Obras do Hospital do Recanto das Emas chegam à segunda etapa com 96% da fundação concluída
Com investimento de R$ 133,7 milhões e 17 mil m² de área construída, a nova unidade de saúde inicia fase de estruturação; expectativa é desafogar o atendimento em outras regiões
Ana Isabel Mansur, da Agência Brasília | Edição: Carolina Caraballo
As obras do Hospital do Recanto das Emas (HRE) entraram em fase decisiva. Com 96% dos serviços de fundação já concluídos, o empreendimento inicia agora a segunda etapa, focada na execução da estrutura da edificação. O projeto, com investimento total de R$ 133,7 milhões, terá três pavimentos e funcionará sob o perfil de atenção terciária para atender a região sudoeste do Distrito Federal.
Atualmente, cerca de 66 profissionais trabalham no canteiro, número que deve chegar a um pico de 350 trabalhadores nas fases mais intensas. O total inclui mão de obra direta, como mestres de obras, e indireta, com serviços de engenharia.
A fundação envolveu a perfuração de 508 estacas com até 22 metros de profundidade, garantindo a segurança da estrutura. Agora, está em andamento a fase de elevação e, nos próximos meses, deve ter início a terceira etapa, que inclui as instalações elétricas e hidráulicas.
Os trabalhos são conduzidos pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), com a participação da Secretaria de Saúde, responsável pela futura operação da unidade.
Aproximadamente 66 profissionais trabalham no canteiro do HRE, número que deve chegar a um pico de 350 trabalhadores nas fases mais intensa da obra
Inovação em cada etapa
A arquiteta da Novacap responsável pelo projeto, Fernanda Bouglex, destaca as inovações presentes na obra, a começar pelo modelo de licitação, chamado de contratação integrada. Segundo a profissional, esse formato é inédito para obras civis deste porte no DF, tendo sido utilizado anteriormente apenas em grandes obras de pavimentação.
“A própria contratação integrada exige inovação. Esse modelo, ao qual a Novacap aderiu tanto para o HRE quanto para os hospitais de São Sebastião e do Guará, permite que a mesma empresa cuide desde a elaboração dos projetos até a entrega da unidade em pleno funcionamento”, explica.
O sistema de laje bubble deck (laje de bolhas, em tradução livre), de origem dinamarquesa, é uma das principais inovações tecnológicas aplicadas na estrutura do Hospital do Recanto das Emas. Esse método construtivo consiste na incorporação de esferas ocas de plástico reciclável no interior das lajes de concreto armado, posicionadas estrategicamente para substituir o concreto em áreas que não sofrem grandes esforços estruturais.
De acordo com Fernanda, essa técnica permite uma execução mais rápida e leve, semelhante a um sistema pré-moldado, garantindo a redução do peso da edificação e a economia de materiais como aço, concreto e madeira.
Outro diferencial é a presença de um pavimento técnico, que permite realizar manutenções e ampliações nas instalações elétricas e hidráulicas sem a necessidade de interromper o funcionamento da unidade.
“Se precisarmos trocar serviços ou ampliar ambientes, conseguimos fazer sem parar o hospital, porque todas as instalações estão naquele pavimento. A manutenção se torna muito mais prática e eficiente”, avalia a arquiteta.
O projeto arquitetônico também incorpora o conceito de salutogênese, em que o design do ambiente é utilizado como parte do tratamento de saúde. A estrutura foi planejada com jardins internos e externos, além de quartos posicionados nas fachadas para garantir iluminação natural.
“Quando fizemos o anteprojeto que embasou a licitação, buscamos referências de outros hospitais com bom padrão de atendimento e pedimos uma abordagem voltada para a natureza. Muitos estudos comprovam que a vegetação faz muito bem aos pacientes. Por isso, os quartos permitem que eles vejam o dia e a noite. O projeto foi pensado com muito cuidado para gerar resultados terapêuticos positivos”, conclui Fernanda.
Carlos Augusto Lopes, servidor público: “A expectativa está alta, vamos torcer para que a obra avance, porque vai beneficiar muita gente, inclusive eu”
Atendimento à população
Localizado na Quadra 104, em frente ao Atacadão, o hospital é aguardado há décadas pela população do Recanto das Emas, que hoje precisa se deslocar para outras regiões, como o Hospital Regional de Taguatinga (HRT), em busca de atendimento.
É o caso do servidor público Carlos Augusto Lopes, de 55 anos. Quando precisa de serviços de saúde, ele vai para Taguatinga ou para o Plano Piloto. “Desde o início do século, o pessoal fala deste hospital. Para se deslocar hoje para outra cidade, há custos, e o Recanto das Emas é uma cidade onde a maioria das pessoas é de baixa renda, e R$ 10 ou R$ 20 fazem falta. Esse hospital vai reparar tudo isso. A expectativa está alta, vamos torcer para que a obra avance, porque vai beneficiar muita gente, inclusive eu”, comenta Carlos, que mora no Recanto desde 1995.
Ele observa que a estrutura também vai atender moradores de outras regiões. “Não existe hoje um ‘recantense 100%’, porque ninguém nasce aqui, nasce na cidade vizinha por falta de maternidade. Esse hospital vai atender não só o Recanto, mas também Água Quente e o setor rural. É um benefício para a população, que não precisará mais ir para longe buscar saúde”, completa.
Quando precisa de atendimento médico, a aposentada Hilda Ferreira, de 76 anos, recorre a serviços particulares. “Moro aqui desde o começo [do Recanto] e esse hospital é esperado por todo mundo. Hoje, se preciso de exame, tenho que pagar particular, porque a clínica [pública] que tem aqui não consegue atender à demanda. Estou esperando para que, se eu adoecer, possa ter atendimento aqui pertinho de casa. Vejo o pessoal trabalhando todo dia [na obra] e espero que termine logo”, afirma.
Hilda Ferreira, aposentada: “Esse hospital é esperado por todo mundo. Vejo o pessoal trabalhando todo dia [na obra] e espero que termine logo”
O hospital
O HRE terá 100 leitos, distribuídos entre clínica médica (60), clínica pediátrica (30) e UTI pediátrica (dez). A unidade também contará com seis consultórios — dois no ambulatório geral e quatro na emergência pediátrica —, além de um centro cirúrgico com duas salas.
Na área de diagnóstico por imagem, serão duas salas de raio-X, uma de tomografia e quatro de ultrassonografia. A estrutura inclui ainda áreas técnicas e de apoio, como farmácia central e satélites, nutrição e dietética, laboratório de patologia clínica, lavanderia, CME (Central de Material Esterilizado), almoxarifado e unidade de ensino e pesquisa.
Além da ampliação da rede pública, o HRE também se destaca pelo uso da tecnologia BIM (Modelagem da Informação da Construção, na sigla em inglês), que utiliza modelos 3D para otimizar tempo, recursos e garantir mais precisão no planejamento.
O novo hospital também busca certificação ambiental Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental, na sigla em inglês), incorporando soluções sustentáveis, como eficiência energética e gestão responsável dos recursos, o que amplia a sustentabilidade da obra.
Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Mulheres em tratamento de saúde que causa a perda de cabelos contam com atendimento gratuito para doação de perucas no Distrito Federal. Para a prestação do serviço, há um banco com cerca de 300 perucas, renovado a cada dois meses. O atendimento ocorre diariamente, conforme a demanda, com limite de uma peça por pessoa.
As perucas são produzidas por voluntários a partir do reaproveitamento de cabelos naturais doados. A iniciativa reúne a confecção de próteses mamárias, cortes de cabelo e barba, além do fornecimento de toucas e lenços. Há necessidade de novos voluntários para a produção, que oferece capacitação para os interessados.
Como doar
Para a doação, a orientação é separar mechas com no mínimo 20 centímetros, prender os fios antes do corte e entregá-los secos, em saco ou envelope. Fios com química ou coloração também podem ser entregues. O recebimento das doações de cabelo ocorre das 8h30 às 12h e das 13h às 16h. Para confirmar os dias de atendimento, a orientação é entrar em contato pelo telefone (61) 3364-5467.
A oficina também recebe insumos para a confecção das peças, como telas, linhas de náilon ou tecelagem, silicone adesivo selante, tecido do tipo voil, xampu e condicionador.
Como acessar o serviço
O atendimento é voltado a pessoas que passam por tratamento de saúde com perda de cabelo. O critério informado é estar preferencialmente sem cabelos e apresentar documento de identificação pessoal com foto e relatório médico atualizado, emitido nos últimos seis meses.
O cadastro é feito na Sala de Acolhimento da Rede Feminina, situada no ambulatório do Hospital de Base do Distrito Federal (Corredor 5). Após o registro, são apresentados os modelos, tamanhos e cores para escolha do beneficiário. Informações sobre serviços, voluntariado e doações também estão disponíveis neste site e no perfil oficial @redefemininabrasilia.
Livro é fruto de dissertação de mestrado e se dirige a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadoras, além do público em geral
A Câmara Legislativa do Distrito Federal sediará, no próximo 13 agosto, a partir das 19h, o lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital, de autoria da advogada Janaína Rodrigues de Sousa. A obra analisa a participação feminina na política do Distrito Federal a partir de 2013 — ano em que a Câmara Legislativa do Distrito Federal implementou a Procuradoria Geral da Mulher. O lançamento será transmitido ao vivo pela TV Câmara e no YouTube.
A obra, que será lançada no dia 13, nasceu durante o mestrado da autora. Janaína destaca que o livro se dirige a mulheres que atuam ou desejam atuar na política, a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadores, além do público em geral. Ela espera também incentivar novas pesquisas sobre o tema na Câmara Legislativa. “Desejo que ele sirva como instrumento de formação política e de conscientização. Quero que as pessoas compreendam que a participação feminina não interessa apenas às mulheres — ela é indispensável para fortalecer a democracia e tornar as políticas públicas mais representativas.”
O livro mapeia os obstáculos que as mulheres enfrentam ao longo da trajetória política, com ênfase nas barreiras que persistem mesmo após a eleição. “Mesmo ocupando uma cadeira no Parlamento, muitas mulheres continuam afastadas dos principais espaços de poder, como a Mesa Diretora, as presidências de comissões estratégicas — o que chamamos de hard politics — e as relatorias de maior relevância. É o chamado ‘teto de vidro’: uma barreira muitas vezes invisível que permite a presença das mulheres, mas dificulta seu acesso ao poder real de decisão”, explica a autora.
Para Janaína, ocupar espaço não é suficiente se não vier acompanhado de poder de decisão. “Eu acredito que a presença das mulheres na política não pode ser apenas simbólica. Nós precisamos ocupar os espaços onde as decisões são tomadas, transformar nossas experiências em leis e a nossa voz em poder. Não estamos pedindo licença para participar da história — estamos assumindo o protagonismo de escrevê-la. A política é, também, um espaço para chamar de nosso. Precisamos de mais mulheres nos representando”, conclui.
Serviço
Lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital
Local: Foyer do Plenário
Quando: 13 de agosto, às 19h
Em meio a grandes marcas de tecnologia e inovação, a ideia de um universitário de 19 anos movimentou o estande do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) na Rio Innovation Week, na semana passada. Arthur Almeida Santos, de 19 anos, desenvolveu um jogo para explicar de forma lúdica as atribuições do órgão em que estagia.
Quando soube que a proposta do MP era desenvolver um quizz, jogo de perguntas e respostas, o ex-aluno da área de programação de jogos digitais da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) levantou a mão para discordar.
“Pedi licença e disse que ‘quizz’ não é engajante. Perguntei por que não um jogo? E eles me deram o trabalho de desenvolver”, contou, em entrevista à Agência Brasil, o jovem de Quintino, na Zona Norte do Rio.
A ideia que ele deu foi “simples”, resume: as pessoas precisavam classificar, entre várias atribuições do poder público, qual era do MP-RJ, considerando as regiões do estado.
“É uma forma criativa de ensinar às pessoas o que é o Ministério Público e o que ele faz. As pessoas tinham um minuto e 40 segundos para fazerem sua melhor pontuação e ganharem o melhor brinde, que era um ecobag”.
Aluno do segundo período do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Arthur surpreende ao destacar que gosta da parte humana de sua formação.
“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”.
Ele chegou a cursar Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), mas mudou de área em busca desse equilíbrio maior entre ser humano e tecnologia.
“Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, disse ele, que agora está em sua primeira experiência profissional.
O estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) Crédito: MPRJ/Bruno Bou
Reconhecimento
O jovem integrou o grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Ela conta que Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que o ajudou no visual do jogo.
“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa Fraga. “Ele tem 19 anos, chegou aqui querendo trabalhar com gamificação, mas nós não temos um setor específico desse assunto, e ele trabalha, então, com o pessoal de tecnologia da informação (TI), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência”.
A procuradora afirmou que esperava que o jogo fosse agradar, mas não imaginava que seria o sucesso que foi no evento.
“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”.
“Eu disse para ele, lá no festival, que ele tinha que aproveitar aquela oportunidade, que aquilo ali era uma porta que estava se abrindo para ele. Um futuro muito grande”, comentou Elisa Fraga.
Ter o trabalho reconhecido pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, foi algo que emocionou Arthur.
“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembra. “Conseguir um elogio da entidade máxima do MP é muito difícil e extraordinário. E eu consegui. É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”.