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Exercícios orientados podem melhorar qualidade de vida durante tratamento contra o câncer

Movimentos dão mais autonomia para enfrentar a doença, enquanto especialistas reforçam que a prática deve ser adaptada às condições de cada pessoa

 

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Agência Brasília | Edição: José Renato Garcia

 

Quando recebeu o diagnóstico de câncer, em 2020, a profissional de educação física e gestora de academia Maria Erenice Mendonça, conhecida por todos como Berê, viu a rotina mudar completamente. Em meio aos desafios do tratamento, decidiu não abrir mão de algo que sempre fez parte da sua vida: a atividade física.

Hoje, em remissão, ela olha para trás com gratidão e acredita que o exercício foi um importante aliado durante esse período.

“Foi um período desafiador, mas também de muito aprendizado. Hoje sou profundamente grata por tudo o que vivi”, afirma.

A decisão de continuar se exercitando não tinha como objetivo manter o desempenho físico ou alcançar resultados estéticos. O foco era preservar a qualidade de vida e enfrentar o tratamento com mais equilíbrio. Berê conta que, mesmo nos dias em que conseguia realizar apenas uma atividade leve, percebia melhora na forma como lidava com a rotina.

“Minha maior motivação era preservar minha saúde mental e não permitir que o câncer definisse quem eu era. Sempre que conseguia me exercitar, eu me sentia melhor física e emocionalmente.”

Nem todos os dias, porém, eram iguais. Os efeitos colaterais do tratamento exigiram uma mudança de perspectiva e ensinaram que respeitar os limites do próprio corpo também faz parte do processo. Ela relembra que houve momentos em que caminhar por alguns minutos já representava uma vitória.

“Aprendi que persistir não significa ignorar os limites, mas continuar dentro do que é possível.”

Maria Erenice Mendonça, paciente em remissão de câncer: “Minha maior motivação era preservar minha saúde mental e não permitir que o câncer definisse quem eu era” | Foto: Divulgação

Embora experiências como a de Berê sejam inspiradoras, os especialistas reforçam que não existe uma recomendação única para todos os pacientes. A oncologista Katia Marchetti explica que a atividade física integra o cuidado oncológico quando há indicação clínica e acompanhamento especializado.

“Ela deve ser adaptada à condição clínica, às limitações do paciente e ao momento do tratamento. Em muitos casos, a fisioterapia motora também é uma importante forma de manter o corpo ativo, principalmente entre pacientes mais frágeis”, pontua.

Além de favorecer a disposição e a funcionalidade, a prática orientada pode trazer benefícios para diferentes aspectos do tratamento. Segundo a médica, estudos indicam que o exercício realizado antes, durante e após o tratamento pode contribuir para manter a capacidade física, auxiliar no controle de alguns efeitos colaterais e favorecer a recuperação após procedimentos cirúrgicos. Em determinadas situações, também pode estar associado a melhores desfechos clínicos. Ela ressalta, no entanto, que o excesso pode trazer consequências negativas.

“O exercício nunca deve ultrapassar a capacidade de execução do paciente, pois isso pode provocar lesões físicas ou gerar ansiedade por não conseguir atingir aquilo que foi proposto”, salienta.

“O exercício nunca deve ultrapassar a capacidade de execução do paciente”

Katia Marchetti, oncologista

Exercício exige avaliação individual

Hoje, de volta ao trabalho e vivendo a remissão, Berê acredita que a atividade física contribuiu para atravessar o tratamento com mais autonomia e confiança. Para ela, cada pequena conquista ajudou a construir o caminho percorrido.

“A atividade física me fez sentir viva, capaz e esperançosa. O câncer faz parte da minha história, mas não definiu o final dela.”

A enfermeira Kelly Marques destaca que os efeitos positivos também são percebidos no acompanhamento diário realizado pela equipe. Segundo ela, pessoas em tratamento que conseguem manter algum nível de atividade física tendem a apresentar mais autonomia para realizar tarefas simples, preservar melhor a força muscular e relatar melhora do humor e da autoestima.

“Cada paciente responde de uma forma diferente, por isso todas as orientações são individualizadas e respeitam as condições clínicas e emocionais de cada pessoa”, frisa.

Kelly lembra que alguns cuidados são indispensáveis antes de iniciar qualquer atividade. Febre, anemia importante, dor intensa, alterações laboratoriais, risco de infecção ou limitações decorrentes de cirurgias precisam ser avaliados pela equipe assistencial. Durante os exercícios, sinais como falta de ar, tontura, dor ou cansaço excessivo merecem atenção e devem ser comunicados aos profissionais responsáveis.

“O objetivo nunca é exigir desempenho, mas promover saúde com segurança”, acrescenta.

O fisioterapeuta André Luiz Maia, especialista em traumato-ortopedia e fisioterapia desportiva, explica que o movimento precisa ser encarado como parte do cuidado, mas sempre acompanhado por profissionais capacitados.

Antes da prescrição dos exercícios, a equipe avalia fatores como força muscular, mobilidade, equilíbrio, capacidade cardiorrespiratória, dor, fadiga, risco de quedas, além das características da doença e dos tratamentos realizados.

“Não basta dizer ao paciente para se exercitar. É preciso definir qual atividade realizar, em que intensidade, com quais adaptações e qual o nível de supervisão necessário”, orienta.

Segundo ele, não existe um exercício ideal para todas as pessoas com câncer. Caminhadas podem ser um bom começo para alguns pacientes, enquanto outros precisam priorizar fortalecimento muscular, exercícios de equilíbrio, mobilidade ou fisioterapia específica.

“O importante é encontrar uma dose de movimento que seja segura e útil naquele momento, preservando a autonomia e a qualidade de vida durante todo o tratamento”, detalha.

A atuação multiprofissional permite que cada paciente receba orientações compatíveis com sua realidade, com ajustes sempre que necessário ao longo do tratamento.

Mais do que incentivar a prática de exercícios, os especialistas reforçam que o movimento, quando orientado por profissionais e adaptado às condições de cada paciente, pode contribuir para atravessar o tratamento com mais autonomia, segurança e qualidade de vida.

Para quem ainda enfrenta o câncer, Berê deixa uma mensagem de esperança. “Cada tratamento é único, e, se houver liberação da equipe de saúde, a atividade física pode ser uma grande aliada. Respeitem seus limites e celebrem cada pequena vitória”, afirma.

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Impacto das telas na saúde mental já é debatido em 80% das escolas

Dados são de pesquisa com mais de 2 mil gestores escolares

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Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

O debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes já faz parte da agenda de oito em cada dez escolas brasileiras. A proporção de instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, que discutiram o tema em 2025, cresceu 18 pontos percentuais na comparação com 2024, passando de 62% para 80%.

Os resultados constam na pesquisa TIC Educação 2025, lançada nesta terça-feira (4) e realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

A coleta de dados foi feita por telefone em escolas públicas e particulares, de áreas urbanas e rurais, totalizando 2.404 entrevistas com gestores.

Segundo o Cetic.br, a pesquisa mostra que os debates sobre questões relacionadas aos efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento dos alunos e à adoção crítica desses recursos estão mais presentes nas escolas do país.

Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais, mães e responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, ante 60% no ano anterior. E 86% conversaram com professores e outros profissionais da instituição sobre o mesmo assunto, em 2024 a proporção era 68%.

Outros temas que passaram a ocupar mais espaço nas pautas das reuniões são o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais – de 56% em 2024 para 75% em 2025 – e a inclusão da educação midiática no currículo escolar, de 46% para 67%.

Obstáculos

Segundo o levantamento, 65% das instituições de ensino desenvolvem alguma ação voltada aos estudantes nessa área. No entanto, a presença dessas ações é desigual, ocorrendo com maior prevalência nas escolas urbanas (72%) e entre aquelas que disponibilizam computadores e acesso à internet para uso dos alunos em atividades educacionais (75%).

Entre as que realizam essas iniciativas, 75% dos gestores apontam a baixa participação das famílias e dos responsáveis como um dos principais obstáculos, seguida pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%).

Entre as que não realizam atividades desse tipo, a principal dificuldade é a falta de materiais e recursos de apoio (77%), seguida pela baixa participação das famílias (66%) e pela qualidade dos computadores e do acesso à Internet da escola (65%).

“Os dados mostram a necessidade de um olhar atento às desigualdades estruturais, que podem se configurar em desafios à garantia de maior equidade na oferta da educação digital, conforme prevê normativas importantes, como o Plano Nacional de Educação”, avalia Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação.

Ela acrescenta que “a integração entre escolas e famílias é outro aspecto essencial para a disseminação da educação digital”.

“Para que possam apoiar as famílias de maneira eficaz, as escolas precisam de suporte adequado e políticas públicas estruturadas”, defende.

Em 49% das escolas, os responsáveis buscaram a direção ou profissionais pedagógicos para obter orientações sobre como mediar o consumo digital de crianças e adolescentes. Do outro lado, 48% das escolas ofereceram palestras com especialistas em bem-estar e saúde mental para as famílias, e 46% distribuíram guias e materiais de orientação sobre hábitos saudáveis de uso de recursos digitais.

“Construir uma educação digital plena e segura é um desafio estratégico para o país e que precisa ser compartilhado entre os diferentes atores sociais. A escola tem um papel importante e crescente, mas também as famílias e o Estado. Precisamos aprimorar políticas públicas e estabelecer regras para a atuação de plataformas digitais”, analisa Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.

Ela ressalta que regulação e políticas públicas são elementos cruciais para a proteção de crianças e jovens, como aponta o ECA Digital.

“As famílias e os educadores precisam de apoio para compreender a complexidade de temas imateriais, como o funcionamento de algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial, para que possamos, coletivamente, proteger crianças e adolescentes contra os riscos e abusos no ambiente virtual”, disse.

Uso de celulares

Segundo o estudo, 51% dos gestores afirmam que os alunos não podem levar o telefone celular pessoal para o ambiente escolar. O resultado variou conforme o perfil da instituição, sendo mais restritiva naquelas com turmas até os anos iniciais (69%) do que nas com ensino médio (31%).

Em 40% das escolas, os alunos estão autorizados a levar o celular pessoal, mas as regras de armazenamento variam entre as instituições. Em 24%, os dispositivos devem ser guardados em bolsos ou acessórios de uso individual, como mochila ou estojo e, em 16%, em locais disponibilizados pelas escolas, como caixas, armários ou outros espaços.

Ao considerar a parcela de escolas que consentem que os alunos levem o celular, 66% permitem o uso do celular pessoal em atividades pedagógicas, proporção que aumenta em contextos que enfrentam maiores barreiras de conectividade e de acesso a computadores. O uso pedagógico do dispositivo sobe para 76% na Região Norte, 76% na Região Nordeste e 75% em áreas rurais.

Inteligência artificial

É a primeira TIC Educação que mapeou o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa por gestores escolares. A pesquisa indicou que 53% deles já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.

No entanto, apenas 22% dos gestores informaram que a escola possuía um guia de orientações sobre o uso de tais recursos no ensino, na aprendizagem ou na gestão (19% entre as escolas municipais, 25% entre as estaduais e 25% entre as particulares).

Entre as principais finalidades do uso de IA pelos gestores estão a criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).

Em 37% das escolas, o uso de IA pelos estudantes em tarefas educacionais é permitida. A proporção chega a 47% na rede estadual e a 52% naquelas com turmas até o ensino médio.

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Campanha Agosto Dourado reforça aleitamento materno como compromisso coletivo

Ações destacam a importância da rede de apoio para garantir o direito de mães e bebês à amamentação

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Agência Brasília | Edição: Paulo Soares

 

Agosto é um mês dedicado à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno. Com esse objetivo, a campanha Agosto Dourado intensifica as ações de promoção, proteção e apoio à amamentação na rede pública. As iniciativas têm como foco sensibilizar toda a sociedade sobre os benefícios do leite humano, que se estendem desde os primeiros dias do recém-nascido até a vida adulta.

De acordo com a coordenadora de Políticas de Aleitamento Materno do DF, Graça Cruz, a campanha busca disseminar informações essenciais para a saúde pública. “No mundo inteiro, realizamos ações de promoção do aleitamento materno para ensinar e reforçar os múltiplos benefícios do leite humano. Os nutrientes e fatores de proteção presentes no leite materno garantem uma base de saúde duradoura”, destaca.

A especialista enfatiza que o suporte durante o Agosto Dourado não deve ser direcionado apenas às lactantes, mas envolver gestantes, familiares, empregadores e a comunidade em geral. A proposta é desmistificar a ideia de que a amamentação é uma responsabilidade individual da mulher. “A amamentação é um direito que precisa ser assegurado por toda a sociedade. Isso envolve os serviços de saúde, a família e também os empregadores, que desempenham um papel fundamental ao apoiarem essa mulher no retorno ao trabalho para que ela continue amamentando”, pontua Cruz.

O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, devendo ser mantido de forma complementar com outros alimentos saudáveis até os dois anos de idade ou mais. “Para que a mulher consiga atingir essas metas, ela necessita de uma rede de apoio sólida e atuante”, reforça a coordenadora.

Atendimento

As mães que precisarem de apoio para amamentar ou que desejarem se tornar doadoras de leite humano podem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um dos bancos de leite humano (BLH) espalhados pelo Distrito Federal.

Para obter suporte direto, tirar dúvidas ou agendar a doação de leite humano, as famílias podem acessar o portal oficial Amamenta Brasília. Além do site, a rede disponibiliza atendimento telefônico pelo Disque Saúde 160 (Opção 4) e o Portal do Cidadão para realizar o agendamento para doação de leite.

Agosto Dourado

A denominação “Agosto Dourado” foi definida pela OMS e pela Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (Waba) para simbolizar o “padrão ouro” de qualidade do leite materno — considerado o alimento mais completo e perfeito para a nutrição e imunidade nos primeiros meses de vida. No Brasil, o mês de conscientização foi oficializado pela Lei Federal nº 13.435/2017, reforçando que amamentar é um investimento em saúde pública com impactos para toda a vida.

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CLDF realiza sessão solene em homenagem ao Dia do Monitor Educacional

Solenidade acontecerá no plenário da Câmara Legislativa, na quarta (5), a partir das 9h30, com transmissão pela TV Distrital

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Foto: Adelcio Ramos/PMC

Profissionais desempenham papel fundamental no cotidiano das unidades escolares, contribuindo para a promoção de um ambiente educacional seguro

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realiza sessão solene na próxima quarta-feira (5) em homenagem ao Dia do Monitor Educacional. A solenidade é uma iniciativa do deputado Jorge Vianna (Democrata) e acontecerá no plenário da Casa, com transmissão ao vivo pela ‎TV Câmara Distrital e no YouTube, a partir das 9h30.

Segundo o distrital, o objetivo da sessão é “prestar justa homenagem aos monitores educacionais do Distrito Federal, profissionais que desempenham papel fundamental no cotidiano das unidades escolares, contribuindo para a promoção de um ambiente educacional seguro, acolhedor, inclusivo e favorável ao desenvolvimento integral dos estudantes”.

Na avaliação de Jorge Vianna, os monitores educacionais exercem funções indispensáveis de acompanhamento, orientação e apoio aos alunos, colaborando diretamente com as equipes pedagógicas e administrativas das escolas. “Sua atuação fortalece a inclusão escolar, auxilia na organização das atividades educacionais e contribui para a construção de um ambiente de respeito, convivência e aprendizagem”, argumentou o parlamentar.

Luís Cláudio Alves – Agência CLDF

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