Reportagens
Emissoras da RNCP defendem repartição de recursos federais
Encontro Nacional busca ampliar cooperação entre veículos públicos
Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil
Representantes de rádios e televisões que compõem a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) se reúnem entre segunda-feira (18) e terça-feira (19) para discutir os rumos da cadeia de emissoras. 

Nesta edição, realizada no Rio de Janeiro, o encontro busca ampliar a cooperação entre os veículos regionais e aqueles administrados pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), além de discutir formas de fomentar conteúdos públicos.
A RNCP é uma articulação de emissoras, em sua maioria não comerciais, que começou a ser formada há 16 anos e ganhou impulso nos últimos anos, a partir da estratégia de expansão por meio do empréstimo de canais da EBC a parceiros. Nesta nova etapa, aderiram à rede universidades públicas, estaduais, municipais, órgãos de Estado, entre outras instituições da sociedade civil.
Com a iniciativa, o governo federal pretende universalizar a cobertura do Sistema Público de Comunicação, previsto na Constituição Federal como complementar aos sistemas privado e estatal.
Em 2026, a RNCP chegou a 330 emissoras, de acordo com a EBC, que vem inaugurando novos canais de rádio e TV, pela rede desde 2024. Naquele ano, foi inaugurada a primeira estação da expansão: a rádio da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que passou a retransmitir o sinal da Rádio Nacional de Brasília, detalhou o conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) Octavio Pieranti.
Depois, em 2025, foram mais 14 inaugurações e, neste ano, outras 29 rádios e TVs entraram no ar. Além de apoio técnico, por meio da cooperação, as emissoras contam, gratuitamente, com conteúdos da TV Brasil, Rádio Nacional e da Rádio MEC.
Para fortalecer a parceria e ajudar a fomentar as iniciativas, as emissoras, no encontro deste ano, voltam a pedir que o governo regulamente um fundo criado para financiar a comunicação pública. A Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP) pode colaborar com o caixa de muitas instituições, sobretudo na transição para a TV 3.0, que promete unir o sinal de TV à internet.
Composta por recursos cobrados de empresas de telecomunicações, segundo informação disponível no site da Anatel, em 2025, a EBC arrecadou R$ 3,8 milhões com a CFRP.
A ideia, agora, é a própria RNCP, com apoio da sociedade civil, buscar o governo. Para isso, uma articulação deve ser retomada no encontro do Rio de Janeiro, informou Welder Alves, gerente de Rádios, Projetos Especiais e Mídias Digitais do Sistema Encontro das Águas (antiga TV Cultura do Amazonas). Ele também é representante da RNCP em um dos comitês de participação social da EBC, instituído em 2025.
“É importante dizer que não se faz comunicação pública sem financiamento”, acrescentou o diretor-geral do Sistema de Rádio e Televisão do Espírito Santo, Igor Pontini, no evento. Mesmo com financiamento híbrido, a verba do governo estadual, explicou, é insuficiente.
“No Espírito Santo, passamos por um momento importante, de reestruturação e modernização, mas só o orçamento estadual não dá conta. A gente capta recurso da iniciativa privada, vende espaço publicitário, mas precisamos e entendemos que o governo federal precisa fazer a sua parte”, frisou.
No estado, com apoio da RNCP, a TVE-ES chegará a 80% dos capixabas nos próximos anos, informou o diretor. Atualmente, o sinal alcança apenas sete municípios da região metropolitana de Vitória, onde vivem 40% dos habitantes do Espírito Santo.
Pontini lembrou ainda que, no passado, a EBC fez repasses para as afiliadas da RNCP e que o montante representava 20% da arrecadação com espaço publicitário. “Qualquer recurso que chegue fortalece nossa estrutura, permite contratar jornalistas, técnicos, porque isso é estratégico para a soberania do país”, completou.
O diretor fez referência às declarações da presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, na abertura do evento, que defendeu a comunicação pública diante de um cenário de desinformação, discurso de ódio e negacionismo na mídia.
“A pauta do debate público está sendo organizada cada vez mais por máquinas, por algoritmos que não respondem por suas escolhas, que não prestam contas e não têm compromisso com a verdade”, declarou ela. “Nós escolhemos a democracia e a verdade”, completou.
Prestes a entrar no ar no dial FM, a Rádio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também é afiliada à rede da EBC. O diretor do Núcleo de Rádio e TV da UFRJ, Marcelo Kischinhevsky, celebrou o avanço e citou o esforço logístico da EBC, da Anatel e de ministérios para incluir as instituições públicas de ensino superior na rede. Agora, ele defende que a relação evolua para viabilizar o financiamento.
“Esperamos a regulamentação do uso da CFRP para viabilizar investimentos em infraestrutura e conteúdos, possibilitando a construção de uma efetiva alternativa de comunicação”, afirmou o professor. “Isso é fundamental em um país em que a radiodifusão é concentrada nas mãos de grandes empresas privadas”, frisou.
Em 2024, a EBC e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) chegaram a apresentar uma minuta com a repartição dos recursos entre emissoras do Sistema Público, mas a proposta ainda não avançou.
No evento da RNCP, a presidenta da EBC reconheceu o peso da rede para que conteúdos cheguem a todo o país.
“A comunicação pública é um direito do povo e a expansão da rede é o que garante esse direito”, afirmou. A TV Brasil em sinal aberto e as emissoras de rádio da EBC têm alcance restrito no país.
A radiodifusão, mesmo na era das plataformas digitais, mantém a confiança do público e a comunicação pública tem a missão de estar onde emissoras comerciais abriram mão de operar, acrescentou o gerente executivo de Rádios da EBC, Thiago Regotto.
“Chegar, sobretudo, no Brasil profundo, é um papel específico da EBC e da mídia pública”, disse. “Ao mercado, só interessa colocar antenas onde tem alguém para comprar algo. À EBC, não. Colocaremos antenas onde estiver um brasileiro”.
O Encontro da Rede de Comunicação Pública celebra os 90 anos da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e antecede evento científico que debaterá o futuro da mídia sonora no país. O 7º Simpósio Nacional do Rádio será entre quarta-feira (20) e sexta-feira (22), com apresentação de trabalhos na EBC e no Edifício Capanema.
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Moraes dá 48 horas para Bolsonaro informar se autorizou vídeo com IA
Produção foi apresentada no sábado em convenção do Partido Liberal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (28) que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste, no prazo de 48 horas, sobre a utilização de sua imagem e voz em um vídeo produzido por meio de inteligência artificial (IA) e exibido durante a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25).

Na decisão, Moraes afirma que é necessário esclarecer se Bolsonaro autorizou a produção e a divulgação do vídeo, que simulava um pronunciamento em apoio à pré-candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, à Presidência da República.
Segundo o ministro, a resposta é necessária para verificar se houve novo descumprimento das condições impostas ao ex-presidente durante a prisão domiciliar humanitária. Se essa hipótese for confirmada, Bolsonaro corre o risco de ter o benefício revogado.
Caso ele não tenha autorizado a produção do vídeo, Moraes aponta eventual grave desrespeito à legislação eleitoral por parte de Flávio Bolsonaro e do PL, podendo, inclusive, acarretar em inelegibilidade.
“Se não houve autorização do custodiado Jair Messias Bolsonaro para utilização de sua imagem e voz para declarações político-eleitoral, além de constituir desrespeito à ordem judicial por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal (PL), tal conduta poderá tipificar a denominada ‘deep fake’, prática expressamente vedada pela legislação eleitoral, um vez que, haverá a caracterização de criação ou divulgação de conteúdo sintético destinado a associar artificialmente a imagem, a voz ou a manifestação de determinada pessoa a candidato, partido ou causa política, sem sua expressa autorização”.
Na decisão desta terça-feira, Moraes lembra que Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar humanitária, está com os direitos políticos suspensos em razão de condenação criminal definitiva por tentativa de golpe de Estado e está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros.
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Exposição dos Povos da Floresta chega a Brasília e ocupa Memorial dos Povos Indígenas
Em cartaz a partir de quarta-feira (29), mostra tem entrada gratuita e reúne artistas indígenas, povos tradicionais e diferentes expressões da arte amazônica
Por
Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes
Brasília recebe, a partir desta quarta-feira (29), a Exposição dos Povos da Floresta, uma mostra que reúne artistas de diferentes territórios da Amazônia em um encontro entre arte, ancestralidade, território e memória. Integrando a Etapa Brasília do Festival dos Povos da Floresta, a exposição ocupa o Memorial dos Povos Indígenas (MPI), com visitação gratuita até 27 de setembro.
Idealizado pelo Centro de Inovação da Amazônia (Rioterra), o Festival dos Povos da Floresta promove a circulação de artistas, mestres tradicionais e comunidades originárias, ampliando o acesso às múltiplas expressões culturais amazônicas em diferentes regiões do país. A cerimônia de abertura será na terça-feira (28), das 19h às 21h, marcando o encontro de artistas, curadores, convidados e público em uma celebração da diversidade cultural brasileira.
A exposição reúne fotografias, pinturas, esculturas, instalações, registros audiovisuais, experiências em realidade virtual e curtas-metragens, construindo um percurso sensorial que aproxima o visitante das diferentes narrativas e modos de vida presentes na Amazônia.
Entre os destaques estão obras de Gustavo Caboco, Paula Sampaio, Will Arehj, Wauto Am, além do acervo fotográfico da Rioterra com trabalhos de Marcela Bonfim, Alexis Bastos, Fred Bastos, Alexandre Rotuno e do próprio Will Arehj.
A mostra também reúne artistas de Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, refletindo a diversidade estética, cultural e territorial da região amazônica. Participam nomes como Saulo de Souza, Rafael Prado, Evandro Câmara, Bototo, Avener Prado, Isaías Miliano, Pedro Macuxi, Kaiwino Wiz (Georgina), Vinícius Kenede, Caripoune Yermollay, Ya Juarez, Keyla Palikur, Thay Ptit, Hugo Figueiredo e Gilson Tupinambá, entre outros.
Ao longo de sua trajetória, a Exposição dos Povos da Floresta percorreu Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Belém (PA), incorporando novas ocupações artísticas e diferentes olhares curatoriais em cada território. Em Brasília, essas experiências convergem em uma exposição que sintetiza os diálogos construídos ao longo do projeto, sob curadoria de Isabela Bastos e Lucas Baim.
Mais do que apresentar obras de arte, a mostra propõe uma reflexão sobre a pluralidade dos povos amazônicos, evidenciando suas memórias, cosmologias, formas de resistência e modos de produzir conhecimento por meio da arte.
Programação audiovisual e realidade virtual
Além das obras expostas, o público poderá assistir a uma seleção de curtas-metragens produzidos em Rondônia, Roraima, Amapá e Pará, com narrativas que dialogam com os temas da exposição e ampliam a experiência do visitante.
A programação inclui ainda uma imersão em realidade virtual composta por quatro experiências audiovisuais que apresentam paisagens, saberes e vivências da Amazônia, permitindo ao público conhecer diferentes territórios por meio de tecnologia imersiva.
Comprometida com a democratização do acesso à cultura, a exposição contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérpretes de Libras e audiodescrição das obras por meio de QR Code.
Ao reunir diferentes linguagens artísticas, territórios e experiências culturais, a Exposição dos Povos da Floresta reafirma o compromisso do festival em fortalecer o protagonismo dos povos amazônicos e ampliar a circulação de suas produções, aproximando o público brasileiro da riqueza artística e cultural da região.
Serviço
Exposição dos Povos da Floresta
⇒ Local: Memorial dos Povos Indígenas (MPI)
⇒ Cerimônia de abertura: terça-feira (28), das 19h às 21h
⇒ Visitação: de quarta-feira (29) a 27 de setembro
⇒ Funcionamento: terça-feira a domingo, das 9h às 17h
⇒ Entrada gratuita.
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