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Criação de quatro novas RAs em sete anos levou infraestrutura, serviços e dignidade a mais de 200 mil brasilienses

De 2019 para cá, Distrito Federal ganhou quatro regiões administrativas: Água Quente, Arapoanga, Arniqueira e Sol Nascente/Pôr do Sol; desde então, mais de R$ 568 milhões em investimentos para melhorar a vida da população

 

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Fernando Jordão, da Agência Brasília | Edição: Carolina Caraballo

Filha de pais analfabetos, Margarida Minervina, 53 anos, saiu de São Julião — cidade piauiense com pouco mais de 6 mil habitantes, 400 km distante da capital, Teresina — para, segundo ela, “romper o ciclo do analfabetismo”. No Distrito Federal, ela não só conseguiu, como foi responsável por ajudar na educação de mais de 2,5 mil crianças e adolescentes, por meio da Associação Despertar Sabedoria no Sol Nascente.

Mas o caminho não foi fácil. Em 2001, quando chegou à área onde iniciou o projeto, a pedagoga encontrou um cenário parecido ao que deixou para trás. “Todo mundo dizia que a gente era louco de estar nesse lugar que só tinha mato e muriçoca. Não tinha água, não tinha luz. O primeiro dia que eu dormi aqui com meus três filhos, a gente se embrulhou no lençol e deixou só o olho de fora, senão os pernilongos carregavam”, lembra.

Passados 25 anos, o Sol Nascente/Pôr do Sol, hoje, tem administração regional própria. Com isso, as mudanças foram tão significativas quanto as que Margarida viveu e as que propiciou aos estudantes assistidos pelo projeto. “A diferença é muito grande. Você tem asfalto, tem rede de internet, pode escolher qual internet vai colocar, tem água, tem luz, tem uma infraestrutura, você vê a diferença. Você pode sair da sua casa, ir caminhando pegar um ônibus e não chegar com o tênis todo cheio de lama”, relata.

“Tenho muito orgulho de dizer que sou moradora do Sol Nascente. Vivo aqui há 25 anos e nunca deixei de dizer que amo a minha cidade e que agradeço cada momento que passei aqui e cada infraestrutura que chegou: cada poste, cada pedaço de asfalto, cada escola”, acrescenta.

Investimentos

De 2019 para cá, o DF ganhou quatro novas regiões administrativas. O Sol Nascente/Pôr do Sol foi a primeira, em 14 de agosto de 2019. Pouco mais de um mês depois, foi a vez de Arniqueira, em 1º de outubro do mesmo ano. Em 21 de dezembro de 2022, vieram as outras duas: Arapoanga e Água Quente.

Para que essas áreas pudessem ganhar administrações regionais próprias, foram feitos estudos sobre a situação legal dos terrenos, a distância para o centro da região a que elas estavam originalmente ligadas e o tamanho da população residente. Atualmente, as quatro somam, segundo estimativas, 213.402 moradores, sendo 30 mil em Água Quente, 47.336 em Arapoanga, 45 mil em Arniqueira, e 91.066 no Sol Nascente/Pôr do Sol.

O Distrito Federal ganhou quatro novas regiões administrativas nos últimos sete anos: Sol Nascente/Pôr do Sol, Arniqueira, Arapoanga e Água Quente| Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Com a oficialização como RA, vêm os investimentos. Ao todo, as novas regiões receberam mais de R$ 568 milhões destinados a obras e serviços já concluídos ou em andamento. Dos mais simples — como reforma de praças e instalação de luminárias e pontos de ônibus — aos mais complexos — pavimentação de vias, construção de calçadas e de redes para escoamento de água da chuva, e criação de unidades de saúde, delegacias, escolas e creches.

Só para citar alguns exemplos, o Sol Nascente/Pôr do Sol ganhou uma rodoviária. Estão em andamento as construções de um Centro Educacional (CED) na Colônia Agrícola Vereda Grande, em Arniqueira, e de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Água Quente. E Arapoanga, em breve, terá um Centro de Educação da Primeira Infância (Cepi), que está em fase de licitação.

“Você faz um perfil de toda a comunidade que está ali, levanta todas as necessidades e faz um planejamento urbanístico, como uma cidade nova, para atender às necessidades daquela população de uma maneira mais próxima. O serviço público tem que chegar a ela com mais rapidez, com mais condições de atender essas pessoas dentro das suas necessidades. Elas precisam ter condição de ir e vir, de estudar, de ter saúde, de ter uma assistência social, de ter mais segurança, bem como um desenvolvimento econômico para que o emprego também seja gerado ali naquele local, para diminuir a mobilidade urbana”, aponta o ex-secretário de Governo, José Humberto Pires de Araújo.

José Humberto Pires de Araújo: “Você faz um perfil de toda a comunidade que está ali, levanta todas as necessidades e faz um planejamento urbanístico, como uma cidade nova, para atender às necessidades daquela população” | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Proximidade

Além de colocar os serviços mais próximos do cidadão, a criação de uma administração regional, na avaliação do ex-secretário, abre mais um canal de comunicação dos moradores com o governo. “Você coloca ali uma estrutura de pessoas com condições de pensar a cidade. À medida que você coloca uma sede de uma administração e dota ela de profissionais para poder pensar a cidade, para planejar a cidade, a população incorpora isso como uma coisa muito positiva, porque ela tem onde conversar, para onde recorrer, para onde fluir com as suas demandas e vice-versa. Então esse é um aspecto extremamente relevante.”

E essa é exatamente a sensação da agente de saúde Francisca Maria de Almeida, 63. Como ela mesmo define, quando chegou à área que depois viria a ser Água Quente, há 28 anos, “não tinha praticamente nada” e os moradores eram dependentes do Recanto das Emas, cujo centro está a mais de 20 km da região: “A gente era o quintal de lá”.

Francisca Maria de Almeida, moradora de Água Quente: “Agora o governo sabe que a gente existe. Que nós estamos aqui, que somos uma cidade. E isso é a melhor coisa” | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Com o tempo — e a oficialização como região administrativa —, vieram os serviços públicos e a infraestrutura de uma cidade. “Mudou tanta coisa que você nem imagina. Nós não tínhamos sinalização, hoje em dia temos em cada quadra. O SLU [Serviço de Limpeza Urbana] está direto aqui, tem as creches, colégio, tem ônibus e iluminação em local que não tinha”, elenca.

Mas o principal para dona Francisca é um ponto que resume — e por si só justifica — a necessidade da criação de uma região administrativa: “Agora o governo sabe que a gente existe. Que nós estamos aqui, que somos uma cidade. E isso é a melhor coisa”.

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DF disponibiliza banco de perucas para pessoas em tratamento contra o câncer

Atendimento é gratuito e requer documento pessoal e relatório médico atualizado

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Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto

Mulheres em tratamento de saúde que causa a perda de cabelos contam com atendimento gratuito para doação de perucas no Distrito Federal. Para a prestação do serviço, há um banco com cerca de 300 perucas, renovado a cada dois meses. O atendimento ocorre diariamente, conforme a demanda, com limite de uma peça por pessoa.

As perucas são produzidas por voluntários a partir do reaproveitamento de cabelos naturais doados. A iniciativa reúne a confecção de próteses mamárias, cortes de cabelo e barba, além do fornecimento de toucas e lenços. Há necessidade de novos voluntários para a produção, que oferece capacitação para os interessados.

Como doar

Para a doação, a orientação é separar mechas com no mínimo 20 centímetros, prender os fios antes do corte e entregá-los secos, em saco ou envelope. Fios com química ou coloração também podem ser entregues. O recebimento das doações de cabelo ocorre das 8h30 às 12h e das 13h às 16h. Para confirmar os dias de atendimento, a orientação é entrar em contato pelo telefone (61) 3364-5467.

 

A oficina também recebe insumos para a confecção das peças, como telas, linhas de náilon ou tecelagem, silicone adesivo selante, tecido do tipo voil, xampu e condicionador.

Como acessar o serviço

O atendimento é voltado a pessoas que passam por tratamento de saúde com perda de cabelo. O critério informado é estar preferencialmente sem cabelos e apresentar documento de identificação pessoal com foto e relatório médico atualizado, emitido nos últimos seis meses.

O cadastro é feito na Sala de Acolhimento da Rede Feminina, situada no ambulatório do Hospital de Base do Distrito Federal (Corredor 5). Após o registro, são apresentados os modelos, tamanhos e cores para escolha do beneficiário. Informações sobre serviços, voluntariado e doações também estão disponíveis neste site e no perfil oficial @‌redefemininabrasilia.

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Livro sobre participação das mulheres na política do DF será lançado na CLDF na quinta (13)

Obra da advogada Janaina Rodrigues analisa uma década de participação feminina na Câmara Legislativa

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Foto: Reprodução

Livro é fruto de dissertação de mestrado e se dirige a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadoras, além do público em geral

A Câmara Legislativa do Distrito Federal sediará, no próximo 13 agosto, a partir das 19h, o lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital, de autoria da advogada Janaína Rodrigues de Sousa. A obra analisa a participação feminina na política do Distrito Federal a partir de 2013 — ano em que a Câmara Legislativa do Distrito Federal implementou a Procuradoria Geral da Mulher. O lançamento será transmitido ao vivo pela TV Câmara e no YouTube.

A obra, que será lançada no dia 13, nasceu durante o mestrado da autora. Janaína destaca que o livro se dirige a mulheres que atuam ou desejam atuar na política, a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadores, além do público em geral. Ela espera também incentivar novas pesquisas sobre o tema na Câmara Legislativa. “Desejo que ele sirva como instrumento de formação política e de conscientização. Quero que as pessoas compreendam que a participação feminina não interessa apenas às mulheres — ela é indispensável para fortalecer a democracia e tornar as políticas públicas mais representativas.”

O livro mapeia os obstáculos que as mulheres enfrentam ao longo da trajetória política, com ênfase nas barreiras que persistem mesmo após a eleição. “Mesmo ocupando uma cadeira no Parlamento, muitas mulheres continuam afastadas dos principais espaços de poder, como a Mesa Diretora, as presidências de comissões estratégicas — o que chamamos de hard politics — e as relatorias de maior relevância. É o chamado ‘teto de vidro’: uma barreira muitas vezes invisível que permite a presença das mulheres, mas dificulta seu acesso ao poder real de decisão”, explica a autora.

Para Janaína, ocupar espaço não é suficiente se não vier acompanhado de poder de decisão. “Eu acredito que a presença das mulheres na política não pode ser apenas simbólica. Nós precisamos ocupar os espaços onde as decisões são tomadas, transformar nossas experiências em leis e a nossa voz em poder. Não estamos pedindo licença para participar da história — estamos assumindo o protagonismo de escrevê-la. A política é, também, um espaço para chamar de nosso. Precisamos de mais mulheres nos representando”, conclui.

Serviço
Lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital
Local: Foyer do Plenário
Quando: 13 de agosto, às 19h

Ana Carolina Rubo (sob supervisão de Ivan Iunes)

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Estudante cria jogo para apresentar funções do Ministério Público

Trabalho de estagiário foi destaque do MP na Rio Innovation Week

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Alana Gandra – repórter da Agência Brasil

 

Em meio a grandes marcas de tecnologia e inovação, a ideia de um universitário de 19 anos movimentou o estande do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) na Rio Innovation Week, na semana passada. Arthur Almeida Santos, de 19 anos, desenvolveu um jogo para explicar de forma lúdica as atribuições do órgão em que estagia.

Quando soube que a proposta do MP era desenvolver um quizz, jogo de perguntas e respostas, o ex-aluno da área de programação de jogos digitais da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) levantou a mão para discordar.

“Pedi licença e disse que ‘quizz’ não é engajante. Perguntei por que não um jogo? E eles me deram o trabalho de desenvolver”, contou, em entrevista à Agência Brasil, o jovem de Quintino, na Zona Norte do Rio.

A ideia que ele deu foi “simples”, resume: as pessoas precisavam classificar, entre várias atribuições do poder público, qual era do MP-RJ, considerando as regiões do estado.

“É uma forma criativa de ensinar às pessoas o que é o Ministério Público e o que ele faz. As pessoas tinham um minuto e 40 segundos para fazerem sua melhor pontuação e ganharem o melhor brinde, que era um ecobag”.

Aluno do segundo período do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Arthur surpreende ao destacar que gosta da parte humana de sua formação.

“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”.

Ele chegou a cursar Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), mas mudou de área em busca desse equilíbrio maior entre ser humano e tecnologia.

“Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, disse ele, que agora está em sua primeira experiência profissional.

 

Brasília - 07/08/2026 - Cleomar Barros ensina o filho desde criança a respeitar as meninas.( o estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) 
Crédito: MPRJ/Bruno Bou
O estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) Crédito: MPRJ/Bruno Bou

Reconhecimento

O jovem integrou o grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Ela conta que Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que o ajudou no visual do jogo.

“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa Fraga. “Ele tem 19 anos, chegou aqui querendo trabalhar com gamificação, mas nós não temos um setor específico desse assunto, e ele trabalha, então, com o pessoal de tecnologia da informação (TI), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência”.

A procuradora afirmou que esperava que o jogo fosse agradar, mas não imaginava que seria o sucesso que foi no evento.

“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”.

“Eu disse para ele, lá no festival, que ele tinha que aproveitar aquela oportunidade, que aquilo ali era uma porta que estava se abrindo para ele. Um futuro muito grande”, comentou Elisa Fraga.

Ter o trabalho reconhecido pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, foi algo que emocionou Arthur.

“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembra. “Conseguir um elogio da entidade máxima do MP é muito difícil e extraordinário. E eu consegui. É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”.

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