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Feiras do DF recebem investimento de R$ 56,3 milhões e fortalecem tradições culturais nas RAs

Mais de 20 espaços foram construídos ou reformados pelo GDF; programa Feira Legal busca contribuir com o bem-estar de feirantes e clientes, além de impulsionar a regularização e a ocupação dos boxes, que movimentam a economia e geram empregos

 

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Por Catarina Loiola, da Agência Brasília | Edição: Carolina Caraballo

Cerca de R$ 56,3 milhões foram investidos na construção, reforma e manutenção das feiras do Distrito Federal de 2019 até o ano passado. Esses equipamentos públicos são estratégicos para o desenvolvimento social e econômico do Quadradinho, com fortalecimento de tradições culturais, geração de emprego e renda, além de incentivo ao empreendedorismo. Atualmente, existem 35 feiras permanentes e três shoppings populares — localizados em Ceilândia, Taguatinga e Gama —, que totalizam 12 mil bancas cadastradas, das quais cerca de 9 mil estão ocupadas, o equivalente a 75% do total.

A modernização e a ampliação das estruturas, juntamente com a regularização dos feirantes e a ocupação dos boxes, são prioridades do Governo do Distrito Federal (GDF) e compõem o programa Feira Legal, instituído em 2019. A iniciativa une esforços da Secretaria de Governo (Segov) e de outras pastas do Executivo, prevendo também a promoção de incentivos aos comerciantes e a oferta de entretenimento nos espaços. Já foram regularizados 3,6 mil feirantes.

O secretário de Governo, José Humberto Pires de Araújo, destaca os pilares do programa: a reforma das feiras, a regularização e o incentivo à atividade produtiva. “No caso da reforma, promovemos um ambiente mais apropriado para os trabalhadores, feirantes, para que tenham um local digno para trabalhar e oferecer aos seus clientes um ambiente também mais agradável. Mesma coisa em relação aos clientes, que, ao chegarem a uma feira que está reformada, sentem que o governo está cuidando de um equipamento público importante para a comunidade, sobretudo no Distrito Federal, em que nós não temos praia”, explica.

Araújo reforça o papel cultural desses espaços. “No DF temos a característica fortíssima do uso das feiras como uma fonte de renda, mas principalmente como um local de visita e de compras para a comunidade. É um lugar onde as famílias se encontram, onde o povo aproveita os seus finais de semana e faz as suas compras e faz dessa oportunidade de estar nas feiras também um momento de prazer”, ressalta.

A obra da feira do Riacho Fundo II foi inaugurada em 2018, mas apenas em 2021 este GDF conseguiu destravar a ocupação das bancas para um funcionamento pleno do comércio

Bem-estar para comerciantes e clientes

Desde 2019, mais de 20 unidades passaram por serviços de manutenção e modernização. As obras foram executadas pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) e contemplaram feiras-modelo e centrais em regiões como Riacho Fundo, Brazlândia, cinco em Ceilândia (P Norte, P Sul, Setor O, Guariroba e Central), duas em Planaltina (confecções e hortifrutigranjeiros), Núcleo Bandeirante, Sobradinho e Gama.

A abertura da unidade do Riacho Fundo II era uma demanda antiga da comunidade, conforme recorda a feirante Zilma Pinheiro, 54 anos. A obra foi inaugurada em 2018, mas apenas em 2021, graças aos esforços deste GDF para destravar a ocupação das bancas, começou a funcionar plenamente. “Essa feira era um pedido nosso porque ficávamos ao ar livre, convivendo com sol, chuva, ventania, e aqui na feira permanente fica tudo fechado, bonitinho, é uma estrutura bacana”, comenta.

Quem também celebrou a abertura do espaço foi a feirante Amelly Amorim, 59, que mantém uma lanchonete em uma das bancas. Ela já trabalhou em feiras livres do Gama e de Santa Maria, convivendo com os desafios de não ter um ponto fixo. “Era muita dificuldade porque a gente tinha que carregar as coisas, pegar peso. A estrutura do Riacho Fundo II é muito bonita, os banheiros são bons, é arejada, iluminada e é um ponto turístico da cidade”, conta. “Sábado e domingo fica bem movimentado. Organizamos shows ao vivo também”.

Amelly Amorim, feirante: “A estrutura do Riacho Fundo II é muito bonita, os banheiros são bons, é arejada, iluminada e é um ponto turístico da cidade”

Projetos

O diretor-presidente da Novacap, Fernando Leite, destaca que o investimento nesses equipamentos foi fundamental para valorizar o trabalho dos feirantes e proporcionar ambientes mais seguros e acessíveis. “Investir nas feiras reforça o compromisso com a modernização, garantindo melhores condições de convivência e geração de renda por meio de reformas e construções, como a da Feira de Santa Maria”, concluiu.

Com obras em andamento, a Feira Permanente de Santa Maria recebe aporte na ordem de R$ 12 milhões. A obra, esperada há mais de 20 anos, promete mais conforto, segurança e estrutura moderna para feirantes e clientes. O novo espaço terá área total de 2.623,50 metros quadrados, com módulos edificáveis padrão.

Também estão em execução serviços de manutenção nos equipamentos permanentes de São Sebastião, Cruzeiro, Riacho Fundo II, Paranoá, Candangolândia e Taguatinga (QNL/QNJ). Outros pontos que recebem melhorias no momento são o Shopping Popular de Taguatinga Sul, a Feira do Produtor de Ceilândia, a Feira de Hortifrúti de Planaltina e a Feira da Torre de TV. Além disso, a Feira do Paranoá está em fase de licitação, e estão sendo elaborados projetos para a construção de unidades no Jardim Botânico, Itapoã, Arniqueira, Recanto das Emas e Águas Claras.

Zilma Pinheiro, comerciante na Feira do Riacho Fundo II: “Essa feira era um pedido nosso porque ficávamos ao ar livre, convivendo com sol, chuva, ventania, e aqui na feira permanente fica tudo fechado, bonitinho, é uma estrutura bacana”

Segundo o subsecretário de Mobiliário Urbano e Apoio às Cidades da Segov-DF, Alexandre de Jesus Silva Yanez, os serviços executados seguem as necessidades específicas de cada unidade, a fim de atender às principais demandas dos permissionários e frequentadores. “Em São Sebastião, por exemplo, focamos a reforma da área de alimentação, que precisava muito de reparos. Em outras, as prioridades podem ser os banheiros, o telhado, o piso”, detalha.

As intervenções incluem serviços como pintura geral, revisão das instalações elétricas e hidrossanitárias, manutenção de telhados, pisos e banheiros, além da modernização das áreas de alimentação. Mesmo as feiras que passaram por reformas completas continuam recebendo manutenção periódica, conforme o grau de criticidade e a disponibilidade orçamentária.

Yanez explica, ainda, que a ocupação das bancas ocorre por meio de licitação. Aqueles que já mantêm algum boxe recebem documentação de regularização, enquanto os espaços vazios ou abandonados são retomados e disponibilizados para novo processo licitatório. “Hoje a licitação tem mais função social do que arrecadatória, porque arrecada um valor irrisório, mas proporciona um grande ganho social. Estamos dando espaço para o empreendedorismo e para a geração de emprego, além de impulsionar a cultura regional”, alega o subsecretário. “Feira é um negócio pujante, tem que ter gente, tem que estar girando. E incentivar isso é o objetivo principal do GDF, ocupar as feiras e gerar emprego e renda”.

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Brasil supera 100 mil escolas públicas com internet gratuita

Programa quer conectar toda rede pública de ensino até 2026

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Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

O Brasil ultrapassou a marca de 100 mil escolas públicas com acesso à internet gratuita e de qualidade para uso pedagógico. Segundo dados atualizados do Indicador Escolas Conectadas (Inec), o país já soma 100.720 instituições conectadas dentro dos parâmetros considerados adequados pelo governo federal.

O avanço faz parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), programa coordenado pelos ministérios da Educação e das Comunicações, em parceria com estados e municípios. A meta do governo é conectar todas as 138 mil escolas públicas de educação básica até o fim de 2026.

Crescimento acelerado

O programa registrou forte avanço nos últimos anos. Em 2023, apenas 45,4% das escolas públicas brasileiras tinham acesso à internet considerada adequada. O índice subiu para 57,3% em dezembro de 2024, chegou a 69,7% no fim de 2025 e alcançou 72,9% em abril deste ano.

Em nota, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o resultado é fruto de um amplo esforço de infraestrutura iniciado em 2023.

“Esse é um momento histórico para a educação e para a inclusão digital do Brasil. Ter mais de 100 mil escolas com acesso gratuito à internet é uma realidade pela qual o governo trabalhou intensamente”, declarou.

Segundo ele, a ampliação da conectividade ajuda a reduzir desigualdades educacionais, especialmente em regiões mais isoladas do país.

“Com essa política transformadora, nossos estudantes terão mais oportunidades de aprendizado e portas abertas para o mercado de trabalho”, acrescentou o ministro.

Uso pedagógico

Além de levar internet às escolas, o programa busca garantir conexão estável e veloz, com redes Wi-Fi adequadas para uso dentro das salas de aula. A proposta é ampliar o acesso a plataformas educacionais, aulas digitais, ferramentas de inovação e capacitação de professores.

Em nota, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a iniciativa busca garantir igualdade de oportunidades para os estudantes da rede pública.

“A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas articula políticas e ações para universalizar o acesso à internet de qualidade e garantir o uso pedagógico da tecnologia em todas as escolas públicas”, afirmou.

Avanço no Norte

O maior crescimento proporcional ocorreu na Região Norte, onde os desafios logísticos historicamente dificultam o acesso à conectividade.

Em dezembro de 2023, apenas 23,6% das escolas da região tinham internet adequada. O índice passou para 36,7% em 2024, chegou a 60,5% em 2025 e atingiu 64,3% em abril deste ano.

Coordenado pelos Ministérios das Comunicações e da Educação, o programa é executado pela da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (EACE).Segundo o governo, a expansão reduziu desigualdades regionais e levou conexão de qualidade a escolas que antes estavam praticamente isoladas digitalmente.

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Crie-DF já soma quase 20 mil atendimentos em vacinação e mais de 36,5 mil doses aplicadas

Desde dezembro de 2023, serviço especializado da Secretaria de Saúde amplia o acesso à imunização especial para pacientes com condições específicas

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Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira

 

Jorge Araújo, 61 anos, passou a ter uma rotina de mais cuidados depois que começou a usar medicamentos imunossupressores para tratar a artrite reumatoide, em 2023. “Hoje tenho a artrite controlada. Pego medicamentos na Farmácia de Alto Custo. Só uma caixa do remédio custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por mês. Sem esse apoio, seria um sacrifício muito grande manter o tratamento”, diz o administrador de empresas.

No entanto, com a imunidade reduzida e maior risco de infecções, o morador de Águas Claras encontrou no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Distrito Federal (Crie-DF) um apoio que trouxe mais segurança ao tratamento.

“Já tomei vacinas contra hepatites A e B, pneumo, meningite, gripe e influenza, e ainda tenho outras agendadas. Por causa dos remédios imunossupressores, minha imunidade fica mais baixa. As vacinas ajudam a me proteger de infecções e doenças mais graves”, conta.

Mais proteção

O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais, ou seja, doses que não fazem parte do calendário básico de vacinação.

Desde dezembro de 2023, o serviço já realizou quase 20 mil atendimentos presenciais e aplicou mais de 36,5 mil doses. Segundo a responsável técnica substituta do centro, Lethícia Lima, a unidade atende pacientes com condições específicas, como transplantados e pessoas com doenças crônicas.

 

O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

“A principal porta de entrada são as unidades básicas de saúde. O paciente apresenta relatório médico e cartão de vacina, e a equipe do Crie avalia quais doses são necessárias”, explica.

Acesso ampliado

Hoje, o centro funciona no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Para ampliar o acesso ao atendimento, a SES-DF implantou, em agosto de 2024, o Crie Virtual. A iniciativa conecta 108 salas de vacinação da rede pública à equipe especializada do hospital.

“O objetivo é facilitar o acesso do usuário. Com o Crie Virtual, conseguimos atender uma pessoa que mora longe e não possui recursos financeiros para ir ao Hmib. Quando a vacina é ofertada perto da residência, ela consegue concluir o calendário vacinal”, explica Lethícia Lima.

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Audiência pública debate direitos dos estudantes com altas habilidades e superdotação

Aumento de vagas nas salas de recursos da rede pública e qualificação de profissionais estiveram entre as reivindicações

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Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu audiência pública, nesta sexta-feira (22), sobre as demandas dos estudantes com altas habilidades e superdotação (AH/SD). A discussão teve a presença de representantes da Secretaria de Educação do DF, do Ministério da Educação, da Universidade de Brasília, da Ordem dos Advogados do Brasil e, principalmente, de mães que clamaram por mais suporte ao desenvolvimento de seus filhos.

>> Confira mais imagens da audiência

Dói perceber a falta de apoio, de compreensão e de preparo da sociedade e até das instituições para acolher esses jovens, além do rótulo da inteligência. Porque superdotação não é apenas o desempenho: é também intensidade emocional, conflitos internos e uma solidão difícil de explicar”, disse Silvia Lustosa, mãe de uma filha com AH/SD e um filho em processo de diagnóstico.

A audiência pública abordou a necessidade de aprimoramento de políticas para esse público, em especial o aumento do número de vagas para Atendimento Educacional Especializado (AEE) na rede pública de ensino. No DF, há filas de espera para esse tipo de atendimento, que é ofertado uma vez por semana no contraturno, geralmente nas salas de recursos das escolas. O serviço é voltado não apenas para alunos com AH/SD, mas também para estudantes com deficiências.

Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF

Apesar de não suprir a demanda, participantes da audiência apontaram que a rede pública está à frente da rede privada de ensino, que muitas vezes não oferta qualquer tipo de suporte educacional para estudantes com AH/SD. Atualmente, 10% das matrículas para atendimento especializado nas escolas públicas são disponibilizadas para alunos da rede privada.

Nesse ponto, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), propositor da audiência, defendeu a cobrança de responsabilidade das escolas privadas, sem eximir o papel do Estado. “Os estudantes da educação privada têm direito ao atendimento, em suas especificidades, na educação pública. Nós podemos lutar para pressionar a responsabilização da educação privada, mas não podemos nos desresponsabilizar. Se a escola privada não cumprir esse processo, a educação pública sempre tem que estar de braços abertos, é um direito universal no Brasil”, afirmou o deputado, que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa e Promoção da Educação Inclusiva nas Redes Públicas de Ensino do Distrito Federal.

Outra demanda apresentada na audiência foi pela qualificação permanente de profissionais da educação e da saúde, aumentando a capacidade de diagnóstico precoce e de acolhimento a pessoas com AH/SD. A audiência completa, com todos os pontos abordados, pode ser acessada no YouTube da TV Câmara Distrital.

Ana Teresa Malta – Agência CLDF

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