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JOÃO PESSOA É O DESTAQUE NO TURISMO
Três destaques para a capital que protegeu suas praias: 1) Proibiu arranha-céus na orla marítima. 2) Inventou o pôr-do-sol. 3) e Protege Areia Vermelha, uma praia em alto mar.
A cidade de João Pessoa e o litoral da Paraíba estão, hoje, no TOP máximo do turismo brasileiro. Entre muitos outros eventos e distinções, como a Praia de Tambaba e o Cabo Branco (onde está Ponta do Seixas, marco geográfico e ponto mais oriental das Américas), João Pessoa têm outros três destaques especiais: é a única cidade brasileira que proibiu prédios altos na orla marítima. É a capital que inventou o pôr-do-sol como atração cultural, em Cabedelo e criou o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha para proteger uma praia superespecial: o banco de areia de dois quilômetros de comprimento que se forma todas as manhãs, em alto mar, quando a maré está baixa.
Os habitantes de João Pessoa sabem, cedinho, duas informações para a vida da cidade: a hora do pôr-do-sol e o horário da maré. Aliás, essa é uma informação tão importante que em todas as recepções de hotéis e pousadas de João Pessoa esses dois horários ficam em destaque todas as manhãs. Justamente para que o turista não perca as duas atrações: o pôr-do-sol do Jacaré, em Cabedelo, e a emblemática Praia de Areia Vermelha, um extenso banco de areia com cerca de dois quilômetros de comprimento por um de largura, situado em frente à praia de Camboinha, também em Cabedelo.
PROTEÇÃO DA ORLA MARÍTIMA
Quando o normal é a indústria da construção civil avançar sobre o litoral, construindo arranha-céus colados ao mar, João Pessoa, felizmente, está na contramão. A capital da Paraíba adotou, há décadas, regras urbanísticas que limitam a altura dos prédios na orla, preservando a ventilação natural, a paisagem e a qualidade ambiental da região costeira.
Aí o resultado é visível. Enquanto muitas cidades brasileiras enfrentam ilhas de calor, sombreamento excessivo da praia e circulação de ar prejudicada, João Pessoa mantém uma orla mais aberta, arejada e integrada ao espaço urbano.

Menos prédios altos à beira mar significa mais vento circulando. Mais luz natural, menos sombra permanente na faixa de areia. Uma relação mais equilibrada entre cidade e natureza.
PLANO DIRETOR
Protegido por leis municipais e pelo Plano Diretor da cidade, este modelo foi pensado, estudado e não veio por acaso. Houve um planejamento e definição clara de gabarito para construções próximas ao mar. O objetivo sempre foi evitar que o crescimento imobiliário sacrificasse o conforto térmico e a paisagem urbana.

João Pessoa tem a Lei do Gabarito que define um escalonamento progressivo de altura das edificações a partir da linha do mar. Quanto mais perto da praia, menor o prédio. Quanto mais distante, maior a altura permitida.
Em 2017, João Pessoa recebeu o título de Cidade Criativa da UNESCO, na categoria Design. O reconhecimento internacional reforçou uma escolha que já vinha sendo feito localmente: crescer com planejamento e identidade, sem repetir erros vistos em outras capitais litorâneas.
Urbanistas destacam que decisões como essa têm impacto direto na saúde da população. Ambientes mais ventilados reduzem a sensação térmica, melhoram a qualidade do ar e tornam os espaços públicos mais convidativos para convivência e lazer.
Claro, o debate não é simples. Limitar alturas pode encarecer terrenos e reduzir o adensamento em áreas valorizadas. Ainda assim, João Pessoa se tornou exemplo de que desenvolvimento não precisa significar verticalização extrema.
A discussão ganha força em um momento em que muitas cidades tentam reverter danos causados por décadas de crescimento desordenado. Planejar antes de construir sai mais barato — social, ambiental e economicamente.

Praia de Tambaba – Está a 40km de João Pessoa. É um dos principais pontos turísticos da Costa do Conde. Famosa por sua beleza e por ter um trecho destinado apenas aos naturistas ou nudismo.
PÔR-DO-SOL DO JACARÉ
O pôr-do-sol do Jacaré, em Cabedelo, é uma das atrações imperdíveis para quem visita a capital paraibana. Todos os dias, às 17h, quando o sol começa a se pôr, iluminando as águas do Rio Paraíba, o saxofonista Jurandy do Sax, em uma embarcação, executa o ‘Bolero de Ravel’. Quando seu barco a remo atraca no deck da orla, mais ou menos às 18h, um violinista se junta ao SAX para executar a ‘Ave Maria de Gounot’.
Também chamada de “Saudação Angélica”, a Ave Maria de Bach/Gounod é uma das composições mais famosas e gravadas sobre o texto em latim da prece Ave Maria. Gounod sobrepôs uma melodia ao prelúdio de Bach e compôs uma obra encantadora que há mais de 25 anos encanta o pôr-do-sol do Jacaré, no rio Paraíba.

O saxofonista Jurandy do Sax, em uma embarcação a remo, executa o ‘Bolero de Ravel’ no por do sol de Cabedelo. Jurandy está no Livro dos RECORDES como o saxofonista que mais executou o Bolero de Ravel.
Atualmente, o espaço conta com uma série de lojinhas de roupas e artesanatos, além de cafeterias e lanchonetes. Uma recomendação: vale chegar mais cedo porque o evento virou um point turístico e corre-se o risco de ficar preso no trânsito.
PARQUE ESTADUAL DE AREIA VERMELHA.
A praia de Areia Vermelha é outro ponto muito especial. As jangadas estacionadas na Praia de Camboinha estão desde cedo à disposição dos turistas. Para proteger o local, o governo criou o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha. Conhecida especialmente por revelar um banco de areia de dois quilômetros de comprimento durante a maré baixa, a área conta com piscinas naturais de água cristalina e uma grande biodiversidade, o que contribuiu para que se tornasse a primeira unidade de conservação do litoral paraibano totalmente marinha.
São 231 hectares voltados à proteção de, pelo menos, nove espécies de corais e tipos de esponja-do-mar, além de 41 espécies de moluscos, 31 de crustáceos, 55 de peixes e outros grupos da fauna recifal.

O ponto mais emblemático do parque é a Ilha de Areia Vermelha, um extenso banco de areia com cerca de dois quilômetros de comprimento por um de largura.
Apesar da beleza natural, é necessário cautela ao redor dos recifes. Caminhar sobre os corais não é recomendado, tanto para evitar acidentes quanto para preservar esse frágil ecossistema, que pode ser danificado com facilidade.
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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ
O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.
No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.
Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…) formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.
Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.
Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.
DESCRIÇÃO COMPLETA
Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:
“Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.
MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO
“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.
Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo, a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO
Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.
Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.
Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.
SAIBA MAIS
Veja duas outras matérias:
1) O batismo e a
cronologia da criação e urbanização.
2) Como o modelo de gestão participativa levou
o município de Maringá a bater recordes
de competitividade e de sustentabilidade.

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