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Ludmilla, Alexandre Pires, Carlinhos Brown e outros artistas são destaques musicais do Consciência Negra 2025

Festival reúne, de quinta-feira (20) a sábado (22), grandes nomes da música brasileira, ações formativas, cortejos, moda, gastronomia e celebrações ancestrais na área externa do Museu Nacional da República

 

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Agência Brasília* | Edição: Ígor Silveira

De quinta (20) a sábado (22), o Museu Nacional da República recebe o Consciência Negra 2025, um dos maiores festivais dedicados à celebração da cultura afro-brasileira no Distrito Federal. Realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) em parceria com o Instituto Janelas da Arte, Cidadania e Sustentabilidade e com apoio da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), o evento transforma a Esplanada em um território de memória, reflexão, formação, vivências e grandes encontros artísticos.

Os ingressos, gratuitos, devem ser retirados pela plataforma Sympla. É necessário levar 1 kg de alimento não perecível.

Para o secretário de Cultura e Economia Criativa, Claudio Abrantes, o Consciência Negra 2025 reafirma o compromisso do Governo do Distrito Federal (GDF) com políticas públicas que reconhecem, valorizam e fortalecem a contribuição histórica da população negra. “Nosso objetivo é ampliar direitos, promover inclusão e assegurar que a cultura seja um instrumento permanente de cidadania, protagonismo e desenvolvimento para todas e todos”, enfatizou Abrantes.

A música segue como eixo central do festival, com apresentações de grandes nomes da cena nacional na Arena Dona Lydia. Na quinta-feira, a noite será comandada por Ludmilla, às 22h30, seguida de Alexandre Pires, à 0h30. Na sexta (21), apresentam-se Uel, às 20h30, Timbalada, às 22h30, e Mumuzinho, à 0h30. No sábado, o palco recebe Benzadeus, às 20h30, Carlinhos Brown, às 22h30, e Psirico, que encerra o festival à 0h30. Ao longo da programação, artistas locais também sobem ao palco, compondo uma ponte potente entre talentos do DF e grandes nomes da música negra brasileira.

Selecionados pelo edital de chamamento, Laady B, Israel Paixão e Carol Nogueira compõem o line, juntamente com Marcelo Café, Ju Moreno, Os Pacificadores e Dhi Ribeiro. No palco Brasilidades, a curadoria selecionou artistas que representam a cena musical negra do Distrito Federal.

Além dos shows, o festival apresenta um conjunto diverso de atividades projetado para valorizar e ampliar o diálogo sobre estética, ancestralidade, identidade, educação, moda, economia criativa e infâncias negras. A galeria Ancestralidades abriga a exposição Retratos, que abre oficialmente na quinta-feira, às 11h, logo após a solenidade de abertura oficial do evento, às 10h, e o cortejo do tradicional Boi do Seu Teodoro.

Programação infantil

As crianças ganham protagonismo no Espaço Kids, com contações de histórias, oficinas brincantes, vivências com instrumentos de percussão, dança afro e atividades que celebram o universo dos griôs e da oralidade. A beleza e a moda negra ocupam a Passarela Afrofuturo e o Espaço de Beleza Negra, que recebem oficinas de amarração de turbantes e tranças, além do desfile Moda de Axé, assinado por Victor Soulivier, celebrando a estética como forma de afirmação e identidade.

A cantora Ludmilla é uma das atrações do festival | Foto: Divulgação

O empreendedorismo de matriz africana ganha força na Feira Kitanda, que reúne expositores de moda autoral, beleza, arte, acessórios, bem-estar, gastronomia e produtos criativos que expressam inovação, territorialidade e pertencimento. Já no campo gastronômico, o público encontra os Sabores do Quilombo, com pratos tradicionais como acarajé, moqueca e quitutes afro-brasileiros preparados por cozinheiras e cozinheiros que carregam tradições ancestrais.

A programação formativa se concentra na Tenda Muntu, que recebe debates e rodas de conversa com nomes importantes do pensamento negro contemporâneo. Entre os temas abordados estão educação libertadora, letramento racial, estética negra e seus atravessamentos, políticas de identidade, história e desafios contemporâneos da população negra. Participam especialistas como Mariana Regis, Gina Vieira, Flávia Santos, Eric Marques, Victor Hugo Soulivier, Fábio Esteves, Ruth Venceremos, Patrick Jhonnes, Marcus Oliveira, Cristiane Sobral, Nanda Fer Pimenta, Dandara Suburbana, Nelson Inocêncio, Mariléa de Almeida, Carla Akotirene e Ludymilla Santiago, entre outras pessoas convidadas.

 

Os cortejos também marcam presença nos três dias do evento, reforçando espiritualidade, força e celebração coletiva. Na quinta-feira, quem abre as ruas é o Afoxé Ogum Pá, e no sábado o cortejo fica por conta do grupo cultural Obará, que prepara o público para as apresentações da noite.

Com o tema Raízes que Conectam o Futuro, o Consciência Negra 2025 celebra a ancestralidade, impulsiona novos diálogos e reconhece a centralidade da população negra na formação cultural brasileira. A programação gratuita reúne música, moda, beleza, artes visuais, gastronomia, literatura, formação crítica, infância e empreendedorismo — compondo um festival pensado para celebrar, afirmar e amplificar vozes negras que transformam a cidade e o país.

Quinta-feira (20)

Abertura
10h – Abertura oficial do festival
11h – Abertura da exposição Retratos
11h – Cortejo com o Boi do Seu Teodoro

Exposição
11h – 22h — Exposição Retratos — Galeria Ancestralidades

Espaço Kids
14h – Contação de histórias
15h – Oficina Brincante

Gastronomia
12h – 22h — Sabores do Quilombo

Feira Afro
14h – 22h — Feira Kitanda e convidados

Espaço Beleza Negra
15h – 16h — Oficina de turbantes e tranças
15h – 16h — Desfile Moda de Axé

Tenda Muntu
16h – Painel Mulheres Negras e a Educação que Liberta
Palestrantes — Mariana Regis, Prof. Gina Vieira Ponte, Flávia Santos Moderadora Keilla Vila Flor

Arena Dona Lydia
17h30 – Cortejo Afoxé Ogum Pá
18h – Laady B
19h10 – Ju Moreno
20h30 – Marcelo Café
22h30 – Ludmilla
00h30 – Alexandre Pires

Palco Brasilidades – A partir das 18h30
18h40 – Daniel Beira Rio
20h10 – Cida Avelar
23h30 – Ballroom

Sexta-feira (21)

Exposição
12h–22h — Exposição Retratos

Espaço Kids
14h–15h — Oficina Tambores de papel
15h–16h — Oficina de dança afro

Gastronomia
12h–22h — Sabores do Quilombo

Feira Afro
14h–22h — Feira Kitanda e convidados

Tenda Muntu

14h30 — Descomplicando o Letramento Racial: O básico sobre raça que toda pessoa precisa saber – palestrante: Eric Marques
16h – Painel Estética Negra; Para Além do Look — Palestrantes: Victor Hugo Soulivier, juiz Fábio Esteves, Ruth Venceremos, Patrick Jhonnes, Marcus Oliveira e Arte Preta / Moderador: Wemmia Anita

Arena Dona Lydia
18h – Israel Paixão
19h10 – Os Pacificadores
20h30 – Uel
22h30 – Timbalada
00h30 – Mumuzinho

Sábado (22)
Exposição

10h – 22h – Exposição Retratos

Espaço Kids
14h – 15h — Contação Os Griôs do Amanhã
15h – 16h — Oficina de instrumentos de percussão

Gastronomia
12h – 22h — Sabores do Quilombo

Feira Afro
14h – 22h — Feira Kitanda e convidados

Tenda Muntu

14h30 — Roda Ofó Mulher — O poder da palavra feminina / Palestrantes: Cristiane Sobral, Nanda Fer Pimenta, Dandara Suburbana / Moderadora: Andressa Marques
16h – Painel História da Consciência Negra e Desafios Contemporâneos — Palestrantes: Prof. Nelson Inocêncio / Palestrantes: Prof. Mariléa de Almeida e Carla Akotirene / Moderadora: Ludymilla Santiago
Arena Dona Lydia
17h30 – Cortejo Grupo Cultural Obará
18h – Carol Nogueira
19h10 – Dhi Ribeiro
20h30 – Benzadeus
22h30 – Carlinhos Brown
00h30 – Psirico

Palco Brasilidades
23h30 – Thiago Kallazans.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF)

 

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MARIANNE NORTH

(Parte 2)

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A bióloga-pintora que correu o mundo para pintar plantas e paisagens e é personalidade retratada na entrada da cidade de Tenerife, nas Ilhas Canárias.

Visitei Tenerife duas vezes. A primeira, em 2019, quando fiz a travessia de navio “MSC Seaview” de Civitavecchia (Itália) para o Brasil. A segunda vez, em abril de 2024, também de navio, desta vez no “Norweguian Star”, do Rio de Janeiro para Lisboa. Em ambas as oportunidades deixei o navio para passar o dia em Tenerife.

 

A cidade me chamou a atenção por vários motivos. Primeiro, porque logo na saída do porto, a gente se depara com um monumento cultural e turístico: os totens ou pedestais que traz os nomes das maiores personalidades mundiais que já visitaram Tenerife. Deve ter uns 80 totens com fotos e pequena descrição de cada um. Lá estão Charles Darwin, Churchill, escritores, reis e rainhas. Vale andar pausadamente para ver este desfile de visitantes ilustres.

Deve ter uns 80 totens com fotos e pequena descrição de cada um. Lá estão Charles Darwin, Churchill, escritores, reis e rainhas.

Várias dessas personalidades já foram motivo de reportagens aqui na Folha do Meio Ambiente como Charles Darwin, Alexander Von Humboldt e Marianne North, que abriu uma grande série que fizemos no jornal chamada “NATURALISTAS VIAJANTES”. Estamos repetindo agora.

Von Humbolt, fundador da moderna geografia física e autor do conceito de meio ambiente geográfico, fez uma das mais belas metáforas que já li quando visitou o Brasil e viu uma vereda coberta de vagalumes:

“OS VAGALUMES FAZEM CRER QUE, DURANTE UMA NOITE NOS TRÓPICOS, A ABÓBODA CELESTE ABATEU-SE SOBRE OS PRADOS”.

 

SANTA CRUZ DE TENERIFE:

QUANTA BELEZA, ARTE E CIVILIDADE

As figuras expostas no Passeio de Visitantes Ilustres, proporcionam aos visitantes da cidade de Tenerife um percurso emblemático. Além de prestar homenagem a figuras universais que deixaram uma marca indelével na História, tendo atracado o porto de Tenerife em diferentes momentos, eles consolidaram os seus laços com este ponto de passagem histórico. O turista têm um aprendizado do legado deixado por essas personalidades.

É um reconhecimento da comunidade aos visitantes e estamos ao mesmo tempo que acrescenta um valor importante à cidade sobre o ponto turístico e cultural.

 

A pequena biografia e imagens dos mais ilustres visitantes de Tenerife em totens ou pedestais reafirmam a importância da ilha como um espaço de memória coletiva. O monumento convida os visitantes a conhecer melhor esses personagens fundamentais na História Universal. (Foto: Silvestre Gorgulho)

 

 

Marianne North esteve em Tenerife de 13 de janeiro a 29 de abril de 1875. (Foto: Silvestre Gorgulho)

 

PINTURAS DE MARIANNE NORT

EM TENERIFE

Nos quatro meses que a bióloga e pintora inglesa Marianne North passou em Tenerife, ela fez várias pinturas de plantas e paisagens das Ilhas Canárias.

 

 

Pintura de Marianne North no Jardim Botânico de Tenerife em 1875.

 

A Árvore do Dragão no jardim de Tenerife por Marianne North.

A cidade de Tenerife vista do alto por Marianne North.

 

 

Naturalistas Viajantes – Edição 382 – janeiro 2026

MARIANNE NORTH (Parte Final)

Nenhum dos artistas viajantes do Século 19 foi capaz de retratar a paisagem e a flora brasileiras com a intensidade e o colorido dos óleos da pintora inglesa Marianne North. O apoiador mais famoso de Marianne North foi Charles Darwin, o naturalista inglês cujas observações meticulosas se tornaram a base da biologia evolutiva.

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A INVENÇÃO NOTA 10 E O VEXAME DA COP30

O Brasil, sede da COP30, perdeu a chance de celebrar sua maior inovação sustentável. Por quê?

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Reginaldo Marinho inventor com módulo e maquete em exposição na Feira da Indústria da Construção, Feicon-São Paulo.

 

 

O Brasil, sede da COP30 em 2025, deveria estar exportando tecnologias de inovação de ruptura para o mundo. Contudo, nossa maior contribuição para a Economia Ecológica e habitação sustentável jaz abandonada há 14 anos. A Construcell – a estrutura construtiva solar e modular, premiada internacionalmente, que transforma o passivo ambiental de garrafas PET em moradias de alta resiliência – é a prova do diagnóstico amargo: a “Opção pela Mediocridade” brasileira. O inventor Reginaldo Marinho, cuja jornada foi reconhecida pelo Prime/Finep com Nota Máxima (10,00) em Grau de Inovação e, em seguida, ignorada por 14 anos pelo Estado, fala sobre a sabotagem institucional, a urgência geopolítica da COP30 e o vexame de perdermos nossos gênios para quem realmente valoriza o futuro.

 

 REGINALDO MARINHO – ENTREVISTA

Ele é um visionário. Reginaldo Marinho, paraibano de João Pessoa, estudou três anos de engenharia e dois anos de arquitetura na Universidade de Brasília para receber com todo orgulho o diploma de inventor. No Brasil, já fez de tudo para emplacar seu invento. Percorreu ministérios, agências de desenvolvimento, estatais e até redações de jornais para convencer autoridades e influenciadores de que não era nem maluco e que sua invenção era muito séria e importante para a sustentabilidade. Pouco conseguiu. Mas o que seu país, lhe negou este brasileiro arretado conseguiu no exterior: reconhecimento, prêmios e medalhas. Sim, a Medalha de Ouro do Salão Internacional de Invenções da Europa, em Genebra, concorrendo com mais de 600 inventores de 44 países.

 

 

Silvestre Gorgulho – Reginaldo, lá se foram mais de duas décadas e sua invenção se tornou um “triste símbolo” no Brasil. Explica por que a COP30 gosta mais de ideologia do que de tecnologia e o que significa essa “Invenção Sustentável” totalmente ignorada pela COP30, em Belém?

Reginaldo Marinho – Olha, quem prometeu uma COP30 da verdade, entregou uma COP da hipocrisia. Sim, hipocrisia da preservação ambiental, hipocrisia da agenda climática. A verdade é que a COP, todas elas, viraram um movimento mais ideológico do que de sustentabilidade. Tanto que a COP30, em Belém, ficou esvaziada. Apenas 17 chefes de Estado e ninguém dos BRICs e das grandes lideranças mundiais. Estados Unidos fora e a maioria da própria América Latina. Não se pode falar em sustentabilidade sem tecnologia e sem educação.

 

Silvestre – Você mencionou a hipocrisia da agenda. Essa falha de visão do Estado brasileiro é recente, ou a Construcell já havia sido rejeitada em outras grandes vitrines internacionais que o Brasil promoveu?

Reginaldo Marinho – Está aí um grande paradoxo. Há 25 anos, a Construcell não era apenas engenharia. Era um paradigma em Economia Ecológica: um sistema construtivo solar e modular que transforma o passivo ambiental mais problemático do planeta – as garrafas PET – em moradias de baixo custo e alta resiliência. O Brasil, sede da COP30, deveria celebrar essa tecnologia e outras tecnologias como sua maior contribuição para a sustentabilidade global. No entanto, o Construcell se tornou um símbolo da ‘Opção pela Mediocridade’ que paralisa nosso desenvolvimento tecnológico.

 

Silvestre Gorgulho – Nesse sentido, você já havia experimentado alguma rejeição à sua invenção?

Reginaldo Marinho – Sim. Depois da Exposição Universal de Hannover, EXPO 2000; do Ano do Brasil na França, 2005; da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, RIO+20; da Copa da FIFA, 2014; na COP 30, o Brasil perde a quinta oportunidade de mostrar para o mundo uma tecnologia ambiental disruptiva que continua inédita na engenharia civil. Foram oportunidades de ouro que o Brasil perdeu. Não foram apenas perdas econômicas. Nós perdemos oportunidades de manifestar o orgulho nacional.

 

Silvestre Gorgulho – Por que o Brasil rejeitou uma tecnologia com esse potencial?

Reginaldo Marinho – A raiz está na aversão cultural à inovação de ruptura. Enquanto o mundo busca soluções urgentes para a crise plástica e climática, o Brasil rejeitou ativamente a única tecnologia capaz de absorver todo o PET do planeta de forma construtiva. Essa falha de visão já foi ecoada pela presidente da Academia Nacional de Ciências dos EUA (NAS), Marcia McNutt, que, em entrevista publicada no Estadão, diagnosticou: “a ciência brasileira precisa ser mais ousada”. O nosso caso prova que a inação do Estado é o maior obstáculo.

Maquete impressa em 3D na paisagem arquitetônica de Brasília.

 

Silvestre Gorgulho – Mas isso é generalizado?

Reginaldo MarinhoSim. No final do século passado, eu visitei o dono do maior centro de ensino superior privado do Centro-Oeste para apresentar Construcell, quando chegaram a esposa de dois filhos adolescentes. Enquanto eles assistiram ao vídeo demonstrativo, a esposa exclamou: – Meu amor, que coisa linda! Derruba aquela lanchonete horrorosa que tem no pátio e constrói outra com essa tecnologia. Os filhos endossaram em coro: – É mesmo, pai, faz isso. O reitor contestou gravemente: – Não. Só depois que alguém fizer a primeira. Aversão ao pioneirismo é um hábito está na matriz do pensamento nacional. Marcia McNutt tem razão.

 

Silvestre Gorgulho – A rejeição à Construcell foi técnica? Como o Estado validou, e ao mesmo tempo sabotou, a invenção?

Reginaldo Marinho – O Construcell não falhou por deficiência técnica. O projeto foi ativamente rejeitado por uma política implícita de Estado. Sua excelência foi, paradoxalmente, validada pelo próprio sistema que o abandonou: no Edital PRIME da FINEP/MCTI, a Construcell foi classificada em primeiro lugar, obtendo a Nota Máxima (10,00) em Grau de Inovação após análise de cerca de 80 especialistas. O projeto não só foi classificado com mérito, como sua Prestação de Contas Final foi formalmente aprovada em dezembro de 2011. O Edital Prime prova esse descompasso, pois os recursos foram direcionados para consultorias. A promessa para o investimento na própria tecnologia é aguardada há 14 anos.

 

Silvestre Gorgulho – E qual foi o resultado prático após essa aprovação incontestável?

Reginaldo Marinho – Apesar dessa chancela incontestável, a promessa de liberação de recursos para a execução do produto – esperada no ano seguinte – jamais se concretizou em 14 anos. O abandono e a recusa posterior do INPI em conceder a patente sela o veredito: a Construcell foi punida por ser uma inovação de ruptura que confronta a mediocridade vigente.

 

Maquete digitalizada totalmente transparente simulando estande de exposições.

 

Silvestre Gorgulho – Onde o Estado brasileiro está falhando? E qual é o risco da COP30?

Reginaldo Marinho: O Estado falha em sua obrigação constitucional. A Constituição Federal (Artigos 218 e 219) é clara sobre a obrigação do Estado de promover o desenvolvimento científico e tecnológico. É um ato de negligência observar o Estado investindo energia em prioridades desalinhadas, enquanto o dever constitucional de fortalecer a C&T é cronicamente ignorado. O Brasil, para falar a verdade, depois da COP30, continua a sofrer o constrangimento final, pois perdeu sua maior inovação sustentável justamente para aqueles que valorizam o pioneirismo e o futuro.

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MISSÃO EDUCAÇÃO

Medalha Anísio Teixeira – Honra ao Mérito Educação

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A vida ensina sempre. E, em 1665, em São Luís do Maranhão, o Padre Antônio Vieira ensinou que a “educação e a humildade são moedas de ouro. Valem muito em qualquer lugar e em qualquer tempo”. A essas duas virtudes, quando se fala do professor Anísio Spínola Teixeira (*12/julho/1900, em Caetité-BA +11 de março de 1971, no Rio de Janeiro) temos que acrescentar pelo menos mais uma virtude: visionário.

 

Anísio Teixeira defendeu uma educação universal e a implantou em Brasília. Seu objetivo era fazer da Educação não só um produto da revolução social, mas ele queria gerar uma revolução social. Não defendia uma meia revolução, mas uma revolução total. Tinha um propósito certeiro: “Educação não é privilégio. É valor universal. Tem que ser gratuita, interativa e acessível a todos”.

 

NOVA EDUCAÇÃO: MANIFESTO

Vinte e oito anos antes da inauguração de Brasília, sempre visionário, o Patrono da Educação Pública do Brasil assinou o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, projetando-se como um dos maiores educadores nacionais. Para elaborar, e desenvolver este documento, Anísio Teixeira trouxe as ideias do professor, filósofo e pedagogo norte-americano John Dewey, o “pai” da Escola Nova. Dewey formulou os princípios básicos do movimento para uma educação baseada na participação ativa do aluno. Criticava o modelo tradicional focado na memorização.

Mais do que aderir ao pensamento de Dewey, Anísio Teixeira realizou traduções das obras do autor. Sempre idealista, ante uma realidade em que a maioria da população permanecia sem qualquer acesso à formação básica, enquanto uma elite frequentava escolas de formação clássica, Anísio se lançou na missão da educação. Lutou muito para mudar o cenário da educação pública no Brasil.

O “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” (detalhe: usou o mesmo termo Nova do professor Dewey) propunha que o conhecimento tinha de ser construído pela prática e pela interação com o mundo real, visando formar cidadãos criativos e capazes de gerenciar sua própria liberdade em uma sociedade democrática. Era uma reforma radical no sistema educacional brasileiro.  O manifesto foi redigido por 26 intelectuais. Além de Anísio Teixeira, assinaram Cecília Meireles, Fernando Azevedo, Delgado de Carvalho, Roquette Pinto e Hermes de Lima.

 

PATRONO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL

Quando, na construção de Brasília, Anísio Teixeira concebeu e implantou o Plano de Construções Escolares da nova capital, com as icônicas “Escolas Parques”, que até hoje empunham a bandeira de uma escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita. Ela é alma do Manifesto de 1932.

Em boa hora, a Secretária de Estado do DF, Hélvia Paranaguá, com sensibilidade de Mestra em Educação, teve a perspicácia e sensatez de resgatar e trazer aos holofotes da política e da comunidade pedagógica os ensinamentos e a obra de Anísio Teixeira. Hélvia levou ao governador a ideia de homenagear o legado do “Patrono da Educação Pública no Brasil” pelos muitos de seus seguidores que souberam plantar seus métodos e aos que contribuíram para o fortalecimento e a valorização da Educação Pública. Ibaneis Rocha encampou a proposta e, em 13 de junho de 2023, assinou o Decreto nº 44.620 criando a “Medalha Anísio Teixeira”, que foi entregue dia 14 de novembro.

 

MEDALHA ANÍSIO TEIXEIRA

Sou muito grato e extremamente honrado por ter sido agraciado com a ‘Medalha Anísio Teixeira’ na sua primeira edição. Recebi da Secretária de Estado de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, a seguinte mensagem: “Jornalista SILVESTRE GORGULHO, a SEE-DF tem a honra de informar que V.Sa. foi agraciado com a Medalha Anísio Teixeira – Honra ao Mérito Educação, em reconhecimento à sua destacada contribuição para o fortalecimento e a valorização da Educação Pública do Distrito Federal”.

 

O professor Anísio Teixeira elaborou e implantou o Plano de Construções Escolares de Brasília.

 

IDEÁRIO ANÍSIO TEIXEIRA: TOMBAMENTO

Voltando no tempo. Ao tomar por base os ensinamentos de Anísio Teixeira no desenvolvimento de ações para formação cidadã e, assim, qualificar o cidadão para o mercado de trabalho buscando a superação das desigualdades que, em 2007, como Secretário de Estado da Cultura, sempre muito bem orientado pelas historiadoras Martita Icó e Luciana Ricardo e pelo professor José Carlos Coutinho, fizemos o estudo para o tombamento da obra e do legado de Anísio Teixeira, a pedido do então governador José Roberto Arruda.

No dia 4 de julho de 2007, entre vários ‘considerando’ enaltecendo a obra e legado de Anísio Teixeira, o governador Arruda assinou o decreto nº 28.093, tombando e registrando o “Ideário Pedagógico de Anísio Teixeira” por ter elaborado e implantado o Plano de Construções Escolares de Brasília.

Vale lembrar que além desse registro de tombamento, ainda fizemos outros dez: o do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, do Cine Brasília, o Clube do Choro, a Via Sacra do Morro da Capelinha, o Teatro Dulcina e Acervos, Escola EIT de Taguatinga, Revista Brasília, Unidade de Vizinhança 107/108, ARUC e o Clube de Golfe.

Tombamento é uma palavra de origem portuguesa que significa registrar um bem material ou imaterial no livro da Torre do TOMBO, em Portugal. A Torre do Tombo, situada na torre do Castelo São Jorge, hoje tem um nome pomposo: Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. E o Brasil segue essa tradição.

De minha parte, ainda continuo com outro sonho: tombar o Céu de Brasília. Afinal, para Lucio Costa “o céu é o mar de Brasília” e o céu é parte de seu genial Plano Piloto. Um dia chegaremos lá.

 

BRASÍLIA é cidade única no mundo que se pode ver o céu olhando para cima ou para baixo. O tombamento do céu de Brasília é a agregação de um valor simbólico, sentimental. Se não cuidarmos, corre-se o risco de não ter mais a integridade da paisagem, de não se poder ver e sentir o infinito desta paisagem, de qualquer lugar do Plano Piloto, do nascer ao pôr do sol.

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