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DIA MUNDIAL DA ÁGUA HISTÓRICO DAS COMEMORAÇÕES

Tema e local: todas as campanhas de 1994 a 2026

 

A data criada pela ONU, em 1993, foi instituída pela Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, por meio da Resolução A/RES/64/292, pela qual ficou pactuado que a água limpa e segura e o saneamento básico são Direitos Humanos. O objetivo do Dia Mundial da Água é promover conscientização sobre a relevância da água para a sobrevivência de todos os seres vivos. Além disso, a data é um momento para lembrar a importância do uso sustentável desse recurso e a urgente necessidade de conservação dos ambientes aquáticos, evitando a sua poluição e contaminação.

Desde 1994, todo 22 de março é dedicado a lembrar, estudar e se conscientizar sobre o uso racional da água. Por isso, a ONU criou o Dia da Água e escolhe um tema central para as comemorações. As campanhas são educativas e de conscientização. Este trabalho de marketing social e ambiental tem cinco objetivos estratégicos.

1 – Gerar conhecimento e construir capacidades em prol da cooperação pela água;

2 – Conscientizar sobre a importância, os benefícios e os desafios da cooperação em questões relacionadas à água;

3 – Provocar ações concretas e inovadoras em prol da cooperação pela água;

4 – Fomentar parcerias, diálogo e cooperação pela água como prioridades máximas;

5 – Fortalecer a cooperação internacional pela água para abrir caminho para os objetivos de desenvolvimento sustentável defendidos por toda a comunidade que trata sobre água e atendendo às necessidades de todas as sociedades.

AS CAMPANHAS DE 1994 A 2026

 

1994 – CUIDAR DA ÁGUA É FUNÇÃO DE CADA UM

Na primeira campanha, em 1994, a ONU usou como tema o tema “Cuidar da água é função de cada um”. O objetivo era conscientizar a população da importância da ação de todos na conservação dos recursos hídricos. Sempre é muito importante que cada um faça a sua parte.

1995 – MULHERES E ÁGUA

A feminização da pobreza é uma cruel realidade. Questão de gênero: as mulheres por cuidar da família, sobretudo das crianças, são as que mais sofrem com a falta de água. Dois subtemas foram escolhidos pela ONU para guiar a campanha: a poluição da água e a degradação ambiental.

1996 – ÁGUA PARA CIDADES SEDENTAS

A campanha da água em 1996 enfatizou a crescente crise enfrentada por muitas regiões do mundo. Dados do International Water Management Institute mostram que, no ano de 2025, 1.8 bilhão de pessoas de diversos países deverão viver em absoluta falta de água, o que equivale a mais de 30% da população mundial. Daí o tema da ONU: Água para cidades sedentas.

1997 – ÁGUAS DO MUNDO: HÁ O SUFICIENTE?

A água, em bem finito, é fundamental para a vida. Mas, infelizmente, os recursos hídricos estão enfrentando demandas cada vez maiores, e a concorrência entre os usuários não para de crescer. Pior: para cada mil litros de água utilizados, outros 10 mil são poluídos. Segundo a ONU, parece estar cada vez mais difícil se conseguir água para todos, principalmente nas regiões mais pobres do planeta dos países em desenvolvimento.

1998 – ÁGUA SUBTERRÂNEA: O RECURSO INVISÍVEL

A água invisível está nos lençóis freáticos. Este é um tesouro guardado no subsolo e que começa também a ser explorado e, terrível, a ser poluído. Mineradoras e poços artesianos clandestinos poluem as águas do subsolo e comprometem seu uso futuro.

1999 – INUNDAÇÕES – TODOS VIVEM RIO ABAIXO

O Brasil e o mundo vivem a cada temporada de chuvas a tragédia das inundações. As inundações não são consequências apenas das chuvas excessivas, mas sobretudo da interferência do homem no meio ambiente. A ocupação irregular do solo, a impermeabilização das áreas urbanas, os aterramentos e a devastação das matas ciliares são as motivações principais.

2000 – ÁGUA PARA O SÉCULO 21

A pressão sobre o uso da água na agricultura, nas cidades e na indústria só crescem. E esse crescimento não é acompanhado por uma gestão racional dos recursos hídricos. O reuso da água ainda é um programa isolado e que precisa ser massificado.

2001 – ÁGUA E SAÚDE

Água sustenta a vida. Quando as águas adoecem, o meio ambiente e a saúde do homem ficam ameaçados. Segundo a ONU, 50% da taxa de doenças e morte nos países em desenvolvimento ocorrem por falta de água ou pela sua contaminação. São necessários esforços governamentais concretos para fornecer água potável e melhorar a saúde da população.

2002 – ÁGUA PARA O DESENVOLVIMENTO

As discussões sobre o tema mostram sempre a pressão do uso da água para promoção do desenvolvimento e geração de riqueza. Mas a ONU adverte: O estado de deterioração dos recursos hídricos em muitas partes do globo aumenta e há necessidade de uma melhor gestão dos recursos integrados à água.

2003: ÁGUA PARA O FUTURO

A preocupação está na ordem do dia da ONU e de todos os países. São 7 bilhões de pessoas vivendo no planeta Terra e consumindo água de todas as formas: na alimentação, na indústria, no lazer e na produção de energia. O alerta da ONU é para a que cada um pense melhor sobre a qualidade da água doce disponível para as gerações futuras.

2004 – ÁGUA E DESASTRES

A água pode ser vida e pode ser morte. Tanto o clima como a água podem ter um impacto devastador no desenvolvimento socioeconômico e no bem-estar da humanidade. É importante monitorar esses eventos e alertar a população sobre as precauções cabíveis.

2005 – ÁGUA PARA A VIDA

A ONU marcou (2005-2015) a “Década Internacional da Ação Água para a Vida”, e a data de celebração do Dia da Água não poderia estar de fora. O enfoque é justamente colocar, como objetivo do milênio, todos os esforços para mostrar que os recursos hídricos precisam ser preservados por serem essencial à vida.

2006 – ÁGUA E CULTURA

Por ser um bem vital e muitas vezes sagrado, a água está no centro de movimentos religiosos, nos ritos e cerimônias. Faz parte da cultura, da arte, da música, da pintura e das danças.

2007 – LIDANDO COM A ESCASSEZ DE ÁGUA

A escassez da água é uma realidade, daí a necessidade de maior integração e cooperação para assegurar a gestão sustentável, eficiente e equitativa dos recursos hídricos. A escassez está justamente onde estão os maiores aglomerados humanos.

2008 – ÁGUA E SANEAMENTO

A falta de saneamento é o principal foco de doença e mal-estar. E os dados da falta de saneamento são alarmantes. Pelas estatísticas, uma criança morre a cada 20 segundos decorrente das condições precárias de saneamento.

2009 – ÁGUAS TRANSFRONTEIRIÇAS:  A ÁGUA DA PARTILHA DE OPORTUNIDADES

Como as aves, as águas não obedecem a fronteiras. Rios e lagos são usados, muitas vezes, para fazer fronteiras. Mas não são muitos os rios do mundo que nascem e deságuam num mesmo país. Geralmente, as águas situadas em regiões fronteiriças é motivo de conflitos e não de parcerias. O tema busca estimular a construção do respeito mútuo, da compreensão e da confiança entre os países na promoção da paz.

2010 – ÁGUA LIMPA PARA UM MUNDO SAUDÁVEL

Da mesma forma que a água saudável é vetor de saúde, se estiver contaminada pode ser vetor de doenças.   O tema qualidade da água busca refletir não só a importância, mas também a defesa e proteção dos mananciais.

2011 – ÁGUA PARA AS CIDADES: DESAFIO URBANO

O Brasil é um bom exemplo. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outros grandes centros urbanos sofrem, ao mesmo tempo, da falta d’água e com as enchentes. A água que inunda é tão poluída que não pode ser aproveitada e água que se consome tem que ser buscada a longas distâncias.

2012 – ÁGUA E SEGURANÇA ALIMENTAR

Todos os alimentos para serem produzidos ou confeccionados precisam de água. Uns mais outros menos. Faz parte da campanha, coordenada pela FAO, além de sempre preservar os mananciais, consumir produtos que fazem uso menos intensivo de água e reduzir o desperdício escandaloso de alimentos.

2013 – ANO DA COOPERAÇÃO PELA ÁGUA

Ao estabelecer este tema, a ONU busca conscientizar sobre a necessidade de cooperação por esse recurso e sobre os desafios no que diz respeito à gestão da água. O acesso à água pode ser fonte de conflito, mas também é um catalisador de cooperação e construção da paz.

2014 – ANO DA ÁGUA E ENERGIA 

A escolha se deu porque água e energia estão intimamente interligadas e são interdependentes, já que a geração hidrelétrica, nuclear e térmica precisa de recursos hídricos.

2015 – ÁGUA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A ONU definiu 2005 – 2015 como DÉCADA DA ÁGUA. Durante essa década, a cada ano a UN-Water (agência da ONU que coordenou ações sobre água doce e saneamento) escolheu um tema para discussão. Em 2015, fechou o ciclo com o tema Água e Desenvolvimento Sustentável.

2016 – ÁGUA E EMPREGOS: INVESTIR EM ÁGUA É INVESTIR EM EMPREGOS 

Água e empregos: investir em água é investir em empregos. O Brasil tem no rio Doce o melhor exemplo de como o não investimento na qualidade, na proteção e na preservação das águas, seja dos mananciais, dos rios ou dos mares, pode comprometer muitíssimo empregos e a renda da população.

2017 – ÁGUA RESIDUAL E O REUSO DE EFLUENTES

A quantidade de água no mundo é sempre a mesma. O importante é não poluir os mananciais e que a água já utilizada tenha um retorno ao meio ambiente com qualidade e limpeza adequadas para que seja lançada no corpo receptor (rios, mar e lagos) sem causar danos à saúde e ao ecossistema. 2018-2028 (Década Internacional para Ação, Água para o Desenvolvimento Sustentável)

2018 – SOLUÇÕES NATURAIS PARA A ÁGUA 

As soluções baseadas na natureza têm o potencial de resolver muitos dos nossos desafios, mas é necessário investir muito mais com a infraestrutura “verde” e harmonizá-la com a infraestrutura “cinzenta” sempre que possível. O plantio de novas florestas, reconectar rios às planícies alagadas, restabelecendo zonas húmidas reequilibrarão o ciclo da água vão melhorar a saúde humana e os meios de subsistência.

2019 – GARANTIA DA ÁGUA E DO SANEAMENTO EM DOMICÍLIOS E LOCAIS PÚBLICOS

Relação da água com os direitos humanos a água e saneamento. Água e saneamento devem ser garantidos não apenas nos domicílios, mas também em outras esferas da vida de uma pessoa, como os locais públicos e de trabalho, as instituições de ensino e as instalações de saúde.

2020 – ÁGUA E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Água e mudança do clima são dois estão intrinsecamente ligados. A adaptação aos efeitos da mudança climática na água protegerá a saúde e salvará vidas e seu uso mais eficiente da água reduzirá os gases de efeito estufa.

2021 – SEGURANÇA HÍDRICA PARA O DESENVOLIMENTO E A PAZ.

Segurança Hídrica é “assegurar o acesso sustentável à água de qualidade, em quantidade adequada à manutenção dos meios de vida, do bem-estar humano e do desenvolvimento socioeconômico, além de garantir proteção contra a poluição hídrica e desastres relacionados à água. A segurança hídrica significa preservar os ecossistemas em clima de paz e estabilidade política.

2022 – ÁGUAS SUBTERRÂNEAS: TORNANDO O INVISÍVEL VISÍVEL.

O tema de 2022 é “Águas subterrâneas: Tornando o invisível visível”. Embora escondidas sob os nossos pés, as águas subterrâneas enriquecem as nossas vidas, apoiando o abastecimento de água potável, sistemas de saneamento, agricultura, indústria e ecossistemas. Em muitos locais, ocorre exploração sem planejamento, além da poluição das águas subterrâneas. É necessário visibilizar essas águas “invisíveis” para que possa ser melhor gerenciada por todos.

2023 – ÁGUA: SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ DESEJA VER NO MUNDO. FÁBULA DO BEIJA-FLOR.

A campanha será lançada durante a Conferência da ONU sobre Água, que acontecerá de 22 a 24 de março de 2023, em Nova York (EUA). Para isso, a entidade usa a fábula do beija-flor que apaga o incêndio carregando gotas de água em seu bico.

2024 – “A ÁGUA DEVE GERAR PROSPERIDADE E PAZ”.

Para que a água gere prosperidade e paz há necessidade de se fazer a gestão dos recursos hídricos de forma unida, transversal para que se possa garantir o acesso à água em qualidade e em quantidade. Para a ONU, os recursos hídricos podem criar paz ou desencadear conflitos. Este desafio, hoje, é ainda maior frente à grave questão das Mudanças Climáticas.

2025 – “PRESERVAÇÃO DAS GELEIRAS”.

Mais de 275.000 geleiras no mundo cobrem aproximadamente 700.000 km². Geleiras e mantos de gelo armazenam cerca de 70% da água doce global. O derretimento das geleiras expõe as rochas e elas aquecem a região porque propagam calor. O forte derretimento das geleiras muda o mapa geopolítico do mundo.

2026 – “ÁGUA E GÊNERO”.

Em ambiente degradado, as mulheres são as primeiras a serem atingidas. Quando o Estado cuida bem das mulheres, o Estado está cuidando bem diretamente de 70% da população e, indiretamente, dos outros 30%. Por isso o tema “ÁGUA E GÊNERO” é muito atual e necessário.

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O BRASIL PERDE UM PROFISSIONAL DE EXCELÊNCIA

Uma manhã triste hoje em Brasília.

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O Brasil se despede de CARLOS MONFORTE, exemplo de profissional dedicado, um pai de família exemplar e um amigo de todas as horas.
Carlos Monforte, Maria Ignez, Serginho e Flavinha, uma família linda que conheço desde 1979. Maria Ignez e Carlos Monforte fazem parte do jornalismo brasileiro de excelência. Ambos com uma história maravilhosa em Santos, São Paulo e Brasília.
Carlos Monforte foi pioneiro e implantou o BOM DIA BRASIL. Sucesso absoluto! Lembrar Carlos Monforte é reverenciar o seu legado e suas ações de amizade, de cidadania que fizeram a diferença.
Vá em Paz, meu amigo. Você foi um Guereiro de Luz!
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MISSA DA SAUDADE PARA UM GUERREIRA DE LUZ

Maria Elisa Costa.

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Nessa segunda-feira dia 31 de agosto, às 18h30, na Igrejinha de Fátima na 308 Sul.
“O tempo tem carícias com as coisas velhas”, pressentia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina (1889-1985). Hoje, 66 anos depois da inauguração, Brasília vive uma realidade: participantes de sua construção estão em outro patamar. Os artistas construtores, todos eles, já se foram. O legado de JK, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Joaquim Cardozo, Athos Bulcão, Mariane Perretti, Burle Marx, Ceschiatti e Bruno Giorgi está aí para a gente celebrar e respeitar.
Dia 25, sexta-feira, partiu uma das mais importantes coajuvantes da criação e da construção de Brasília, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa.
Maria Elisa se une a outros personagens que ajudaram a colocar Brasília de pé: Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Augusto Guimarães, Carlos Magalhães da Silveira, Jofre Mozart Parada e Moacyr Gomes de Souza.
A escolha do projeto do Plano Piloto foi feita em 16 de março de 1957. A construção, mesmo, começou em abril. Vamos voltar três meses antes. Tardinha de uma segunda-feira, 4 de fevereiro de 1957. Maria Elisa, com 22 anos, cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura. Tão logo Maria Elisa entra no apartamento, ouve a voz do pai:
– Minha filha, vem aqui que quero mostrar “uma coisa”.
Ela chega, cheia de livros e cadernos, e não dá lá muita importância para a “coisa”. A “coisa” era, simplesmente, o primeiro esboço da Asa Sul de Brasília, a lápis com toques de cor e com anotações manuscritas. Na escala de 1/25.000, como o projeto foi apresentado no concurso.
Ela ainda ouviu seu pai descrever a nova capital, tim-tim por tim-tim. Quando terminou, lembra Maria Elisa: “Papai, com a camisa encharcada de suor, expôs pela primeira vez em palavra falada, a sua criação solitária. Sim – continua ela – porque o projeto de Brasília foi feito por ele sozinho, em casa. Fui a primeira pessoa a saber como seria nossa capital”.
Aquela revelação – uma descoberta que mudaria a História do Brasil e o conceito de urbanismo no mundo – continha um conteúdo único e um vislumbre singular de esperança e de revolução. Ela mesmo explica:
“Quando lembro desse momento ímpar, o que mais me surpreende é que não achei nada de extraordinário. Tudo aquilo me parecia simplesmente normal: mudar a capital, inventar uma cidade… tudo! O próprio fato do meu pai ter feito o projeto sozinho em casa, desenhado a mão-livre e em escala, para mim não foi surpresa. Era esse, o jeito dele”.
A montagem do projeto do Plano Piloto para inscrição no concurso foi outra epopeia artesanal. “Fizemos a montagem em pranchas de cartolina, espalhadas no chão, com a ajuda de minha irmã Helena e de nossa prima, Nadja, sob rígida orientação do ‘inventor’. Detalhe por detalhe. A gente ia colando aquelas preciosas páginas nas cartolinas com aneisinhos de fita adesiva”.
O projeto tinha cinco pranchas, uma com o belo desenho da cidade em escala de 1/25.000, a nanquim e colorido com lápis de cor. E, mais quatro, com o texto da “Memória Descritiva” datilografado, ilustrado com impecáveis croquis, também desenhados a nanquim, alguns com leves toques de cor aqui e ali. À exceção da datilografia, tudo foi feito pessoalmente por Lucio Costa sem a ajuda de ninguém.
A própria Maria Elisa conta: “Fomos para a cidade de carro, meu pai dirigindo. Parou junto à entrada do Ministério da Educação. Minha irmã e eu descemos e entregamos as cinco pranchas na sobreloja. Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26, e entregamos para meu pai. Era 11 de março de 1957”. A partir daí, foi a saga da construção.
Desde aquele 4 de fevereiro, Maria Elisa Costa nunca mais se desgrudou de Brasília. Acompanhou tudo. Era a ‘mãe’ cuidando da ‘filha’, como membro do Conselho de Arquitetura e Meio Ambiente, como presidente do IPHAN ou atendendo solicitações diversas dos governadores de Brasília.
Passaram-se os anos. E lá estava Maria Elisa Costa na luta para defender a Capital em duas situações opostas e adjacentes: de um lado, a extensa área urbana em expansão e, de outro, o Plano Piloto a ser preservado. Ela tinha a noção exata de que uma coisa é gerenciar o desenvolvimento urbano da cidade em expansão. E outra, bem diferente, é assegurar a preservação de seu núcleo original. Explica ela: “O centro histórico da capital é a área delimitada pelo divisor de águas da Bacia do Paranoá. Toda e qualquer intervenção nessa área, mesmo não sendo localizada dentro do perímetro tombado ou em seu entorno direto, deve ser compatível com o texto original da Portaria 314 do IPHAN. Tem que ser fiscalizada. Toda e qualquer intervenção nessa área deve passar por uma comissão técnica permanente de alto nível, criada para esse fim. E que tenha com poder de veto”.
A eterna guardiã do dr. Lucio reacendeu em nosso espírito o sentido da preservação e ajudou a moldar a beleza de Brasília.
Obrigado, Maria Elisa Costa.
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MARIA ELISA COSTA

HISTÓRIA, LEGADO E ADEUS!

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“O tempo tem carícias com as coisas velhas”, pressentia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina (1889-1985). Hoje, 66 anos depois da inauguração, Brasília vive uma realidade: participantes de sua construção estão em outro patamar. Os artistas construtores, todos eles, já se foram. O legado de JK, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Joaquim Cardozo, Athos Bulcão, Mariane Perretti, Burle Marx, Ceschiatti e Bruno Giorgi está aí para a gente celebrar e respeitar.
Dia 25, sexta-feira, partiu uma das mais importantes coajuvantes da criação e da construção de Brasília, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa.
Maria Elisa se une a outros personagens que ajudaram a colocar Brasília de pé: Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Augusto Guimarães, Carlos Magalhães da Silveira, Jofre Mozart Parada e Moacyr Gomes de Souza.
A escolha do projeto do Plano Piloto foi feita em 16 de março de 1957. A construção, mesmo, começou em abril. Vamos voltar três meses antes. Tardinha de uma segunda-feira, 4 de fevereiro de 1957. Maria Elisa, com 22 anos, cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura. Tão logo Maria Elisa entra no apartamento, ouve a voz do pai:
– Minha filha, vem aqui que quero mostrar “uma coisa”.
Ela chega, cheia de livros e cadernos, e não dá lá muita importância para a “coisa”. A “coisa” era, simplesmente, o primeiro esboço da Asa Sul de Brasília, a lápis com toques de cor e com anotações manuscritas. Na escala de 1/25.000, como o projeto foi apresentado no concurso.
Ela ainda ouviu seu pai descrever a nova capital, tim-tim por tim-tim. Quando terminou, lembra Maria Elisa: “Papai, com a camisa encharcada de suor, expôs pela primeira vez em palavra falada, a sua criação solitária. Sim – continua ela – porque o projeto de Brasília foi feito por ele sozinho, em casa. Fui a primeira pessoa a saber como seria nossa capital”.
Aquela revelação – uma descoberta que mudaria a História do Brasil e o conceito de urbanismo no mundo – continha um conteúdo único e um vislumbre singular de esperança e de revolução. Ela mesmo explica:
“Quando lembro desse momento ímpar, o que mais me surpreende é que não achei nada de extraordinário. Tudo aquilo me parecia simplesmente normal: mudar a capital, inventar uma cidade… tudo! O próprio fato do meu pai ter feito o projeto sozinho em casa, desenhado a mão-livre e em escala, para mim não foi surpresa. Era esse, o jeito dele”.
A montagem do projeto do Plano Piloto para inscrição no concurso foi outra epopeia artesanal. “Fizemos a montagem em pranchas de cartolina, espalhadas no chão, com a ajuda de minha irmã Helena e de nossa prima, Nadja, sob rígida orientação do ‘inventor’. Detalhe por detalhe. A gente ia colando aquelas preciosas páginas nas cartolinas com aneisinhos de fita adesiva”.
O projeto tinha cinco pranchas, uma com o belo desenho da cidade em escala de 1/25.000, a nanquim e colorido com lápis de cor. E, mais quatro, com o texto da “Memória Descritiva” datilografado, ilustrado com impecáveis croquis, também desenhados a nanquim, alguns com leves toques de cor aqui e ali. À exceção da datilografia, tudo foi feito pessoalmente por Lucio Costa sem a ajuda de ninguém.
A própria Maria Elisa conta: “Fomos para a cidade de carro, meu pai dirigindo. Parou junto à entrada do Ministério da Educação. Minha irmã e eu descemos e entregamos as cinco pranchas na sobreloja. Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26, e entregamos para meu pai. Era 11 de março de 1957”. A partir daí, foi a saga da construção.
Desde aquele 4 de fevereiro, Maria Elisa Costa nunca mais se desgrudou de Brasília. Acompanhou tudo. Era a ‘mãe’ cuidando da ‘filha’, como membro do Conselho de Arquitetura e Meio Ambiente, como presidente do IPHAN ou atendendo solicitações diversas dos governadores de Brasília.
Passaram-se os anos. E lá estava Maria Elisa Costa na luta para defender a Capital em duas situações opostas e adjacentes: de um lado, a extensa área urbana em expansão e, de outro, o Plano Piloto a ser preservado. Ela tinha a noção exata de que uma coisa é gerenciar o desenvolvimento urbano da cidade em expansão. E outra, bem diferente, é assegurar a preservação de seu núcleo original. Explica ela: “O centro histórico da capital é a área delimitada pelo divisor de águas da Bacia do Paranoá. Toda e qualquer intervenção nessa área, mesmo não sendo localizada dentro do perímetro tombado ou em seu entorno direto, deve ser compatível com o texto original da Portaria 314 do IPHAN. Tem que ser fiscalizada. Toda e qualquer intervenção nessa área deve passar por uma comissão técnica permanente de alto nível, criada para esse fim. E que tenha com poder de veto”.
A eterna guardiã do dr. Lucio reacendeu em nosso espírito o sentido da preservação e ajudou a moldar a beleza de Brasília.
Obrigado, Maria Elisa Costa.
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