Festival na Escola de Música de Brasília traz diversidade sonora do Brasil
Até sexta-feira (3), a sexta edição do evento Conexões Camerísticas conta com 15 grupos de várias regiões do país, representando do chorinho à música erudita; entrada é gratuita
Josiane Borges, da Agência Brasília | Edição: Carolina Lobo
Até a sexta-feira (3), os apreciadores da boa música e de diferentes estilos musicais podem prestigiar a 6ª edição do festival Conexões Camerísticas, que reúne grupos profissionais de música de câmara no Teatro Levino de Alcântara, da Escola de Música de Brasília. Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), fomento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec), o evento terá entrada gratuita.
O festival reúne 15 grupos, pré-selecionados de todas as regiões do país, que apresentam diversos estilos musicais, como música popular brasileira (MPB), choro, músicas eruditas e outros gêneros mais populares. Diretora de arte do festival, a flautista Sammille Bomfim destaca a experiência única que o evento proporciona, com músicos de todo o Brasil explorando uma ampla variedade de estilos.
Conexões Camerísticas segue com apresentações nestas quarta (1º) e sexta (3), a partir das 19h30 | Fotos: Tatiana Reis
“É um trabalho de autoperformance e uma imersão dentro dos mais diferentes estilos musicais. A música de câmara remete a séculos passados, com apresentações que eram promovidas em espaços pequenos, como as câmaras de palácios, com poucos músicos e uma maior apuração na forma de tocar, de maneira cuidadosa e minuciosa, com outros níveis de exigência do músico, como os quartetos de cordas e quinteto de madeiras, e hoje são formações que estão dentro de todos os estilos musicais”, detalha Bomfim.
Desde a quinta edição do festival, o evento recebe apoio do FAC, o que tem sido fundamental para a sua execução. “O recurso proporciona a estrutura, como palco, iluminação, gravação, sonoplastia. E o principal: conseguimos valorizar os músicos, com um cachê justo e adequado para as apresentações”, conta a diretora artística.
Apresentações
O festival apresenta cinco grupos por noite, com formações de dois a oito integrantes, representando diferentes estados do Brasil. Nesta quarta-feira, a partir das 19h30, as atrações são Duo Affretato (RJ), Duo Foz (MG), Dynamos Duo (DF), Quarteto Capital (DF) e Fórmula Duo (PB). Por sua vez, na sexta-feira, os grupos Duo Guerra-Rimoldi (MG), Trio Característico (MG), DaniLu Duo (PB/DF), Duo Arraes-Moyer (DF) e Descobertas (DF) fecham o encontro.
Na última segunda-feira (30/10), o festival estreou com apresentações dos grupos Quarteto Transversal (DF), Karla Dias e Diogo Gianchristoforo (DF), Paloma Pitaya e Pedro Iaco (SP), Duo Calliandra (DF) e Liberarte Trio (DF).
Os músicos que se apresentam no festival foram selecionados por meio de um edital de seleção e processo de curadoria, destacando o crescimento do gênero musical desde a primeira edição realizada pelo Quarteto Transversal, que organizou o evento.
“Recebemos 87 inscrições de vários locais do país, e ficamos muito surpresos e felizes, pois uma das propostas do evento é fomentar e fortalecer a música de câmara e isso tem estimulado a formação de novos músicos. Na primeira edição do festival, tivemos dificuldades em conseguir oito grupos para a apresentação e agora recebemos a inscrição de 51 grupos somente aqui do DF”Sammille Bomfim, diretora de arte do festival
“Recebemos 87 inscrições de vários locais do país, e ficamos muito surpresos e felizes, pois uma das propostas do evento é fomentar e fortalecer a música de câmara e isso tem estimulado a formação de novos músicos. Por exemplo, na primeira edição do festival, tivemos dificuldades em conseguir oito grupos para a apresentação, e agora recebemos a inscrição de 51 grupos somente aqui do DF, o que é um marco cultural para a cidade, e 36 de outros estados”, salienta Bomfim.
Uma das artistas selecionadas, a pianista e professora de piano da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Luciana Noda elogia a iniciativa de promoção da música de câmara e destaca a liberdade da programação. Ela fará duas apresentações em um repertório com músicas nacionais.
“Ficamos muito felizes, e essa será a primeira vez que vamos nos apresentar em Brasília. A iniciativa de promoção da música de câmara é muito legal. O convite para outros grupos tocarem é único no Brasil, um evento democrático, com músicos do país inteiro, em um palco bacana, que rompem as barreiras da música erudita e tocam diversos estilos com uma programação que contempla a liberdade”, afirma Noda. A pianista se apresenta na quarta-feira, às 19h30, com Marcelo Vasconcelos, no grupo Fórmula Duo, e no mesmo horário na sexta-feira (3), com o violinista Daniel Marques, formando a DaniLu Duo.
Programação
Quarta-feira (1º) – A partir das 19h30
→ Duo Affretato – RJ
→ Duo Foz – MG
→ Dynamos Duo – DF
→ Quarteto Capital – DF
→ Fórmula Duo – PB
Sexta-feira (3) – A partir das 19h30
→ Duo Guerra-Rimoldi – MG
→ Trio Característico – MG
→ Danilu – PB/DF
→ Duo Arraes-Moyer – DF
→ Descobertas – DF
O Brasil ultrapassou a marca de 100 mil escolas públicas com acesso à internet gratuita e de qualidade para uso pedagógico. Segundo dados atualizados do Indicador Escolas Conectadas (Inec), o país já soma 100.720 instituições conectadas dentro dos parâmetros considerados adequados pelo governo federal.
O avanço faz parte da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), programa coordenado pelos ministérios da Educação e das Comunicações, em parceria com estados e municípios. A meta do governo é conectar todas as 138 mil escolas públicas de educação básica até o fim de 2026.
Crescimento acelerado
O programa registrou forte avanço nos últimos anos. Em 2023, apenas 45,4% das escolas públicas brasileiras tinham acesso à internet considerada adequada. O índice subiu para 57,3% em dezembro de 2024, chegou a 69,7% no fim de 2025 e alcançou 72,9% em abril deste ano.
Em nota, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o resultado é fruto de um amplo esforço de infraestrutura iniciado em 2023.
“Esse é um momento histórico para a educação e para a inclusão digital do Brasil. Ter mais de 100 mil escolas com acesso gratuito à internet é uma realidade pela qual o governo trabalhou intensamente”, declarou.
Segundo ele, a ampliação da conectividade ajuda a reduzir desigualdades educacionais, especialmente em regiões mais isoladas do país.
“Com essa política transformadora, nossos estudantes terão mais oportunidades de aprendizado e portas abertas para o mercado de trabalho”, acrescentou o ministro.
Uso pedagógico
Além de levar internet às escolas, o programa busca garantir conexão estável e veloz, com redes Wi-Fi adequadas para uso dentro das salas de aula. A proposta é ampliar o acesso a plataformas educacionais, aulas digitais, ferramentas de inovação e capacitação de professores.
Em nota, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que a iniciativa busca garantir igualdade de oportunidades para os estudantes da rede pública.
“A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas articula políticas e ações para universalizar o acesso à internet de qualidade e garantir o uso pedagógico da tecnologia em todas as escolas públicas”, afirmou.
Avanço no Norte
O maior crescimento proporcional ocorreu na Região Norte, onde os desafios logísticos historicamente dificultam o acesso à conectividade.
Em dezembro de 2023, apenas 23,6% das escolas da região tinham internet adequada. O índice passou para 36,7% em 2024, chegou a 60,5% em 2025 e atingiu 64,3% em abril deste ano.
Coordenado pelos Ministérios das Comunicações e da Educação, o programa é executado pela da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (EACE).Segundo o governo, a expansão reduziu desigualdades regionais e levou conexão de qualidade a escolas que antes estavam praticamente isoladas digitalmente.
Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira
Jorge Araújo, 61 anos, passou a ter uma rotina de mais cuidados depois que começou a usar medicamentos imunossupressores para tratar a artrite reumatoide, em 2023. “Hoje tenho a artrite controlada. Pego medicamentos na Farmácia de Alto Custo. Só uma caixa do remédio custa entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por mês. Sem esse apoio, seria um sacrifício muito grande manter o tratamento”, diz o administrador de empresas.
No entanto, com a imunidade reduzida e maior risco de infecções, o morador de Águas Claras encontrou no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Distrito Federal (Crie-DF) um apoio que trouxe mais segurança ao tratamento.
“Já tomei vacinas contra hepatites A e B, pneumo, meningite, gripe e influenza, e ainda tenho outras agendadas. Por causa dos remédios imunossupressores, minha imunidade fica mais baixa. As vacinas ajudam a me proteger de infecções e doenças mais graves”, conta.
Mais proteção
O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais, ou seja, doses que não fazem parte do calendário básico de vacinação.
Desde dezembro de 2023, o serviço já realizou quase 20 mil atendimentos presenciais e aplicou mais de 36,5 mil doses. Segundo a responsável técnica substituta do centro, Lethícia Lima, a unidade atende pacientes com condições específicas, como transplantados e pessoas com doenças crônicas.
O Crie é um serviço especializado da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que atende pessoas que precisam de vacinas e imunobiológicos especiais | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília
“A principal porta de entrada são as unidades básicas de saúde. O paciente apresenta relatório médico e cartão de vacina, e a equipe do Crie avalia quais doses são necessárias”, explica.
Acesso ampliado
Hoje, o centro funciona no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Para ampliar o acesso ao atendimento, a SES-DF implantou, em agosto de 2024, o Crie Virtual. A iniciativa conecta 108 salas de vacinação da rede pública à equipe especializada do hospital.
“O objetivo é facilitar o acesso do usuário. Com o Crie Virtual, conseguimos atender uma pessoa que mora longe e não possui recursos financeiros para ir ao Hmib. Quando a vacina é ofertada perto da residência, ela consegue concluir o calendário vacinal”, explica Lethícia Lima.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu audiência pública, nesta sexta-feira (22), sobre as demandas dos estudantes com altas habilidades e superdotação (AH/SD). A discussão teve a presença de representantes da Secretaria de Educação do DF, do Ministério da Educação, da Universidade de Brasília, da Ordem dos Advogados do Brasil e, principalmente, de mães que clamaram por mais suporte ao desenvolvimento de seus filhos.
“Dói perceber a falta de apoio, de compreensão e de preparo da sociedade e até das instituições para acolher esses jovens, além do rótulo da inteligência. Porque superdotação não é apenas o desempenho: é também intensidade emocional, conflitos internos e uma solidão difícil de explicar”, disse Silvia Lustosa, mãe de uma filha com AH/SD e um filho em processo de diagnóstico.
A audiência pública abordou a necessidade de aprimoramento de políticas para esse público, em especial o aumento do número de vagas para Atendimento Educacional Especializado (AEE) na rede pública de ensino. No DF, há filas de espera para esse tipo de atendimento, que é ofertado uma vez por semana no contraturno, geralmente nas salas de recursos das escolas. O serviço é voltado não apenas para alunos com AH/SD, mas também para estudantes com deficiências.
Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF
Apesar de não suprir a demanda, participantes da audiência apontaram que a rede pública está à frente da rede privada de ensino, que muitas vezes não oferta qualquer tipo de suporte educacional para estudantes com AH/SD. Atualmente, 10% das matrículas para atendimento especializado nas escolas públicas são disponibilizadas para alunos da rede privada.
Nesse ponto, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL), propositor da audiência, defendeu a cobrança de responsabilidade das escolas privadas, sem eximir o papel do Estado. “Os estudantes da educação privada têm direito ao atendimento, em suas especificidades, na educação pública. Nós podemos lutar para pressionar a responsabilização da educação privada, mas não podemos nos desresponsabilizar. Se a escola privada não cumprir esse processo, a educação pública sempre tem que estar de braços abertos, é um direito universal no Brasil”, afirmou o deputado, que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa e Promoção da Educação Inclusiva nas Redes Públicas de Ensino do Distrito Federal.
Outra demanda apresentada na audiência foi pela qualificação permanente de profissionais da educação e da saúde, aumentando a capacidade de diagnóstico precoce e de acolhimento a pessoas com AH/SD. A audiência completa, com todos os pontos abordados, pode ser acessada no YouTube da TV Câmara Distrital.