor Chico Buarque | Editora Companhia das Letras

Título: De onde eles vêm | Autor Jeferson Tenório | Editora Companhia das Letras

Título: Escalavra | Autor Marcelino Freire | Editora Amarcord

Título: Vento em setembro | Autor Tony Bellotto | Editora Companhia das Letras

Eixo: Não Ficção

1 – Artes

Título: Fotobiografia Naná: do Recife para o mundo | Autor Augusto Lins Soares (organizador) | Editora Cepe

Título: Manifestações ambientaisde Hélio Oiticica | Autores Celso Favaretto, Paula Braga | Editora Edusp

Título: Os últimos filhos da floresta | Autor Ricardo Martins | Editora Nômades

Título: Rebeldes e marginais: cultura nos anos de chumbo, 1960-1970 | Autora Heloísa Teixeira “em memória” | Editora Bazar do Tempo

Título: Thomaz Farkas, todomundo | Autores Juliano Gomes, Kiko Farkas, Rosely Nakagawa, Sergio Burgi (organizadores) | Editora Instituto Moreira Salles (IMS)

2 – Biografia e Reportagem

Título: A bem-amada: Aimée de Heeren, a última dama do Brasil | Autor Delmo Moreira | Editora Todavia

Título: Longe do ninho | Autora Daniela Arbex | Editora Intrínseca

Título: Memórias | Autor Rubens Ricupero | Editora Unesp

Título: O indomável: João Carlos Martins entre som e silêncio | Autor Jamil Chade | Editora Record

Título: O púlpito: fé, poder e o Brasil dos evangélicos | Autora Anna Virginia Balloussier | Editora Todavia

3 – Economia Criativa

Título: Caminhos abertos: o que viajar nos ensina sobre liderança, propósito e fazer a diferença no mundo | Autor Riq Lima | Editora Folhas de Relva Edições

Título: De Marte à favela: como a exploração espacial inspirou um dos maiores projetos de combate à pobreza do Brasil | Autores Aline Midlej, Edu Lyra | Editora Planeta do Brasil

Título: Ensaio sobre o cancelamento | Autor Pedro Tourinho | Editora Planeta do Brasil

Título: Modativismo: quando a moda encontra a luta | Autora Carol Barreto | Editora Paralela

Título: Plenitude na envelhescência: realidade possível: volume II | Autora Corina Costa Ramos (organizadora) | Editora Obra Independente

4 – Educação

Título: Carta de uma orientadora: sobre pesquisa e escrita acadêmica | Autora Debora Diniz | Editora Civilização Brasileira

Título: De onde surgem as grandes ideias?: através do olhar da ciência | Autora Larissa Santos | Editora Labrador

Título: História econômica da escola: uma abordagem antropológica em circuito transacional (1870-1910) | Autoras Diana Gonçalves Vidal, Wiara Rosa Alcântara | Editora Unesp

Título: Letramento racial: uma proposta de reconstrução da democracia brasileira | Autor Adilson José Moreira | Editora Contracorrente

Título: Vamos falar de relações raciais? Crônicas para debater o antirracismo | Autora Cidinha da Silva | Editora Autêntica

5 – Negócios

Título: A essência de empreender: como foi construído o Grupo Boticário, um dos maiores ecossistemas de beleza do Brasil | Autor Miguel Krigsner | Editora Portfolio-Penguin

Título: A força do ESG: por que, a partir de agora, as empresas realmente serão sustentáveis? | Autor Ricardo Ribeiro Alves | Editora Alta Books

Título: A trinca: jornada da liberdade | Autores Caio Carneiro, Flávio Augusto, Joel Jota | Editora Buzz

Título: Aprenda a negociar com o mundo árabe: onde o impossível é possível | Autor Rafael Solimeo | Editora Labrador

Título: Calma sob pressão: o que aprendi comandando o Banco de Boston, o Banco Central e o Ministério da Fazenda | Autor Henrique Meirelles | Editora Planeta do Brasil

6 – Saúde e Bem-Estar

Título: A arte de amar | Autor Christian Dunker | Editora Record

Título: Em cada instante nascemos e morremos bilhões de vezes | Autora Monja Coen | Editora Planeta do Brasil

Título: Felicidade ordinária | Autora Vera Iaconelli | Editora Zahar

Título: Medicina excessiva: suas causas e seus impactos | Autor Guilherme Santiago Mendes | Editora Labrador

Título: O lugar do sofrimento na cultura contemporânea: reflexões sobre a medicalização da existência | Autora Mariama Augusto Furtado | Editora Summus Editorial

Título: Ser feliz: é possível?: um diálogo entre ciência e espiritualidade | Autores Gustavo Arns, Monja Coen | Editora Papirus 7 Mares

Eixo: Produção Editorial

1 – Capa

Título: Acrobata | Capista Kiko Farkas | Editora Companhia das Letras

Título: Alto e bom som: uma história da arte sonora brasileira | Capista Gustavo Piqueira | Editora Edusp

Título: Bonito pra chover | Capista Vitor Cesar Junior | Editora Pinacoteca do Ceará

Título: Em alguma parte alguma | Capista Elaine Ramos | Editora Companhia das Letras

Título: Funil | Capista Alexandre Gama | Editora Obra Independente

2 – Ilustração

Título: As aventuras de Vitório | Ilustradora Veridiana Scarpelli | Editora Companhia das Letrinhas

Título: Bento vento tempo | Ilustrador Nelson Cruz | Editora Companhia das Letrinhas

Título: Cabeça de pedra | Ilustradora Renata Bueno | Editora Elo Editora

Título: Submersos | Ilustrador Vitor Bellicanta | Editora Caixote

Título: The Dhow | Ilustrador Victor Sales | Editora Obra Independente

3 – Projeto Gráfico

Título: [A construção] | Responsável Elaine Ramos | Editora Ubu

Título: Abdias Nascimento e o museu de arte negra | Responsável Estúdio Campo | Editora Instituto Inhotim

Título: Alexandre Herchcovitch: 30 anos além da moda | Responsável Museu Judaico de São Paulo | Editora Museu Judaico de São Paulo

Título: Anjos cruéis | Responsáveis Christiano Menezes, Chico de Assis | Editora Darkside

Título: Palavra | Responsáveis Felipe Carnevalli, Paula Lobato, Vitor Cesar | Editora Instituto Tomie Ohtake

4 – Tradução

Título: A palavra e o fio: poemas escolhidos | Tradutora Dirce Waltrick do Amarante | Editora Iluminuras

Título: As aventuras de Pinóquio | Tradutora Vanessa Carneiro Rodrigues | Editora Maralto

Título: Byron: poemas, cartas, diários & c. | Tradutor André Vallias | Editora Perspectiva

Título: O livro africano sem título: cosmologia dos Bantu – Kongo | Tradutor Tiganá Santana | Editora Cobogó

Título: Odes: Horácio| Tradutor Guilherme Gontijo Flores | Editora Autêntica

Eixo: Inovação

1 – Escritor Estreante – Poesia

Título: Maracujá interrompida | Autor Luis Osete | Editora Cepe

Título: Ninguém morreu naquele outono | Autora Manoella Valadares | Editora Telaranha

Título: O sal e a sede | Autor Guilherme Amorim | Editora Urutau

Título: Refinaria | Autor Rodrigo Cabral | Editora Sophia

Título: Touros e lagartos | Autora Luana Bruno | Editora Urutau

2 – Escritor Estreante – Romance

Título: À sombra de Fausto | Autor Nelson Ricardo Reis | Editora Quixote+ Do

Título: Diários da Caserna: dossiê Smart: a história que o exército quer riscar | Autor  Rubens Pierrotti Junior | Editora Labrador

Título: Flor do Mandacaru | Autor Claudionor de Oliveira Junior | Editora Página Nova

Título: O labirinto do corpo | Autor Daniel Carvalho Laier | Editora Sétimo Selo

Título: Sangue Neon | Autor Marcelo Henrique Silva | Editora Faria e Silva

3 – Fomento à Leitura

Título: AbraPalavra: onde a literatura se encontra com a vida cotidiana | Responsável Aline Cântia

Título: Clube de Leitura Ossos de Pássaro | Responsável Thais Pessanha

Título: Festival Pernambucano de Literatura Negra | Responsável Jaqueline Fraga

Título: Leia Mulheres | Responsável Juliana Leuenroth

Título: Literatura Acessível – 10 anos | Responsável Instituto Incluir: Transformar, Democratizar & Humanizar

4 – Livro Brasileiro Publicado no Exterior

Título: A maldição das flores | Editoras Planeta do Brasil, Amazon Crossing

Título: A pediatra | Editoras Companhia das Letras, Bokförlaget Tranan

Título: Baviera tropical: a história de Josef Mengele, o médico nazista mais procurado do mundo, que viveu quase 20 anos no Brasil sem nunca ser pego | Editoras Todavia, Diversion Books

Título: BRABA – antologia brasileira de quadrinhos | Editoras Mino, Fanthagraphics Books

Título: O crime do bom nazista | Editoras Todavia, Sellerio Editore Palermo

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Alessandro Vieira pede indiciamento do PGR e de ministros do STF

Relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira sugere alterações legais e pede indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal, além do procurador-geral da República
Saulo Cruz/Agência Senado

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A CPI do Crime Organizado encerra nesta terça-feira (14), a partir das 14h, as atividades com a leitura e análise do relatório final que contém pedidos de indiciamento por crimes de responsabilidade de três ministros do Supremo Tribunal Federal — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes —, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Emitido após 120 dias de trabalho, o relatório de 220 páginas do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresenta um diagnóstico do funcionamento do crime organizado no Brasil e propõe medidas para combater o avanço da criminalidade.

O modus operandi de facções e milícias em diferentes regiões do país foi o norte inicial para o processo investigatório realizado com o recebimento de 134 documentos, 312 requerimentos e 18 reuniões para oitiva de autoridades como ministro, governadores, magistrados, representantes da segurança pública, policiais, jornalistas, entre outros.

Além de investigar a ocupação territorial por facções, a CPI fez um levantamento dos crimes relacionados às atividades econômicas, à lavagem de dinheiro, e de infiltração no poder público, como no caso do Banco Master.

Para o relator, “o fenômeno da criminalidade organizada no Brasil atingiu um patamar de complexidade e enraizamento que representa uma ameaça concreta à soberania do Estado, à democracia e aos direitos fundamentais da população”.

Banco Master

No relatório, Alessandrio Vieira pede indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade e condutas consideradas incompatíveis com o exercício de suas funções.

Os ministros são incluídos no rol dos indiciados por não terem se declarados suspeitos — quando há parcialidade do magistrado por razões subjetivas de ordem pessoal — no julgamento do caso do Banco Master pelo Supremo.

Com relação ao ministro Dias Toffoli, o relatório de Alessandro Vieira aponta que haveria vínculos indiretos do ministro com investigados do Banco Master, o que configura conflito de interesses e interferência nas investigações.

O relator apontou que a empresa Maridt, da qual o ministro Toffoli é sócio, transacionou com o Fundo Arleen, administrado por Fabiano Zettel — cunhado de Daniel Vorcaro e identificado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema criminoso investigado.

Segundo o relator, o ministro Alexandre de Moraes também teria atuado em processos para os quais deveria ter se declarado impedido, já que haveria relações financeiras entre a empresa investigada e o escritório de advocacia de sua esposa.

A relação entre a cônjuge do magistrado e o banco é causa objetiva de impedimento, disse o relator: “Trata-se de hipótese de impedimento absoluto, insanável e cognoscível a qualquer tempo, que independe de comprovação de prejuízo ou de influência subjetiva”.

Já o ministro Gilmar Mendes, segundo o senador, teria faltado com decoro por usar de “estratégia articulada de contenção investigatória, executada por magistrado que não detém a relatoria da matéria, em favor de interesses de colega de tribunal”. Ainda, por ter determinado a inutilização de dados, o que comprometeria apurações.

Por fim, o procurador-geral Paulo Gonet entra no rol dos indiciados por omissão. “A renúncia à persecução de crimes de responsabilidade praticados pelos mais altos magistrados do país é a negação radical dessa missão constitucional. Quando o titular da ação penal se omite diante de indícios claros e suficientes, sua conduta deixa de ser exercício de discricionariedade e passa a configurar omissão funcional”, afirmou o relator.

As movimentações bilionárias suspeitas do Banco Master, acompanhadas de crescimento acelerado, impacto relevante no sistema financeiro, com uso de mecanismos sofisticados para ocultação de recursos ilícitos foram destacados no documento pelo relator.

Interferências

Alessandro Vieira afirma no documento que decisões monocráticas de ministros do Supremo Tribunal Federal esvaziaram sistematicamente os poderes investigatórios da CPI, criando obstáculos graves ao desenvolvimento dos trabalhos.

“A anulação de quebras de sigilo regularmente aprovadas, a conversão de convocações obrigatórias em meros convites e a concessão reiterada de habeas corpus em favor de investigados produziram um efeito paralisante que comprometeu a capacidade da Comissão de produzir provas. Essa interferência, somada à conduta de ministros que mantiveram relações financeiras e pessoais com investigados, fundamentou os indiciamentos propostos”.

Milícias e facções

De acordo com o relatório, 90 organizações criminosas foram mapeadas pela CPI. Duas são apontadas como de atuação nacional e transnacional e estão presentes em 24 estados e no Distrito Federal.

O texto faz considerações sobre as milícias que atuam no Rio de Janeiro e de facções criminosas como Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), do Rio de Janeiro, e Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, que atuariam “como verdadeiros para-estados, exercendo domínio territorial sobre comunidades inteiras, impondo regras de convivência, cobrando tributos ilegais e fornecendo serviços que deveriam ser de competência estatal”. Além do tráfego de drogas, essas organizações teriam expandido suas atuações para extorsões e outras atividades econômicas, inclusive de aparência lícita.

O relatório afirma que pelo menos 26% do território nacional estariam sob algum tipo de controle do crime organizado e que 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas com a presença desses criminosos.

Alessandro Vieira apontou que a extensa linha de fronteiras contribui sobremaneira para o crime, “que ameaça cada vez mais a soberania de amplas parcelas do território nacional e coloca em perigo a incolumidade física de nossos cidadãos”.

Corrupção de menores

Homicídios, tráfico de drogas e armas e domínio territorial são alguns dos fatos relacionados ao crime organizado, envolvendo corrupção de menores, com a utilização de crianças e adolescentes para atos ilícitos.

“Essa prática permite compreender que o envolvimento de crianças e adolescentes com o crime organizado não se configura como fenômeno episódico ou desorganizado, mas como parte de uma lógica estruturada de recrutamento e utilização. Sob essa perspectiva, sua participação pode ser analisada como forma de exploração sistemática da força de trabalho, sendo possível enquadrá-la entre as piores formas de trabalho infantil”, afirma o relator.

Lavagem de dinheiro

O documento demonstra ainda que a lavagem de dinheiro é “o mecanismo central de sustentação do crime organizado”, que se beneficia de setores como venda de cigarro, ouro, mercado imobiliário e bebidas, em alinhamento com o uso de fintechs, criptomoedas e fundos de investimento.

“A criminalidade organizada opera com grau de sofisticação empresarial que exige resposta igualmente qualificada do Estado. O caso Master, parcialmente investigado por esta Comissão, ilustra de forma emblemática como o crime organizado pode capturar instâncias do poder público, comprometendo a integridade de instituições que deveriam ser bastiões da legalidade”, expõe o relator.

Propostas legislativas

Relatório apresenta propostas legislativas sobre os seguintes temas:

  • modernização de mecanismos de combate às organizações criminosas, a ser apresentado em forma de projeto de lei;
  • aprimoramento da detecção e repressão de crimes financeiros, com melhoria na definição de competências entre Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Banco Central; fortalecimento do Coaf, ampliação da transparência das pessoas jurídicas e dos fundos de investimento, modernização da Lei Antilavagem;
  • regulamentação do lobby;
  • aperfeiçoamento do controle interno e externo da Administração Pública;
  • Marco legal da atividade de inteligência (entre eles o PL 6.423/2025, em análise no Plenário do Senado);
  • modernização do sistema socioeducativo e da legislação infracional;
  • aprimoramento legislativo das CPIs;
  • proposta de Emenda à Constituição (PEC) para “maior rigor ético” no regime jurídico aplicável aos membros dos tribunais superiores.

Intervenção federal

O relatório sugere ainda o fortalecimento das instituições de combate ao crime organizado, a criação do Ministério da Segurança Pública, o desenvolvimento de estratégias para o enfrentamento da criminalidade, melhorias na fiscalização e controle de armas, mais integração entre as instituições públicas. Também está sendo proposta intervenção federal no Rio de Janeiro.

Caso aprovado, o relatório será encaminhado à Mesa do Senado para as providências cabíveis quanto aos ministros do STF e ao procurador-geral e será remetido ainda ao Ministério Público Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Educação do campo no DF: audiência aponta déficit de vagas e conflitos territoriais

Debate na CLDF destacou falhas no atendimento à população camponesa, impacto da expansão urbana, precarização do trabalho docente e a necessidade de políticas específicas para orientar o novo PDE

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Foto: Felipe Ando/Agência CLDF

 

A Comissão de Educação e Cultura (CEC) promoveu, nesta segunda-feira (13), um debate sobre a infraestrutura e a concepção pedagógica das escolas do campo no DF. Conforme explicou o presidente da comissão, deputado Gabriel Magno (PT), a reunião ocorre no contexto da criação do novo Plano Nacional de Educação (PNE 2026–2036), aprovado no Senado Federal em março e encaminhado para sanção presidencial.

O parlamentar destacou que a legislação nacional servirá de base para a elaboração do próximo Plano Distrital de Educação (PDE) e que, por isso, é necessário discutir desde já o modelo de escola do campo que o DF pretende consolidar.

Magno ressaltou que, segundo levantamento do comitê de acompanhamento do PDE, a meta referente à garantia de educação à população do campo no DF não foi atingida. Em 2023, a população camponesa em idade escolar (de 4 a 17 anos) era de 37.870 pessoas, enquanto a oferta de vagas em escolas do campo foi de 25.422. “Isso significa que cerca de um terço dessa população de 4 a 17 anos está fora da escola”, pontuou.

“É preciso que o nosso plano distrital de educação avance para além da universalização e contemple o debate da qualidade, da estrutura e da ampliação das escolas do campo. Eu acredito que seja possível fazer essa mudança no DF”, afirmou o deputado.

A ameaça da expansão urbana

Ao longo da audiência, representantes de movimentos sociais, pesquisadores, gestores escolares e professores ressaltaram que os desafios da educação do campo no DF vão além do déficit de vagas e estão profundamente ligados às disputas territoriais, à precarização do trabalho docente e à ausência de políticas públicas específicas e continuadas.

Um dos pontos centrais do debate foi a relação entre a educação do campo e o ordenamento territorial do Distrito Federal. Segundo os participantes, a expansão urbana e a especulação imobiliária têm descaracterizado territórios historicamente rurais, impactando diretamente as escolas do campo.

Conforme avaliam os especialistas que participaram da reunião, no entendimento da atual gestão, a mudança de classificação de um território de rural para urbano pode fazer com que a escola perca o status de “escola do campo”, mesmo continuando a atender majoritariamente estudantes camponeses. Para os debatedores, essa lógica ignora a identidade pedagógica dessas instituições e fragiliza direitos já consolidados.

 

Felipe Ando/Agência CLDF

 

A professora da Universidade de Brasília (UnB) Mônica Molina afirmou que a educação do campo não pode ser tratada apenas como uma modalidade administrativa, mas como “parte de um projeto social e territorial”.

Ela lembrou que, no âmbito nacional, houve avanços importantes com a recriação da Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas (Pronacampo) e com a previsão, no novo PNE, de metas e estratégias específicas para esses povos. No entanto, alertou que o Plano Distrital de Educação ainda não incorporou plenamente esses avanços, especialmente no que diz respeito à formação e à contratação de professores com perfil específico para atuar nas escolas do campo.

Formação específica

Representando o Sindicato dos Professores do DF (Sinpro), Fernando Augusto Batista defendeu a realização de concursos públicos específicos para docentes formados em Licenciatura em Educação do Campo, além do fortalecimento da formação continuada. “Esses profissionais necessitam de uma formação que os capacite para atuar nessas escolas”, afirmou.

Participantes também apontaram que a alta rotatividade de professores temporários compromete a construção de vínculos com as comunidades e inviabiliza projetos pedagógicos de longo prazo, fundamentais para a educação do campo.

Outro tema amplamente debatido foi a infraestrutura. Gestores escolares relataram falta de recursos, estruturas físicas inadequadas e dependência crescente de emendas parlamentares para a manutenção das unidades. Para Gabriel Magno, esse modelo é equivocado e evidencia a omissão do Poder Executivo no financiamento regular da educação.

O parlamentar criticou os cortes no orçamento da área e alertou que as escolas do campo são ainda mais impactadas pela insuficiência de recursos.“As escolas não pode ser reféns de emendas parlamentares. Não é tarefa do diretor e dos professores pedir dinheiro para deputado, isso [investimento nas escolas] deveria ser a tarefa da secretaria de educação”, afirmou.

A diretora da Escola Classe Córrego do Arrozal, Francineia Soares, apresentou a experiência da unidade na construção do inventário da realidade local, elaborado com a participação direta da comunidade. Segundo ela, o instrumento tem sido fundamental para aproximar a escola das famílias, valorizar os saberes do território e orientar práticas pedagógicas contextualizadas.

 

Felipe Ando/Agência CLDF

 

Apesar disso, a gestora destacou demandas históricas não atendidas, como a ausência de creches, saneamento básico e outras políticas públicas essenciais nas comunidades atendidas pela escola, que muitas vezes têm na unidade escolar a única presença do Estado. Ela também reforçou a necessidade de incentivo à formação específica para atuação nas escolas do campo: “É fundamental um concurso específico para professores de escola do campo”, destacou.

Adonilton Rodrigues, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), chamou atenção para o fato de que praticamente não há escolas do campo instaladas em assentamentos no DF, o que obriga estudantes a percorrer longas distâncias diariamente. Para ele, esse cenário favorece a evasão escolar, enfraquece os vínculos comunitários e reforça desigualdades históricas de acesso à educação. Rodrigues também observou que o modelo atual de “escola rural” não dialoga com a realidade e o conceito da escola do campo.

Gigliola Mendes, formadora da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Eape), avaliou que o DF dispõe de uma política avançada para a educação do campo, mas que ela não vem sendo efetivamente implementada. Segundo a educadora, desde 2017 houve um esvaziamento da formação continuada e da articulação institucional, o que tem levado à perda da identidade das escolas do campo, à padronização indevida e ao desrespeito a instrumentos centrais da modalidade, como o inventário da realidade e a gestão democrática.

Ela também criticou o sucateamento da Eape, a inexistência de critérios obrigatórios de formação para atuar nas escolas do campo e as tentativas de militarização dessas unidades, consideradas incompatíveis com seus princípios pedagógicos. Para Mendes, o novo Plano Distrital de Educação precisa garantir a implementação do que já está previsto em lei. “Educação do campo é direito nosso, dever do Estado e compromisso da comunidade”, destacou.

Encaminhamentos

Ao final da audiência, Gabriel Magno informou que a Comissão de Educação e Cultura irá oficiar a Secretaria de Educação sobre as demandas apresentadas e articular, junto ao Fórum de Educação do Campo do DF, a construção coletiva de propostas a serem incorporadas ao novo Plano Distrital de Educação.

Entre os encaminhamentos sugeridos estão o fortalecimento da escola de formação continuada, a implementação de um Centro de Referência em Educação do Campo no DF — conforme previsto no Pronacampo — e a ampliação do debate público sobre o PDE, com participação efetiva das comunidades escolares e dos movimentos sociais.

 

Christopher Gama – Agência CLDF de Notícias

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Curso gratuito de panificação e gastronomia tem 50 vagas abertas

Inscrições estarão disponíveis de segunda-feira (13) ao dia 22, no site da Sedet-DF

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Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

 

Por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet-DF), o Governo do Distrito Federal (GDF) publicou chamamento público para o preenchimento de vagas em qualificação profissional do projeto Pró-Comunidade – Curso de Panificação e Gastronomia.

De acordo com o edital, estão sendo ofertadas 50 vagas para o segundo ciclo da formação, que tem como objetivo capacitar participantes para atuação na área de panificação e gastronomia, ampliando as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

As inscrições serão feitas exclusivamente de forma eletrônica, por meio do portal da Sedet-DF, entre os dias 13 e 22 deste mês. Para participar, basta preencher o formulário online disponível na página.

 

A iniciativa faz parte do projeto Pró-Comunidade, que busca promover qualificação profissional gratuita à população do Distrito Federal, contribuindo para geração de renda e desenvolvimento econômico local.

*Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda

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