Reportagens
Autoridades exaltam a efetividade da rede de proteção às mulheres no DF
Participantes também defenderam o respeito à legislação e aumento do orçamento para políticas públicas
Foto: Andressa Anholete/Agência CLDF
Mulheres que atuam em órgãos dos três poderes destacaram a importância do trabalho em rede na proteção às mulheres no DF, durante comissão geral realizada no plenário da Câmara Legislativa, nesta quinta-feira (12). No evento, de autoria da deputada Paula Belmonte (PSDB), o papel da Procuradoria Especial da Mulher (PEM) da CLDF foi ressaltado, bem como o trabalho desenvolvido pelo grupo.
O debate contou, ainda, com a apresentação de estudos feitos por servidores da Casa para orientar políticas públicas voltadas às mulheres.
Há um ano à frente da PEM, a deputada Paula Belmonte (PSDB) relatou que o órgão “se deparou com uma realidade que muitas das vezes é silenciada, é a realidade do assédio moral, do assédio sexual, das denúncias, mas também do silêncio e medo de muitas mulheres”.

De acordo com a parlamentar, o DF conta com uma legislação adequada de proteção às mulheres, mas que nem sempre é efetiva. “Nós temos muitas leis, mas a gente precisar fazer com que essas leis tenham sua viabilidade e a sua constitucionalidade, que elas estejam na realidade das mulheres”, defendeu.
Esta também foi a opinião da procuradora-geral da Justiça em exercício do MPDFT, Selma Sauerbronn. Para ela, as leis brasileiras e do DF são “altamente avançadas”, sendo exemplos para o mundo. “Há um enorme fosso entre o que está descrito na lei e o que efetivamente é feito para que mulheres não morram, para que as mulheres sejam respeitadas, para que o mundo civilizatório respeite o lugar da mulher”.
A procuradora do Tribunal de Contas do DF Cláudia Fernanda Pereira salientou a importância de auditorias que embasaram políticas públicas de proteção às mulheres. “Em 2019, o Ministério Público de Contas (MPC) protocolou a representação 45/19, levantando o cenário do feminicídio no DF, como também mapeamos as previsões orçamentárias mais significativas nessa temática. O MPC foi além e apresentou um apanhado da legislação local, que enfoca a questão das mulheres no DF”, ressaltou.
A partir desse estudo, ela comparou o avanço da legislação sobre o tema: “Naquela ocasião, nós percebemos que havia nove artigos na Lei Orgânica do DF que utilizavam a palavra ‘mulher’. Quando expandimos a pesquisa, em 2022, existiam 210 normas com essas referências, e a maioria delas no campo da segurança, saúde e trabalho”. Ao final, a procuradora defendeu mais sensibilidade para a lidar com a questão das mulheres: “Técnica nós todos temos, mas que não nos falte empatia e humanidade”.
A defensora pública Rafaela Ribeiro Mitre destacou o trabalho do Núcleo da Defensoria Pública para Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres que funciona da CLDF, fruto de parceria com a PEM: “Foi aqui que uma mulher, depois de 20 anos de relacionamento, sofrendo todo tipo de violência, encontrou espaço para, pela primeira vez, denunciar tudo o que ela estava passando”. Segundo a defensora, a denúncia garantiu medida protetiva imediata, além de proteção aos filhos da vítima.
De acordo com a secretária de Estado da Mulher, Giselle Ferreira, o compromisso da sua gestão é regulamentar todas as leis voltadas às mulheres. Como exemplo, ela elencou os programas Aluguel social, Transporte por Elas e Acolher Eles e Elas (Órfãos do Feminicídio). Ela também frisou que todos os projetos enviados à Câmara Legislativa foram aprovados com celeridade. “A pauta da mulher não tem partido, sofrimento não tem partido, a necessidade da mulher não tem que ter partido. Temos que estar todas e todos unidos porque, infelizmente, a violência ainda assola o nosso país e a nossa sociedade”, afirmou.
Ainda segundo Giselle Ferreira, a secretaria “praticamente” triplicou o orçamento, dobrou o quantitativo de servidores, e ampliou de 14 para 31 os equipamentos públicos. Ela ainda apresentou os dados de que a cada seis horas uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil e a cada seis minutos uma menina ou mulher sobre abuso sexual. “Depende de nós a mudança que a gente quer no mundo, passando por políticas públicas efetivas”, ressaltou a secretária.
Segurança
A necessidade do atendimento em rede também foi destacada pela segunda-tenente Samara Dantas, que integra o Policiamento de Prevenção Orientado à Violência Doméstica e Familiar (Provid). “Nosso policiamento, em 2025, fez mais de 25 mil visitas, nosso atendimento é feito em 23 unidades, inclusive no batalhão rural. Nossos policiais estão hoje preparados para atender essas mulheres”, relatou.
Ela frisou ainda que o trabalho da Polícia Militar, além do policiamento ostensivo, é de caráter preventivo. “Nosso papel como Polícia Militar, como Provid, é trazer segurança para nossas mulheres e capacitá-las para que rompam esse ciclo, e que saibam que podem e devem seguir independente de qualquer coisa”.
De acordo com a delegada adjunta da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, Meyrisse Welna Matos Franco, embora as subnotificações ainda sejam um dos principais problemas, a rede de proteção às mulheres no DF é efetiva: “Os órgãos estão sempre relacionados, isso fortalece muito a nossa atividade e nos ajuda a dar essa resposta que elas procuram”.
Como exemplo do funcionamento, ela explicou que o sistema da Polícia Civil foi conectado diretamente com o da Justiça: “Deu uma celeridade enorme. Quando a vítima chega em casa, já tem a decisão”. Além disso, segundo Franco, todas as delegacias estão capacitadas para dar o atendimento adequado e humanizado às mulheres.

A deputada distrital Dayse Amarilio (PSB) cobrou a regulamentação de leis pelo Executivo, a exemplo da lei 7459/2024, de sua autoria, que prevê local reservado nas unidades de saúde para atendimento às vítimas de violência doméstica. Ela defendeu aumento do orçamento para políticas em prol das mulheres e ampliação da representatividade feminina na política que, para a deputada, ainda é muito incipiente: “Quanto mais mulher em espaço de decisão, mais democrático é o nosso país”.
A opinião foi compartilhada pela deputada Jaqueline Silva (MDB), salientando que são apenas quatros mulheres entre os 24 distritais na CLDF. “Que o nosso trabalho no parlamento, juntamente com as autoridades que estão aqui na mesa, mulheres que são muito mais do que empoderadas, que provavelmente tiveram muitas lutas, muitas dificuldades, e hoje estão onde estão, que essa mesa possa ser exemplo para todas as nossas mulheres, de que lugar de mulher é onde elas quiserem”.

Após a comissão geral, Jaqueline Silva assumiu a presidência da PEM para o mandato de um ano, em substituição à deputada Paula Belmonte. As quatros distritais acordaram fazer o revezamento anual à frente da Procuradoria na atual legislatura.
Ordem dos Advogados
O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, reforçou que o número de parlamentares mulheres deveria ser proporcional à população feminina. “É por isso que nós estamos trabalhando para que essas eleições gerais que se avizinham tenham a efetiva participação das mulheres com vez e voz e condições de disputa”, afirmou. De acordo com ele, a OAB é a primeira instituição brasileira que determinada que todos os cargos sejam ocupados 50% por mulheres.
Siqueira contou que a OAB propôs projeto de lei à CLDF para que “todo e qualquer caso que envolve violência doméstica com advogada vítima ou com advogado envolvido como acusado seja comunicado à OAB para que possamos tomar providência de apoio à mulher e a responsabilização do advogado infrator”.
A presidente da Comissão da Mulher Advogada, Sthefany Vilar, reforçou que a OAB não aceita de “forma nenhuma” agressores. “Esse PL surgiu dessa necessidade de acompanhar de perto porque nós não tínhamos essa coleta de dados e já recebemos denúncias, infelizmente”. Ela também parabenizou a atuação da Procuradoria Especial da CLDF: “Nós continuaremos sendo uma grande parceira da PEM, para que a igualdade se torne formal”.
Conofis
Durante a comissão geral, servidores da CLDF apresentaram dois estudos encomendados pela PEM: um sobre Masculinidades e outro sobre Rede de Proteção às Mulheres. Em seguida, foram apresentados três painéis: Rede de Proteção e Atendimento à Mulher, Programas e Benefícios e Aplicabilidade de Leis.
Os estudos foram realizados pela Consultoria Técnico-legislativa de Fiscalização, Controle, Acompanhamento de Políticas e Contas Públicas e Execução Orçamentária (Conofis), e estão disponíveis para consulta no Portal da CLDF, nas páginas Observatório da Mulher e da Conofis.
Mario Espinheira – Agência CLDF
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Moraes dá 48 horas para Bolsonaro informar se autorizou vídeo com IA
Produção foi apresentada no sábado em convenção do Partido Liberal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (28) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste, no prazo de 48 horas, sobre a utilização de sua imagem e voz em um vídeo produzido por meio de inteligência artificial (IA) e exibido durante a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25).

Na decisão, Moraes afirma que é necessário esclarecer se Bolsonaro autorizou a produção e a divulgação do vídeo, que simulava um pronunciamento em apoio à pré-candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, à Presidência da República.
Segundo o ministro, a resposta é necessária para verificar se houve novo descumprimento das condições impostas ao ex-presidente durante a prisão domiciliar humanitária. Se essa hipótese for confirmada, Bolsonaro corre o risco de ter o benefício revogado.
Caso ele não tenha autorizado a produção do vídeo, Moraes aponta eventual grave desrespeito à legislação eleitoral por parte de Flávio Bolsonaro e do PL, podendo, inclusive, acarretar em inelegibilidade.
“Se não houve autorização do custodiado Jair Messias Bolsonaro para utilização de sua imagem e voz para declarações político-eleitoral, além de constituir desrespeito à ordem judicial por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal (PL), tal conduta poderá tipificar a denominada ‘deep fake’, prática expressamente vedada pela legislação eleitoral, um vez que, haverá a caracterização de criação ou divulgação de conteúdo sintético destinado a associar artificialmente a imagem, a voz ou a manifestação de determinada pessoa a candidato, partido ou causa política, sem sua expressa autorização”.
Na decisão desta terça-feira, Moraes lembra que Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar humanitária, está com os direitos políticos suspensos em razão de condenação criminal definitiva por tentativa de golpe de Estado e está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros.
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Exposição dos Povos da Floresta chega a Brasília e ocupa Memorial dos Povos Indígenas
Em cartaz a partir de quarta-feira (29), mostra tem entrada gratuita e reúne artistas indígenas, povos tradicionais e diferentes expressões da arte amazônica
Por
Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes
Brasília recebe, a partir desta quarta-feira (29), a Exposição dos Povos da Floresta, uma mostra que reúne artistas de diferentes territórios da Amazônia em um encontro entre arte, ancestralidade, território e memória. Integrando a Etapa Brasília do Festival dos Povos da Floresta, a exposição ocupa o Memorial dos Povos Indígenas (MPI), com visitação gratuita até 27 de setembro.
Idealizado pelo Centro de Inovação da Amazônia (Rioterra), o Festival dos Povos da Floresta promove a circulação de artistas, mestres tradicionais e comunidades originárias, ampliando o acesso às múltiplas expressões culturais amazônicas em diferentes regiões do país. A cerimônia de abertura será na terça-feira (28), das 19h às 21h, marcando o encontro de artistas, curadores, convidados e público em uma celebração da diversidade cultural brasileira.
A exposição reúne fotografias, pinturas, esculturas, instalações, registros audiovisuais, experiências em realidade virtual e curtas-metragens, construindo um percurso sensorial que aproxima o visitante das diferentes narrativas e modos de vida presentes na Amazônia.
Entre os destaques estão obras de Gustavo Caboco, Paula Sampaio, Will Arehj, Wauto Am, além do acervo fotográfico da Rioterra com trabalhos de Marcela Bonfim, Alexis Bastos, Fred Bastos, Alexandre Rotuno e do próprio Will Arehj.
A mostra também reúne artistas de Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, refletindo a diversidade estética, cultural e territorial da região amazônica. Participam nomes como Saulo de Souza, Rafael Prado, Evandro Câmara, Bototo, Avener Prado, Isaías Miliano, Pedro Macuxi, Kaiwino Wiz (Georgina), Vinícius Kenede, Caripoune Yermollay, Ya Juarez, Keyla Palikur, Thay Ptit, Hugo Figueiredo e Gilson Tupinambá, entre outros.
Ao longo de sua trajetória, a Exposição dos Povos da Floresta percorreu Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Belém (PA), incorporando novas ocupações artísticas e diferentes olhares curatoriais em cada território. Em Brasília, essas experiências convergem em uma exposição que sintetiza os diálogos construídos ao longo do projeto, sob curadoria de Isabela Bastos e Lucas Baim.
Mais do que apresentar obras de arte, a mostra propõe uma reflexão sobre a pluralidade dos povos amazônicos, evidenciando suas memórias, cosmologias, formas de resistência e modos de produzir conhecimento por meio da arte.
Programação audiovisual e realidade virtual
Além das obras expostas, o público poderá assistir a uma seleção de curtas-metragens produzidos em Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, com narrativas que dialogam com os temas da exposição e ampliam a experiência do visitante.
A programação inclui ainda uma imersão em realidade virtual composta por quatro experiências audiovisuais que apresentam paisagens, saberes e vivências da Amazônia, permitindo ao público conhecer diferentes territórios por meio de tecnologia imersiva.
Comprometida com a democratização do acesso à cultura, a exposição contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérpretes de Libras e audiodescrição das obras por meio de QR Code.
Ao reunir diferentes linguagens artísticas, territórios e experiências culturais, a Exposição dos Povos da Floresta reafirma o compromisso do festival em fortalecer o protagonismo dos povos amazônicos e ampliar a circulação de suas produções, aproximando o público brasileiro da riqueza artística e cultural da região.
Serviço
Exposição dos Povos da Floresta
⇒ Local: Memorial dos Povos Indígenas (MPI)
⇒ Cerimônia de abertura: terça-feira (28), das 19h às 21h
⇒ Visitação: de quarta-feira (29) a 27 de setembro
⇒ Funcionamento: terça-feira a domingo, das 9h às 17h
⇒ Entrada gratuita.
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