Estudantes de Santa Maria investem na preparação para o Projeto Pontes para o Mundo 2026
Grupo de alunos do CEM 404 se reúne, desde o ano passado, para aumentar as chances de aprovação no programa; edital da edição de 2026 será publicado ainda neste mês
Morar e estudar em outro país parecia um sonho impossível para muitos jovens que frequentam escolas da rede pública de ensino — mas, para alguns estudantes do Distrito Federal, tornou-se realidade graças ao programa Pontes para o Mundo, da Secretaria de Educação (SEEDF), que teve a primeira edição no ano passado. A experiência vivenciada pelos alunos que participaram em 2025 inspirou outros a acreditarem que é possível um adolescente de escola pública estudar no exterior.
De olho nessa oportunidade, um grupo de alunos do Centro de Ensino Médio (CEM) 404 de Santa Maria decidiu antecipar-se e iniciar os estudos ainda neste ano, com o objetivo de cumprir parte dos pré-requisitos exigidos. E mesmo durante as férias, os adolescentes Maria Eduarda Silva Lima, 16 anos; Lara Caroline Aires da Silva, 15; Antony Lucas Aguiar Pimentel, 16; e Geovana Pietra de Sousa Silva, 15, seguiram com a preparação. Agora, já cursando o segundo ano do ensino médio, eles compartilham mais um sonho em comum: a aprovação em todas as etapas para participar da segunda edição do programa.
Preparação
Reuniões presenciais e atividades online fazem parte da programação de estudo do grupo do CEM 404
Desde que soube do programa, Geovana começou a mobilizar os amigos. “Vi que tinha a possibilidade de fazer esse intercâmbio”, conta. “Então, eu e o Antony começamos a pesquisar como o programa funciona; e, como a gente não tinha a possibilidade de ir no ano passado, pensamos em focar para conseguir ir no próximo. Começamos a chamar todo mundo, a formar o grupo de estudos”.
A rotina inclui, além dos estudos individuais, reuniões presenciais e online. Antony e Lara contam que têm conseguido estudar e tirar notas acima de 7. “A gente já faz juntos os trabalhos de todas as matérias, aproveita e estuda”, explicou Lara.
A dinâmica entre eles foi organizada durante o período de recesso e férias escolares, conta Maria Eduarda: “A gente estudou inglês ao longo de toda a semana em casa, e, no final de semana, fazíamos uma videochamada para treinar a conversação e resolver exercícios”.
Inspiração no primeiro grupo
No ano passado, 102 alunos estudaram por três meses no Reino Unido, na primeira edição do programa | Foto: Felipe de Noronha/SEEDF
O desejo de participar de um programa como o Pontes para o Mundo permeia os pensamentos do grupo há bastante tempo. Inspirados por filmes, reportagens e histórias de outros adolescentes que tiveram a oportunidade de ter essa experiência, eles estão empolgados com a possibilidade de aprovação no processo seletivo de 2026.
“Confio muito no meu potencial, estudei bastante e quero muito viver isso, porque é o meu sonho e a minha expectativa é alta. Acho que vai ser uma experiência única”
Antony Pimentel, aluno do CEM 404 de Santa Maria
Ao mesmo tempo em que sonham e seguem na preparação para as etapas do processo de seleção deste ano, eles tentam manter os pés no chão sem permitir, entretanto, que o medo seja um elemento paralisador. “Eu tenho um certo medo de não conseguir passar na seleção, mas não é algo que me impeça”, relata Antony.
“Confio muito no meu potencial, estudei bastante e quero muito viver isso, porque é o meu sonho e a minha expectativa é alta”, anima-se. “Acho que vai ser uma experiência única, algo que nunca imaginei viver na minha vida, e eu posso viver durante a minha adolescência, com outros jovens com quem posso criar uma conexão muito forte, formar um novo grupo de amigos.”
Torcida organizada
Se depender da torcida das famílias, todos já estarão com os passaportes carimbados. A mãe de Geovana, a servidora pública Andreza Silva de Souza, é uma das entusiastas dos projetos da adolescente. Quando soube da existência do programa, foi a primeira a incentivar a filha.
“Falei que é uma oportunidade ímpar, ainda mais para os estudantes da rede pública, cuja realidade torna quase impossível de conseguir fazer um intercâmbio”, conta. “Aí, expliquei que é melhor ela começar a se preparar antes, porque geralmente as pessoas esperam chegar o edital, então começar antes é uma opção para aumentar as chances.”
Pontes para o Mundo 2026
A publicação do edital da segunda edição do programa está prevista para o final deste mês, e a ideia inicial é de levar 400 alunos para o intercâmbio. Em relação aos países selecionados, há possibilidade de que os participantes sejam enviados para o Reino Unido, Canadá, França e Espanha.
Os critérios de seleção deste ano devem permanecer os mesmos, sendo os principais ter idade entre 16 e 17 anos, frequência mínima de 80%, estudar na segunda série do ensino médio de alguma escola pertencente à SEEDF. Este ano, a previsão é que estudantes dos colégios militares também sejam contemplados no edital com oito vagas para cada escola. As informações a respeito de todas as etapas do programa estarão disponíveis em breve no site da SEEDF e nos demais canais oficiais de comunicação da pasta.
O coordenador da primeira edição do Pontes para o Mundo, David Nogueira, avalia que a primeira edição do programa foi fundamental para consolidar o modelo da iniciativa. “Os resultados foram muito positivos, especialmente no desenvolvimento da autonomia, da maturidade e na ampliação das perspectivas acadêmicas desses jovens”, aponta.
“Para a segunda edição, nossa expectativa é aprofundar e aperfeiçoar o programa a partir das lições aprendidas”, pontua o professor. “Estamos fortalecendo a preparação pré-embarque, ampliando o acompanhamento psicológico e pedagógico dos estudantes antes e durante a experiência no exterior, e aprimorando os instrumentos de monitoramento e avaliação.”
Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Mulheres em tratamento de saúde que causa a perda de cabelos contam com atendimento gratuito para doação de perucas no Distrito Federal. Para a prestação do serviço, há um banco com cerca de 300 perucas, renovado a cada dois meses. O atendimento ocorre diariamente, conforme a demanda, com limite de uma peça por pessoa.
As perucas são produzidas por voluntários a partir do reaproveitamento de cabelos naturais doados. A iniciativa reúne a confecção de próteses mamárias, cortes de cabelo e barba, além do fornecimento de toucas e lenços. Há necessidade de novos voluntários para a produção, que oferece capacitação para os interessados.
Como doar
Para a doação, a orientação é separar mechas com no mínimo 20 centímetros, prender os fios antes do corte e entregá-los secos, em saco ou envelope. Fios com química ou coloração também podem ser entregues. O recebimento das doações de cabelo ocorre das 8h30 às 12h e das 13h às 16h. Para confirmar os dias de atendimento, a orientação é entrar em contato pelo telefone (61) 3364-5467.
A oficina também recebe insumos para a confecção das peças, como telas, linhas de náilon ou tecelagem, silicone adesivo selante, tecido do tipo voil, xampu e condicionador.
Como acessar o serviço
O atendimento é voltado a pessoas que passam por tratamento de saúde com perda de cabelo. O critério informado é estar preferencialmente sem cabelos e apresentar documento de identificação pessoal com foto e relatório médico atualizado, emitido nos últimos seis meses.
O cadastro é feito na Sala de Acolhimento da Rede Feminina, situada no ambulatório do Hospital de Base do Distrito Federal (Corredor 5). Após o registro, são apresentados os modelos, tamanhos e cores para escolha do beneficiário. Informações sobre serviços, voluntariado e doações também estão disponíveis neste site e no perfil oficial @redefemininabrasilia.
Livro é fruto de dissertação de mestrado e se dirige a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadoras, além do público em geral
A Câmara Legislativa do Distrito Federal sediará, no próximo 13 agosto, a partir das 19h, o lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital, de autoria da advogada Janaína Rodrigues de Sousa. A obra analisa a participação feminina na política do Distrito Federal a partir de 2013 — ano em que a Câmara Legislativa do Distrito Federal implementou a Procuradoria Geral da Mulher. O lançamento será transmitido ao vivo pela TV Câmara e no YouTube.
A obra, que será lançada no dia 13, nasceu durante o mestrado da autora. Janaína destaca que o livro se dirige a mulheres que atuam ou desejam atuar na política, a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadores, além do público em geral. Ela espera também incentivar novas pesquisas sobre o tema na Câmara Legislativa. “Desejo que ele sirva como instrumento de formação política e de conscientização. Quero que as pessoas compreendam que a participação feminina não interessa apenas às mulheres — ela é indispensável para fortalecer a democracia e tornar as políticas públicas mais representativas.”
O livro mapeia os obstáculos que as mulheres enfrentam ao longo da trajetória política, com ênfase nas barreiras que persistem mesmo após a eleição. “Mesmo ocupando uma cadeira no Parlamento, muitas mulheres continuam afastadas dos principais espaços de poder, como a Mesa Diretora, as presidências de comissões estratégicas — o que chamamos de hard politics — e as relatorias de maior relevância. É o chamado ‘teto de vidro’: uma barreira muitas vezes invisível que permite a presença das mulheres, mas dificulta seu acesso ao poder real de decisão”, explica a autora.
Para Janaína, ocupar espaço não é suficiente se não vier acompanhado de poder de decisão. “Eu acredito que a presença das mulheres na política não pode ser apenas simbólica. Nós precisamos ocupar os espaços onde as decisões são tomadas, transformar nossas experiências em leis e a nossa voz em poder. Não estamos pedindo licença para participar da história — estamos assumindo o protagonismo de escrevê-la. A política é, também, um espaço para chamar de nosso. Precisamos de mais mulheres nos representando”, conclui.
Serviço
Lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital
Local: Foyer do Plenário
Quando: 13 de agosto, às 19h
Em meio a grandes marcas de tecnologia e inovação, a ideia de um universitário de 19 anos movimentou o estande do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) na Rio Innovation Week, na semana passada. Arthur Almeida Santos, de 19 anos, desenvolveu um jogo para explicar de forma lúdica as atribuições do órgão em que estagia.
Quando soube que a proposta do MP era desenvolver um quizz, jogo de perguntas e respostas, o ex-aluno da área de programação de jogos digitais da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) levantou a mão para discordar.
“Pedi licença e disse que ‘quizz’ não é engajante. Perguntei por que não um jogo? E eles me deram o trabalho de desenvolver”, contou, em entrevista à Agência Brasil, o jovem de Quintino, na Zona Norte do Rio.
A ideia que ele deu foi “simples”, resume: as pessoas precisavam classificar, entre várias atribuições do poder público, qual era do MP-RJ, considerando as regiões do estado.
“É uma forma criativa de ensinar às pessoas o que é o Ministério Público e o que ele faz. As pessoas tinham um minuto e 40 segundos para fazerem sua melhor pontuação e ganharem o melhor brinde, que era um ecobag”.
Aluno do segundo período do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Arthur surpreende ao destacar que gosta da parte humana de sua formação.
“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”.
Ele chegou a cursar Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), mas mudou de área em busca desse equilíbrio maior entre ser humano e tecnologia.
“Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, disse ele, que agora está em sua primeira experiência profissional.
O estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) Crédito: MPRJ/Bruno Bou
Reconhecimento
O jovem integrou o grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Ela conta que Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que o ajudou no visual do jogo.
“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa Fraga. “Ele tem 19 anos, chegou aqui querendo trabalhar com gamificação, mas nós não temos um setor específico desse assunto, e ele trabalha, então, com o pessoal de tecnologia da informação (TI), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência”.
A procuradora afirmou que esperava que o jogo fosse agradar, mas não imaginava que seria o sucesso que foi no evento.
“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”.
“Eu disse para ele, lá no festival, que ele tinha que aproveitar aquela oportunidade, que aquilo ali era uma porta que estava se abrindo para ele. Um futuro muito grande”, comentou Elisa Fraga.
Ter o trabalho reconhecido pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, foi algo que emocionou Arthur.
“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembra. “Conseguir um elogio da entidade máxima do MP é muito difícil e extraordinário. E eu consegui. É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”.