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PETER LUND (Parte 3)

O LEGADO DO VIAJANTE DINAMARQUÊS SEDUZIDO
PELA NATUREZA BRASILEIRA

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Naturalistas Viajantes

 

Miguel Flori Gorgulho e Silvestre Gorgulho

A História da Paleontologia brasileira tem início com o Naturalista dinamarquês, Peter Wilhelm Lund, considerado o pai da Paleontologia e Arqueologia no Brasil. Por suas pesquisas, escavações e estudos nas grutas da região mineira, principalmente na Gruta do Maquiné, Peter Lund descreveu minuciosamente a fauna de mamíferos e as mudanças ambientais ocorridas durante período Pleistoceno, há aproximadamente 2 milhões a 10 mil anos, quando a Terra era habitada por uma megafauna, onde animais de mais de uma tonelada de peso caminhavam livremente. Entre esses magníficos seres estavam os mamutes, as preguiças gigantes e os tigres dente-de-sabre. Alguns dos quais habitaram a região que hoje faz parte do Circuito das Grutas – um verdadeiro cemitério de fósseis desses animais.

 

É muito importante saber que Peter Lund foi quem encontrou os vestígios do hominídio mais antigo da América Latina, o qual ficou conhecido como o Homem de Lagoa Santa, um “parente” de Luzia, a primeira mulher da América, como entrou para a história. O crânio de Luzia, uma das “vítimas” do incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2 setembro de 2018, foi descoberto na década de 1970, em escavação na Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo, pela arqueóloga francesa Annette Laming Emperaire (1917-1977).

 

CHEGADA EM LAGOA SANTA

As divergências filosóficas com Claussen e familiares logo se instalam e Lund se refugia em Lagoa Santa, para se distanciar dessa convivência.

Para aliviar os aborrecimentos causados pelo sócio aventureiro, herda a fidelidade de um amigo e colaborador advindo da ‘troupe’ de Claussen, Peter Andreas Brandt (1792-1862), um norueguês otimista por natureza e talentoso ilustrador.

Quando Lund chegou a Lagoa Santa, a vila tinha apenas 60 casas. Logo o dinamarquês se embrenhou pelas cavernas e grutas da região cárstica. Para os moradores, era tudo muito estranho, pois gostava de colecionar ossos que encontrava enterrados nas lapas – uma prática que, para ele, significava desvendar e revelar ao mundo científico a pré-história do país que escolheu para viver.

 

PETER BRANDT, O APOIO QUE PRECISAVA

Peter Abdreas Brandt literalmente caíra no Cerrado para fugir de dívidas acumuladas como comerciante e editor de revistas na Noruega. Deixou para trás mulher e filhos e veio tentar a sorte no Brasil. No Rio de Janeiro encontra-se com os irmãos de Claussen que, acompanhados das esposas, partilhavam do mesmo objetivo. Juntos viajam para a Fazenda Porteirinhas, de propriedade de Claussen, onde Peter Lund também estava hospedado. Desde, então, Brandt passa a acompanhar Lund na exploração, catalogação e descrição científica de centenas de grutas e cavernas. Foi o anjo da guarda que Peter Lund precisava.

 

LEGADO CIENTÍFICO DE PETER LUND

Todo legado científico é eterno. E o de Peter Lund também o é. Ainda repercute nos dias de hoje.

 

O gato-de-dente-de-sabre (Smilodon populator) descrito pela primeira vez por Lund, pesava o dobro de um leão atual e os gliptodontes, como denominava os parentes extintos do bicho-preguiça, eram do tamanho de um carro pequeno. As coleções de fósseis oriundas de suas escavações em mais de 800 grutas calcárias atraem pesquisadores de todo o mundo para museus da Dinamarca.

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